Brandão e Alckmin lançam em Balsas projeto de R$ 2,5 bi para produção de etanol, proteína e energia

Em cima: José Odovar, Carlos Brandão, Geraldo Alckmin e Rafael Ranzolim comemoram; no meio: Geraldo Alckmin e Carlos Brandão discursam e os presentes, entre eles André Fufuca (e),
Iracema Vale e Eric Silva (d) aplaudem

A informação central já foi anunciada pela Coluna, mas vale repeti-la: o Grupo Inpasa do Brasil, considerado o maior transformador de milho em etanol na América Latina, confirmou ontem a implantação em Balsas, no Sul do Maranhão, um dos celeiros de produção de milho na região, da sua quinta unidade industrial no Brasil. Lançada solenemente, a planta industrial representará um investimento de R$ 2,5 bilhões e deverá gerar 2.500 empregos durante a fase de implantação, e produzirá 2,5 milhões de toneladas de etanol por ano. A planta prevê um complexo de quatro fábricas, que vão produzir etanol de milho, alimento, proteína para ração animal, energia elétrica a partir da biomassa, gerando 1,5 mil postos de trabalho diretos, quando entrar em operação, em cerca de três anos. O empreendimento representará o ingresso efetivo do Maranhão na chamada economia verde.

O projeto é o resultado de um esforço conjunto do Governo do Estado, do Governo Federal e do Grupo Inpasa. O lançamento levou a Balsas o governador Carlos Brandão (PSB), o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço Geraldo Alckmin (PSB), e o presidente e o vice-presidente do Grupo Inpasa no Brasil, respectivamente José Odvar Lopes e Rafael Ranzolim. Além deles, marcaram presença o ministro do Esporte André Fufuca (PP), a senadora Eliziane Gama (PSD), quatro deputados federais e 15 deputados estaduais, liderados pela presidente da Assembleia Legislativa, deputada Iracema Vale (PSB).

Visto pela ótica estritamente econômica, o complexo industrial da Inpasa vai injetar boa dose de gás na economia do estado, com forte repercussão e desdobramentos práticos em Balsas e no Sul do Maranhão, uma vez que absorverá parte da produção de milho da região, gerará expressiva quantidade de empregos indiretos, além de reforçar a posição de Balsas com o maior centro de referência da gigantesca fronteira agrícola conhecida como Matopiba. Foi essa a expectativa revelada pelo prefeito daquele município, Eric Silva (PDT). Já no aspecto sócio-político, a implantação de uma unidade de produção de etanol na região dará ao Maranhão impulso para ampliar o seu espaço no mapa brasileiro de produção de combustível, com geração de trabalho e renda, podendo se transformar num importante foco de atração de investimentos na área de transformação de grãos, a começar pela soja.

O governador Carlos Brandão teve atuação decisiva na grande articulação para convencer o Grupo Inpasa a investir no Maranhão: reuniu-se várias vezes com a direção da empresa, conversou muito com o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin, numa triangulação que envolveu o comando do grupo industrial. “A Inpasa irá gerar emprego e renda. Isso vai construir toda uma cadeia de produção de alimentos não só de proteína vegetal, mas também animal”, observou Carlos Brandão. Para acrescentar: “Representando o presidente Lula, estamos recebendo o vice-presidente Geraldo Alckmin, que foi muito importante nesse processo de vinda da Inpasa ao nosso estado. Foi ele que anunciou que esse grande empreendimento gostaria de se instalar no Maranhão. Então, abraçamos essa empresa para gerar milhares de empregos por meio da indústria de etanol de milho”.
Visivelmente entusiasmado, o vice-presidente Geraldo Alckmin completou: “É um grande investimento. Uma planta industrial de quatro fábricas, que vão produzir etanol de milho, alimento, proteína para ração animal e energia elétrica a partir da biomassa. É energia renovável. E o principal, vai gerar empregos, renda e desenvolvimento para a região”, afirmou Alckmin, que já conhece muito bem a região.

A expectativa externada nas falas do governador e do vice-presidente foi confirmada pelo vice-presidente do Grupo Inpasa no Brasil, Rafael Ranzolin: Ele disse: “A Inpasa vem para o Maranhão com uma grande oportunidade de desenvolver culturas de segunda safra para o biocombustível e para toda a cadeia de proteína animal. O etanol de milho nesse momento passa a se chamar etanol de cereais, otimizando as áreas onde se faz o cultivo, por meio de uma tecnologia agronômica que potencializa a produção em escala. Acreditamos em uma revolução por meio da bioeconomia. O Maranhão vai ser verde, o Brasil vai ser verde. E a Inpasa será a grande precursora dessa expansão”.

Pode ser que muita gente veja o lançamento do complexo industrial da Inpasa em Balsas como evento econômico a mais numa região rica. Mas é muito mais, e começa com o fato de que, graças à eficiente articulação do governador Carlos Brandão com o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin, o Maranhão vai entrar de vez num futuro em que a economia verde será a grande referência

PONTO & CONTRAPONTO

Balsas atraiu 15 deputados estaduais liderados por Iracema, quatro federais, uma senadora e um ministro

Em cima: Iracema Vale e a comitiva de deputados estaduais; embaixo: Eliziane Gama (ao lado de
Iracema Vale) e André Fufuca (d) na entrevista de
Geraldo Alckmin e Carlos Brandão

O lançamento da planta industrial da Inpasa em Balsas ultrapassou o viés econômico e alcançou também a seara política. Para começar, a presidente da Assembleia Legislativa Iracema Vale liderou uma comitiva de 14 deputados estaduais, incluindo a anfitriã, deputada Viviane Silva (PDT), esposa do prefeito pedetista de Balsas Eric Silva: Arnaldo Melo (PP), Florêncio Neto (PSB), Francisco Nagib (PSB), Zé Inácio (PT), Antônio Pereira (PSB), Rildo Amaral (PP), Ana do Gás (PCdoB), Ricardo Rios (PCdoB), Ariston Ribeiro (PSB), Davi Brandão (PSB), Júnior Cascaria (Podemos), Glaubert Cutrim (PDT) e Cláudio Cunha (PL).

Durante o evento, a presidente Iracema Vale parabenizou o governador Carlos Brandão e definiu assim o complexo industrial a ser implantado em Balsas: “Um empreendimento desse porte só tem a agregar ao Maranhão, principalmente pelo fortalecimento da pauta voltada à produção de energia limpa, aproveitando todo o potencial que temos nessa região do nosso estado”.

A comitiva política reuniu em Balsas os deputados federais da região e visitantes: Márcio Honaiser (PDT), que é do município; Josivaldo JP (PSD), que tem base em Imperatriz e faz política na região, e Duarte Jr. (PSB), que tem base em São Luís, mas apoia o empreendimento, e Marreca Filho (Patriotas), com base no Baixo Itapecuru e também apoiador do projeto.

Duas presenças políticas importantes surpreenderam os participantes do evento em Balsas: o ministro do Esporte André Fufuca e a senadora Eliziane Gama (PSD). Os dois viajaram na comitiva do vice-presidente Geraldo Alckmin. André Fufuca deu uma pausa na montagem do seu projeto para o Ministério do Esporte para ir a Balsas. Para integrar a comitiva, Eliziane Gama suspendeu momentaneamente a desafiadora tarefa de elaborar o seu balanço como relatora da CPMI dos Atos Golpistas.

Yglésio bate forte em decisão de juiz e afirma que anular nomeação de conselheiro foi “covardia institucional”

Yglésio Moyses: reação dura à
decisão do juiz Douglas Martins

O deputado Yglésio Moyses (PSB) contestou, numa dura reação, a sentença do juiz Douglas Cunha, titular da Vara de Direitos Difusos e Coletivos de São Luís, anulando a nomeação de Daniel Brandão para o Tribunal de Contas do Estado, afirmando que a nomeação feriu o princípio da impessoalidade e da moralidade”. Num discurso enfático, ao longo do qual analisou diferentes pontos da decisão do magistrado, o parlamentar foi duro, qualificou a decisão de política, e defendeu a nomeação assinalando que ela foi autorizada por 40 dos 42 deputados e que a vaga pertencia ao Poder Legislativo, cabendo ao governador apenas o ato formal de nomear.  

Mostrando as regras da Constituição do Estado e as do Regimento da Assembleia Legislativa, Yglésio Moyses bateu forte no despacho do juiz Douglas Martins. Disse que o juiz não teve cuidado, não levou em conta a manifestação do Ministério Público favorável à nomeação, e defendeu que haja uma institucionalidade para que sejam proferidas decisões “com cuidado”, apontando o que, na sua avaliação, seriam erros na sentença.

“Essa ação popular, a meu ver, tem uma série de error in judicando. Tem que ter cuidado em uma sentença quando se vai julgar uma decisão de 42 deputados, representantes do povo. Tem que analisar a Constituição do Estado onde você é juiz antes de escrever algumas coisas. É o básico”, disparou.

E criticou o juiz Douglas Martins avaliando que, além dos erros que apontou, esse tipo de situação leva a uma instabilidade política e a uma tentativa de desgaste do Governo.

Para o deputado, o titular da Vara de Interesses Coletivos e Difusos de São Luís cometeu “uma covardia institucional” e desrespeitou a decisão de 40 deputados estaduais. E defendeu a derrubada da sentença pelo Tribunal de Justiça.

São Luís, 11 de Outubro de 2022.

Assembleia vai reagir para derrubar decisão de juiz que anulou nomeação de conselheiro do TCE

15 de fevereiro: Iracema Vale entrega
ato de nomeação de Daniel Brandão

A Assembleia Legislativa deve contestar a decisão do juiz Douglas Martins, titular da Vara de Interesse Difusos e Coletivos de São Luís, que tornou nula, ontem, a nomeação de Daniel Brandão para o Tribunal de Contas do Estado (TCE). A anulação contraria, frontal e ostensivamente, uma decisão do parlamento estadual, tomada com os votos de 40 dos 42 deputados, e formalizada com a nomeação escolhido para o cargo pela então governadora em exercício Iracema Vale (PSB), uma vez que o governador Carlos Brandão (PSB) e o vice-governador Felipe Camarão (PT) se encontravam fora do País. Na sua decisão, o magistrado justificou a anulação argumentando que “a análise dos autos revela que a nomeação de Daniel Brandão para o cargo objeto desta demanda ofendeu, ostensivamente, os princípios constitucionais da impessoalidade e da moralidade”. Daniel Brandão é sobrinho do governador Carlos Brandão e se candidatou à vaga de conselheiro sem ressalvas.

