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PCdoB não será esvaziado imediatamente com a saída de Flávio Dino

 

Márcio Jerry e Rubens Júnior permanecerão no PCdoB, pelo menos até Outubro, quando saírem as regras eleitorais

Contrariando algumas previsões iniciais, a saída do governador Flávio Dino para se filiar ao PSB não deve condenar o PCdoB ao emagrecimento imediato, reduzindo-o novamente à condição de partido mais importante pela história do que pelo poder de fogo eleitoral. Vozes da agremiação avisam que até agora apenas o governador a deixou, o que significa dizer que, pelo menos por enquanto, o seu braço maranhense continuará politicamente forte, com dois deputados federais (Márcio Jerry e Rubens Júnior) e cinco deputados estaduais (Othelino Neto, Marco Aurélio, Adelmo Soares, Carlinhos Florêncio e Ana do Gás), mais de 20 prefeitos e pelo menos 150 vereadores. A lógica política sugere que sem Flávio Dino nos seus quadros, o PCdoB sofrerá, mais cedo ou mais tarde, um duro golpe, perdendo muito poder. Mas essa mudança não deve acontece de imediato, e sua intensidade e o seu maior ou menor grau dependerão de uma série de fatores relacionados com as eleições do ano que vem.

São vários os fatores que definirão o futuro do PCdoB no Maranhão. O primeiro são prováveis mudança nas regras eleitorais, que deverão passar pelo o Congresso Nacional até Outubro, para valerem para o pleito de 2022. Nesse pacote em tramitação está, por exemplo, a proposta de criação de Federações partidárias para as eleições. Se essa regra passar, PCdoB e PSB muito provavelmente formarão uma Federação, e isso significa dizer que tanto faz mudar de legenda como lena permanecer não fará diferença, já que, federados, os dois partidos funcional eleitoralmente como um só. O mecanismo está sendo fortemente debatido nos bastidores do Congresso e sua aprovação significará sobrevivência para pequenos, enquanto a rejeição terá o peso de sentença de morte para vários nanicos. O PCdoB aposta alto na aprovação da Federação.

Outra inovação em debate no Congresso Nacional é o Distritão, proposta que cria, em vez do distrital simples ou misto, um terceiro formato misturando regras do voto proporcional em vigor com o voto distrital. O Distritão é defendido por boa parte dos deputados federais, uma vez que, na avaliação de especialistas, é um sistema criado sob medida para favorecer os atuais parlamentares, tornando o candidato mais importante do que o partido. Uma corrente do Congresso Nacional defende o Distrital, ou no máximo o Distrital Misto, por ser um sistema assegura maior representatividade ao deputado federal. Mas no jogo de interesse que move o Congresso Nacional, o Distritão é a escolha mais provável. Qualquer que seja a fórmula, essa terá impacto importante na existência do PCdoB.

Além de mudanças nas regras eleitorais, o futuro do PCdoB também está relacionado com a janela partidária, que será aberta e, março do ano que vem. Esse mecanismo permite que deputados mudem de partido sem correr o risco de perder o mandato. Os líderes do PCdoB acreditam que esse momento será decisivo para definir o tamanho e o futuro do partido.

O fato é que, contrariando expectativas do meio político, o clima dentro do PCdoB é de tranquilidade. O partido sentiu fortemente a saída do governador Flávio Dino, mas não se deixou dominar pela tendência de esvaziamento, que não está se concretizando, pelo menos até aqui. Nenhum dos líderes do partido, a começar pelo seu ainda presidente Márcio Jerry, fez as malas para migrar para o PSB, por exemplo. Nesse clima, o deputado federal licenciado e atual secretário de Articulação Política, Rubens Júnior, um dos integrantes do “núcleo de ferro” que assessora o governador Flávio Dino, resumiu numa frase lapidar o momento atual e o porvir no PCdoB: “Pode acontecer tudo, inclusive nada”.

Ninguém duvida de que o braço maranhense do PCdoB sofrerá perdas e emagrecerá, mas os primeiros dias da mudança estão indicando que esse processo não será fácil. Mas nada que um partido como esse, que passou décadas na clandestinidade, enfrentou a ditadura e foi o primeiro proscrito a ser reintegrado à realidade democrática com a redemocratização comandada pelo presidente José Sarney (PMDB).

