A sete meses da eleição, só Flávio Dino e Ovídio Neto têm projetos de candidatura consolidados ao Governo

 

Flávio Dino e Odívio Neto (último à direita) estão consolidados em meio a Roseana Sarney, Roberto Rocha e Eduardo Braide, que são possibilidades à caminho da consolidação, ou não consolida Roseana Sarney, Roberto Rocha
Flávio Dino e Odívio Neto (último à direita) estão consolidados, e entre eles Roseana Sarney, Roberto Rocha e Eduardo Braide, que são até aqui três possibilidades viáveis à caminho da consolidação, ou não, na corrida para o Palácio dos Leões

 

Faltando menos de sete meses para as eleições, o quadro da disputa pelo Palácio dos Leões continua o mesmo: o governador Flávio Dino (PCdoB) segue favorito, respaldado por uma ação política diferenciada; a ex-governadora Roseana Sarney faz incursão por dezenas de municípios para avaliar se tem mesmo cacife para entrar na briga com chance de se dar bem; o senador Roberto Rocha (PSDB) tem o seu projeto consolidado, com ou sem suporte eleitoral animador; o deputado estadual Eduardo Braide (PMN) articula por fora como uma possibilidade em busca de consistência política e substância eleitoral; e o engenheiro Odívio Neto (PSOL) confirmado sexta-feira pelo partido para ser candidato contra tudo e contra todos. Salvo eventuais influências da corrida presidencial na maratona sucessória maranhense, nada indica – pelo menos até aqui – que esse cenário sofrerá mudanças substantivas.

A liderança e o favoritismo do governador Flávio Dino até aqui tem explicação clara e lógica. E começa com o fato de que durante a campanha ele disse a que viria e, depois de três anos à frente do Governo, não contrariou nenhum dos compromissos assumidos na campanha. Anunciou que o foco da sua gestão seria colocar os instrumentos e os recursos do Estado à serviço da sociedade, está confirmando; prometeu fazer um governo ético e transparente, está fazendo; assumiu o compromisso de investir o que pudesse para virar a mesa em Educação, Saúde e Segurança, está cumprindo; e avisou que não faria concessões – convênios eleitoreiros, por exemplo – que corressem o risco de desvios, está mantendo. Além disso, tem quebrado alguns padrões que dominavam a política maranhense, reduzindo drasticamente o peso do caciquismo, abrindo caminho para que uma nova geração chegue ao poder. Caminha, portanto, para as urnas com segurança, certo de que a pancadaria oposicionista não vai funcionar como seus adversários esperam. E sem depender dos fluídos de candidatos presidenciais.

A ex-governadora Roseana Sarney detém um cacife expressivo, mas tem o desafio nada animador de vencer uma rejeição elevada, típica do desgaste de quem já governou por quase 14 anos em circunstâncias diversas. Seu maior problema é encontrar um discurso que a coloque como o “novo” e que pode fazer melhor do que está sendo feito. Depois de fracassos retumbantes como o da Refinaria de Bacabeira e das trombadas éticas dentro do grupo ao qual pertence, e agora sem o controle da máquina estadual e sem o amparo de um governo forte na União, é uma tarefa quase impossível. É verdade que a candidata do MDB tem o aval de um expressivo grupo de aliados espalhados pelos municípios, mas não tem a garantia de que eles a seguirão e de que esse cacife se transformará em votos. Isso sem contar o faro de que o governador Flávio Dino é um adversário duro e eficiente. Essa incursão que faz no momento será para a confirmação, ou não, do seu projeto eleitoral. Mas o que definirá mesmo sua candidatura será o projeto nacional do PMDB, que poderá lançar ou não candidato a sucessor o presidente Michel Temer.

O senador Roberto Rocha, que já foi candidato de si mesmo quando ainda estava no PSB, passou a ser parte de um projeto nacional do PSDB e fará sua campanha direta e fortemente associada à do candidato presidencial do partido, Geraldo Alckmin, atual Governador de São Paulo. Seu poder de fogo dependerá muito da sua capacidade política de tirar proveito eleitoral dessa vinculação. Nesse contexto, pode ter um bom desempenho ou afundar, dependendo do discurso que venha a escolher e dos movimentos políticos que fizer durante a campanha. Pode até mesmo abrir mão da candidatura em favor de outro projeto.

A novidade na corrida eleitoral é o deputado estadual Eduardo Braide. Ele aparece como uma possibilidade, embalado pelo desempenho que alcançou na disputa para a Prefeitura de São Luís e 2016. Alguns chegam a vê-lo como uma ameaça ao governador Flávio Dino. É, de fato, o político mais talentoso e preparado da novíssima geração. Braide é movido por lógica cartesiana, avaliando pró e contra de cada passo que pode dar. Sabe que entrando na briga pelos Leões, pode até causar algum desequilíbrio, mas suas chances são pequenas, e se sair por baixo, entrará na briga pela sucessão do prefeito Edivaldo Jr. em 2020 com duas derrotas majoritárias nos ombro e sem o suporte de um mandato. Pela lógica que ele próprio usa, seu caminho seria eleger-se deputado federal com boa votação e entrar politicamente cacifado na briga pelo comando de São Luís. Sabe que tem um limite de tempo para decidir qual o caminho seguir e que um passo errado pode turvar o enorme horizonte que tem pela frente.