Além surpreender a Assembleia Legislativa, a decisão do magistrado causou perplexidade no parlamento e indignação em alguns deputados, uma vez que, para eles, a nomeação de Daniel Brandão se deu dentro das regras, nada havendo que justifique a anulação. E o primeiro passo para reverter a situação será contestá-la, com a perspectiva de manter a nomeação.

Único inscrito para a vaga aberta no TCE com a aposentaria do conselheiro Edmar Cutrim, Daniel Itapary Brandão foi confirmado no dia 15 de fevereiro, com o voto de 40 deputados, e empossado no dia seguinte (16/02), num processo que, para os deputados, transcorreu legal e incontestavelmente. Por esse entendimento, a condição de sobrinho do governador Carlos Brandão não pesou no processo, pelo fato de que a vaga pertencia à Assembleia Legislativa, da qual o TCE é órgão auxiliar, mas com plena autonomia funcional.

Esse não foi o entendimento dos advogados Aldenor Rebouças Júnior e Juvêncio Lustosa de Farias Júnior. Eles pediram ao juiz titular da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís a anulação do Decreto Legislativo nº 660/2023 que autorizou a nomeação de Daniel Brandão, alegando que seria um “nepotismo violento à moralidade administrativa”. Ontem, sete meses depois de protocolado, o pedido foi aceito pelo juiz Douglas Martins, que declarou nulo o Decreto Legislativo nº 660/2023. Além de impactar o parlamento estadual, a decisão repercutiu fortemente no TCE e no Palácio dos Leões, mesmo na ausência do governador Carlos Brandão, que está de volta ao Brasil desde ontem e retorna hoje ao Maranhão, por Balsas, onde receberá o vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio Geraldo Alckmin (PSB).

Na avaliação de fontes parlamentares e governistas, a Assembleia Legislativa vai recorrer, com a certeza que a decisão do juiz Douglas Martins será derrubada no Tribunal de Justiça, o que encerrará a questão. Essas mesmas fontes argumentaram que não há traço de nepotismo na decisão e que todo o processo foi baseado na Constituição do Estado, no Regimento Interno da Assembleia Legislativa. E disseram não entender o que levou o magistrado a tomar a decisão de anular a nomeação do conselheiro do TCE.

A expectativa na Assembleia Legislativa, no Palácio dos Leões e no próprio TCE é a de que a decisão do juiz Douglas Martins será revista pelo Tribunal de Justiça. E com o forte argumento de que casos semelhantes no Pará e no Piauí já passaram pelo crivo da Justiça e foram confirmados nos Tribunais de Justiça dos dois estados e nos Tribunais Superiores. As fontes legislativas e palacianas acreditam que Daniel Brandão continuará conselheiro do TCE, mesmo que o questionamento dos advogados chegue aos Tribunais federais na esteira de intensa batalha judicial.

E o argumento que usam é simples e direto: não houve ilegalidade nem imoralidade administrativa na escolha e nomeação de Daniel Brandão para o TCE.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão e Alckmin estão sintonizados no projeto da Inpasa em Balsas

Carlos Brandão e Geraldo Alckmin lançam
hoje planta industrial em Balsas

O governador Carlos Brandão e o vice-presidente da República e ministro de Indústria e Comércio Geraldo Alckmin desembarcarão hoje em Balsas para lançar a pedra fundamental da implantação da planta industrial do grupo Inpasa, que processará um milhão de toneladas de cereais, resultando na produção de 460 milhões de litros de etanol, 230 mil toneladas dos chamados grãos de destilaria (DDGS), 23 mil toneladas de OIL Premium e 200 GWH/ano de energia elétrica. O investimento global será da ordem de R$ 2,5 bilhões, com a geração de 2,5 mil empregos ao longo do processo de instalação e 1,5 mil depois que o complexo fabril entrar em operação.

O governador Carlos Brandão negociou a vinda do grupo para o Maranhão incluindo o vice-presidente no processo, tendo Geraldo Alckmin manifestado entusiasmo pelo projeto. Tanto que incentivou a operação e se colocou à disposição para vir ao Maranhão participar do lançamento do projeto, para também deixar claro o engajamento do Governo Federal.

Vale registrar que, além do interesse do Governo no projeto da Inpasa, O vice-presidente Geraldo Alckmin e o governador Carlos Brandão têm sintonia fina, que vem desde os dois militavam no PSDB.

Justiça devolve elegibilidade a Fred Campos, que é favorito no Paço

Fred Campos tem elegibilidade
de volta e disputará em Paço do Lumiar

Depois de um longo tempo de expectativa, Paço do Lumiar, com 125 mil habitantes, o que o coloca entre os 10 maiores municípios do Maranhão, foi sacudido ontem com a decisão do TRE de reverter uma condenação polêmica e tornar o ex-vereador Fred Campos de novo elegível. Mais do que isso: todas as pesquisas feitas até agora apontaram o ex-vereador como franco favorito na corrida para a sucessão da prefeita Paula da Pindoba (PCdoB).

A decisão da Justiça Eleitoral mexeu com o cenário político do município, que hoje é politicamente estratégico, uma vez que os nomes que foram colocados até agora não decolaram, o que tem causado forte preocupação à prefeita Paula da Pindoba, de quem Fred Campos é oposição. Fred Campos, que estava filiado ao PL, encontra-se há algum tempo sem partido, mas já conta com o apoio do PSDB e do MDB, e mais do que isso, com o discreto aval do Palácio dos Leões.

Há quem diga que será difícil para outro candidato minar o seu favoritismo.

São Luís, 10 de Outubro de 2023.

Abertura do ano eleitoral é senha para a definição de candidaturas na corrida em São Luís

Se nada mudar, o prefeito de São Luís sairá da disputa entre
Eduardo Braide, Duarte Jr., Edivaldo Jr. e Neto Evangelista

Os partidos políticos e seus pré-candidatos entraram ontem no ano eleitoral, iniciando contagem regressiva para as eleições municipais marcadas para 06 de outubro de 2024. No Maranhão, as articulações para a definição de candidaturas, que já vinham movimentando o tabuleiro partidário, devem intensificar as conversas entre partidos em busca de composição. E nesse contexto, a disputa para a Prefeitura de São Luís vai ganhar um novo rumo com a desistência do vereador-presidente Paulo Victor (PSDB), mas dentro de um cenário praticamente definido no qual o prefeito Eduardo Braide (PSD) se move em busca da reeleição, tendo como concorrentes contra o deputado federal Duarte Jr. (PSB), o ex-prefeito Edivaldo Jr. (sem partido) e o deputado estadual Neto Evangelista (União). Devem se candidatar também os deputados estaduais Wellington do Curso (PSD) e Yglésio Moises (PSB) e ainda os representantes do PSOL e do PSTU. O deputado estadual Carlos Lula deve permanecer como “reserva técnica” do PSB.

As pesquisas realizadas até aqui mostram Eduardo Braide como franco favorito, em média com 10 pontos percentuais à frente do seu adversário mais próximo, Duarte Jr., que por sua vez vem mantendo o terceiro colocado, Edivaldo Jr., também a dez pontos percentuais atrás, que no último levantamento, apareceu com seis pontos à frente do quarto colocado, Neto Evangelista, que aparece tecnicamente empatado com Wellington do Curso. Esse ambiente deve ganhar uma movimentação nas próximas semanas, provavelmente em janeiro, com a entrada em cena de atores importantes, como o governador Carlos Brandão (PSB), o ministro da Justiça Flávio Dino (PSB) – se não for para o Supremo Tribunal Federal -, o senador Weverton Rocha que vai decidir o rumo do PDT, e a senadora Eliziane Gama (PSD), que ainda não disse se apoiará ou não o candidato do seu partido, o prefeito Eduardo Braide.

O governador Carlos Brandão avisou que só vai tratar de candidatura a partir de janeiro. Mas nos bastidores da aliança governista já se sussurra que o caminho do chefe do Executivo deve ser o de apoiar a pré-candidatura de Duarte Jr., que já tem o apoio do ministro Flávio Dino e da senadora Ana Paula Lobato (PSB) – na hipótese de Flávio Dino ir para o Supremo ou continuar no Ministério da Justiça. Há fortes sinais de que o PT tende a apoiar o virtual candidato do PSB, o que significará o apoio do vice-governador Felipe Camarão (PT). O eventual apoio do PT a Duarte Jr. terá o aval da cúpula nacional do partido e do próprio presidente Lula da Silva (PT), que elogiou o desempenho do parlamentar socialista a favor do seu Governo na Câmara Federal. Se essa base política e partidária funcionar, Duarte Jr. tende a se fortalecer. Isso vai depender muito do seu trabalho pessoal de articulação.

Edivaldo Jr. e Neto Evangelista tendem a travar uma guerra pela terceira colocação, posição que pode levar o vencedor a brigar com Duarte Jr. pela condição de adversário de Eduardo Braide num eventual segundo turno. O ex-prefeito tem o imenso desafio de encontrar um partido e montar um grupo de aliados e tenta fazê-lo filiando-se ao PV, que faz parte de uma federação com o PCdoB e PT, o que parece improvável, apesar dos sorrisos que recebeu de alguns próceres desses partidos. Já o deputado, que tem partido forte e conta com o aval do ministro Juscelino Filho, das Comunicações, trabalha para atrair o aval do Palácio dos Leões, segundo insinuou o deputado Roberto Costa (MDB).  

Há quem acredite que os resultados dessas movimentações podem alterar o cenário da disputa desenhado até aqui pelas pesquisas, principalmente se o deputado federal Duarte Jr. se consolidar como candidato da aliança governista. Mas há também quem enxergue consistência na tendência de crescimento do prefeito Eduardo Braide, que assim pode reunir poder de fogo suficiente para se manter na liderança, encarar uma campanha dura e sair das urnas com o mandato renovado.

Vale lembrar que, antes das convenções partidárias para a escolha dos candidatos, da campanha eleitoral e da manifestação das urnas, São Luís viverá um Natal, um Carnaval e um São João.