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Mesmo com chapa forte, PDT terá dificuldades para reeleger bancada na AL

Comandado pelo senador Weverton Rocha, pré-candidato a governador, o braço maranhense do PDT tem um desafio enorme: administrar a disputa no partido para a Assembleia Legislativa. Para começar, são cinco deputados estaduais em busca da reeleição: Cleide Coutinho, Glaubert Cutrim, Rafael Leitoa, Ricardo Rios e Zito Rolim. Além desses, dois pesos pesados que veem de fora: Chico Leitoa, ex-prefeito de Timon e ex-deputado estadual, e Osmar Filho, presidente da Câmara Municipal de São Luís. Mais ainda: o presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto, hoje no PCdoB, poderá migrar para o PSB ou para o PDT, e se ficar com a última opção, entrará numa barca em que, à exceção de Cleide Coutinho, que tem base para se reeleger sem problemas, os outros quatros deputados e mais o ex-deputado de Timon e o vereador de São Luís travarão uma guerra de vida ou morte no que diz respeito ao mandato. O certo é que, por mais votos que a chapa pedetista para a Assembleia Legislativa venha receber, dificilmente reelegerá os cinco deputados mais Osmar Filho e Chico Leitoa. Não se discute que será uma chapa muito forte, principalmente se vier a ser reforçada pelo deputado Othelino Neto, mas também não há garantia de que a massa de votos do PDT para deputado estadual saia das urnas com poder de fogo para eleger oito deputados estaduais, mesmo que o senador Weverton Rocha venha a ser candidato a governador.

 

TV Assembleia inicia hoje a versão 2021 do “Arraiá do Povo em Casa”

Cacuriá de Dona Teté será uma das atrações de hoje à noite na TV Assembleia

A crueza da pandemia de Covid-19 e a necessidade de se manter as regras sanitárias, em especial o distanciamento social, para evitar o aumento do contágio pelo novo coronavírus impôs, mais uma vez, a não realização das festas de São João, São Pedro e São Marçal, que anima São Luís e o Maranhão décadas a fio. Mas nem tudo é tristeza, apesar das limitações. A TV Assembleia Legislativa inicia hoje a versão 2021 do Arraiá do Povo em Casa”, a bem-sucedida fórmula de manter viva a chama junina sem que famílias saiam para as ruas. Para tanto, montou uma programação rica e animada, com apresentações inéditas por parte dos grupos de bumba-meu-boi, que será exibida hoje, amanhã e depois de amanhã na TV Assembleia (canal aberto 9.2), no YouTube da emissora (tvassembleiama), no Instagram e no Facebook, a partir das 19 horas.

A programação foi cuidadosamente pensada para que telespectadores e internautas se divirtam com o se estivessem em arraiais, a exemplo do que aconteceu no ano passado, quando as festas foram suspensas. O “Arraiá do Povo em Casa” obteve audiência surpreendente, com milhares de pessoas curtiram as festanças juninas embaladas por apresentações dos mais importantes grupos folclóricos juninos. Idealizado pelo diretor de Comunicação da Assembleia Legislativa, jornalista Edwin Jinkings, e realizado pela competente equipe do Centro de Comunicação do Poder Legislativo, o “Arraiá do Povo em Casa” deste ano promete ser bem mais animado e rico em matéria de diversidade na programação a ser iniciada hoje.

A iniciativa segue expressa orientação do presidente da Casa, Othelino Neto, que determinou as providências necessárias para que o isolamento social dos servidores da Casa seja compensado com a festança virtual que será realizada a partir de hoje, às 19 horas.  O diretor Edwin Jinkings afirmou que as expectativas para a segunda edição do “Arraiá do Povo em Casa” são as melhores possíveis e que tudo está sendo preparado com muito carinho para os três dias de transmissão.

– É a nossa forma de manter acesa a chama junina que existe em cada maranhense apaixonado pelo São João – declarou.

A programação é a seguinte:

Hoje: Boi de Morros, Cacuriá de Dona Teté, Boi de Nina Rodrigues, Boi de Santa Fé, Boi da Maioba e Tambor de Crioula de Leonardo.

Sexta-Feira:  Boi Pirilampo, Dança Portuguesas Arte e Beleza de Portugal, Boi Novilho Branco, Boi União da Baixada, Boi de Ribamar e Boi de Itapera.

Sábado: Boi de Sonhos, Boi da Pindoba, Boi da Lua, Quadrilha Mocinha do Sertão, Boi de Maracanã, Boi Brilho da Ilha e Boi do Bairro de Fátima.

São Luís, 24 de Junho de 2021.

