Deputados expõem visões diferentes sobre queimadas, mas reconhecem que elas são um problema grave

 

Adelmo Soares, Cleide Coutinho e Zito Rolim: visões diferentes sobre queimadas que infernizam o Maranhão

As queimadas que atingem a Amazônia Legal, incluindo parte expressiva do território maranhense, foram tema destacado, ontem, na Assembleia Legislativa, em pronunciamentos feitos pelos deputados Adelmo Soares (PCdoB), Cleide Coutinho (PDT) e Zito Rolim (PDT). Três visões diferentes do problema, mas com uma preocupação comum: a gravidade com que áreas imensas estão sendo devastadas pelo fogo, colocando o Brasil – e o Maranhão junto – no centro das preocupações mundiais. Adelmo Soares falou como militante da causa ambiental, criticando fortemente a ação de “criminosos” nesse cenário de destruição. Cleide Coutinho falou como empresária do setor pecuário, fazendo um apelo para que grandes, médios e pequenos produtores, bem como a população em geral, se mobilizem contra o fogo. Zito Rolim se expressou como político com um pé na seara dos grandes produtores e também com preocupação com os pequenos, que queimam a mata para fazerem seus roçados. Os três elogiaram a postura e as medidas do governador Flávio Dino (PCdoB) para enfrentar o problema.

O deputado Adelmo Soares bateu forte no que chamou de “incêndios criminosos” que atingem os oito estados que formam a Amazônia Legal, praticados por grileiros para ampliar latifúndios e beneficiar a pecuária e o agronegócio. Afirmou que, segundo dados do IMESC, o Maranhão é o primeiro no ranking dos estados do Nordeste com maior quantidade de queimadas, e alertou que o mais grave ainda está por vir. “Precisamos nos preparar para esse momento que está se aproximando”, avisou. Destacou a iniciativa do governador Flávio Dino de pedir o apoio das Forças Armadas e de criar uma “sala de situação”, informando que Balsas registrou 1.300 focos de incêndios, Mirador, quase mil e outros seis municípios da Região Sul do Estado estão operando no limite máximo de queimadas. “Nós precisemos formar comissões, sentar e discutir para evitar as queimadas”, assinalou.

Sem o tom alarmante do colega, a deputada Cleide Coutinho concordou que é preciso combater e evitar queimadas, assinalando que o governador Flávio Dino editou um decreto que proíbe o uso de fogo para limpeza de áreas durante o período de estiagem. E deixou ainda mais clara sua posição alinhada ao setor produtivo: “Como empresária, eu estou conclamando a todos para fazermos nossa parte. Não só os empresários, os pecuaristas, mas também toda a população tem de fazer a sua parte. Conclamo os proprietários, fazendeiros, sitiantes e de outros imóveis para tomar cuidado, evitando incêndios e combatendo os focos de queimada nas fazendas, sítios, quintais ou terrenos baldios próximos a áreas rurais”. Justificou sua conclamação frisando que “as queimadas devastam a vegetação, matam os animais, causam prejuízos enormes ao meio ambiente, à economia e à população”. Lamentou que “o Brasil e o Maranhão, infelizmente, estão tendo prejuízos enormes de margem de recursos por conta das queimadas irresponsáveis ou involuntárias que surgem de todos os lugares”. E concluiu destacando que o decreto editado pelo governador Flávio Dino orienta que produtores substituam o uso do fogo “por práticas sustentáveis”.

O deputado Zito Rolim foi buscar uma explicação empírica, baseada na vivência, para o problema das queimadas. Para ele, alguns produtores, sobretudo os médios fazendeiros, preparam-se contra queimadas com estrutura própria para combater o início de incêndios. “Mas aqueles que não têm essa estrutura e muitas vezes pelo fogo provocado por pequenos agricultores que não se organizam, e ao fazerem as queimadas dos seus roçados, que na maioria deles são feitos de forma manual, a roça no toco, causam grande prejuízo, não só pela queima do pasto, mas também pela dificuldade que vai ter o criador em manter o seu rebanho”, explicou, com ar didático, Zito Rolim. Ou seja, na sua visão, o responsável pelas queimadas é o pequeno agricultor, que precisa ser alvo de campanhas educativas. O parlamentar elogiou a postura do governador Flávio Dino na reunião com o presidente da República, terça-feira: “O governador do Maranhão demonstrou a sua capacidade, o seu equilíbrio e a sua intenção em ajudar, principalmente, o nosso estado. Ele se saiu muito bem naquela reunião, a ponto de ter obtido grande repercussão nacional”.

Em resumo, três deputados de uma mesma região – os dois primeiros de Caxias, e o terceiro, de Codó – com visões acentuadamente diferentes, o que torna as queimadas um problema bem mais complexo do que muitos imaginam.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Se lançar Jeisael Marx, Rede pode comandar uma candidatura fora dos padrões

Jeisael Marx com o músico Fauzi Beydoun: apoio na Rede

Enquanto partidos fortes e consolidados, como PDT e MDB, por exemplo, se ressentem da falta de nomes com densidade política e poder de fogo eleitoral para disputar a Prefeitura de São Luís, o Rede Sustentabilidade, comandado por Marina Silva, deve definir como seu candidato o jornalista Jeisael Marx. Se abraçar essa pré-candidatura, o Rede apostará num projeto absolutamente original, fora dos padrões de preferência das agremiações tradicionais, bem identificado com a linha de ação do partido da ex-ministra do Meio Ambiente. Formado em São Luís por personalidades como o músico Fauzy Beydoun, o braço ludovicense do Rede pode sair de uma posição de calmaria absoluta para se tornar veículo de uma candidatura com potencial para ocupar uma posição importante na corrida pela sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT), que até aqui tem o deputado federal Eduardo Braide (Podemos) como franco favorito. Jeisael Marx é um jornalista militante que na sua vivência diária com os problemas da cidade percebeu que existe espaço para um projeto de candidatura independente e não vinculado às máquinas partidárias que atualmente movem as peças no tabuleiro político ludovicense.

 

Rigo Teles pode concorrer em Barra do Corda contra candidato do refeito Eric Costa

Rigo Teles: candidatável

O deputado Rigo Teles (PV) está disposto a interromper o sexto mandato consecutivo na Assembleia Legislativa para encarar o desafio de disputar a Prefeitura de Barra do Corda, hoje comandada pelo prefeito Eric Costa (PCdoB), que ainda não definiu o candidato que apoiará à sua sucessão. Líder do grupo político formado ainda nos anos 80 do século passado por seu pai, o político e empresário Nenzim, Rigo Teles é apontado como candidato natural do seu grupo, caso outro nome não se viabilize. Além do deputado, o grupo por ele liderado tem opções como Gil Lopes (SD), Nilda Barbalho (PSDB), Leocádio Cunha e Aristides Milhomem ou a esposa dele. No grupo está acertado que os interessados tentem se viabilizar e que no momento adequado será feita uma pesquisa e o melhor posicionado será o candidato. Rigo Teles afirma que se o seu nome for o melhor colocado, ele será o candidato. Deverá enfrentar Dr. Antônio, Adão Nunes (PDT) e Vau Costa (PCdoB), nomes que disputam a vaga de candidato a ser apoiado pelo prefeito Eric Costa.

São Luís, 29 de Agosto de 2019.

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