PONTO & CONTRAPONTO

Luto: morre Antônio Carlos Lima, um ícone do Jornalismo do Maranhão

Antônio Carlos Lima fez jornalismo
como expressão cultural

O jornalismo do Maranhão sofreu um duro golpe neste domingo ao ser surpreendido com a notícia da morte de um dos seus mais importantes quadros nos últimos 50 anos e um dos ícones da sua geração: Antônio Carlos Lima. Sua partida, aos 66 anos, ocorreu em Brasília, onde residia, depois de uma luta titânica contra um câncer no estômago, descoberto durante a recuperação de um problema cardíaco.

Natural de São Raimundo das Mangabeiras e tendo Barra do Corda como referência de vida, Antônio Carlos Lima graduou-se em Jornalismo pela Universidade Federal do Maranhão (1982) e abraçou a profissão com rara dedicação, motivado, principalmente por uma base cultural ampla e sólida, que o fez compreender, em patamar elevado, a importância da informação no mundo contemporâneo. Começou no jornal alternativo a Ilha, foi diretor do Jornal de Hoje, coordenou o Jornalismo da TV Difusora, entre outras ações profissionais.

A sua visão especial da comunicação jornalística foi construída e expressada no jornal O Estado do Maranhão, cujo comando assumiu em 1983, como diretor de Redação e com o desafio de modernizar um jornal que já buscava a renovação. Antônio Carlos Lima deu ao diário fundado por José Sarney e Bandeira Tribuzi uma feição e uma estrutura de jornal, com o ordenamento editorial possível dentro das condições que dispunha. E nessa arrumação inicial, colocou o jornal na modernidade ao criar dois espaços que se tornaram símbolos de O Estado e da imprensa do Maranhão: a coluna política “Estado Maior”, que escreveu por sete anos e que por mais de três décadas foi referência e leitura obrigatória dos segmentos na área política, e o caderno de cultura “Alternativo”, que se tornou a grande agenda cultural do Maranhão, tendo como marcas a Coluna PH e o espaço “Hoje é Dia de…” destinado a cronistas do naipe de José Chaga, Ubiratan Teixeira, Jomar Moraes e Ivã Sarney. Criou também a editoria de Política, implantada em 1984 pelo autor desta Coluna, que com ele trabalhou até 1990.

Sempre focado na boa informação e nas inovações editoriais, Antônio Carlos Lima permaneceu Diretor de Redação de O Estado até 1991, quando encerrou o ciclo do jornalismo impresso para se dedicar à comunicação institucional ao assumir a Secretaria de Comunicação no Governo Edison Lobão, onde realizou um trabalho inovador em matéria de assessoria de Imprensa, comunicação oficial, publicidade e propaganda. Ocupou o mesmo cargo em dois períodos dos quatro Governos de Roseana Sarney. Mudou-se para Brasília, de onde embarcou para o Chile como presidente do Centro de Estudos Brasileiros (CEB), órgão da Embaixada do Brasil naquele País, onde promoveu a cultura brasileira junto aos chilenos, principalmente nas universidades e centros culturais da pátria de Pablo Neruda.

Antônio Carlos Lima teve sua atuação jornalística reconhecida com o Prêmio Fenaj de Jornalismo em 1988, que venceu com a reportagem especial “Cuba: Dez Dias na Ilha que Abalou as Américas”. Recebeu várias outras manifestações de reconhecimento, como comendas, diplomas, placas e outras honrarias de diferentes instituições.

O preciosismo que dedicou ao Jornalismo, como editor, colunista, editorialista e, em especial, repórter, Antônio Carlos Lima usou, com mais esmero ainda, na literatura, como escritor dedicado especialmente à crônica, o que pode ser explicado pela proximidade do gênero com o Jornalismo. Publicou vários livros de crônicas, contos e uma reconhecida versão da história do Maranhão para crianças. Sua obra literária e a sua contribuição jornalística para a cultura maranhense, principalmente a criação do Caderno Alternativo de O Estado do Maranhão, justificaram plenamente a sua eleição para a Academia Maranhense de Letras, em 2011.

Em Tempo: O autor da Coluna se solidariza com familiares e amigos pela perda, e pessoalmente, lamenta profundamente a partida de um parceiro de trajetória profissional e de um dos baluartes do Jornalismo do Maranhão.  

São Luís, 08 de Outubro de 2023.

Constituição Cidadã: Maranhão foi decisivo na convocação da Constituinte e mandou bancada consistente

José Sarney ao lado de Ulisses Guimarães diante do
plenário entusiasmado com a nova Carta Magna

O Brasil, em especial os Poderes da República, comemorou ontem os 35 anos da Constituição de 1988, que reinstalou a plena democracia no Brasil, sepultando de vez os resquícios da ditadura militar, garantindo direitos e deveres aos brasileiros, tendo entrado para a História como a Constituição Cidadã. Representado por três senadores e 18 deputados federais, o Maranhão participou efetivamente da elaboração da Carta Magna, com o diferencial de que foi um maranhense, o então presidente da República José Sarney (MDB), quem convocou a Assembleia Nacional Constituinte, eleita em 1986. José Sarney manteve longa queda de braço com o comando da Constituinte no sentido de evitar abusos que pudessem tornar o Brasil “ingovernável” e teve seu mandato presidencial reduzido de seis para cinco anos. Mesmo fazendo restrições a alguns artigos, parágrafos e incisos da Carta, José Sarney foi e continua sendo um dos seus principais defensores fora do Congresso Nacional.

Dos 21 constituintes maranhenses, 20 foram eleitos em 1986, uma vez que João Castelo já era senador, eleito em 1982. A bancada maranhense na Assembleia Nacional Constituinte teve a seguinte composição decidida pelas urnas: os senadores Alexandre Costa (PDS), Edison Lobão (PDS) e João Castelo, e os deputados federais Albérico Filho (MDB), Antônio Gaspar (MDB), Cid Carvalho (MDB), Costa Ferreira (PDS), Davi Alves Silva (PDS), Eliézer Moreira (PDS), Enoc Vieira (PDS), Haroldo Sabóia (MDB), Chico Coelho (PDS), Joaquim Haickel (PDS), José Carlos Sabóia (MDB), José Teixeira (PDS), Mauro Fecury (PDS), Onofre Corrêa (MDB), Sarney Filho (PDS), Victor Trovão (PDS), Vieira da Silva (PDS) e Wagner Lago (MDB).

Desse grupo, os três senadores continuaram na política, enquanto que entre os deputados a maioria também continuou na guerra por mandatos, alguns abandonaram a política e foram cuidar de seus negócios, outros tentaram continuar, mas não conseguiram, e um deles foi retirado da vida pública. A seguir, os constituintes e seus futuros.

Alexandre Costa militou na política desde os anos 40, foi senador indireto (1978), continuou senador se reelegendo para a Constituinte em 1986, tendo defendido pautas conservadoras, atuando também como articulador. Reelegeu-se em 1994, foi ministro dos Transportes do Governo Itamar Franco, adoeceu e passou mais de dois anos em coma, morrendo em Brasília em 1998, aos 80 anos, como um dos mais longevos e influentes políticos maranhenses no Congresso Nacional.

Edison Lobão, advogado e jornalista, foi duas vezes deputado federal antes de se eleger senador constituinte em 1986, com forte atuação nos debates. Depois, foi governador do Maranhão (1991/1994), senador da República por quatro mandatos, presidiu o Senado e foi ministro de Minas e Energia em parte dos Governos de Lula da Silva e Dilma Rousseff (PT). Foi senador até dezembro de 2018 e continua atuando na política na cúpula do MDB, com forte liderança no estado.

João Castelo foi deputado federal na década de 1970, governador do Maranhão por eleição indireta em 1978, senador da República eleito em 1982, tendo assumido as funções de constituinte no segundo período do seu mandato senatorial. Voltou à Câmara Federal nos anos 90 e 2000, período em que foi o relator geral do novo Código Civil. Elegeu-se prefeito de São Luís em 2008, liderando o PSDB. Morreu em 2016, aos 79 anos, como um dos maiores líderes políticos do Maranhão na transição do século 20 para o século 21.

Albérico Filho foi deputado federal constituinte depois de um mandato de deputado estadual. Ainda jovem, participou dos grandes debates feitos pela corrente do MDB mais alinhada ao presidente José Sarney. Depois da Constituinte, foi deputado federal e duas vezes prefeito de Barreirinhas. Afastado da vida política, o ex-constituinte dedica-se atualmente aos negócios da família.

Antônio Gaspar, farmacêutico por formação, foi para a Assembleia Nacional Constituinte movido pelo entusiasmo. Teve participação efetiva em diversas áreas, entre elas a da saúde. Com a promulgação da Constituição em 1988, desistiu da política, tendo rejeitado convites para se candidatar a novo mandato. Hoje cuida dos seus negócios, que têm como ponto forte a rede Laboratórios Gaspar.

Cid Carvalho, nascido no Acre, começou na política maranhense nos anos 50, teve seu mandato de deputado federal cassado com o golpe de 1964, retornou à política em 1982 como deputado federal. Eleito constituinte, foi um dos mais ativos integrantes do grupo liderado pelo deputado Ulisses Guimarães, atuando sobretudo como articulador. Sua rica história política foi pelo ralo quando ele foi cassado por corrupção durante a histórica CPI dos Anões do Orçamento, na década de 1990. Morreu em 2004, aos 81 anos, totalmente afastado da vida pública.

Costa Ferreira é um dos mais longevos e atuantes políticos maranhenses, que teve como base o eleitorado evangélico. Participou da Constituinte defendendo pautas conservadoras, mas com seriedade, como sempre foi sua marca, mas com a experiência de vários mandatos e depois da promulgação da Carta Magna continuou se reelegendo para a Câmara Federal, tendo encerrado o seu último mandato em 2015.]

Davi Alves Silva foi para a Assembleia Nacional Constituinte como um político controvertido, principalmente pela suspeita de ter fortes ligações com a pistolagem que na época assolava a Região Tocantina, onde era querido por muitos e temido por todos. Depois da Constituinte, elegeu-se prefeito de Imperatriz, onde, após o mandato, foi assassinado a tiros no centro da cidade por um ex-cunhado, que se suicidou.