Dino defende união das forças progressistas para enfrentar Bolsonaro, e alerta: “Não podemos errar”

 

Flávio Dino faz discurso forte sobre quadro nacional e alerta para as eleições de 2022

“A eleição de 2022 é um plebiscito entre aqueles que querem a continuidade da democracia, com o povo, e um projeto de extermínio nacional e popular de destruição da Nação. É isso que está em jogo”. Pronunciada em tom de alerta, a avaliação foi feita pelo governador Flávio Dino, ontem, em discurso no ato de filiação ao PSB, em Brasília. Ele defendeu a formação de uma ampla aliança reunindo de comunistas a liberais progressistas para enfrentar a extrema direita representada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “Não podemos cometer erros”, alertou, chamando atenção para o fato de que, mesmo Bolsonaro será candidato à reeleição “sobre uma pilha de tragédias”. E pregou, enfático: “Derrotá-lo não é tarefa de poucos, não é tarefa de muitos, é tarefa de todos. E para isso, nós temos que nos unir”. As palavras do governador do Maranhão tiveram um tom de convocação das forças progressistas para o desafio político e eleitoral de frear as forças antidemocráticas em defesa do estado democrático de direito.  Disse estar feliz por consumar um “namoro de dez anos” com o PSB. Segue, na íntegra, o discurso do governador, que marca também um momento decisivo na política do Maranhão:

“Amigos, amigas, companheiros, companheiros

Filiar-me ao no PSB tem um delicioso sabor de encontro e reencontro. Encontro com as origens desse partido, que teve, desde a sua gênese, a presença de militantes da causa do Direito e da Justiça. Vocês sabem que transitoriamente exercendo funções públicas, funções políticas, mas de formação e de atuação sou vinculado à Universidade Federal do Maranhão como professor de Direito, sou advogado. Estar, portanto, no partido de João Mangabeira, no partido de Evandro Lins e Silva, no partido de Hermes Lima, no partido de Evaristo de Morais Filho, para mim, como estudioso do Direto, já é uma honra, já é, para mim, um encontro com a História daqueles que que fizeram do Direito instrumento de luta pela democracia e pela liberdade no Brasil.

Tem um sabor de encontro com a minha região. Vocês podem ver que condenso em mim mesmo os traços característicos do nosso estado, que é meio Amazônia e é meio Nordeste. Presido, inclusive agora, o consórcio de governadores da Amazônia. Lá na Amazônia, o PSB sempre atuou com muita força. Quero homenagear o ex-senador e ex-governador Capiberibe, o deputado federal Camilo Capiberibe, e todos aqueles, Siqueira, que juntaram a defesa da Economia Verde como pressuposto fundamental de um projeto socialista para o Brasil.

Eu, muito criança e muito jovem, assisti a primeira vez Miguel Arraes falando. Estar hoje no partido de Miguel Arraes, para mim, nesse sentido, é a realização de um grande encontro, com uma tradição política fundamental para a histórica para dessa Pátria, que é a tradição do PSB. Miguel Arraes está presente, mas não posso deixar de dizer, com muita emoção, que gostaria muito que a minha ficha de filiação fosse abonada pelo querido amigo governador Eduardo Campos. Talvez ele não estivesse aqui, porque hoje ele seria presidente da República. Talvez as suas obrigações não permitissem. Mas meu amigo Eduardo esteve conosco no Maranhão, inúmeras vezes, e poucos dias antes inclusive da tragédia. E por isso mesmo, estar no PSB, me filiar ao PSB, é uma forma também de homenagear a memória, a trajetória e as vitórias do grande brasileiro governador Eduardo Campos. E tantos e tantas do Nordeste brasileiro, onde se insere o nosso Maranhão, faço uma saudação muito especial a todos os amigos e amigas do Maranhão. São muitos. Cumprimento na pessoa do vice-governador Carlos Brandão, que aqui está, do senador Weverton, da senadora Eliziane, deputados federais, deputados estaduais, minha querida esposa e companheira Dani, e o professor José Antônio Almeida que foi meu professor na Universidade Federal do Maranhão já há algumas décadas.

É um encontro também com este momento atual, com a hora presente, em que, autenticamente, se exige tanto da militância patriótica e socialista do Brasil, porque esta eleição de 2022 não é uma eleição qualquer, não é uma a mais, porque é uma batalha fundamental em torno de tudo que nós conseguimos concretizar, plasmado, sobretudo, na Constituição de 88. A eleição de 2022 é um plebiscito, entre aqueles que querem a continuidade da democracia, com o povo, e um projeto de extermínio nacional e popular de destruição da Nação. É isso que está em jogo.

