Gostem ou não os seus concorrentes na corrida eleitoral, e sobretudo os seus adversários, a entrada inesperada e avassaladora do deputado federal Duarte Jr. (Avante) estremeceu fortemente o tabuleiro no qual estavam se movendo os pré-candidatos às duas cadeiras do Maranhão no Senado. Ele desembarcou para valer por meio de uma pesquisa do AtlasIntel, feita por telefone e pela internet, que o apontou, juntamente com a senadora Eliziane Gama (PT) – ela em primeiro lugar e ele em segundo – como preferidos da maioria para as duas vagas. Ato contínuo, sua presença entre os favoritos da corrida senatorial foi confirmada na pesquisa INOP, que mostrou a deputada federal Roseana Sarney (MDB) bem à frente, com o senador Weverton Rocha (PDT) em segundo, e ele, Duarte Jr., logo atrás, numa situação clara de empate técnico, que envolveu também o ex-senador Roberto Rocha.
Apontada como “balão de ensaio”, a pré-candidatura ganhou mais definição entre uma pesquisa e outra, quando o Duarte Jr. divulgou um vídeo anunciando sua decisão de mirar uma cadeira no Senado. Com um discurso forte, ele afirma: “Não tenho dono, não tenho sobrenome poderoso nem nasci de família política. Meu compromisso sempre foi com as pessoas”. E prossegue: “Quando enfrentei os poderoso, tentaram me parar, porque quem luta de verdade incomoda. Mas foi justamente aí que eu tive ainda mais certeza: o Maranhão precisa de um político independente, com coragem”. Assim, anuncia: “E é com essa coragem que eu tomei a decisão mais importante da minha vida pública: eu sou pré-candidato a senador da República”. E justifica a decisão: “As estão exaustas, cansadas da velha política e de tanta corrupção”.
Convencido de que tomou a decisão certa, Duarte Jr. evidencia que a guinada não tem volta, e sugere que antes de alterar o curso natural em busca da reeleição, Duarte Jr. se municiou de informações sobre as suas possibilidades nessa disputa, e que os dados que avaliou indicaram que nela havia espaço para um político com o seu perfil e com o seu discurso. Isso porque Roseana Sarney é a expressão polida de uma era política em extinção, e que exatamente por isso não está motivando o seu próprio partido, o MDB, a apoia-la. Weverton Rocha tenta a reeleição bombardeado duramente por suspeitas de envolvimento em situações nada republicanas no porões de Brasília. E Roberto Rocha representa uma direita radical galvanizada pelo bolsonarismo, cuja face real ganha mais forma a cada dia. Numa outra vertente, prece encarar o projeto de reeleição da senadora Eliziane Gama como item de interesse do Palácio do Planalto, e a pré-candidatura do deputado federal e ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP) como uma iniciativa politicamente normal.
Quando fala de combate à velha política, Duarte Jr. mostra que não faz concessões a ações não republicanas nesta seara, como mostram três episódios. O primeiro foi a sua denúncia contra o deputado Edson Araújo, então colega de partido PSB, levando-o ao Conselho de Ética da Alema e à CPMI do crime contra os aposentados do INSS. Segundo: dois dias depois de se filiar ao União Brasil, disparou chumbo grosso contra o senador Ciro Nogueira, presidente do PP, apontando-o como corrupto, sendo obrigado a deixar o União, que é parceiro do PP em federação. E, finalmente, nesta semana, ele afirmou que não permaneceu no União também porque se recusou a atender a dois pedidos do deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União), presidente do partido no estado: que votasse a favor da inaceitável PEC da Blindagem e retirasse da CPMI do INSS o requerimento de convocação do banqueiro-bandido Daniel Vorcaro (Master).
Muitos tentam pregar na gravata do deputado Duarte Jr. pechas como “imprudente”, “inconsequente”, entre outras. O fato, porém, é que, à sua maneira desassombrada, ele diz coisas que muitos políticos tentam esconder, e por isso é reconhecido na Câmara Federal, onde também tem atuação destacada como parlamentar e legislador. E é com esse perfil de político corajoso e defensor dos desvalidos que nas duas últimas semanas ele vem colocando a disputa para o Senado de pernas para o ar. Se vai chegar lá, isso só o tempo dirá.