Eliézer Moreira foi duas vezes deputado estadual e várias vezes secretário de Estado antes de se eleger constituinte em 1986. Teve participação ativa no grande debate. Após a Constituinte, abandonou a militância política e parlamentar, tornando-se secretário de Estado em várias áreas, entre elas a da Cultura, tendo sido também interventor em Caxias. Longe da política, dedicou-se ao estudo e à pesquisa das artes plásticas no Maranhão, atividade que o levou à Academia Maranhense de Letras.

Enoc Vieira foi deputado estadual duas vezes, tendo presidido a Assembleia Legislativa entre 1979 e 1981. Evangélico e considerado um político sério por seus contemporâneos. elegeu-se constituinte e teve participação efetiva na elaboração da Carta, defendo pautas conservadoras. Tentou, sem sucesso, se manter na política, mas desistiu, dedicando-se ao serviço público.

Haroldo Sabóia, economista por formação, entrou na política combatendo a ditadura no plano nacional e o sarneysismo no Maranhão. Elegeu-se deputado estadual duas vezes e se tornou constituinte nas eleições de 1986. Foi um dos mais ativos integrantes da ala esquerda do MDB, participando do grupo mais próximo de Ulisses Guimarães. Seu último mandato foi de vereador de São Luís, após o qual saiu da linha de frente da política. Mantém ainda o viés ativista.

Chico Coelho, agrônomo por formação e empresário do agronegócio, elegeu-se constituinte depois de ter sido o mais influente integrante do Governo Luiz Rocha. Foi ativo na formação do embrião da bancada ruralista, da qual se tornou um dos destaques em mandatos posteriores na Câmara Federal. Foi prefeito de Balsas e atualmente se dedica aos seus múltiplos negócios.

Joaquim Haickel fez parte da ala mais jovem dos integrantes da Constituinte, atuando ora aliado a correntes mais conservadoras, ora militando nas frentes de vanguarda, principalmente nos campos da cultura e dos costumes. Depois da Constituinte, foi ainda deputado federal, deputado estadual, secretário de Estado e do Município de São Luís. Atualmente se dedica integralmente às atividades culturais, atuando como agitador o que sempre foi na área, agora como membro da Academia Maranhense de Letras.

José Carlos Sabóia, sociólogo e professor universitário, teve forte atuação na Assembleia Nacional Constituinte, notadamente nas áreas de educação e direitos civis, sintonizado com a ala esquerda do MDB, que teve influência forte no perfil social da nova Carta Magna. Deixou de disputar mandatos depois que não se reelegeu, envolveu-se ainda com atividades partidárias. Mantém seu ativismo.

José Teixeira, economista, elegeu-se constituinte depois de ter sido o poderoso e influente secretário de Fazenda do Governo Luiz Rocha. Sua atuação na Constituinte foi focada em questões de natureza econômica e tributária. Foi depois interventor em Caxias, nomeado pelo então governador Edison Lobão, e diretor do Postalis, o bilionário fundo previdenciário dos servidores dos Correios.

Mauro Fecury, engenheiro civil e empresário, chegou à Constituinte depois de ter sido, presidente da Novacap, que construiu Brasília, e duas vezes prefeito nomeado de São Luís. Atuou na defesa de regras para melhorar a estrutura social e econômica das cidades. Depois da Constituinte, foi deputado federal e suplente de senador, exercendo o mandato em 2009 até 2010. Deixou a política para se dedicar à ampliação e consolidação do hoje Uniceuma, um império no ramo do ensino universitário privado.

Onofre Corrêa, empresário do agro bem estabelecido em Imperatriz, elegeu-se para a Assembleia Nacional Constituinte com grande votação na região Tocantina, onde fez uma campanha movimentada, com um discurso de mudança. Exerceu um mandato intenso, defendendo pautas conservadoras e liberais, e depois abandonou a política para cuidar dos seus negócios.

Sarney Filho, advogado, iniciou a vida política como deputado estadual, elegendo-se deputado federal e chegando à Constituinte no segundo mandato federal. Teve participação ativa, mesmo pagando o preço de ser filho do presidente da República. Depois da Constituinte, continuou elegendo-se deputado federal até alcançar nove mandatos consecutivos. A série foi interrompida quando ele disputou sem sucesso vaga no Senado em 2018, situação que o levou a abandonar a política no Maranhão. Foi ministro do Meio Ambiente dos Governo FHC e Michel Temer. Já sem mandato, foi secretário de Meio Ambiente do Distrito Federal.

Victor Trovão, empresário da indústria de transformação e da construção civil, já era deputado federal quando se elegeu constituinte em 1986. Fez parte da bancada conservadora, mas defendeu também pautas liberais, principalmente na economia. Após a Constituinte, tentou se reeleger, sem sucesso, e abandono a vida política, dedicando-se aos negócios. Morreu em 2011 aos 90 anos.

Vieira da Silva, empresário da telefonia e dono da TV e da Rádio Ribamar, foi um político iniciado ainda nos anos 50 do século passado, nas lutas a favor e contra o vitorinismo. Muito ativo e com temperamento forte, foi eleito várias vezes deputado federal, participando da Assembleia Nacional Constituinte como uma voz conservadora. Exerceu mais três mandatos federais e morreu em 2007 aos 89 anos.

Wagner Lago, advogado e procurador do Estado, foi deputado estadual e deputado federal, elegendo-se constituinte já como um político experiente. Teve atuação intensa nos debates, tendo exercido mais dois mandatos federais após a promulgação da Carta Magna. Continuou como ativista político, mas longe da disputa por votos, tendo sido um dos principais defensores do mandato do governador Jackson Lago.

Na avaliação dos políticos que acompanharam o desenrolar da Assembleia Nacional Constituinte, de um modo geral os integrantes da bancada maranhense tiveram atuação convincente na elaboração da Carta Magna promulgada no dia 5 de Outubro de 1988. Merecem, portanto, ser lembrados por seu feito histórico.

São Luís, 06 de Outubro de 2023.

Governo do Estado decreta corte profundo nos gastos para equilibrar as contas

Felipe Camarão reunido com representante do Sindicato dos Professores para
discutir plano de ação; durante a reunião ele desfez a notícia falsa de que
professores contratados seriam demitidos pelo Governo

O Poder Executivo estadual iniciou ontem um amplo e duro ajuste para equilibrar as suas contas, cortando despesas e proibindo um amplo leque de procedimentos cujos custos podem gerar novos gastos. Todas as proibições e restrições estão relacionadas nas quatro páginas draconianas do Decreto Nº 38.565 de 02/10/2023, com cinco “considerando”, sete artigos, cinco parágrafos e 18 incisos, editado pelo governador em exercício Felipe Camarão (PT). O corte nas despesas é abrangente e implacável, uma vez que o leque de proibições vai da liberação de diárias e passagens aéreas para servidores até a concessão de aditamentos em contratos de prestação já existentes, assim como a contratação de novos serviços em todas as áreas da administração. Os cortes variam de 17% a 25%, dependendo da área e da natureza da despesa, e alcança todas as áreas da máquina pública estadual. O pacote não mexe com a prestação de serviços essenciais, como educação, saúde, segurança pública, entre outros.

Com o Decreto editado ontem, o Governo do Estado esperar ajustar suas contas neste final de ano. Elas mergulharam no desequilíbrio entre receita e despesa ao longo do ano, período em que o Governo do Maranhão perdeu nada menos que R$ 400 milhões em arrecadação do ICMS, principalmente com a redução das alíquotas para combustíveis, que caiu de 35% para 18%, imposta pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) através do Congresso Nacional, numa jogada eleitoreira fracassada. Para se ter uma ideia da perda, em outubro de 2022, o Estado arrecadou R$ 1,2 bilhão em ICMS; já neste ano, a previsão é de que a receita de ICMS em outubro não ultrapassará R$ 1,1 bilhão, o que significa uma perda de R$ 100 milhões, quando a lógica seria um aumento, ainda que leve, mas real. O Maranhão, como os demais estados, sofreu também com a queda de arrecadação do Fundo de Participação dos Estados (FPE), que até o final do ano poderá alcançar cerca de R$ 200 milhões.

Nos “considerando” do Decreto Nº 38.565, o governador em exercício Felipe Camarão justifica a medida fundamentado na Lei de Responsabilidade, argumentando que “a responsabilidade na gestão fiscal pressupõe a ação planejada e transparente, em que se previnem riscos e se corrigem desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas, mediante o cumprimento de metas de resultados entre receitas e despesas (…)”. E avisa as medidas de contenção de gastos e as proibições elencadas serão intensamente fiscalizadas pela Secretaria de Monitoramento de Ações Governamentais, criada há alguns meses e cujo titular, Alberto Bastos, ganhou poder e estatura para atuar como uma espécie de xerife da administração estadual. O Decreto determina que em um mês o titular da Semag deve apresentar ao governador do Estado o primeiro relatório de acompanhamento da execução das medidas.

O anúncio das medidas produziu um frisson nos gabinetes e corredores da máquina pública estadual, gerando inclusive notícias falsas, como demissões e coisa parecida. Ao explicar a medida, o governador em exercício Felipe Camarão colocou a casa em ordem ao deixar claro que nenhum servidor, do quadro ou temporário, perderá seu emprego, esclarecendo também que tudo continuará funcionando normalmente, sem qualquer alteração. Felipe Camarão foi enfático para informar que o pacote de medidas tem por objetivo encontrar o equilíbrio entre receita e  despesa numa situação em que o Governo foi duramente afetado pela perda de arrecadação. E enfatizou, por outro lado, que a iniciativa deverá ser bem-sucedida, a começar pelo fato de que todos os integrantes do Governo estão conscientes das dificuldades financeiras. E esse papel fiscalizador será da Semag, que foi criada exatamente para atuar nesse campo, no caso seguindo rigorosamente dito no Decreto editado ontem.

Além do corte de gastos, o Governo do Estado poderá ter essa situação fortemente atenuada com a contratação de um empréstimo no valor de R$ 4 bilhões e cujo pleito está em andamento em Brasília, mais especificamente no Senado, onde as negociações, que envolvem técnicos da Secretaria do Tesouro Nacional, estão avançadas.

Pelo ânimo que demonstrou ontem ao falar do assunto, o governador em exercício Felipe Camarão mostrou que aposta alto de que o Governo fechará o ano com seus compromissos em dia, a começar pelos salários, que formam a base da grade de despesas fixas da máquina pública, serão pagos rigorosamente em dia.