Nós não podemos cometer erros. Nós, que somos mais jovens, lembramos que aqueles que, como nós, estavam nas trincheiras políticas à beira do golpe militar de 64, às vezes não enxergaram, minimizaram o problema, não por deformação moral, não é isto, é porque nós somos militantes da esperança e da alegria, e às vezes tendemos, em razão desses valores que nos movem, a minimizar o mal, a minimizar a maldade. Nós acreditamos que o bem sempre vence, e vence mesmo, mas aqueles que estavam assistindo à ascensão de Hitler e Mussolini, na Alemanha e na Itália, não viram o perigo. Nós estamos vendo o perigo, o perigo está aí, o perigo aí está, o perigo está no poder, e o perigo está matando. 500 mil famílias já sofreram danos eternos.

É essa carga de responsabilidade que eu trago para o PSB. Venho pelo Maranhão, claro, pelo Nordeste, pela Amazônia, mas resolvi me filiar, depois de dez anos de namoro. Chegando ao PSB, por tudo isso, que mencionei, mas sobretudo pelo Brasil. A nossa tarefa não é pequena, por mais absurdo que seja. O Bolsonaro será candidato à reeleição?! Por sobre uma pilha de tragédias, nada de positivo a apresentar, obras não há. Somente nessa semana eu vou inaugurar oito escolas, eu inauguro por semana mais escolas do que o Bolsonaro inaugura por ano. Mas Bolsonaro é candidato à reeleição. Derrotá-lo não é tarefa de poucos, não é tarefa de muitos, é tarefa de todos. E para isso, nós temos que nos unir. E isso que eu e os novos filiados nos propomos aqui.

Eu, por formação, tenho muito acatamento pelas diretrizes superiores a min, tenho espírito coletivo, talvez ecos de um certo leninismo. Mas, com todo respeito e acatamento que eu tenho à direção nacional do PSB, a este partido quase centenário, eu venho modestamente trazer uma palavra de defesa de uma ampla união, em que os comunistas estejam presentes, os socialistas estejam presidentes, os trabalhistas estejam, os lulistas e os petistas estejam presentes, mas também os liberais progressistas, os como eu, adeptos da doutrina social da Igreja, os católicos progressistas, os evangélicos progressistas, e sobretudo aqueles que não têm opinião política. É a eles que nós temos que falar, acima de tudo. A conjuntura não comporta uma abordagem narcisista, a celebração dos nossos êxitos, das nossas virtudes. Isso nós já conhecemos. A conjuntura exige é que nós consigamos juntar, unir, quebrar arestas, quebrar resistências, quebrar preconceitos, para que a democracia possa prevalecer.

É assim que eu, com muita alegria, me filio ao PSB. Teremos debates difíceis pela frente. Nesses especularam muito se a nossa entrada no PSB corresponderia a um plano mirabolante para, de fora para dentro, dominar o PSB, e leva-lo a uma certa posição, que no caso seria, ou será, o apoio ao ex-presidente Lula. Fantasia, mistificação, embora todos saibam da minha posição, e eu tenho orgulho dela. Ninguém aqui está enganado quanto aquilo que eu defendo. Mas, jamais teria essa pretensão de subordinar o partido com a tradição e com a beleza que o PSB tem a interesses imediatistas. Não. Faremos um bom debate, com aquilo com o qual finalizo, o mais importante: valores, princípios, transcendência, aquilo que não se vê, mas que domina aquilo que se vê. Chamem do que quiserem chamar. Alguns chamam de Deus, outros chamam de fé, outros chamam de disciplina, outros chamam de fraternidade. Não importa o nome, importa é que nós temos um programa, temos uma reconstrução programática em torno da causa correta do socialismo criativo, que valoriza a ciência, a tecnologia, a economia verde, a inovação. Mas há algo que é maior que tudo isso, que tem a perenidade da vida, que tem a nota de eternidade, e é na minha modesta trajetória que esse momento se insere nessa trajetória do eterno, em que tantos encontros são realizados com muito espírito socialista, espírito da partilha, partilhar o pão, partilhar a vida, partilhar a esperança. Viva o socialismo, vida o Brasil”.

