Escândalos, incertezas e riscos minam a mirrada base de apoio de Bolsonaro no Maranhão

 

Jair Bolsonaro: acúmulo de problemas graves e de alto risco mina frágil base de apoio do presidente da República no Maranhão

Contrariando a tsunami de otimismo que ganhou forma com a eleição de Jair Bolsonaro presidente da República, a maré bolsonarista que andou querendo ganhar volume no Maranhão de janeiro para cá, apesar da surra de votos que o candidato do PSL recebeu no estado, vem perdendo força. E pelo andar da carruagem, esse processo poderá ser intensificado se as informações divulgadas ontem pelo Jornal Nacional, fazendo uma   relação explosiva do presidente Jair Bolsonaro com o brutal assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) e do motorista dela, Anderson Gomes, que chocou o Brasil e o mundo, ganharem força. O cenário rascunhado ontem pela Rede Globo repercutiu fortemente na comitiva presidencial instalada em palácios suntuosos da Arábia Saudita, onde o presidente brasileiro reagiu aos berros, quase em descontrole, afirmando que não tinha motivos para matar a vereadora. Em vez de conter a maré desfavorável, a reação do presidente aumentou a necessidade de uma investigação minuciosa e urgente sobre a citação do seu nome no caso, que mergulhou os brasileiros numa preocupante expectativa. Entre eles, bolsonaristas assumidos e entusiasmados como o senador Roberto Rocha (PSDB), por exemplo.

A reportagem exibida no Jornal Nacional assombrou os brasileiros distanciados do partidarismo, e assustou bolsonaristas e não bolsonaristas – estes últimos a esmagadora maioria dos maranhenses. Além do senador Roberto Rocha, que tem se revelado aliado de primeira linha do presidente, políticos como os deputados federais Aluísio Mendes (PSC), Edilázio Jr. (PSDB e Pastor Gildenemyr (PL), todos com acesso fácil ao Palácio do Planalto e ao presidente, deverão tirar o pé do acelerador e controlar seu entusiasmo em relação ao bolsonarismo, o mesmo acontecendo com alguns líderes de menor porte, como a ex-prefeita Maura Jorge, que representa o Governo Bolsonaro no comando do braço maranhense da Funasa. Outros nomes, como o ex-prefeito de São Luís Tadeu Palácio, que recentemente se filiou ao PSL alimentando o projeto de retornar ao comando da Prefeitura da Capital nas eleições do ano que vem. Isso sem falar no deputado estadual Pará Figueiredo, único eleito pelo PSL no estado, mas que se mantém distanciado do partido e de qualquer polêmica envolvendo o presidente da República.

O primeiro sinal de que bolsonarismo não vingaria no Maranhão foi emitido nas eleições com o desempenho pífio do PSL e seus aliados. Depois, as frequentes derrapagens políticas do “mito” em relação a governadores nordestinos – a começar pelo maranhense Flávio Dino (PCdoB) -, suas atitudes em geral e a evidente falta de apetite para governar, preferindo passar horas fuxicando nas redes sociais, reforçaram a tendência inicial de rejeição da sua corrente partidária no estado. As trapalhadas dos três filhos e os inquéritos policiais que ameaçam o senador Flávio Bolsonaro e seu irmão Carlos Bolsonaro, vareador do Rio de Janeiro, sobre extorsão de servidores e existência de fantasmas nos seus gabinetes parlamentares diminuíram os arroubos bolsonaristas no Maranhão. As antes frequentes concentrações e carreatas de apoio e declarações de defesa do Governo minguaram. Até mesmo as manifestações nas redes sociais já não têm o vigor de até pouco tempo atrás.

Os desgastes sofridos pelo presidente Jair Bolsonaro até aqui, todos causados por ele próprio, inibiram fortemente a “onda de filiações ao PSL” para as eleições municipais do ano que vem, quando seriam criadas condições para o lançamento de “legiões” de candidatos a prefeito em todas as regiões do estado. Agora, administrando uma guerra interna pelo controle da milionária verba do partido, o presidente estadual do PSL, vereador Chico Carvalho vem enfrentando dificuldades crescentes para reforçar o partido. E alguns membros mais antigos do PSL, que apostaram todas as suas fichas no presidente, já mergulharam na desilusão e torcem para que ele deixe o partido, como ameaçou durante seu périplo pela China e País árabes. Nesse momento, são poucas as apostas no futuro do PSL no Maranhão.

O fato é que a quase inexistente base de apoio de Jair Bolsonaro no campo político-partidário tende a mirrar no Maranhão em meio a esse turbilhão de problemas. E o cenário sugere a lembrança do ditado   do deputado Lister Caldas, um dos mais importantes chefes do vitorinismo: “Quem viver, verá!”