PONTO & CONTRAPONTO

Frente Parlamentar quer resgatar os 20% de maranhenses que vivem em extrema pobreza

Deputados e técnicos do IBGE avaliam a situação da extrema pobreza no Maranhão

O Maranhão tem nada menos que 20% da sua população, o que equivale a 1,5 milhão de pessoas, na condição de extrema pobreza, uma vez que vivem com renda familiar na faixa de R$ 70,00. Esse diagnóstico foi apresentado ontem por técnicos do IBGE em reunião da Frente Parlamentar de Combate à Pobreza, da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Arnaldo Melo (PP) e da qual participaram como integrantes os deputados Eric Costa (PSD), Fernando Braide (PSD), Ricardo Arruda (MDB) e Florêncio Neto (PSB).

Na reunião, o analista de planejamento do IBGE João Ricardo Costa e Silva deu uma explicação técnica ampla e detalhada a respeito do que é e como é formado o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), indicador que revela com mais precisão as condições sociais e econômica de uma sociedade. Na reunião foi apresentado o IDH do Maranhão desde 1991, ficando demonstrado que o desempenho do estado evoluiu em expectativa de vida, educação e renda. Ao mesmo tempo, esses indicadores mostraram que 20% dos maranhenses ainda vivem na extrema pobreza.

O presidente Arnaldo Melo avaliou a reunião como muito produtiva: “Os indicadores de longevidade, educação e renda vão conformar melhor o nosso diagnóstico que diz quais são as causas essenciais do índice de pobreza do Maranhão. Isto poderá nos dar a luz necessária para que possamos propor aos governos municipais, estadual e federal as políticas que deveremos introduzir no Maranhão, e anos futuros, para amenizar esse quadro”.

A reunião de ontem foi um passo expressivo da Frente Parlamentar, que passou algum tempo sem se manifestar. Na avaliação dos deputados Eric Costa, Florêncio Neto, Ricardo Arruda e Fernando Braide, um grande passo foi dado. Agora é montar um diagnóstico preciso e provocar o debate e produzir ações com os governos municipais, estadual e federal.  

Ao final da reunião foi deliberado que a Frente Parlamentar de Combate à Pobreza se reunirá todas as quartas-feiras para debater os indicadores do IDH no Maranhão e propor políticas que possam melhorar os índices de pobreza do estado.

Câmara aprova LDO de São Luís com 41 emendas

Paulo Victor preside a sessão em que os
vereadores aprovaram a LDO com 41 emendas

Depois de seis meses de análises e discussões, a Câmara Municipal, em sessão comandada pelo presidente Paulo Victor (PSDB), aprovou ontem a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) da Prefeitura da Capital para o exercício de 2024, quando, de acordo com a previsão do prefeito Eduardo Braide (PSD), o maior município do Maranhão movimentará R$ 4,9 bilhões no ano que vem. O texto aprovado foi o do relator, vereador Marquinhos Silva (Podemos), que foi respaldado por 22 votos contra sete.

O Projeto de Lei nº 0091/2023 foi aprovado com 41 emendas, sendo 17 modificativas, 23 aditivas e uma supressiva. Na análise do projeto prevaleceu a visão de vereadores de oposição, já que, conforme ficou demonstrado na votação, o prefeito Eduardo Braide conta apenas com sete votos aliados. E foram exatamente esses que votaram contra o relatório do vereador Marquinhos Silva.

Após a votação, vareadores diversos comemoraram a autonomia da Câmara Municipal, mas vários deles manifestaram preocupação de que o prefeito Eduardo Braide vete grande parte, o que ele certamente o fará se houver algum indício de inconstitucionalidade.

Após a votação, o presidente da Câmara Municipal, vereador Paulo Victor declarou: “A Câmara é o nosso guardião. O nosso poder é dado, sobretudo, por Deus e garantido na nossa Constituição. No final da história, o que valerá é o mandato de cada colega”.

São Luís, 05 de Outubro de 2023.

Pesquisa mostra consistência no favoritismo de Braide, que tem gestão aprovada por 65%

Eduardo Braide lidera com Duarte Jr. em segundo, Edivaldo Jr,
em terceiro e Neto Evangelista em quarto lugar em São Luís

Mais uma pesquisa confiável, essa feita pela empresa Paraná Pesquisas, mostra que, há um ano da corrida às urnas, o prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD) tem 65,5% de aprovação, e que no principal cenário da disputa de 2024 pelo comando da Prefeitura, ele lidera com 34,8% das intenções de voto. Isso representa nada menos que 13 pontos percentuais à frente do segundo colocado, o deputado federal Duarte Jr. (PSB), que tem 22,6%, e que é de 26 pontos percentuais distante do terceiro colocado, o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. (sem partido), que tem 11,4%. Em seguida, a pesquisa mostra que o deputado estadual Neto Evangelista (União) tem 6,2% das intenções de voto, e que atrás dele estão o deputado Wellington do Curso (PSC) com 5,3%, o vereador Paulo Victor (PSDB) com 3,7% e o deputado Yglésio Moises (PSB) com 3,5%. E numa mostra de que o eleitorado está de fato começando a se posicionar, 8% responderam que se a eleição fosse agora votariam em branco ou anulariam o voto, e 4,5% não quiseram ou não souberam responder.

A pesquisa informa que a vantagem do prefeito Eduardo Braide é consistente. Essa consistência está nos 65,5% de aprovação, contra 29,9% que o reprovam, e que fixam uma marca que poucos prefeitos conseguiram em tempos recentes. Além disso, a distância que ele impõe aos demais com correntes tende a aumentar, já que não existe qualquer indício de que o prefeito de São Luís embarque numa onda de perda de credibilidade. Até aqui, todas as decisões administrativas e posições políticas só valorizaram o seu cacife. Para dar uma demonstração numérica da sua posição, de acordo com os números encontrados pela Paraná Pesquisas, a soma dos percentuais do segundo (22,6%) e do terceiro (11,4%), igual a 34% não supera o seu percentual, que é de 34,8%. Logo, pesquisa veio como uma espécie de recado aos seus concorrentes que será muito difícil reverter essa tendência, mesmo considerando o fato de que faltam ainda 366 dias para a eleição.

Mesmo sendo um cacife nada desprezível, os 22,6% de intenção de votos dados ao deputado federal Duarte Jr. o estimulam a continuar na disputa, apostando numa reviravolta. O problema é que, enquanto ele faz uma pré-campanha de intenso bombardeio verbal contra o prefeito nas redes sociais, Eduardo Braide intensifica um ambicioso programa de obras na Capital, como o “Trânsito Livre”, por meio do qual ele trabalha para destravar o fluxo de veículos com a extinção de alguns gargalos, como as rotatórias da Avenida dos Holandeses, por exemplo. Além do mais, pelo menos até aqui, o prefeito faz uma gestão inatacável do ponto de vista ético, o que tira dos adversários a possibilidade de um discurso mais agressivo durante a campanha. E para fechar sua couraça de proteção, o prefeito faz sua gestão a céu aberto, sem uma sombra política protetora.

O levantamento da Paraná Pesquisa explicou em parte a decisão do vereador-presidente Paulo Victor (PSDB) de arquivar o seu projeto de candidatura, para centrar seus esforços no projeto de reeleição. Ele constatou a impossibilidade de se tornar o adversário do prefeito num eventual segundo turno e chegou à conclusão de que participar por participar para ele não faria sentido. Com a sua saída, é provável que o prefeito Eduardo Braide refaça sua aliança com o PDT, que ficou solto com a saída de Paulo Victor e não tem perspectiva de lançar um candidato. Isso pode compensar o eventual fortalecimento da pré-candidatura do deputado estadual Neto Evangelista.

A pesquisa divulgada ontem veio colocar um pouco de ordem no cenário, que vai ganhar definição e movimento depois da virada do ano, já com o quadro de pré-candidatos mais ou menos definido, com o eleitorado de São Luís já sabendo qual o futuro do senador licenciado Flávio Dino (PSB), atual ministro da Justiça e Segurança Pública, e a posição do governador Carlos Brandão (PSB), fatores importantes na guerra pelo comando político e administrativo da Capital.

Em Tempo: a pesquisa foi realizada no período de 28/09 a 01/10, ouviu 722 eleitores, tem margem de erro de 3,7 pontos percentuais para mais ou para menos e 95,5% de confiança.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão e Lula são aprovados pela maioria em São Luís

Carlos Brandão e Lula da Silva têm
aprovação da maioria dos ludovicenses

A Paraná Pesquisa investigou também o prestígio do governador Carlos Brandão (PSB) no que diz respeito à sua gestão. Respondendo a uma pergunta direta, sem rodeio, 53,5% responderam que aprovam o atual Governo e 41,3% disseram que o reprovam. Em meio a isso, 5,2% disseram não saber ou não quiseram responder.

Na mesma linha, 57,6% dos eleitores ludovicenses ouvidos na pesquisa declararam que aprovam o Governo do presidente Lula da Silva (PT) contra 39,3% que o reprovam. Nesse contexto, apenas 3,1% dos entrevistados responderam que não sabiam nem queriam responder.

Em resumo, assim como o prefeito de São Luís, os chefes das demais esferas de poder têm a aprovação da maioria, o que é um bom sinal.

Senado breca minirreforma eleitoral e anuncia que regras só valerão para 2026

Rubens Jr. correu, mas Senado
barrou minirreforma eleitoral

Tudo vai continuar como está em matéria de legislação para as eleições municipais do ano que vem. A impossibilidade de aprovação da minirreforma eleitoral no Senado e a tempo de valer para a próxima corrida às urnas foi anunciada pelo relator da matéria, o senador piauiense Marcelo Castro (MDB).

A decisão confirma a previsão feita pelo presidente do Senado e do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (PSD/MG), que cantou essa pedra no dia em que recebeu a matéria produzida e aprovada pela Câmara Federal, e que teve como relator o deputado federal Rubens Jr. (PT).

A decisão tomada no Senado gerou um tremendo mal-estar entre as duas Casas legislativas, desagradando profundamente o presidente da Câmara Federal, deputado Arthur Lira (PP/AL). Ele tentou afrouxar as regras, mas foi enquadrado pelo presidente do Congresso Nacional.

