Não há o que discutir em relação à má impressão causada pela sessão extraordinária de terça-feira na qual o Supremo Tribunal Federal decidiria se o ministro Alexandre de Moraes seria investigado por suspeita de relação não republicana com o ex-chefão do ex-Banco Master, Daniel Vorcaro, e que foi transformada num tenso jogo de cartas marcadas, com ações articuladas de dois grupos, intenso debate processual e inesperadas cenas de pugilato verbal, num roteiro rascunhado pela nítida falta de comando. Nenhum cidadão com o mínimo de noção sobre o que seja uma corte de justiça aplaudiria o que aconteceu ao longo de horas de transmissão ao vivo para todo o País. O brasileiro comum mergulhou na perplexidade.
Se não foi a reunião dominada pela técnica e pelo formalismo judiciário, com evolução embalada pelo debate civilizado em juridiquês elevado, a polêmica sessão da Suprema Corte teve o mérito de situar o brasileiro na realidade nua e crua. Foi uma demonstração cabal e definitiva de que, a começar pela sua cúpula, a instituição judiciária brasileira está mergulhada numa crise aguda, que não será resolvida com regras emergenciais, como querem alguns dos seus membros e apoiadores externos, nem com a interferência de outros Poderes, como pregam alguns golpistas em campanha para o Senado. Para resolver os seus problemas, o Judiciário tem, primeiro, de se auto avaliar e se ajustar, e reúne condições para isso, basta que seus integrantes se desarmem e construam consensos.
Muitos “analistas de plantão” tentaram encontrar culpados e coitados, ministros do bem e ministro do mal, usando a hipocrisia como material de aferição dos comportamentos. O ministro Flávio Dino foi por muitos apontado como “causador” da tempestade que resultou no fracasso da sessão extraordinária por haver proposto a Questão de Ordem apresentada pelo ministro-decano Gilmar Mendes. Uma leitura cuidadosa do documento e uma audição atenta das suas palavras mostram, com clareza, que ele nada tem de peça protelatória. Ao contrário, o ministro Flávio Dino tentou evitar a realização de uma sessão torta, sem rito definido por conta do ineditismo do tema e cuja evolução dependeria de “jeitinhos” inaceitáveis numa corte maior.
Quando questionou a decisão do ministro-presidente Edson Fachin de “avocar” os inquéritos sob a relatoria dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, e não redistribuí-los, Flávio Dino demonstrou, com sólida argumentação jurídica, que o ministro-presidente não tinha poderes para avocar, regra varrida das normas processuais pela Constituição de 1988. Quem assistiu com atenção e sem paixão percebeu que o ministro-presidente ficou alguns segundos sem ação, como que admitindo a derrapagem. Esse e outros exemplos de distorção em procedimentos foram expostos ao longo da reunião e dos embates.
Independentemente dos casos envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, suspeito de favorecer o Banco Master, e o ministro André Mendonça, acusado der manobrar os inquéritos com viés político, ambos com grupos de apoiadores, ficou muito claro que não existem ministros bons e ministros maus na Suprema Corte. Ela é formada por homens, com virtudes e defeitos, portanto sujeitos à mão pesada da lei.
Visto por muitos como o coitado, o presidente Edson Fachin manobrou em vários momentos dessa crise, como ficou demonstrado nas argumentações de Flávio Dino, que manteve sua posição até formular o pedido de vista, conforme avisara no início da sessão. Outro exemplo: a ministra Cármen Lucia externou, de maneira dramática, sua “tristeza” e pediu “desculpas” aos brasileiros; só que na mesma fala ela admitiu que poderia ter contribuído para minorar a crise, que é também responsabilidade dela como integrante da Corte.
