Janela fecha com engorda e emagrecimento de partidos, extinção de bancada e até projeto de “ressurreição”

Eliziane Gama voltou ao PT; Duarte Júnior ganhou o Avante; Ana do Gás
deixou o PCdoB; Orleans Brandão (MDB), Aluísio Mendes (Republicanos)
e Ana Paula Lobato (PSB saíram fortes; Márcio Honaiser deu um baque
no PDT, e Ricardo Murad entrou no Republicanos buscando ressurreição

Poucas vezes o período de janela para a troca de partido (04/03 a 04/04) movimentou tanto a política maranhense. Na Assembleia Legislativa, bancadas fortes desapareceram, enquanto outras, que eram reduzidas, se agigantaram, deputados federais saltaram sobre legendas e um senador, depois de vários passos à direita, deu um cavalo de pau e retornou às suas origens na esquerda. Esse período ressuscitou figuras políticas já apontadas como aposentadas e fez surgir no cenário figuras jovens, ainda desconhecidas, com potencial para seguir em frente. O período das migrações partidárias, porém, não sensibilizou o político mais influente e poderoso do Maranhão nesse momento, nem o seu imediato; ambos preferiram continuar onde estão.

Não há dúvida de que a migração surpreendente e impactante foi a da senadora Eliziane Gama, que interrompeu uma caminhada à direita, filiada ao PSD, onde vinha perdendo peso, para dar uma guinada radical e retornar ao PT, ganhando novo fôlego político e eleitoral. E a definição mais dramática foi a do deputado federal Duarte Júnior, que depois de pertencer ao PCdoB e ao PSB, viu-se obrigado a mudar, saltando para o União Brasil, de onde foi obrigado a sair menos de 48 horas depois, flertou rapidamente com o PSDB, esteve a ponto de ingressar no PV, para finalmente, aos 44 do segundo tempo, abriga-se no Avante, uma legenda inexpressiva, mas que no Maranhão ele poderá chamar de sua.

O deputado federal Juscelino Filho deu o pulo do gato ao deixar o União Brasil e assumir o comando do PSDB, uma legenda sem muita força, mas muito bem organizado por seu ex-presidente, Sebastião Madeira, que preferiu apostas no chapão do MDB, liderado pelo pré-candidato a governador Orleans Brandão, para chegar à Assembleia Legislativa. O deputado federal Pedro Lucas Fernandes conseguiu o que sempre queria: sem a sombra de Juscelino Filho, tornou-se o líder pleno do União Brasil, mesmo perdendo um quadro de proa e qualificado, o deputado estadual Neto Evangelista, que também preferiu apostas no chapão do MDB.

No jogo de ganhos e perdas, o PCdoB, liderado no maranhão pelo deputado federal Márcio Jerry, foi, de longe, o partido mais atingido no troca-troca partidário. Perdeu todos os cinco deputados que tinha na Assembleia Legislativa, sendo que quatro deles migraram para o PSB e a única deputada, Ana do Gás, que está no terceiro mandado pelo Partidão foi parar também no Republicanos, dando uma guinada à direita. Também o PSD, liderado pelo pré-candidato a governador Eduardo Braide, perdeu o deputado Eric Costa, mas ganhou o deputado Wellington do Curso, que viveu uma cruzada partidária até chegar a esse abrigo.

Um dos casos mais curioso dessa frenética ciranda partidária foi a ressurreição política do ex-deputado federal Ricardo Murad, que há tempos rompido com o grupo Sarney, por meio do qual entrou na política com muito poder de fogo, decidiu mostrar ao mundo que está vivo e se filiou ao Podemos, para disputar uma cadeira na Câmara Federal. Comandado no Maranhão pelo deputado federal Fábio Macedo, o Podemos também “pescou” a deputada estadual Ana do Gás, que deixou o PCdoB depois de se eleger duas vezes pelo partido. Num outro campo, o PDT emagreceu gravemente ao perder o deputado federal Márcio Honaiser, um dos seus quadros mais antigos, mais expressivos e mais fiéis, que deixou a legenda após 37 anos de filiação e de dedicação integral à manutenção do brizolismo no Maranhão. Márcio Honaiser se filiou ao Solidariedade, que tem afinidade com o PDT por ter o viés trabalhista.

Em meio a muitas outras migrações, dois fatos chamaram a atenção. O primeiro foi a decisão do governador Carlos Brandão de permanecer sem partido, um forte indicador de que ele permanecerá mesmo no cargo, o que deverá ser confirmado à meia-noite deste sábado. O outro foi a permanência do vice-governador Felipe Camarão no PT, depois de fortes rumores de que ele desembarcaria no PSB, para se candidatar aos Leões pelo partido.