O trabalho realizado pelo deputado Rubens Jr. não será arquivado. O texto aprovado pela Câmara federal será agora incorporado ao projeto da reforma eleitoral, que já tramita há anos no Senado. A promessa agora é que, incorporadas às da reforma em curso no Congresso Nacional, sejam parte do norteamento das eleições de 2026.

São Luís, 04 de Outubro de 2023.  

Paulo Victor desiste da corrida à Prefeitura, mas sai com espaço amplo na política de São Luís

Paulo Victor anunciou a retirada da sua
pré-candidatura à Prefeitura em rede social

O vereador-presidente da Câmara Municipal de São Luís Paulo Victor (PSDB) desistiu de se candidatar à sucessão do prefeito Eduardo Braide (PSD) na eleição do ano que vem. Ele anunciou ontem sua decisão nas redes sociais e confirmou o anúncio em conversas com jornalistas e líderes políticos. A retirada da disputa se deu, segundo ele, “após muito refletir, ouvir nossas bases e importantes aliados”. Mesmo não tendo sido exatamente uma surpresa, de vez que essa possibilidade vinha ganhando corpo nos bastidores, onde já se dizia que a desistência seria anunciada em janeiro, a saída do vereador Paulo Victor da ciranda que movimenta a fase de definição de pré-candidaturas impactou o cenário que vinha sendo rascunhado para a disputa. A julgar pelo quadro desenhado por pesquisas confiáveis, a exclusão da sua pré-candidatura reforça o projeto de candidatura do ex-prefeito Edivaldo Jr. (sem partido) e devolve um amplo espaço de crescimento para a aspiração do deputado estadual Neto Evangelista (União) – isso sem alterar o seguro favoritismo do prefeito Eduardo Braide (PSD), que tem como principal adversário o deputado federal Duarte Jr. (PSB).

Desde que o seu projeto de candidatura veio à tona, o vereador Paulo Victor percebeu com clareza que, embora discretamente incentivado pelo governador Carlos Brandão – para quem trabalhou duramente na campanha em São Luís – e outras vozes importantes da base partidária governista, o seu projeto de disputar a Prefeitura dificilmente seria concretizado. A começar pelo fato de que o candidato mais forte na aliança, Duarte Jr. (PSB), pertence ao partido do governador e do ministro Flávio Dino, tornando muito difícil mudar essa realidade. Assim, mesmo exibindo disposição para tentar virar o jogo, concluiu que alimentar a investida como um trator poderia produzir uma baita desgastante crise dentro da aliança governista. Logo, a medida politicamente mais sensata reavaliar o projeto e retirar a pré-candidatura, o que foi feito nesta segunda-feira.

Mesmo tendo entrado e saído da corrida sucessória ludovicense como um cometa, liderando um projeto de candidatura que sobreviveu por alguns meses, o vereador Paulo Victor sai com alguns ganhos políticos importantes. Para começar, não há como negar o fato de que ele devolveu à Câmara Municipal parte do protagonismo que a instituição vinha perdendo no cenário político de São Luís, tornando-se um oponente declarado do prefeito Eduardo Braide, mas sem influenciar nas decisões do plenário. Ao mesmo tempo, Paulo Victor antecipou o debate sucessório na Prefeitura de São Luís, que pela agenda dos partidos e das lideranças, só seria aberto em janeiro do próximo ano. Foi por pressão dos seus movimentos que vários pré-candidatos começaram a se mexer em busca de apoio antes da hora prevista pelas lideranças maiores, para se mostrarem ao eleitorado.

No campo partidário, o vereador Paulo Victor deu uma contribuição importante: resgatou o PSDB em São Luís, devolvendo ao cenário político da Capital a agremiação que perdera força com a morte do ex-governador e ex-prefeito João Castelo e que quase desapareceu nas mãos do ex-senador Roberto Rocha. Sob a coordenação do presidente estadual do partido, Sebastião Madeira, chefe da Casa Civil, e com o discreto aval do governador Carlos Brandão (PSB), o presidente do parlamento ludovicense colocou mais uma opção importante no tabuleiro partidário de São Luís, onde o ex-prefeito Edivaldo Jr., por exemplo, tenta encontrar um partido para viabilizar a sua candidatura conversando com os partidos da federação governista – PT, PCdoB e PV.

O fato é que, além do peso político que acumulou como presidente da Câmara na retomada do protagonismo da instituição, e por haver ressuscitado o ninho dos tucanos, tornando-se comandante do PSDB em São Luís, o vereador-presidente Paulo Victor certamente reuniu capital político para sentar na mesa de definição de candidaturas na base governista ao Palácio de la Ravardière, facilitando muito o projeto de renovação do seu mandato de vereador no pleito de 2024. E o fará como comandante da Câmara Municipal até dezembro de 2024

PONTO & CONTRAPONTO

Ministro da Casa Civil faz jogo duplo com ministro da Justiça

Rui Costa faz jogo duplo com Flávio Dino

Difícil definir a postura do ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, ex-governador e senador (PT) eleito pela Bahia, tentando se intrometer nas ações do Ministério da Justiça e Segurança Pública, primeiro se colocando como um dos “articuladores” dessas ações, e depois tentando se posicionar como defensor do ministro Flávio Dino, ex-governador e senador (PSB) eleito pelo Maranhão.

A Bahia toda e parte do Brasil sabem que os braços do crime organizado do Sudeste desembarcaram em território baiano na década de 2000, durante os dois períodos de governo do hoje senador Jaques Wagner (PT) e sentou praça para valer nos dois períodos de governo do hoje senador licenciado Rui Costa (PT), chefe da Casa Civil do presidente Lula da Silva (PT).

No meio político, notadamente no entorno do Governo Lula da Silva, é corrente que Rui Costa, que há tempos vem trabalhando um projeto de chegar à presidência da República, é parte ativa da ala petista que, incomodada com a postura e o desempenho do ministro da Justiça e Segurança Pública, vendo nisso um potencial candidato não petista à sucessão de Lula da Silva. E o caminho mais curto para minar a trajetória de Flávio Dino é exatamente culpa-lo pelo que está acontecendo na Bahia, que é nada menos que a exibição para o mundo do que já vem acontecendo há anos em Salvador e em parte do território baiano.

A jogada de má fé da ala petista que se posiciona criticando o desempenho do ministro da Justiça na área de Segurança Pública não consegue esconder que o seu interesse é político e tem duas vias, nem exibe a menor preocupação com o fato de que os adversários do Governo, em especial a ala bolsonarista do PL, que também quer ver Flávio Dino longe da corrida presidencial. Uma das vias é a de minar o prestígio político do ministro da Justiça; a outra é esquartejar a pasta tirando dela a Segurança Pública, de modo a transformá-la em ministério para ser comandado por um petista.

Nesse jogo, mesmo sob fogo cruzado, o ministro Flávio Dino vai pondo em marcha o seu programa na área de segurança pública, como o pacotão anunciado ontem, com ênfase para o Rio de Janeiro e para a Bahia. E leva com ele um argumento que seus adversários não podem contestar: a melhorada que ele deu no Sistema de Segurança do Maranhão – aumento do efetivo policial e investimentos em treinamento e aparelhamento das polícias – e a transformação do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, que era um inferno onde não raro rolavam cabeças – literalmente –, numa instituição penal que tem sido referência para todo o País.

Rosa Weber aposentada. Quem vai para o Supremo?

Flávio Dino tem Bruno Dantas (TCU) e
Jorge Messias (AGU) como “concorrentes”

A ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Rosa Weber completou 75 anos ontem, 02 de outubro, já entrado hoje na condição de aposentada compulsória. A aposentadoria torna vaga a cadeira que ela ocupou até à meia-noite desta segunda-feira, o que dá ao presidente Lula da Silva a prerrogativa institucional de indicar o sucessor da agora ex-ministra. Recuperando-se da cirurgia ortopédica, mas com plena lucidez e já tomando decisões, o presidente pode fazer a indicação a qualquer momento.

Além de Flávio Dino, são citados Bruno Dantas, presidente do Tribunal de Contas da União, e Jorge Messias, advogado geral da União. O que não exclui a indicação de uma juíza negra, como querem 25 deputadas que se manifestaram em nota, embora o presidente da República já tenha dito que esse não será um critério para essa escolha.

A menos que esteja fazendo uma leitura invertida dos fatos, o que não parece ser o caso, a imprensa que cobre Brasília e o meio político dão como muito provável a indicação do ministro Flávio Dino. E ele, por sua vez, tem dado sinais de que, se for convidado, aceitará. Nesse caso, deixará de vez sete anos de Senado, um enorme horizonte no plano nacional e um imensurável vácuo na política do Maranhão.

Agora é clima de contagem regressiva.

São Luís, 03 de Outubro de 2023.

São Luís: Duarte Jr., Edivaldo Jr. e Paulo Victor miram federação e Eduardo Braide monitora movimentos

Duarte Jr., Edivaldo Jr. e Paulo Victor:
ações na direção da federação PT/PCdoB/PV

Faltando exatos 370 dias para as eleições municipais, que estão marcadas para o dia 06 de outubro de 2024, pré-candidatos e partidos começaram, de fato, a se movimentar para valer visando conquistar prefeituras, entre elas a Prefeitura de São Luís, a maior e mais importante do Maranhão. Nos últimos dias, a movimentação foi intensa na ampla fatia governista do tabuleiro político da Capital, com posicionamentos partidários e movimentos feitos por pré-candidatos, que tornaram ainda mais imprevisível o cenário no qual o prefeito Eduardo Braide (PSD) se mantém na ponta como favorito, segundo todas as pesquisas feitas até aqui. E o principal foco da semana foi a federação que reúne PT, PCdoB e PV, à qual o ex-prefeito Edivaldo Jr. (sem partido) quer se juntar para tentar sua candidatura, mas que também está no radar do deputado federal Duarte Jr. (PSB) e ainda do presidente da Câmara Municipal, vereador Paulo Victor (PSDB).

Não há dúvida de que, mesmo considerando o poder de fogo do PCdoB e o espaço do PV, o ponto maior de atração da federação é a força do PT, que está no poder federal e vem ganhando musculatura para dar as cartas nos destinos desse grupo partidário federado. Mas não há sinal de que o PT lance candidato próprio, o que pode levar o partido a respaldar um candidato oferecendo um nome para vice, desde que combinando com PCdoB, comandado pelo deputado federal Márcio Jerry, e PV, que tem o comando do ex-deputado estadual Adriano Sarney.