 

 PONTO & CONTRAPONTO

 

Governador ataca problemas nacionais e evita falar da corrida sucessória no Maranhão

Flávio Dino e Daniela Dino entre Fábio Macedo (Republicanos), Marcelo Tavares (PSB), Carlos Brandão (PSDB), Bira do Pindaré (PSB), Eliziane Gama (Cidadania), Leonardo Sá (PL), Simplício Araújo (SD) e Weverton Rocha (PDT) no ato de filiação

O ato de filiação do governador Flávio Dino no PSB foi um acontecimento político de peso, em Brasília. Além dos dois governadores do partido – Paulo Câmara (PE) e Renato Casagrande (ES) -, senadores, deputados federais e convidados, participaram do ato o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) e os senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (Cidadania), além de deputados federais, entre eles Bira do Pindaré, que atuou como anfitrião, e deputados estaduais, entre eles Marcelo Tavares (PSB), atual chefe da Casa Civil, e Simplício Araújo (Indústria e Comércio e líder do Solidariedade, pré-candidato a governador. O deputado federal licenciado e presidente do PCdoB, Márcio Jerry, atual secretário das Cidades, o deputado federal licenciado Rubens Jr. (PCdoB), atual secretário de Articulação Política e o deputado estadual Othelino Neto (PCdoB) não compareceram.

O governador Flávio Dino não tratou do cenário político do Maranhão no ato de filiação ao PSB. Teve o cuidado de não melindrar mais ainda o comando nacional do PCdoB, onde algumas vozes declararam suas insatisfações com a migração. O mesmo cuidado teve ao não tratar de política maranhense, referindo-se a Carlos Brandão e Weverton Rocha coma mesma distinção, numa demonstração de que está mesmo disposto a encontrar uma fórmula que defina a candidatura da aliança que lidera sem crise. A presença dos dois postulantes sinalizou com clareza que está determinado a abrir negociações para resolver a sua sucessão.

 

AL aprova e Othelino Neto destaca lei que reforça erradicação do sub-registro civil

Othelino Neto destacou a importância do projeto do Judiciário reforça o combate ao sub-registro civil no MA

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), destacou a importância da aprovação do Projeto de Lei Complementar 004/2021, proposto pelo Poder Judiciário, que estabelece medidas para a erradicação do sub-registro civil de nascimentos no Maranhão. Na avaliação do presidente, muitos maranhenses ainda não são registrados e, oficialmente, não existem, o que justifica a importância da matéria.

O PL assegura a instalação de unidades interligadas de registro civil de pessoas naturais nos municípios maranhenses em que funcionem estabelecimentos de saúde públicos, privados e conveniados com o Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo é erradicar os índices de pessoas sem registro no Maranhão e ampliar o acesso à documentação básica por meio de regime de colaboração e articulação com os poderes Judiciário e Legislativo e as serventias extrajudiciais de registro civil de pessoas naturais.

“É fundamental que todos tenham o registro oficial para que as políticas públicas possam atender, efetivamente, a todas as pessoas e ter um diagnóstico mais preciso da realidade e da quantidade populacional em cada município”, explicou.

Na sessão remota de ontem, os deputados estaduais aprovaram também o Projeto de Lei 297/2021, do Poder Executivo, que altera a Lei nº 10.711, de 8 de novembro de 2017, que regulamenta o Fundo Estadual da Pessoa com Deficiência (FEPD) e cria o Comitê Gestor do referido Fundo. E também o Projeto de Lei 638/2019, de autoria do deputado Wellington do Curso (PSDB), que dispõe sobre a destinação e a acomodação apropriada de animais domésticos nos processos de reintegração de posse e de demolição de imóveis. E ainda o Projeto nº 338/2020, de autoria do deputado Dr. Yglésio (PROS), que estabelece a Campanha Estadual de Prevenção e Combate ao Câncer de Ovário. (Matéria baseada em informações divulgada  pela Assessoria de Imprensa da Assembleia Legislativa).

São Luís, 23 de Junho de 2022.

Factoides agitam, mas não alteram o cenário da corrida à sucessão no Maranhão

 

Projetos de candidatura de Carlos brandão e Weverton Rocha estão resistindo aos fatoides sobre outros nomes

O embate direto e declarado entre o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) e o senador Weverton Rocha (PDT) pela vaga de candidato à sucessão do governador Flávio Dino (que ingressa hoje no PSB) pela aliança por ele liderada não está inibindo o surgimento de “projetos” paralelos de candidatura. Enquanto a oposição se restringe à pré-campanha aberta do prefeito de São Padro dos Crentes, Lahesio Bonfim (PSL), do ainda pouco definido anteprojeto de candidatura do senador Roberto Rocha (ainda sem partido) e da possibilidade muito remota de a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) vir a entrar na disputa, as forças da situação vira e mexe sacodem os bastidores com factoides sucessórios. O mais recente, surgido na semana passada e que continuou ontem agitando programas de rádio e a blogosfera, dá como possível a entrada do secretário de Estado da Educação, Felipe Camarão, na corrida ao Palácio dos Leões. Os indícios contidos nesses “lançamentos” sugerem que eles estão sendo criados com o objetivo de minar os projetos de Carlos Brandão e Weverton Rocha.

