Convocação de Cricielle Muniz para esclarecer denúncia pode aumentar crise do PT com dinistas

Crielle Muniz, pré-candidata a deputada
estadual com o aval de Carlos Brandão

A aprovação, ontem, pela Assembleia Legislativa, de requerimento de autoria do deputado Othelino Neto (saindo do Solidariedade), que convoca a professora Cricielle Muniz, diretora geral do Instituto Estadual de Educação do Maranhão (Iema), “para prestar esclarecimento de denúncias sobre suposta contratação de pessoas com objetivo político eleitoral, para apoiar a sua pré-candidatura a Deputada Estadual”, pode ter consequências políticas muito além do simples desconforto e eventuais problemas que possam vir a atingir a dirigente máxima da Rede Iema. O requerimento abriga tensão suficiente para provocar desdobramentos na corrida para o Governo do Estado, principalmente no que respeita à disputa entre o vice-governador Felipe Camarão (PT) e o secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), que medem forças dentro da legenda petista.

A medida pode aumentar muito a distância que separa uma grande fatia do PT do projeto de candidatura do vice-governador Felipe Camarão ao Governo do Estado, o que, se ocorrer, beneficiará diretamente o secretário Orleans Brandão. Isso porque, além de ser integrante destacada da equipe do governador Carlos Brandão (ainda no PSB) na área de Educação, Cricielle Muniz é figura de proa do PT, uma das líderes da corrente comandada pelo atual presidente do partido, Francimar Melo, e que tem como referência o ex-vice-governador, ex-presidente do TCE e atual secretário do Governo do Maranhão em Brasília, Washington Oliveira. E como está mais do que claro, muito afinado com o governador Carlos Brandão, esse grupo, que ocupa grande espaço no Governo, está inclinado, se não já decidido, a apoiar a candidatura de Orleans Brandão.

Os fatos ocorridos desde a realização do Processo de Eleição Direta (PED), por meio do qual o PT elege seus dirigentes, indicaram com clareza que o PT se dividiu em duas frentes, uma que pretende manter a aliança com o governador Carlos Brandão, apoiando à pré-candidatura de Orleans Brandão ao Governo, e outra que está alinhada ao projeto de candidatura do vice-governador Felipe Camarão, que é do partido e tem o aval do comando nacional da agremiação, incluindo o do presidente Lula da Silva. Cricielle Muniz é pré-candidata assumida à Assembleia Legislativa e tem dado demonstrações de que prefere o alinhamento do PT com o governador Carlos Brandão, no viés trabalhado pelo secretário Washington Oliveiras e pelo presidente petista Francimar Melo. O governador Carlos Brandão já anunciou publicamente o seu aval à candidatura dela à Assembleia Legislativa.

A convocação de Cricielle Muniz sob o argumento de que ela estaria usando dinheiro público para instrumentalizar a Rede Iema com contratações nesse sentido, gera dois problemas. O primeiro, que terá maior ou menor dano dependendo do que for esclarecido, é o risco de enfraquecimento ou de fortalecimento o seu projeto de candidatura. E o outro é o estrago que isso pode causar ao PT, com potencial para aprofundar perigosamente a crise que vem sacudindo e desgastando a sigla há tempos. E esse conflito pode desgastar as relações de uma expressiva fatia do PT com o grupo dinista na Assembleia Legislativa e arranhar a relação com Felipe Camarão, ao mesmo tempo que em que pode afetar positivamente a aliança de Orleans Brandão com o partido.

Para que o grupo dinista e o próprio deputado Othelino Neto obtenha resultados concretos com a convocação de Cricielle Muniz, é crucial que a denúncia tenha fundamento e ela saia desgastada do bombardeio que certamente sofrerá na Assembleia legislativa. Mas se se tratar de uma denúncia mequetrefe, ela poderá deixar o Palácio Manoel Beckman muito mais forte do que antes da sua entrada. Tarimbado no jogo político e nas ações parlamentares, o deputado Othelino Neto pode ter uma carta na manga, pois a princípio não faria muito sentido cutucar com vara curta uma banda muito ativa, como a que comanda o PT nesse momento e da qual a diretora da Rede Iema é ligada.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão e Orleans estão confirmando projeto de poder nos seus discursos

Carlos Brandão e Orleans Brandão
confirmam projeto político em discursos

Embora ainda faltam sete meses para o prazo de desincompatibilização (abril/25) para as eleições de 2026, e considerando o alto grau de imprevisibilidade da política, em que situações aparentemente consolidadas sofrem mudanças radicais em questão de dias, todos os sinais indicam ser irreversível o cenário em que o governador Carlos Brandão permanecerá à frente do Governo até o final do seu mandato, com a candidatura do Orleans Brandão à sua sucessão.

Direta e ou indiretamente, o governador tem reforçado o seu discurso nessa direção em todos os atos que comanda, seja em São Luís, seja no interior. O ponto-chave do discurso do mandatário é a sua permanência no Governo, cuja confirmação tem sido feita em declarações feitas com frequência e segundo a qual cumprirá seu mandato até o fim: “…nós temos tempo para resolver isso”, “…nós vamos poder fazer isso no próximo ano”, “…isso será feito porque vamos ficar até o fim”, entre outras afirmações mais ou menos contundente.

Um pouco mais contido, mas já atuando como pré-candidato, o secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão, que na maioria dos atos que participa deixa a divulgação da sua pré-candidatura para aliados seus, especialmente deputados estaduais, que até aqui são os aliados mais ativos do projeto desse projeto de poder. Orleans Brandão tem como ponto forte do discurso dar continuidade à obra do atual governador, com o refrão segundo o qual vai “cuidar das pessoas”.

Roberto Rocha teria definido entrar na corrida eleitoral de novo como candidato a senador

Roberto Rocha

O ex-senador Roberto Rocha, ainda sem partido, teria batido martelo e decidido tentar voltar à Câmara Alta nas eleições do ano que vem. Ele havia se lançado pré-candidato a governador, mas o projeto de chegar ao Palácio dos Leões não evoluiu como ele esperava. E sua aparição em várias pesquisas como nome com cacife para entrar na corrida senatorial o teria feito optar por esse caminho eleições do ano que vem.

Na maioria dos levantamentos sobre intenções de voto realizados nos últimos seis meses, o ex-senador, quando incluído na lista dos candidatáveis, mostra algum poder de fogo eleitoral, ainda que muito atrás dos principais concorrentes, no momento o senador Weverton Rocha (PDT), que busca a reeleição, e o ministro do Esporte André Fufuca (PP), a senadora Eliziane Gama (PSD) e o deputado estadual Yglésio Moises (PRTB).

Na pesquisa mais recente, feita pelo instituto Exata, o ex-senador Roberto Rocha aparece em 5º lugar, no seguinte ranking: Weverton Rocha (43,38%), André Fufuca (30,25%), Eliziane Gama (28,33%), Yglésio Moises (15,75%) e Roberto Rocha (13,42%). Nesse cenário, ele só vence o ex-prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo, que aparece com 11,08%. Vale ressaltar que, levando em conta a margem de erro de 3,28% da pesquisa, Roberto Rocha está tecnicamente empatado com Yglésio Moises e com Hilton Gonçalo, separados por dois pontos percentuais.

Dentro desse mosaico de tendências, para voltar a ser senador, Roberto Rocha tem pela frente o hercúleo desafio de se afastar de Hilton Gonçalo e atropelar o deputado Yglésio Moises, a senadora Eliziane Gama e o ministro André Fufuca é Fufuca. Nada fácil, como se vê.

São Luís, 28 de Agosto de 2025.

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