Até onde se sabe, o PT avalia a possibilidade de defender dentro da federação uma aliança com o PSB em torno da candidatura do deputado federal Duarte Jr.. Essas conversas já estariam avançadas na cúpula partidária em Brasília, onde o parlamentar é bem visto por petistas graúdos, a começar pelo próprio presidente Lula da Silva (PT), que teria manifestado satisfação com a ação do deputado socialista na Câmara Federal. Fontes do PT admitiram à Coluna que as conversas com Duarte Jr. já estão em andamento, apesar da resistência do deputado federal Rubens Jr. (PT), que já declarou simpatia pela pré-candidatura do vereador Paulo Victor.

Por sua vez, o ex-prefeito Edivaldo Jr. negocia seu ingresso no PV, na esperança de que PT e PCdoB avalizem esse projeto de candidatura. Não será tão fácil, por várias razões. Primeiro por que é improvável que PT e PCdoB, que dão as cartas na federação, descartem o projeto de Duarte Jr, que é o adversário mais forte do prefeito Eduardo Braide, para abraçar o projeto de candidatura do ex-prefeito Edivaldo Jr., que é o terceiro na preferência do eleitorado, segundo todas as pesquisas. Na semana que passou, o vereador Paulo Victor, o quarto posicionado, procurou Edivaldo Jr. para conversar, provavelmente visando um acordo do PSDB com a federação, mas oficialmente foi apenas uma visita de cortesia do presidente da Câmara Municipal ao ex-prefeito de São Luís, sem maiores desdobramentos políticos. Será?

De longe, o prefeito Eduardo Braide monitora esses movimentos, respondendo a cada um deles com inauguração de obras, como a Clínica da Família inaugurada quarta-feira na região do centro de São Luís, para citar apenas uma delas. O prefeito ainda não definiu o seu arco de aliança, mas considera fortemente o apoio do MDB ao seu projeto de reeleição a partir da sinalização do presidente do partido em São Luís, deputado federal Cléber Verde. Só que o deputado estadual Roberto Costa, que tem força dentro do partido, crivou que qualquer decisão em relação à Capital será do conjunto do MDB, levando em conta inclusive a posição do governador Carlos Brandão (PSB).

Político que joga com a razão e não com a emoção, o prefeito Eduardo Braide sabe o tamanho do desafio que é o seu projeto de reeleição. Tem noção plena de que a Prefeitura de São Luís é um trunfo de peso decisivo para a grande disputa que está se desenhando para 2026. Mantê-la sob seu controle definirá o seu futuro no tabuleiro da política estadual.

PONTO & CONTRAPONTO

Declarações a O Globo sugerem que Dino está com um pé no Supremo

Flávio Dino declarações a O Globo indicam
inclinação pela cadeira no Supremo

Três declarações do ministro Flávio Dino (Justiça e Segurança Pública) em entrevista publicada da edição de ontem de O Globo deixaram muito claro que se o presidente Lula da Silva o convidar para a vaga no Supremo Tribunal Federal – a ser aberta amanhã, quando a ministra Rosa Weber completará 75 anos e cairá na aposentadoria compulsória -, ele aceitará.

1“Se um dia, talvez, eu fosse para o Supremo e pensasse em retornar à política, haveria uma premissa de que eu usaria a toga para ganhar popularidade. Isso eu não farei, ou faria. Jamais. Seria uma decisão definitiva. Ou será, sei lá”.

2 Aceitar um eventual convite seria “quase um dever funcional”. Ou seja, se for convidado, aceita.

3 “Se o presidente da República convida, é muito difícil dizer não. Vou estar desdenhando do STF, é descabido”.

Um parágrafo do texto de O Globo parece decisivo: “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou a interlocutores, segundo a colunista Malu Gaspar, do GLOBO, que está decidido a indicar o ministro da Justiça para substituir Rosa (Weber)…”.

O que está publicado em O Globo deve ter aumentado consideravelmente a expectativa dos adversários do ministro no Governo, os interessados no Ministério da Justiça e, principalmente, a senadora em exercício Ana Paula Lobato (PSB).

Brandão anuncia complexo industrial para a região de Balsas

Carlos Brandão e comitiva durante a visita à fábrica da Inpasa em Dourados (MS)

O Maranhão vai incrementar fortemente o processo de industrialização com base na produção de cereais da região Sul. Esse avanço está a caminho de Balsas, por meio da Inpasa, que instalará uma planta industrial projetada para processar um milhão de toneladas de cereais, resultando na produção de 460 milhões de litros de etanol, 230 mil toneladas dos chamados grãos de destilaria (DDGS), 23 mil toneladas de OIL Premium e 200 GWH/ano de energia elétrica.

O investimento global será da ordem de R$ 2,5 bilhões, com a geração de 2,5 mil empregos ao longo do processo de instalação e 1,5 mil depois que o complexo fabril entrar em operação.

O investimento foi anunciado na tarde de sábado pelo governador Carlos Brandão (PSB), em Dourado, Mato Grosso do Sul, durante visita que fez a uma unidade da Inpasa, acompanhado de uma comitiva formada por secretários de Estado e empresários maranhenses. “Essa é uma grande conquista para o agronegócio e para os trabalhadores maranhenses, e um grande passo na industrialização do nosso estado”, avaliou o governador, visivelmente entusiasmado.

O governador explicou que a unidade prevista para Balsas será a quinta instalada no Nordeste e será um marco importante para o desenvolvimento industrial e sustentável na região. Isso porque o grupo Inpasa é reconhecido por sua atuação nos segmentos de biocombustíveis, proteína para nutrição animal e óleo vegetal provenientes do processamento de diversos cereais, além da energia elétrica.

O vice-presidente do Grupo Inpasa, Rafael Ranzolin, confirmou a instalação da unidade em Balsas e agradeceu ao governador Carlos Brandão pela acolhida no Maranhão, e falou da expectativa da empresa com a unidade em Balsas: “Conseguimos estruturar todo um trabalho para a gente realmente instalar uma indústria, um grande empreendimento que vai ser beneficiado pela logística consolidada que já existe no Maranhão. Uma grande parceria nossa com o governo e os produtores para gerar emprego e renda”.

A previsão é de que a pedra fundamental seja lançada ainda em outubro.

São Luís, 01 de Outubro de 2023.

Ação destacada no Governo transforma Dino em alvo de “fogo não tão amigo” e ataques inimigos

Flávio Dino tem seu futuro nas mãos de Lula da Silva

Estar sendo apontado como favorito para a vaga no Supremo Tribunal Federal a ser aberta com a iminente aposentadoria da ministra Rosa Weber, ter conversado durante duas horas com o presidente Lula da Silva (PT) e ter saído da conversa pensativo, ter ido ao Santuário de Aparecida pedir “proteção” e ser atacado intensamente, de um lado, por uma banda do PT e, de outro, bombardeado diuturnamente pela falange cibernética bolsonarista tem tornado os dias do ministro Flávio Dino, da Justiça e Segurança Pública, bem mais difíceis do que os desafios que teve de enfrentar no comando da pasta desde que a assumiu, no início de janeiro. De longe o mais exposto, ativo e preparado entre os atuais integrantes da Esplanada dos Ministérios, o senador licenciado Flávio Dino parece, de fato, está vivendo um dilema e tanto: aceitar ou não a indicação para a Suprema Corte, ao mesmo tempo em que enfrenta armações e conspirações diversas para lhe minar o prestígio.

Tudo isso é explicado por uma situação: Flávio Dino se tornou uma referência política nacional e, por conta disso, entrou la lista dos nomes que poderão disputar a presidência da República em 2026, caso o presidente Lula da Silva decida não tentar a reeleição. Essa possibilidade – muito remota, vale dizer – foi reforçada pelo desempenho do ex-juiz federal, ex-deputado federal, ex-governador reeleito e atual senador pelo Maranhão à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Não apenas no aspecto gerencial, mas também pelo posicionamento político no embate aos adversários do Governo do PT, principalmente a falange da extrema direita raivosa ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Salvo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que foi derrotado por Jair Bolsonaro na eleição presidencial de 2018, e que segundo os especialistas está fazendo bons ajustes na economia, apesar da má vontade de setores do PT mais à esquerda, e da direita liberal, nenhum outro ministro tem a visibilidade e a determinação para o enfrentamento como Flávio Dino. Essa movimentação incomoda todos os interessados na corrida presidencial. Tanto que, além do ranço ideológico e o oceânico fosso que os separam do ministro da Justiça, os chefes oposicionistas, aí incluídos os familiares do ex-presidente Jair Bolsonaro, atacam o ministro também motivados pela ideia fixa de afasta-lo da luta pelo poder maior em 2026. E como sabem ser muito difícil enfrenta-lo no embate direto, face-to-face, montam armadilhas para tentar fisga-lo. Até aqui perderam todas.

Observadores mais atentos têm apontado a escalada da violência no Rio de Janeiro e em Salvador como algo anormal, muito além do que a realidade distorcida costuma produzir. E para alguns especialistas, essa anormalidade pode ser uma ação “induzida” pelos chefões do crime, interessados em fragilizar o Governo do presidente Lula da Silva responsabilizando o ministro da Justiça e Segurança Pública pela situação. Só que Flávio Dino tem experiência e argúcia suficientes para perceber o jogo. Tanto que ontem mesmo iniciou uma resposta pesada no Rio de Janeiro, em parceria com o Governo fluminense, que certamente vai dar o que falar. Se o jogo endurecer, a ala petista empenhada em fragiliza-lo, assim como seus adversários bolsonaristas o acusarão de exagero, como têm feito em alguns casos. Mesmo tendo consciência de que não há outro caminho para frear o crime organizado.

A obstinação dessa turma em enfraquecer o Governo e em arranhar a imagem política do ministro Flávio Dino está chegando às raias da mediocridade política, porque o cidadão distanciado desse jogo, mesmo politicamente não identificado com o ministro, está enxergando com clareza a atuação dele para recolocar o Brasil na rota da estabilidade. E sabe que ele continuará nessa linha como ministro da Justiça, como ministro do Supremo ou  como senador da República. E com o aval do presidente Lula da Silva e a proteção da Virgem de Aparecida.   

PONTO & CONTRAPONTO

Assembleia vive tarde agitada com a presença de dois ministros e um encontro do PT

Juscelino Filho e Iracema Vale entre Márcio Jerry, Roberto Costa, Antônio Pereira,
Carlos Lula, Ana do Gás e Fernando Braide à esquerda, e Carlos Baigorri, Amanda
Gentil, Márcio Honaiser, Ricardo Arruda, Cláudio Cunha e Neto Evangelista à direita

Normalmente tomada pela calmaria nas tardes de sexta-feira, a Assembleia Legislativa viveu ontem um dia especialmente movimentado com a presença de dois ministros – Juscelino Filho das Comunicações, e Flávio Dino, da Justiça e Segurança Pública, ambos recebidos pela presidente da Casa, deputada Iracema Vale (PSB), e vários deputados.

 A visita do ministro Juscelino Filho já estava programada para o evento em que ele anunciou que São Luís será a primeira capital do Brasil a receber a “Blitz do Monitoramento e da Inspeção da Qualidade do Serviço da Telefonia Móvel”. O ministro das Comunicações, que estava acompanhado do presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Carlos Baigorri, também anunciou providências para melhorar a qualidade dos serviços de telefonia móvel no estado.

No meio da tarde, os bastidores da política foram agitados pela informação de que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, teria feito “uma visita de surpresa” à presidente Iracema Vale. De fato, o ministro da Justiça esteve na Assembleia Legislativa. E diante da agitação causada, o próprio Flávio Dino respondeu a uma indagação da Coluna, esclarecendo o “mistério” que não existiu:

“Fui convidado a uma entrevista na TV Assembleia sobre os 35 anos da Constituição. Com Paulo Velten (desembargador-presidente do Tribunal de Justiça) e Gastão Vieira (ex-deputado federal constituinte), pessoas pelas quais tenho muito respeito. Então a presidente Iracema Vale e alguns deputados fizeram a gentileza de me receber. Fiquei feliz”.

E para completar, um dos auditórios do Palácio Manoel Beckman foi ocupado por uma animada Reunião de Mobilização do PT.

PDT perde Nato Jr. e vira partido nanico na Câmara de São Luís

Nato Jr. deixa o PDT: pontos a
menos para Weverton Rocha

O PDT perdeu ontem mais peso e entrou no risco de se tornar um partido nanico na Câmara Municipal de São Luís. Numa iniciativa que já vinha sendo sussurrada nos bastidores, o vereador Nato Jr. anunciou sua saída do partido, que agora fica com apenas dois vereadores: Raimundo Penha e Pavão Filho.

A saída do vereador Nato Jr. é mais um golpe no prestígio do senador Weverton Rocha. Sob seu comando, o partido criado por Jackson Lago e que já dominou amplamente a política da Capital, inclusive com bancadas poderosas, virou um partido nanico, com apenas duas das 31 cadeiras do parlamento ludovicense.

Vale registrar que o PDT tem quatro deputados estaduais, mas nos bastidores parlamentares já corre solto de que pelo menos dois deles não deixaram ainda o partido por causa do risco de perder o mandato.

O vereador Nato Jr. decidiu migrar para o PSB, pelo qual tentará a reeleição alinhado à candidatura do deputado federal Duarte Jr. à Prefeitura de São Luís.

São Luís 30 de Setembro de 2023.

Guinada radical: Roseana Sarney passa comando do MDB para Marcus Brandão

Roseana Sarney (ao fundo) passa o comando do MDB para Marcus Brandão (ao seu lado) na presença de Iracema Vale (PSB) e de lideranças do partido

Consumada ontem a mais surpreendente operação partidária realizada nos últimos tempos no Maranhão: a entrega, pela deputada federal Roseana Sarney, do comando regional do MDB ao empresário Marcus Brandão, irmão do governador Carlos Brandão (PSB). A passagem do bastão emedebista foi feita em reunião na sede do partido, tendo como convidada a deputada Iracema Vale (PSB), presidente da Assembleia Legislativa. Com o novo comando, o MDB maranhense, que já era um aliado importante do atual Governo do Estado, ainda que independente, passa a ser parte efetiva da aliança liderada pelo governador Carlos Brandão. E não será surpresa se a legenda emedebista vier a se tornar a casa partidária do atual chefe do Governo do Maranhão e da presidente do Poder Legislativo. Roseana Sarney participará da Executiva estadual, mas sem nenhuma função na cúpula partidária. O deputado estadual Roberto Costa, um dos articuladores da guinada, continuará 1º vice-presidente do MDB maranhense.

Marcus Brandão assumiu o leme do MDB com o desafio de norteá-lo nas eleições municipais de 2024. O objetivo é resgatar pelo menos parte do poder de fogo do partido, que foi o maior do Maranhão durante os últimos Governos de Roseana Sarney, e mantém uma estrutura organizada em todo o estrado. De 2015 para cá, o partido vem perdendo espaço, a ponto de nas eleições de 2022 ter saído das urnas apenas com um deputado federal, Roseana Sarney – que por pouco não ficou de fora -, e dois deputados estaduais, Roberto Costa, que é o seu principal articulador, e Ricardo Arruda, que tem base em Grajaú. O projeto é lançar candidatos fortes a prefeito nas mais diferentes regiões do estado, de modo que o partido saia das urnas com um bom time de prefeitos e um o pequeno exército de vereadores.

Político discreto, que sempre atuou como assessor do deputado federal, vice-governador e agora governador Carlos Brandão, Marcus Brandão teve participação importante como um dos coordenadores da vitoriosa campanha de 2022, na qual o chefe do Executivo de reelegeu no 1º turno. No início do ano, foi nomeado diretor de Relações Institucionais da Assembleia Legislativa. A partir daí, com o aval do governador Carlos Brandão, ele iniciou negociações para se filiar ao partido, tendo as conversas evoluído e chegaram ao final não só com a sua filiação, mas também com o surpreendente acordo pelo qual a deputada federal Roseana Sarney lhe entregaria o comando do partido no final do ano. Fontes do MDB admitiram que o acordo foi avalizado pelo governador Carlos Brandão e também pelo presidente nacional do partido, deputado federal Baleia Rossi (SP)

No meio político, a impressão dominante é a de que sob o comando de Marcus Brandão o MDB será preparado para se tornar a casa partidária do governador Carlos Brandão, caso ele venha deixar o PSB, como muitos acreditam. Aliás, até mesmo entre aliados do governador há os que estão convencidos de que a migração partidária do chefe do Governo do Maranhão para o MDB já começou. Não foi sem razão que a deputada Iracema Vale prestigiou o ato de ascensão do irmão dele ao comando do partido no Maranhão. A presidente da Assembleia Legislativa, que tem larga experiência política e é hoje o quadro mais destacado da ala do PSB liderada pelo governador Carlos Brandão, poderá iniciar a migração do grupo para o MDB, caso esse venha a ser, de fato, o projeto político do chefe do Poder Executivo estadual.

Os movimentos de Marcus Brandão no comando do MDB indicarão o rumo que ele dará ao partido. E a expectativa na base governista é a de que a agremiação será o destino de um grande número de migrantes partidários. Se isso acontecer, será o mais forte indicador de que cedo ou tarde o governador Carlos Brandão deixará o rumo socialista para se converter ao centro emedebista. E não é nenhum exagero prever que essa passagem de bastão terá desdobramentos importantes e imprevisíveis no cenário político do Maranhão.

Como sempre disse o deputado Lister Caldas, uma das mais célebres raposas da política maranhense: “Quem viver, verá”.

PONTO & CONTRAPONTO

Decisão do MDB sobre São Luís será do conjunto do partido

Roberto Costa: partido vai decidir sobre SL

Dois dias antes de Marcus Brandão assumir o comando regional do MDB, o deputado Roberto Costa, que é vice-presidente e principal articulador da legenda, disse que qualquer decisão do partido em relação à disputa pela Prefeitura de São Luís “só será tomada com o conjunto do partido”, levando em conta as posições da deputada federal Roseana Sarney, do deputado federal e presidente do partido na Capital Cléber Verde, e do novo presidente regional Marcus Brandão.

O presidente municipal Cléber Verde já disse que por ele o partido apoiará o projeto de reeleição do prefeito Eduardo Braide (PSD). Roseana Sarney ainda não se manifestou, mas fonte próxima a ela aposta que a deputada também simpatiza com o projeto de reeleição de Eduardo Braide. Não se sabe o que pensa o presidente emedebista Marcus Brandão, mas não será surpresa se ele também aderir a esse projeto, já que não há no horizonte a possibilidade de o MDB vir a lançar candidato próprio.

Mas o próprio Roberto Costa apontou o caminho:  o MDB deve apoiar o candidato que vier a ser apoiado pelo governador Carlos Brandão.

Paulo Victor visita Edivaldo Jr.: os dois têm muito o que conversar

Edivaldo Jr. e Paulo Victor: os dois
têm muito o que conversar

O vereador-presidente Paulo Victor (PSDB) fez mais um movimento indicador de que ele está mesmo disposto a levar em frente o seu projeto de candidatura à Prefeitura de São Luís. Fez uma visita ao ex-prefeito Edivaldo Jr. (sem partido), que tenta viabilizar o seu projeto de voltar ao comando administrativo da Capital, onde já esteve por oito anos.

Paulo Victor tem um projeto, um partido (PSDB), conta com o apoio de pelo menos 10 dos 31 vereadores – entre eles os do PDT -, de alguns deputados estaduais, e de pelo menos um deputado federal, Rubens Jr. (PT), que se declarou simpático ao projeto do presidente da Câmara Municipal, isso sem contar o apoio do chefe da Casa Civil, Sebastião Madeira, presidente estadual dos tucanos, e o discreto aval do próprio governador Carlos Brandão (PSB).

Edivaldo Jr., por sua vez, ainda sem partido, tenta embalar seu projeto de candidatura na Federação PT/PCdoB/PV e, nessa seara, filiar-se ao PV, possibilidade que já foi aberta pelo manda-chuva do partido, o ex-deputado estadual Adriano Sarney, e que conta com o aval do presidente do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry.

Uma avaliação cuidadosa levará à conclusão de que os dois têm muitas figurinhas para trocar. São Luís, 29 de Setembro de 2023.