O factoide mais frequente nesse sentido foi a suposta pré-candidatura da senadora Eliziane Gama (Cidadania), que foi atirada várias vezes na arena sucessória como “terceira via” numa eventual implosão das pré-candidaturas do vice-governador e do senador. Houve momento em que seu nome teria sido “escalado” pelo governador Flávio Dino, o que logo foi desmentido. Mesmo depois de a senadora haver declarado apoio ao projeto de candidatura de Weverton Rocha, posição que reafirmou e diversos momentos e entrevistas, especuladores tentaram alimentar o factoide, mesmo tendo ele perdido toda a razão de ser, pelo menos por enquanto.

O factoide do momento aponta o secretário Felipe Camarão como possível “terceira via” gestada no Palácio dos Leões para evitar o confronto já em curso entre Carlos Brandão e Weverton Rocha. O nome do secretário não é novo nesse jogo. O seu bom desempenho no comando da educação estadual fez com que ele fosse “lançado” pré-candidato a prefeito de São Luís, quando o deputado estadual Duarte Júnior (Republicanos) já era candidato consolidado. Mais recentemente, com a sua decisão de se filiar ao PT e sinalizar a intenção de se candidatar à Câmara Federal, o secretário de Educação voltou a ser alvo de especulações em relação sucessão governamental, agitando o sensível cenário em que se movimentam as forças lideradas pelo governador Flávio Dino. O factoide diz que Felipe Camarão seria a “solução” para a guerra que se desenha entre o vice-governador e o senador. A armação não tem qualquer lastro.

Ao mesmo tempo, o anteprojeto de candidatura do secretário de Indústria e Comércio, Simplício Araújo, por ele próprio lançado, destoou dos factoides. Primeiro suplente de deputado federal e controlador do Solidariedade no Maranhão, o secretário fez um movimento lícito, colocando-se à disposição da aliança dinista como opção de candidatura. E o fez com a clareza quanto ao alcance do seu gesto, já que conhece o caminho das pedras na política estadual. Deve se manter como opção até o momento em que tiver de intensificar sua candidatura à Câmara Federal.

Não há no horizonte alcançável do cenário político estadual qualquer sinal de que a corrida sucessória estadual se dê fora dos espaços já demarcados por Carlos Brandão e Weverton Rocha. E está reduzida a dois desfechos. O primeiro é que um abra mão do seu projeto e apoio o outro, o que para muitos é uma solução difícil, mas possível. O segundo é o confronto entre os dois, entornado pelas possíveis candidaturas de oposição, o que na avaliação de observadores moderados é a saída menos provável e contra a qual o governador Flávio Dino vai trabalhar até o fim.

A menos que todos renunciassem aos seus projetos agora, o que não faria sentido, os movimentos de pré-candidatos situacionistas e oposicionistas sugerem que dificilmente a corrida ao Palácio dos Leões ocorrerá fora desses campos já traçados, uma vez que a margem para a viabilidade de um nome novo já está expressivamente reduzida.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino se filia hoje ao PSB e deve transformá-lo numa grande força partidária

Flávio Dino se filia hoje para ao PSB 

Depois de uma longa trajetória no Maranhão, retomada com sua ressureição no início dos anos 80, ainda em plena ditadura, por iniciativa de Guilherme Freire, Valdelino Cécio e Rossini Correia, e de vários outros apoiadores – entre eles o autor da Coluna -, o PSB inicia hoje nova etapa da sua existência de altos e baixos com a filiação do governador Flávio Dino. Com o ingresso de Flávio Dino nas suas fileiras, o PSB retoma plenamente o seu eixo político e ideológico de origem, como bastião maior da esquerda moderada e adequadamente encaixada no cenário partidário nacional.

Para chegar até aqui, além dos que assinaram o primeiro livro de registro da sua recriação no estado, a legenda passou pelo controle do militante socialista José Carlos Sabóia, do simpatizante do socialismo José Antônio Almeida Silva, do direitista convicto Ricardo Murad e do ultradireitista agora assumido Roberto Rocha. Ultimamente, vinha sendo comandado pelo jovem socialista moderado Luciano Leitoa no plano estadual, e pelo socialista autêntico e convicto e militante Bira do Pindaré, presidente em São Luís, mas com abrangência estadual, que com um bom trabalho conseguiu devolver autenticidade ideológica e dignidade política ao partido.

Flávio Dino será, portanto, a figura central de um partido, no qual deverá se sentir em casa, e que deve se transformar numa grande força política do Maranhão. As filiações que receberá agora e na janela partidária do ano que vem e o resultado das eleições dirão o tamanho que ele alcançará.

