
Weverton Rocha, Enilton Rodrigues e Lahesio
Bonfim ignoram a crise no Supremo;
Cidônio Gonçalves é a exceção
Nos seus discursos de campanha, os 11 candidatos às duas vagas do Maranhão no Senado estão passando ao largo da crise que estremece o Supremo Tribunal Federal e ameaça as bases da democracia no Brasil. A não abordagem da crise pelos candidatos chama a atenção pelo fato de que eles sabem que os dois eleitos terão de se posicionar em relação a essa crise, que certamente pautará os senadores e agitará as sessões plenárias da Casa. Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PT), que são senadores em busca da reeleição, e Roseana Sarney (MDB) e André Fufuca (PP), ambos deputados federais tentando chegar ao Senado, além de Lahesio Bonfim (Novo), Enilton Rodrigues (PSOL), Simplício Araújo (DC), Raimundo Correa (PCB) e Wilson Leite (PSTU) também até aqui ignoram solenemente a crise, havendo apenas uma exceção, Cidônio Gonçalves (PL), que vem repetindo o mantra do bolsonarismo contra a Suprema Corte.
Nos últimos programas no horário gratuito no Rádio e na TV, Roseana Sarney, que representa o centro esclarecido, vem fazendo de conta de que a crise que abala a República não existe e que, caso eleita, não se envolverá com ela no Senado, preferindo, por enquanto, recordar programas destacados dos seus 14 anos de governo, como o Primeiro Emprego e o Programa do Leite, prometendo “fazer mais ainda” caso obtenha o mandato. O mesmo acontece com o seu parceiro de chapa, Weverton Rocha, militante de centro-esquerda, que pelo menos até aqui, não fez qualquer referência à crise. Há quem diga que sua postura é de cautela, por conta da presença do seu nome em investigações cabeludas. Por enquanto, foca sua campanha nas obras que trouxe para o estado por meio de emendas e de garimpagem na Esplanada dos Ministérios, e, claro, no seu prestígio com o presidente Lula da Silva (PT)
A senadora Eliziane Gama, militante de centro-esquerda, adotou a postura dos concorrentes, não abordando a crise e preferindo focar a sua campanha mostrando a sua relação com o presidente Lula da Silva (PT) e elencando as obras e iniciativas que conseguiu viabilizar durante o mandato, dando justa ênfase à sua dedicação à causa da mulher. Na mesma linha, André Fufuca, do centro esclarecido, pede votos lembrando do alentado trabalho que fez com o deputado federal e com o ministro do Esporte. Conhecido pela sua desenvoltura como articulador, André Fufuca dá a impressão de que se chegar ao Senado vai atuar no meio decampo, defendendo a harmonia entre os Poderes da República.
Assumido candidato de direita, Lahesio Bonfim iniciou sua campanha ao Senado com um discurso agressivo em relação à Suprema Corte, fazendo ataques eventuais à atuação de ministros, sugerindo que seguiria com esse mote. Mas mudou completamente o discurso, redirecionando sua fala para críticas ao Governo do Estado a solução de problemas sociais, econômicos e culturais do Maranhão. Enilton Rodrigues, que representa a esquerda dura, tem se posicionado em relação a problemas graves, como os conflitos fundiários que, como a sua fala mais recente no horário gratuito, um verdadeiro libelo contra os problemas fundiários que ainda existem no Maranhão.
Entre os candidatos a senador com tempo no horário gratuito no Rádio e na TV, Cidônio Gonçalves, um produtor rural de Açailândia da direita radical bolsonarista, resolveu fazer sua campanha atacando a instituição judiciária e dirigindo ameaças a ministros da Suprema Corte com impeachment, por exemplo. Apoiado por Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, Cidônio Gonçalves faz um discurso aparentemente decorado, causando a impressão de que não sabe muito bem sobre o que está falando, principalmente quando se proclama “defensor da Constituição”. Até ontem, ele não mostrou qualquer proposta para melhorar a vida no Maranhão.
Sem espaço no horário gratuito no Rádio e na TV, por conta das limitações dos seus partidos, os candidatos Hilton Gonçalo (Mobiliza), Simplício Araújo (DC), Raimundo Correa (PCB) e Wilson Leite (PSTU) fazem suas campanhas mais no corpo a corpo, sem darem muita atenção à crise que ameaça as instituições democráticas do País.
PONTO & CONTRAPONTO
Camarão e Gonçalo saem da inércia e chamam a atenção nas corridas ao Governo e ao Senado
Duas candidaturas até pouco tempo consideradas fora do páreo estão reagindo e já começam a chamar a atenção dos seus concorrentes. A primeira é a do vice-governador Felipe Camarão (PT) ao Governo do Estado, a segunda é a do ex-prefeito de Santa Rita (Mobiliza) Hilton Gonçalo ao Senado. Ambos ainda estão distantes dos líderes das suas disputas, mas pesquisas e movimentos políticos mais recentes mostram que os dois ainda não chegaram no campo das probabilidades, mas podem crescer com potencial para influenciar na disputa.
Desde que iniciou a sua campanha formal no horário gratuito no Rádio e na TV, e passou a realizar carreatas, caminhadas e comícios na Capital e no interior, Felipe Camarão tem causado a impressão de que está conseguindo tirar a sua candidatura da inércia e colocando-a em movimento. O petista tem feito um trabalho cuidadoso para se mostrar como um quadro preparado para governar, e tem sido muito beneficiado pelo aval do presidente Lula da Silva (PT), que o tem apresentado como seu candidato. Uma pesquisa recente, que chegou ao conhecimento público, mas foi brecada pela Justiça Eleitoral por questões formais, o mostrou já no patamar dos dois dígitos, confirmando a tendência de crescimento.
Na movimentada corrida ao Senado, Hilton Gonçalo tem mostrado que pode sair das urnas, se não eleito, com um bom cacife político e eleitoral. Isso se deve a dois fatores bem nítidos. O primeiro é a sua impressionante força de vontade política, seguindo em frente sem se intimidar com o poder de fogo dos outros candidatos. E o segundo é a sua capacidade de fazer alianças produtivas, como, por exemplo, a que o levou a ser o “terceiro” candidato a senador na chapa de Orleans Brandão (MDB), a parceria com o deputado federal Duarte Jr. (Avante), que é um bom reforço em São Luís, e a aliança com o ex-prefeito de Imperatriz e forte candidato a deputado estadual Sebastião Madeira (MDB), reforçando sua presença na Região Tocantina.
São dois candidatos que ganham espalho em pleno desenvolvimento da campanha, mostrando que podem, pelo menos, influenciar no pronunciamento das urnas.
Repórter Tempo alcança 3.400 edições, com foco da política e na cultura do Maranhão
A Coluna Repórter Tempo alcançou 3.400 edições com a postagem de sábado, 12/09, tendo acumulado nesse período mais de 1 milhão de acessos Uma marca que orgulha o autor por vários motivos: desde o dia 25 de fevereiro de 2015, Repórter Tempo faz um jornalismo interpretativo sem distorcer os fatos, pratica a isenção no limite do que é possível, manifesta posições sem qualquer traço de desrespeito às posições que contradita, mantém esforço permanente para permanecer fiel à regra de se dedicar à ciranda da política e fazer registros sobre história e cultura – incluindo aí música e literatura – e respeitar todas as regras inscritas no Código de Ética do Jornalismo.
São Luís, 13 de Setembro de 2026.
