
e Hildo Rocha participaram da reunião em que a candidatura de
Orleans Brandão foi sacramentada pela cúpula nacional do MDB
A pré-candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), ao Governo do Estado, deixou de ser um projeto do governador Carlos Brandão (saindo do PSB) e seu grupo e aliados da base governista, para se tornar um a das prioridades do comando nacional do seu partido. Esse ganho de estatura política e partidária aconteceu ontem, em Brasília, numa reunião do governador Carlos Brandão com o presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi (SP), e da qual participaram a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (saindo do PSB, podendo migrar para o PDT), o empresário Marcus Brandão (que preside o MDB maranhense) e do deputado federal Hildo Rocha (MDB). No encontro, Carlos Brandão pediu o aval do comando nacional do MDB ao projeto de candidatura de Orleans Brandão, e ouviu que, mais do que aval, a cúpula nacional emedebista vai incluí-lo na sua lista de prioridades para 2026.
A reação positiva do presidente Baleia Rossi não foi surpresa, uma vez que ele já havia demonstrado interesse no projeto de Orleans Brandão. Ele quer, na verdade, que o governador maranhense assine ficha de filiação no MDB, mas Carlos Brandão não descartou se filiar ao partido de Ulisses Guimarães, mas explicou que ainda tem pendências a resolver com o PSB. O não corre risco dentro do partido aconteceu com a deputada-presidente Iracema Vale, que está em tratativas para ingressar n o PDT, atendendo a convite do senador Weverton Rocha, a quem vai apoiar na corrida ao Senado.
Com o aval da cúpula nacional do MDB, o projeto de candidatura de Orleans Brandão, que agora pode declarar-se candidato do partido ao Governo do Estado, uma vez que sua candidatura não corre risco dentro da agremiação, pois que não existe um concorrente disposto a disputar a indicação na convenção partidária, que será realizada em julho do ano que vem, daqui a 11 meses, portanto. Com o aval do presidente Baleia Rossi, Orleans Brandão pode se apresentar como o nome do MDB na disputa pelo Palácio dos Leões.
Dos quatro nomes que até agora se movimentam para suceder a Carlos Brandão no Governo do Estado, Orleans Brandão é o que tem situação partidária melhor definida, uma vez que tem a chancela do domando estadual e da cúpula nacional do MDB. O vice-governador Felipe Camarão tem o aval da cúpula nacional do PT, mas ainda se movimenta numa zona de dúvidas em relação ao braço maranhense do PT. Líder nas pesquisas, o prefeito Eduardo Braide tem o apoio entusiasmado do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, mas ainda não disse se será ou não candidato e não tem o apoio de dois dos três deputados estaduais da sigla, Mical Damasceno e Eric Costa, que têm se movimentado claramente na direção de Orleans Brandão. E Lahesio Bonfim tem o aval na direção estadual do Novo, mas ainda não recebeu publicamente a bênção da cúpula nacional, que é controlada pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema.
A chancela da presidência nacional do partido, se soma à do ex-presidente José Sarney, que é presidente de honra da agremiação, e da ex-governadora e atual deputada federal licenciada Roseana Sarney. Ele já conta com o apoio do ex-governador e ex-senador João Alberto – que presidiu a legenda por quase três décadas -, devendo receber também o aval do ex-governador e ex-senador Edison Lobão. Além disso, Orleans Brandão conta com o suporte e a força política do vice-presidente estadual do MDB, Roberto Costa, prefeito de Bacabal e presidente da Famem – Roberto Costa tem sido um dos mais ativos articuladores desse projeto de candidatura, dentro e fora do partido.
O aval da cúpula nacional do MDB é o resultado do primeiro movimento do governador Carlos Brandão após decidir permanecer no cargo e definir o secretário de Assuntos Municipalistas como seu candidato ao Governo.
PONTO & CONTRAPONTO
Brandão diz que não tem pressa para definir seu novo partido
“Sem pressa para filiação”. Foi como o governador Carlos Brandão respondeu indagação da Coluna, feita ontem à noite, a respeito do seu futuro partidário. A provocação foi feita horas depois da reunião por meio da qual o mandatário maranhense haver recebido o aval do presidente do MDB, deputado federal Baleia Rossi (SP), à pré-candidatura do secretário Orleans Brandão à sua sucessão no Governo do Estado.
Nos bastidores, corre que o governador Carlos Brandão, que está deixando o PSB, recebeu convite de pelo menos quatro partidos – União Brasil, PDT, Podemos e PSDB -, mas a voz corrente é que sua inclinação é pelo MDB. Por várias razões: o MDB do Maranhão é um partido forte, organizado, capilarizado em todo o estado, e que carrega uma vasta experiência em eleições e exercício do poder. Além disso, já é presidido por seu irmão, Marcus brandão e tem nos seus quadros o pré-candidato Orleans Brandão.
Por conta da decisão de permanecer no cargo, abrindo mão de concorrer a uma cadeira no Senado, o governador não tem pressa em se filiar a um partido político. Isso porque o exercício do mandato não exige que o chefe de Poder esteja filiado a um partido político, embora a filiação partidária seja a identidade política de um detentor de mandato, seja ele majoritário ou proporcional.
Reviravolta no PT: decisão de desembargador devolve presidência a Francimar Melo
Uma decisão do desembargador Ricardo Duailibe, do Tribunal de Justiça, causou uma grande reviravolta dentro do braço maranhense do PT, ao validar a reeleição de Francimar Melo para a presidência estadual do partido. A canetada do magistrado não apenas desmanchou a sentença do juiz Márcio Castro Brandão, 3ª Vara Cível de São Luís, mas aprofundou ainda mais a crise que agita as reentrâncias da agremiação, agora envolvendo diretamente o comando nacional, que foi atropelado pela decisão do desembargador Ricardo Duailibe.
O roteiro da crise começou com o resultado do Processo de Eleição Direta (PED), por meio do qual o PT elege seus dirigentes municipais, estaduais e nacionais. Concorreram quatro candidatos a presidente. Buscando a reeleição, Francimar Melo saiu das urnas como o mais votado, seguido de Genilson Alves e Raimundo Monteiro. Os demais candidatos não aceitaram o resultado, argumentando que Francimar Melo, além de não ter recebido votos suficientes para se eleger em um só turno, teve sua candidatura contestada na justiça por inadimplência financeira com o partido.
Os contestadores ganharam na Justiça, com a decisão do juiz Márcio Castro Brandão, 3ª Vara Cível de São Luís, que considerou Francimar Melo inelegível, e na cúpula nacional do partido, que acatou a decisão judicial, concordando com a realização de um segundo turno entre Genilson Alves e Raimundo Monteiro.
A corrente comandada por Francimar Melo, que tem como líder maior o ex-vice-governador e ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Washington Oliveira, recorreu da decisão, obtendo do desembargador Ricardo Duailibe a revogação da decisão do juiz Márcio Castro Brandão e, por tabela, atropelando o aval da direção nacional por uma decisão em segundo turno sem Francimar Melo, que volta a ser o presidente reeleito do PT.
E como a imprevisibilidade e as guerras internas são marcas do PT maranhense, é quase impossível prever o que vem por aí.
São Luís, 13 de Agosto de 2025.

