
de transporte coletivo de São Luís
Depois de surfar mais um ano nas ondas do que é visto aqui e alhures como uma gestão de excelência, o que tem lhe assegurado prestígio político a ponto de torna-lo líder inconteste nas pesquisas de intenção de voto para o Governo do Estado nas eleições d 2026, isso sem que ele tenha dito que é pré-candidato, o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), é obrigado a encarar mais um engasgo causado pela ponta de osso que é o sistema municipal de transporte de massa da Capital. Uma informação maliciosamente “soprada” pelo SET, o poderoso Sindicato das Empresas de Transporte, e pelo igualmente forte Sindicato dos Rodoviários, espalhou que a Prefeitura de São Luís suspendeu os pagamentos dos subsídios acertados em fevereiro para ajudar a bancar salários e benefícios de rodoviários (motoristas e cobradores).
A bolada supostamente não repassada estaria em R$ 7 milhões, o que estaria levando as empresas a atrasar salários e benefícios. O resultado é que os rodoviários entraram em situação de greve, já realizando uma paralisação de advertência na sexta-feira em frente à sede da empresa 1001, uma das concessionárias do transporte coletivo na Capital. A movimentação barulhenta dos rodoviários, reforçada por grande parcela da mídia, mergulhou mais de 600 mil ludovicenses, entre trabalhadores e estudantes, que dependem do transporte de massa, numa situação de incerteza e insegurança. O feriado do sábado – Proclamação da República – serviu para amenizar o clima, mas se não houver um acordão nestes dois dias, São Luís poderá iniciar a semana com crise aguda no transporte coletivo.
Tem sido assim desde que o prefeito Eduardo Braide assumiu o primeiro mandato em 2021. A bronca sempre eclodia em janeiro, quando empresas e rodoviários discutem aumento de salário e de tarifa. Primeiro as empresas apresentam uma relação do que chamam de “aumento de custos”, para afirmar que não têm condições de aumentar salários, a menos que a Prefeitura libere um aumento substancial no valor das passagem, mandando assim a conta para o usuário, ou ajude a bancar esses custos com subsídios – ou seja, dinheiro do povo. Desde o seu primeiro ano, o prefeito Eduardo Braide se recusou a autorizar o aumento de tarifa, preferindo participar da cobertura dos custos liberando subsídios, que sevem para complementar salários e bancar benefícios como vale-refeição, por exemplo.
A situação agora é bem mais complicada, e eclodiu em novembro, dois meses antes, com o SET e os rodoviários – que sempre agem alinhados na pressão sobre o Palácio de la Ravardière, apesar de parecerem adversários, deflagrando o conflito de interesses. Patrões e empregados do sistema de transporte dizem que a Prefeitura de São Luís não estaria repassando os subsídios – a conta chegaria a R$ 7 milhões – e, por isso, as empresas – coitadas! – estariam atrasando salários e benefícios, como foi o caso da 1001, segundo denúncia dos rodoviários, incentivada pelos empresários. É a tempestade perfeita, que neste ano chega bem antes e bem mais forte. Isso porque uma greve agora, no início da onda natalina, atingirá fortemente o comércio varejista, que aposta parte da sua sobrevivência nas vendas de fim de ano.
Político racional, que calcula muito bem cada passo que dá, o prefeito Eduardo Braide tem diante de si um problemão para resolver. Isso porque transporte de massa é assunto explosivo, de repercussão imediata e implacável, podendo produzir danos sérios à sua imagem política se não for solucionado a contento. E chega ao birô do prefeito Eduardo Braide no exato momento em que ele entra numa espécie de contagem regressiva para decidir se será ou não candidato ao Governo do Estado. Nesse contexto, uma greve de rodoviários e um aumento nas passagens de ônibus são situações que impõem ao prefeito o risco de sofrer incômodos arranhões no seu prestígio como gestor eficiente, e por isso mesmo líder nas pesquisas para governador.
Está mais que claro que a crise foi planejadamente antecipada pela aliança, estranha mas indiscutível, do SET com os rodoviários. E são fortes os indícios de que eles podem ter sido empurrados por um dedo político. Resta saber como o prefeito Eduardo Braide vai driblar essa tormenta.
PONTO & CONTRAPONTO
Camarão diz nos Lençóis que não se calará e que não renuncia nem abre mão da candidatura aos Leões

calará e reafirma que não renuncia e que será candidato
“Aqui ninguém me cala. Isso é coronelismo, e eu não tenho medo de coronel, nem coronel de calças, nem coronel de saia”. Foi o que declarou, ontem, o vice-governador Felipe Camarão (PT) no povoado Varas, a 50 km de Barreirinhas, referindo-se a um problema que o impediu de realizar a edição do seu “Diálogos pelo Maranhão”, o seu programa de pré-campanha ao Governo do Estado, na sede do município. O vice-governador reuniu dezenas de eleitores na sede da associação comunitária local.
Com a reunião em Varas, o vice-governador Felipe Camarão encerrou agenda da semana em que levou os “Diálogos pelo Maranhão” na região dos Lençóis – Humberto de Campos, Primeira Cruz e Barreirinhas. Nos dois primeiros ele falou na sede. No terceiro, um contratempo, que ele atribuiu a autoridades do município, ele palestrou no povoado Varas, acompanhado do ex-prefeito Amilcar Rocha (PCdoB) e militante petistas locais.
Em todas as suas manifestações, que são focadas em projetos para a formação do seu plano de Governo, que terá a educação como carro-chefe, o vice-governador reservou espaço das suas falas paras a política.
Por onde passou, Felipe Camarão disse e repetiu que é pré-candidato e será candidato ao Governo do Estado em qualquer circunstância, não havendo força nem motivo capaz de demovê-lo. No mesmo tom, tem afirmado que nada o fará renunciar ao mandato de vice-governador. Tem tido também que está aberto ao diálogo, desde que esses dois tremas não constem da pauta.
Convocação para CPMI do INSS coloca Edson Araújo numa situação complicada
O deputado estadual licenciado Edson Araújo (PSB) teve sua situação complicada de vez ao ser convocado pela CPMI que investiga os descontos milionários e criminosos de aposentados do INSS. Ele já vinha sendo alvo da atenção da Polícia federal, mas sua situação se agravou depois que ele ameaçou o deputado federal Duarte Jr., vice-presidente da CPMI.
A menos que consiga na Suprema Corte uma decisão que lhe assegure permanecer em silêncio, ao depor na Comissão, o parlamentar terá de explicar as transferências milionárias – que pode chegar a R$ 10 milhões -, que uma federação ligada ao setor pesqueiro, que ele controla no Maranhão, lhe fez nos últimos tempos. Numa investigação recente, a PF encontrou mais de R$ 700 mil em espécie num cofre que lhe pertenceria. Não será, portanto, uma situação fácil.
Politicamente, a situação do deputado Edson Araújo é tão ou mais complicada. Para começar, ele enfrenta um processo de expulsão do PSB, vivendo também a complicada situação que causa incômodo ao Governo do Estado, onde o seu filho e suplente de deputado federal Volmer Araújo exerce um cargo de secretário de Estado.
Os próximos tempos serão muito difíceis para Edson Araújo, hoje com 74 anos, estando no exercício do quinto mandato de deputado estadual e sob o risco de encerrar sua carreira discreta e sem mácula, até a eclosão da gigantesca fraude contra aposentados do INSS, na qual fortes indícios o apontam como envolvido.
São Luís, 16 de Novembro de 2025.