Odivio Neto foi confirmado sexta-feira (9) com o candidato do PSOL ao Governo do Estado. Com a definição é parte de um projeto nacional que pretende consolidar o PSOL como uma agremiação consistente, de esquerda e com um projeto para o País. E para marcar essa posição, lançou sábado sua maior estrela, Guilherme Boulos, como candidato a presidente da República. Engenheiro Civil e professor universitário, Odívio Neto candidato a prefeito de São João dos Patos em 2012, a vice-governador em 2014 e a vereador de São Luís em 2016. Tem como plataforma “o firme compromisso com as causas dos trabalhadores, juventude e povo excluído”.

No mais, estão na pauta os inconsistentes projetos de candidatura da ex-prefeita Maura Jorge (Podemos) e do ex-deputado Ricardo Murad (PTN), que geram notícias, mas não saem do lugar, alimentando um grande clima de incertezas no ar, que deverá ser desfeito quando a janela partidária se fechar, no dia 7 de Abril.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PIB gigante e outros indicadores dão ao Governo Flávio Dino munição pesada contra a Oposição

Quadro demonstrativo do PIB dos estados mostra o Maranhão como líder do crescimento no ano passado
Quadro demonstrativo do PIB dos estados mostra o Maranhão como líder do crescimento no ano passado, com quase 10%

A ser confirmada pelo IBGE, a informação, levantada em estudo feito pelo conglomerado bancário Itaú Unibanco, de que o Produto Interno Bruto (PIB) do Maranhão cresceu quase 10% em 2017, alcançando o 1º lugar entre todos os estados, o Palácio dos Leões ganhou o argumento que lhe faltava para desmontar a estratégia do Grupo Sarney de mostrar dados que, segundo o deputado Adriano Sarney (PV), mostrariam que o Estado maranhense teria regredido economicamente e estaria quebrado financeiramente. O crescimento em si, qualquer que fosse o percentual, já seria uma vitória e tanto do governador Flávio Dino, mas os 9,7% superaram qualquer previsão, principalmente em se tratando do Maranhão, sempre marcado por índices e indicadores negativos. O “pibão” foi muito além do todos os bons resultados que aqui e ali amenizavam a má fama econômica e social do Maranhão. Independentemente de qualquer explicação técnica que venha a ser dada para o espantoso crescimento do estado no ano que passou, vale a observação de que o governador Flávio Dino vinha prevendo que melhorias expressivas nos indicadores do Maranhão seriam encontrados a partir do terceiro ano do seu Governo. No início deste ano, o portal G1, do Sistema Globo, publicou um levantamento que apontou o governador maranhense que cumpriu 93% dos compromissos de campanha, liderando o ranking. Em seguida, o jornal Valor Econômico publicou outro levantamento em que o Maranhão atual aparece ocupando a segunda posição entre os estados em matéria de boa gestão financeira. Juntas e misturadas agora com o PIB desconcertante, essas informações dão ao governador Flávio Dino e seus porta-vozes munição pesada para inibir o bombardeio contínuo contra o Governo, anunciado há duas semanas pelo deputado Adriano Sarney.

 

José Reinaldo confirma rompimento com Flávio Dino e diz que apoiará Eduardo Braide

José Reinaldo: confirmando rompimento com Flávio Dino
José Reinaldo: confirmando ruptura com Flávio Dino

Se alguém ainda duvida do rompimento do ex-governador José Reinaldo Tavares (sem partido) com o governador Flávio Dino, deve ler a entrevista concedida por ele ao jornalista e pesquisador Benedito Buzar, publicada na sua coluna Roda Viva, na edição deste Domingo de O Estado do Maranhão. No jogo de perguntas e respostas sobre a relação do ex-governador com o governador, o primeiro faz um relato em que afirma que foi deixado de lado e que hoje não tem mais condições de apoiar o chefe do Executivo à reeleição. E justifica essa posição afirmando que houve perda de confiança entre os dois. José Reinaldo também descarta voltou para as fileiras do Grupo Sarney, onde foi fez carreira de secretário de Estado e governador do Maranhão, passando por inúmeros cargos públicos, inclusive o Ministério dos Transportes. E surpreende ao descartar, em princípio a apoiar a candidatura partidariamente sólida do senador Roberto Rocha ao Governo do Estado, para apostar em montagens improváveis, como a união do tucano, da ex-prefeita Maura Jorge (Podemos), do ex-deputado Ricardo Murad (PTN) em torno de Eduardo Braide, cujo projeto de chegar ao Palácio dos Leões é uma ideia sombreada ainda por uma densa nuvem de indefinição. Por mais consistentes que sejam suas declarações e por mais determinado que esteja em levar à frente o seu propósito de chegar ao Senado, o ex-governador deixa no ar uma série de indagações, entre elas a que alimentar maior expectativa: qual será o barco partidário no qual pretende navegar os mares turbulentos da campanha eleitoral? No momento em que ele der essa resposta como fato consumado, poderá, enfim, dizer a quem se juntará para tentar chegar de fato ao Senado bombardeando o governador Flávio Dino.

 

São Luís, 11 de Março de 2018.

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