PONTO & CONTRAPONTO
Neto Evangelista quebra “tradição” e coloca seu nome “à disposição” do MDB para ser vice de Orleans
As seguidas corridas pelo Palácio dos Leões têm mostrado que as vagas de candidato a governador têm sido disputadas sem rodeios, com os pretendentes dizendo abertamente o que querem. Já o preenchimento das vagas de candidato a vice-governador tem ocorrido de maneira inversa: raramente surgiram no cenário político pretendentes dizendo “Quero ser candidato a vice-governador”. O deputado estadual e vice-líder do Governo na Assembleia Legislativa Neto Evangelista (MDB) decidiu quebrar essa “tradição” declarando-se interessado na vaga de vice na chapa do pré-candidato a governador Orleans Brandão (MDB). “Estou à disposição”, tem dito e repetido o parlamentar, sem que o comando emedebista sinalize pelo menos que vai analisar a oferta.
Observada com cuidado, a situação do deputado Neto Evangelista, um político bem sucedido até aqui, é delicada e está ameaçada por riscos evidentes à renovação do seu mandato parlamentar. Ele deixou o União porque o deputado federal Pedro Lucas Fernandes resolveu apostar alto para eleger o seu irmão, o ex-secretário de Desenvolvimento Social Paulo Casé. Neto Evangelista ingressou no chapão do MDB, onde estão baseados muitos “bons de voto” para a Assembleia Legislativa, entre eles a deputada-presidente Iracema Vale e o ex-prefeito de Imperatriz e ex-chefe da Casa Civil Sebastião Madeira, para citar apenas dois. Em que pese ser dono de bom cacife eleitoral, inclusive em São Luís, Neto Evangelista parece ter sentido a situação de risco eleitoral em que se meteu.
Sua iniciativa de se colocar como interessado na vaga de candidato a vice de Orleans Brandão cria-lhe uma situação embaraçosa com diversas pontas. Primeiro, a própria oferta coloca a cúpula do MDB numa situação sensível, que pode levá-la a dizer-lhe “sim”, mas também a dizer-lhe “não”. Afinal, a discussão sobre a escolha do vice do pré-candidato emedebista está posta há semanas, e até agora, o que se sabe é que a preferência de Orleans Brandão é por um nome de São Luís.
Um problema de peso: caso venha a ser escolhido vice do emedebista, Neto Evangelista abrirá mão da sua candidatura a deputado estadual, passando o seu espaço para sua esposa, a vereadora de São Luís Thay Evangelista (Republicanos), que correrá o risco de não se eleger. Até porque ela já tem um irmão, Rui Jorge Neto (Republicanos), candidato a deputado estadual, pelo qual sua mãe, a prefeita de Lado da Pedra Maura Jorge (Republicanos), está se desdobrando, inclusive atraindo duras críticas e denúncias da oposição lagopedrense. E mais do que isso, Maura Jorge estaria na lista dos “vice-governadoráveis” de Orleans Brandão.
Como se vê, o sempre bem articulado e bem sucedido deputado Neto Evangelista encontra-se numa teia de embaraços ao seu futuro político nessas eleições.
André Fufuca articula para ganhar o apoio do PT na corrida ao Senado
O deputado federal André Fufuca (PP) iniciou um nítido movimento para se tornar um dos nomes do PT ao Senado, para fazer, no caso, dobradinha com a senadora Eliziane Gama, já definida como candidata petista com as bênçãos do presidente Lula da Silva (PT). Na semana que passou, André Fufuca se reunião com a presidente estadual do PT, Patrícia Carlos, e com o ex-presidente Francimar Melo, com quem teve uma conversa franca e aberta sobre o eventual apoio do PT ao seu projeto senatorial.
Se esse movimento vai funcionar ou não, isso os desdobramentos dirão. Mas o fato é que André Fufuca, mesmo pertencendo ao PP, um partido claramente anti-Lula e presidido pelo senador Ciro Nogueira, que foi chefe da Casa Civil do Governo Jair Bolsonaro, André Fufuca está credenciado para pleitear o apoio do PT na sua corrida ao Senado.
O primeiro ponto é que André Fufuca apoiou o Governo Lula 3 desde o início, e o resultado dessa posição na Câmara Federal foi a sua nomeação o para o Ministério do Esporte. Na pasta, ele não apenas realizou um bom trabalho – contrariando as expectativas de muitos -, mas também se tornou um defensor da candidatura do presidente à reeleição. Por conta dessa posição, ele entrou em rota de colisão com o PP, cujo presidente, Ciro Nogueira, fez uma intervenção no partido no maranhão, tirando o ex-ministro da direção e entregando-a à deputada federal Amanda Gentil.
O fato indiscutível é que André Fufuca se credenciou para pleitear o apoio do PT. Por isso, não surpreendeu o registro da presidente petista Patrícia Carlos após o encontro: “Boa conversa com o deputado federal André Fufuca”.
São Luís, 31 de Maio de 2026.