 

MP acusa Júnior Lourenço de desvio e causa novo abalo no grupo de Josimar de Maranhãozinho

Júnior Lourenço sofre o mesmo baque que Josimar de Maranhãozinho

A Operação Laços de Família, por meio da qual o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) deflagrou em abril uma ampla investigação contra uma suposta organização criminosa que atuava São Luís, Paço do Lumiar, São José de Ribamar, Miranda do Norte e Bom Jardim, produziu ontem uma denúncia formal tendo como acusado o ex-prefeito de Miranda do Norte, atual deputado federal Júnior Lourenço (PL), e o também ex-prefeito Eduardo Fonseca Belfort, o Negão, além os empresários Tiago, Bruno e Paulo Ricardo Val Quintan e mais 20 pessoas pelos crimes de fraude em procedimento licitatório, peculato e organização criminosa.

A denúncia foi assinada pelos promotores de justiça Luís Samarone Batalha Carvalho, titular da 1ª Promotoria de Justiça de Itapecuru-Mirim; Ana Carolina Cordeiro de Mendonça Leite e Fernando Antônio Berniz Aragão, integrantes do Gaeco, e Marco Aurélio Ramos Fonseca, que responde atualmente pelas 1ª e 2ª Promotorias Criminais do Termo Judiciário de São Luís. Eles propõem que, além da perda do mandato pelo deputado federal Júnior Lourenço, ele e os demais terão de devolver mais de R$ 22 milhões aos cofres públicos como reposição das perdas que causaram.

De acordo com o documento, encaminhado ao titular da 1ª Vara Criminal do Termo Judiciário de São Luís, as investigações apontam a existência de três núcleos de agentes classificados com base na atuação de cada um: político, composto pelos ex-gestores Carlos Eduardo Fonseca Belfort e Júnior Lourenço; empresarial, comandado por Tiago Val Quintan Pinto Frazão, que está presente no município de Miranda do Norte desde a gestão de Júnior Lourenço; e administrativo, formado pelos secretários municipais Antônio da Conceição Sanches, Alysson Rogério Mesquita de Oliveira – atualmente vice-prefeito do município – e Adson Mendonça Mendes, além de outros servidores da prefeitura de Miranda do Norte, inclusive membros da Comissão Permanente de Licitação (CPL).

A denúncia contra o deputado federal Júnior Lourenço é o segundo terremoto que atinge o grupo liderado pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) em seis meses. No dia 9 de Dezembro de 2020, a Polícia Federal realizou a Operação Descalabro, para investigar denúncias de desvios de recursos federais destinados à Educação. O fato principal foi a invasão do escritório do parlamentar, onde foram encontrados mais de R$ 2 milhões em espécie. O deputado Josimar de Maranhãozinho se disse vítima de perseguição política. Vale aguardar o que dirá sobre a acusação ao deputado Júnior Lourenço, seu mais fiel aliado.

São Luís, 22 de Junho de 2021.

Migração para o PSB amplia espaço de Flávio Dino, mas não inibe os desafios que o aguardam

 

Flávio Dino: partido novo, mais força política nacional e vários desafios pela frente

A migração partidária do governador Flávio Dino, que deixa o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) para se filiar ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) tem a importância e o peso de largada para corrida eleitoral de 2022 no Maranhão, também com reflexos na disputa para a Presidência da República. Esse movimento deflagrou uma ampla e arrojada rearrumação no eixo central da aliança partidária situacionista, abrindo também caminho para que os pré-candidatos a governador – tanto os da base governista quanto os de oposição – construam os suportes possíveis das suas candidaturas. Com sua decisão, o governador deixa as limitações do velho PCdoB e ingressa numa seara partidária mais aberta e flexível, o que lhe assegura ampliação imensurável na sua margem de articulação política como senador da República, como planeja – pelo menos até aqui. Decidida a 15 meses das eleições, a mudança também abre espaço para que seus aliados adequem, sem pressa e com boa dose de reflexão, seus projetos eleitorais no leque de opções partidárias. No plano nacional, o movimento de Flávio Dino aumenta sensivelmente o peso do PSB, que ganha mais um governador e um punhado de deputados federais.