A sessão ao mesmo tempo “histórica” e “desastrada”, além de expor as vísceras da instituição, permitiu a percepção das diferenças de estatura e de conhecimento entre os ministros da Suprema Corte. Qualquer avaliação honesta e isenta apontará Flávio Dino como um ministro muito acima da média e honesto, dono de amplo e sólido conhecimento jurídico, de longa experiência na magistratura federal e de um lastro raro como deputado federal, governador eleito e reeleito, senador e ministro da Justiça, o que torna diferenciado e lhe dá uma saudável visão política das decisões judiciais, credenciais que nenhum outro ministro reúne. Se houver bons e maus ministros, Flávio Dino provavelmente estará no time dos bons, com as suas virtudes e, claro, os seus defeitos.
PONTO & CONTRAPONTO
Brandão faz campanha forte para minar Braide em São Luís e consolidar Orleans em Imperatriz
O governador Carlos Brandão (MDB) está determinado a virar o jogo na Ilha de Upaon Açu, especialmente em São Luís, onde a impressão geral é a de que o ex-prefeito Eduardo Braide (PSD) vencerá a corrida eleitoral com larga vantagem sobre Orleans Brandão (MDB).
Hoje, levantamentos não publicados indicam que Eduardo Braide imporá uma diferença expressiva na Capital, sairá com vantagem em São José de Ribamar, mas pode perder para Orleans Brandão em Paço do Lumiar e saírem os no meio a meio em Raposa.
O governador Carlos Brandão avalia que a eventual vitória de Eduardo Braide em São Luís e São José de Ribamar pode lhe dar lastro para compensar eventuais saldos favoráveis a Orleans Brandão no interior.
Focado na tentativa de reverter o cenário em São Luís, o governador Carlos Brandão tem feito incursões pelos grandes bairros da Capital, onde faz caminhadas, reuniões e comícios acompanhado do candidato a vice-governador Edivaldo Holanda Jr. (MDB).
A mesma avaliação está sendo feita em relação a Imperatriz, onde o desfecho da disputa para o Governo é imprevisível, com governistas como Sebastião Madeira (MDB) prevendo uma vitória expressiva do candidato do MDB, enquanto o prefeito Rildo Amaral (PP) e a candidata a vice-governadora Elaine Cordeiro (PSD) apostam alto na vitória do candidato do PSD.
A aposta num grande resultado em Imperatriz é tão alta que o próprio chefe do Executivo tem desembarcado com frequência na antiga Vila do Frei.
Aparício Bandeira se desdobra para concretizar o grande pacote de obras do Governo Brandão
Não há dúvida de que, devido à dimensão das suas pastas e pelo volume de trabalho, alguns secretários do governador Carlos Brandão (MDB) tiveram que se desdobrar. Mas nenhum deles, com certeza, enfrentou, e continua enfrentando, carga tão pesada quanto o titular da Infraestrutura, engenheiro civil Aparício Bandeira.
De acordo com declaração do ex-secretário de Assuntos Municipalistas e candidato a governador Orleans Brandão (MDB), o atual Governo já contabiliza quase quatro mil obras físicas. O portfólio vai do prolongamento da Avenida Litorânea à pracinha de um pequeno município no interior do estado, passando por pontes, estradas, prédios escolares, e por aí vai.
Para serem viabilizados, todos esses projetos passaram pelo sinal verde do Palácio dos Leões e pelo severo crivo do secretário de Infraestrutura e da análise da grande equipe técnica que movimenta a pasta. Ali se licita, contrata, faz medições, fiscaliza, procede o acompanhamento técnico.
No comando da equipe, Aparício Bandeira se movimenta com a desenvoltura de quem conhece profundamente a engrenagem da Secretaria de Infraestrutura, como subsecretário no último Governo Roseana Sarney, e também já comandou a Prefeitura de Vitorino Freire.
Discreto, o secretário Aparício Bandeira é avesso a publicidade, se mantém distante das câmeras, preferindo usar todo o seu tempo na maratona de acompanhamento das centenas de obras sob sua responsabilidade em andamento no estado.
São Luís, 17 de Setembro de 2026.