No mais, é aguardar os desdobramentos dessas mudanças partidárias, nas quais saíram fortalecidos Orleans Brandão como presidente do MDB, o deputado federal Aluísio Mendes como chefe maior do Republicanos, e a senadora Ana Paula Lobato, que comanda o PSB no estado.

PONTO & CONTRAPONTO

Depois de dar as cartas na Era Dino, PCdoB perde bancada na Alema e pode desaparecer no Maranhão

Márcio Jerry e Astro de Ogum: dois “heróis” da
resistência de um PCdoB que foi poderoso

Até o fechamento da Coluna, às 16 horas deste sábado, não havia novas informações sobre o futuro do PCdoB no Maranhão, depois que ele teve extinta sua bancada na Assembleia Legislativa. Pelo que estava posto, o partido, que foi o mais poderoso e influente no Governo Flávio Dino, encolheu com risco de ser desmanchado de vez no Maranhão.

Legenda que deu as cartas em todos os níveis no estado entre 2015 e 2021, e que, ainda naquele período começou a encolher com a conversão em massa de comunistas ao socialismo ameno do PSB, liderada pelo então governador Flávio Dino, e que saiu emagrecido das urnas de 2022, perdeu força sob o Governo Carlos Brandão e chegou a um perigoso raquitismo no final da janela partidária, com apenas dois detentores de mandato parlamentar  no Maranhão, o deputado federal Márcio Jerry, que o preside, e o vereador por São Luís Astro de Ogum, que até onde é sabido, encontra-se balançando.

Até aqui sobrevivendo graças a uma federação com o PT, que participa com o vice-governador Felipe Camarão, o deputado federal Rubens Júnior, com o Coletivo Nós na Câmara de São Luís, e agora com a senadora Eliziane Gama, e com o PV, que só tem o vereador ludovicense Andrey Monteiro –, o PCdoB corre o risco de sair das urnas de outubro sem nada e desaparecer de vez do tabuleiro da política maranhense se o presidente Márcio Jerry não for reeleito.

O PCdoB vive, provavelmente, a situação mais crítica e dramática entre os partidos que perderam poder de fogo na intensa e surpreendente ciranda da janela partidária, que termina às 23h59m deste sábado.

Vereadores ludovicenses filiados ao PSB poderão se colocar numa situação incômoda na briga pelos Leões

Paulo Victor: desconforto no PSB

A menos que haja uma atualização não prevista no início da semana, a bancada do PSB na Câmara Municipal de São Luís, formada por seis vereadores permaneceu inalterada após o fim da janela partidária. Como todos os atuais socialistas são brandonistas de carteirinha, decididos a apoiar a pré-candidatura de Orleans Brandão ao Governo do Estado, a conclusão é uma só: nenhum desses vereadores será candidato a deputado estadual.

A explicação é simples: qualquer dos vereadores filiado ao PSB terá, naturalmente, de seguir a orientação do partido na corrida ao Palácio dos Leões. Do contrário, se criaria uma situação de forte crise política na seara socialista.

O PSB encontra-se na iminência de formalizar uma aliança eleitoral com o PSD em torno da candidatura do ex-prefeito Eduardo Braide (PSD). Se a aliança for firmada – o vice-presidente do PSB, deputado Carlos Lula – tem dito que será -, vem a pergunta fatal: os seis vereadores ludovicenses alinhados ao Palácio dos Leões, vão apoiar a Eduardo Braide, a quem fizeram oposição cerrada?

A única possibilidade da aliança do PSB com Eduardo Braide não sair é se o vice-governador Felipe Camarão confirmar sua candidatura ao Governo com o apoio integral do PT, o que deixaria os atuais vereadores socialistas também de fora, já que todos eles são brandonistas.

Numa escala bem menor, a mesma situação alcança o vereador Astro de Ogun, há vários mandatos filiados ao PCdoB. Ele permanece no partido, mas declarou apoio a Orleans Brandão, contrariando a orientação do comando da legenda, que se posicionará com o candidato do PT ou o candidato que o PT vier a apoiar.

Vale lembrar que vereador não é obrigado a permanecer no partido pelo qual se elegeu, e não precisa de janela partidária para migrar. A questão colocada é a quem esses vereadores apoiarão pertencendo a um partido adversário?

Em Tempo: A Coluna deseja aos seus leitores uma Feliz Páscoa.

São Luís, 04 de Abril de 2026.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *