O vice-governador Felipe Camarão (PT) precisa definir o seu rumo político com urgência. Será mesmo candidato a governador? Pensa mudar e tentar uma vaga no Senado? Avalia disputar uma cadeira na Câmara Federal? Ou, ainda, diante dessa ciranda confusa que o envolve, projeta cumprir seu mandato, dizer tchau à política, reassumir o seu posto de procurador da República e continuar dando aulas de Direito nas UFMA, podendo alçar outros voos como gestor público competente que é?
A indefinição do seu partido, o PT, em relação à sua candidatura está drenando o seu cacife político, tanto que já é visível a iminente migração do seu discurso de candidato irreversível aos Leões para uma possível candidatura ao Senado. E agora vê sua imagem de homem público íntegro ameaçada por um petardo disparado pelo procurador geral de Justiça, Danilo Castro, acusando-o de estar no epicentro de uma ainda fumacenta movimentação financeira.
Não é possível fazer uma afirmação categórica, mas pelo que foi visto e dito nos últimos dias, são poucas as chances de o vice-governador Felipe Camarão ser confirmado candidato do PT ao Governo do Estado, reunindo todos os segmentos do partido. A movimentação do grupo liderado pelo ex-conselheiro do TCE e atual secretário da Representação do Governo do Maranhão em Brasília Washington Oliveira e a presença de petistas importantes, como Cricielle Muniz, dirigente da rede Iema, no ato de lançamento da pré-candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB) ao Governo do Estado, declarando-lhe apoio entusiasmado, reforçam a impressão de ser uma situação que não tem volta.
Quanto à denúncia sobre a tal movimentação financeira, desdobramento de uma ação que corria em segredo de Justiça e que foi vazada com o claro objetivo de atingi-lo, Felipe Camarão, que é procurador federal de carreira, sabe exatamente quais são os caminhos para tratar desse assunto e colocar tudo em pratos limpos. Ficar atirando contra o procurador geral de Justiça não vai mudar nada, ao contrário dos caminhos judiciais que o vice-governador conhece.
O vice-governador Felipe Camarão já acumulou maturidade política suficiente para perceber que essas indefinições o estão deixando para trás na guerra pelo poder. Está acompanhando de perto – dizem que muito de perto mesmo – a estratégia inteligente do prefeito Eduardo Braide (PSD), que lidera as intenções de voto sem ter dito até agora uma só palavra sobre ser ou não ser candidato; observa com atenção a consolidação da pré-candidatura de Orleans Brandão pelo MDB e segundo colocado na corrida, e hoje certamente voltará suas atenções para Bacabal, onde Lahesio Bonfim (Novo), que está na terceira posição, fará um grande ato lançando a sua pré-candidatura para a região do Médio Mearim.
Se, de fato, o PT – tanto no plano estadual, quanto no plano federal – tivesse interesse na sua candidatura, já teria dado um basta no chove-não-molha e aberto caminho para ele procurar outro rumo na corrida sucessória, que poderia ser o PSB. Todos os indícios sugerem que até mesmo na cúpula nacional do PT, que antes dizia que sua candidatura era uma prioridade para a legenda, tirou o pé do acelerador e já não é tão enfática em relação a esse projeto. A posição dúbia do partido vem drenando o seu lastro de nome forte para disputar a eleição para os Leões.
Qualquer avaliação sensata certamente produzirá a conclusão de que o vice-governador Felipe Camarão não tem motivo, de qualquer natureza ou dimensão, para passar pelo que está vivendo no tabuleiro da sucessão estadual. A situação mudaria se estivesse filiado a um partido mobilizado por um projeto comum, claro, como estão fazendo o Novo em torno de Lahesio Bonfim e o MDB em relação a Orleans Brandão – que, aliás, o preside – e que certamente fará o PSD se o prefeito Eduardo Braide vier a ser candidato. É assim que funciona.
É hora, portanto, de colocar os pés fincados no chão e escolher o caminho certo, dentro ou fora do PT, ou até mesmo da política.
PONTO & CONTRAPONTO
Bonfim lança hoje pré-candidatura aos Leões em Bacabal com Rocha e Gonçalo para o Senado
“Será um evento marcante”, previu ontem Lahesio Bonfim ao manifestar sua expectativa em relação ao ato por meio do qual lançará hoje, em Bacabal, sua pré-candidatura pelo Novo ao Governo do Estado. Ele informou ontem à Coluna que o ex-senador Roberto Rocha, que deve anunciar sua filiação ao Novo, e o ex-prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (Mobiliza), participarão como pré-candidatos ao Senado.
Lahesio Bonfim passou os últimos três dias em Brasília, onde conversou com o comando nacional do Novo sobre a sua candidatura ao Governo do Estado, ao qual mostrou que ela é viável, embora esteja ele em terceiro lugar em pesquisas de intenções de voto polarizadas por Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB).
Sobre a filiação e a candidatura de Roberto Rocha ao Senado na sua chapa, Lahesio Bonfim informou que essa foi uma articulação feita pelo presidente do partido no Maranhão, ????? Arruda. O mesmo aconteceu com Hilton Gonçalo, que também acertou com o dirigente partidário a sua participação no evento de Bacabal e, provavelmente, numa aliança em torno do candidato ao Governo.
Lahesio Bonfim disse que nada está definido quanto à escolha do seu vice e que essa, como as candidaturas ao Senado e as chapas para deputado federal e para deputado estadual, também será feita pela direção partidária, Quanto à candidatura presidencial, o partido está aguardando a definição do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).
Como em outras ocasiões recentes, Lahesio Bonfim reafirmou, categórico: “Minha candidatura é irreversível. E ficará mais forte ainda com Roberto Rocha e Hilton Gonçalo para o Senado”.
Movimento no MDB tenta emplacar Roseana para o Senado
Ganha corpo no MDB um movimento para lançar a deputada federal Roseana Sarney a uma das vagas no Senado. Outra frente dentro do partido defende a candidatura da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale, recém filiada à legenda.
O movimento pró Roseana Sarney se baseia principalmente no fato de que todas as pesquisas em que ela foi incluída como candidata ao Senado, a exemplo da Quaest, divulgada nesta semana, lhe deram a liderança na disputa para uma das vagas, a exemplo do que vem acontecendo com o governador Carlos Brandão (sem partido).
Recém saída de uma guerra contra um câncer, Roseana Sarney não até agora nem sim nem não ao projeto senatorial. Mas fonte emedebista avalia que sua reação inicial foi contrária, mas que após a cirurgia e com o cenário encontrado pelas pesquisas, ela já teria admitido a possibilidade de entrar nessa corrida. Mas por enquanto sua resposta a essa indagação tem sido “Deus é quem sabe”.
São Luís, 21 de Março de 2026.