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Chefes de Poder fizeram visita protocolar ao governador em exercício

Carlos Brandão recebeu ontem os presidente José Joaquim Figueiredo dos Anjos (TJ) e o deputado Othelino Neto (Alema)

No último dia de mais um período de interinidade, governador em exercício Carlos Brandão (PRB) recebeu ontem duas visitas de peso, mas importantes para reforçar a estabilidade institucional e a governabilidade, que têm dado norte seguro ao Maranhão. Estiveram no Palácio dos Leões o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB) e o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador José Joaquim Figueiredo dos Anjos. Foram visita protocolares, de chefes de Poder, mas tiveram importância exatamente pela essência política de cada um dos gestos. Afinal, Carlos Brandão permaneceu menos de uma semana no cargo, cumprindo mais uma interinidade por cinta da viagem do governador Flávio Dino ao Vaticano. A visita dos chefes do Poder Legislativo e do Poder Judiciário – que não foram juntos nem acertaram previamente – foi uma demonstração de que no Maranhão as instituições estão funcionando todo vapor.

 

Solidariedade mantém comando com Simplício Araújo, que foi mais votado do que Gil Cutrim

Simplício Araújo: mais votos do que vários deputados

Não funcionou a especulação segundo a qual o comando estadual do Solidariedade seria tirado do suplente de deputado federal Simplício Araújo, atual secretário de Estado de Indústria e Comércio, e repassado ao deputado federal Gil Cutrim (PDT). Ontem, conforme publicado em vários canais virtuais de informação, a direção nacional do partido comunicou ao Maranhão e ao mundo que o braço maranhense do SD não será entregue ao ainda pedetista Gil Cutrim e vai continuar sob a direção de Simplício Araújo. Basta olhar os números das eleições de 2018 para se ter a explicação. Eles informam que Simplício Araújo saiu das urnas com 74.058, mais votado do que três membros da banda governista da bancada maranhense na Câmara Federal: Gil Cutrim com 72.038 votos, Gastão Vieira (PROS) com 57.864 e Pastor Gildenemyr (PL) com 47.758. Ele estaria hoje no exercício do mandato não fosse uma articulação do governador Flávio Dino para colocar o suplente Gastão Vieira na vaga do deputado Rubens Jr. (PCdoB), que se licenciou para ser secretário das Cidades e Desenvolvimento Urbano e, provavelmente, candidato do partido à Prefeitura de São Luís. A ideia da cúpula nacional do SD de fazê-lo candidato a governador soa exagerada, mas a de mantê-lo no comando do braço maranhense do partido faz todo o sentido, a começar pelo fato de que tem potencial eleitoral no plano intermediário e é visivelmente um líder partidário ativo e bem articulado. Sua não eleição para a Câmara Federal foi mais uma dessas idiossincrasias do sistema de eleição proporcional ainda vigente no Brasil.

São Luís, 30 de Outubro de 2019.

Um comentário sobre “Escândalos, incertezas e riscos minam a mirrada base de apoio de Bolsonaro no Maranhão

  1. Tenho acompanhado, algumas vezes, suas postagens as quais achei informativas, pois as vejo apenas como informações vindas do Maranhão.
    Mas esta última sobre dúvidas e incertezas quanto ao governo do Presidente eleito Bolsonaro, de certa forma mexeu comigo. Muitas injustiças são praticadas contra o presidente. Existe muita sordidez, infâmia e indignidade no trato das coisas relacionadas ao presidente.
    Para cada acusação mentirosa, para cada calúnia, para cada distorção dos fatos sobre o presidente eleito do Brasil haverá uma resposta, porque eu acredito que: o que não o destrói, o deixa mais forte. Nós ainda temos muita gente boa, coerente e preparada no nosso país continente.
    Sendo ele, claro, sem astucias, sem insinuações subjacentes, direto ao ponto, preto-no-branco, sem o maquiavelismo natural dos hipócritas, sem a prosápia natural do político demagogo, astuto e deletério, com os quais nós estávamos acostumados.
    As coisas estão mudando, é outro jogo. Vivemos sobre o signo da mudança. Mudança extensa, profunda e cumulativa que originada numa revolução científica e tecnológica, atinge todas as esferas da vida. As crenças, valores, práticas e regras tão necessárias para operarmos no trabalho, cultura e política estão ou serão obsoletas em pouco tempo.
    Diante das ‘derrapagens’ mencionadas ele tem conseguido pegar o controle da situação de volta a cada uma das derrapagens, e assumir a posição de liderança. Acontece que o sistema estava não somente alquebrado, como também pútrido, infecto. E nós sabemos bem disso, embora nossos empregos não nos permitam manifestar nossos verdadeiros anseios e temores.
    Esses não são tempos para trivialidades, de cortesias infrutíferas entre países, temos que cuidar da economia de um país de 208 milhões de pessoas, com 13 milhões destes fora do mercado de trabalho, para tanto os relacionamentos internacionais têm que ser mais pragmáticos e objetivos e não deletérios inseridos em contextos ideológicos.
    Para aqueles que não querem enxergar ou estão totalmente abstraídos pela lavagem cerebral, muito comum em governos comunistas, para estes as coisas serão mais demoradas, é necessário tempo e raciocínio, se bem que o raciocínio seria mais difícil considerando que, principalmente em áreas do país com um IDH baixíssimo, é quase impossível isso acontecer em menos de uma década.
    “Quem viver, verá !” não poderia ser mais apropriado o ditado aqui atribuído a Líster Caldas político maranhense de outrora. Porque qualquer que seja o desfecho o ditado se aplica.
    Oxalá o povo maranhense acorde em tempo hábil de tomar uma decisão coerente nas urnas na próxima eleição.

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