No que lhe diz respeito, o governador Flávio Dino ganha força política, à medida que dá ao PSB maior musculatura e, com isso, maior peso nas articulações para a construção de alianças visando a eleição presidencial. Nesse sentido, mesmo já tendo feito opção por disputar cadeira no Senado, o agora socialista Flávio Dino não está ainda descartado como opção para a vaga de candidato a vice numa grande composição tendo o ex-presidente Lula da Silva (PT) como cabeça de chapa para enfrentar o presidente Jair Bolsonaro (ainda sem partido). Afinal, de todos os nomes da esquerda moderada, incluindo aí vários governadores, o líder maranhense é o que alcançou maior projeção nacional. E sobre o destino do governador, todas as avaliações sugerem que o Senado é o seu melhor caminho.

Independentemente do espaço que vai ocupar na corrida presidencial, Flávio Dino atuará fortemente para mobilizar o eleitorado maranhense a favor do candidato de Oposição, principalmente sendo o ex-presidente Lula da Silva. Isso porque já são fortes os sinais de que o presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, a começar pelo senador Roberto Rocha (sem partido), provável candidato bolsonarista ao Governo do Estado, farão de tudo para melhorar o desempenho do presidente nas urnas maranhenses.

A nova condição partidária não altera a liderança do governador no cenário político maranhense, mesmo estando ele na reta final do seu mandato. É dele a delicada tarefa de articular as bases de um consenso para a sua sucessão no âmbito da aliança governista, e de mobilizar as forças contra investidas de adversários. De um lado está vice-governador Carlos Brandão (PSDB), que assumirá o Governo em abril próximo e, com todo direito, já se movimentando como pré-candidato à reeleição; e do outro encontra-se o senador Weverton Rocha (PDT), um político jovem e arrojado, que vê no pleito de 22 a oportunidade de ouro para ser governador. Com motivações diferentes, mas justas, Carlos Brandão e Weverton Rocha travam uma guerra aberta pela vaga de candidato da aliança liderada situacionista. A escolha de um deles sem causar um racha na base partidária é o grande desafio político do governador Flávio Dino.

A mudança do governador Flávio Dino para o PSB causará forte impacto em parte expressiva da sua base partidária, sendo o PCdoB o partido que mais sofrerá reveses. De cara, perderá os deputados federais Márcio Jerry e Rubens Jr., que certamente migrarão para o PSB, juntando forças com o deputado federal Bira do Pindaré. Também o deputado estadual Othelino Neto, presidente da Assembleia Legislativa, deve deixar o partido, mas seguindo um caminho diferente filiando-se ao PDT. Outros deputados hoje no PCdoB – Marco Aurélio, Ana do Gás e Carlinhos Florêncio – devem migrar para outras agremiações, entre elas o PSB, que já tem o deputado Edson Araújo. Flávio Dino certamente será ouvido por todos os aliados que de uma maneira ou de outras serão afetados pela sua mudança partidária.

O governador Flávio Dino tem plena consciência do espaço que ocupa no cenário político maranhense e de como é visto na seara nacional. E é exatamente por isso que tem todos esses desafios pela frente, sendo o menor deles sua candidatura ao Senado, uma vez que, pelo menos no horizonte visível, não há adversário que lhe imponha risco.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

MDB mudará comando e deve se tornar aliado cobiçado

João Alberto será sucedido por Roseana Sarney, que tem o apoio de Roberto Costa

Marcada pela 7 de Julho, daqui a duas semanas, portanto, a convenção extraordinária por meio da qual o MDB mudará seu comando, com a saída do ex-senador João Alberto e a ascensão da ex-governadora Roseana Sarney. Essa mudança está sendo observada com interesse pelas forças que estão se organizando para lutar pelo comando do Maranhão. E a explicação é a seguinte: três anos depois de sofrer a segunda detonação nas urnas, a banda do Grupo Sarney ligada ao partido se esforça para retomar pelo menos parte do espaço perdido em 2014 e 2018. Com o apoio da ala jovem do partido, liderada pelo bem articulado deputado Roberto Costa, atual vice-presidente da agremiação, a ex-governadora ainda desfruta de um bom naco de liderança, que não a garante numa disputa majoritária, mas é suficiente para torná-la uma deputada federal muito bem votada e fazer do MDB um aliado cobiçado. Não é sem razão que tanto o vice-governador Carlos Brandão e o senador Weverton Rocha estão antenados com os movimentos emedebistas, de olho numa aliança que poderá render bons dividendos eleitorais. O mesmo interesse terá o senador Roberto Rocha, caso venha, de fato, a disputar o Governo do Estado.

 

Fiema reempossa Edilson Baldez e refirma vocação para produzir coronéis

Edilson Baldez: habilidade política e e no jogo do poder

A Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (Fiema), empossou, Quinta-Feira (17), o empresário Edilson Baldez para mais um mandato presidencial de quatro anos. Com o ato solene, a entidade representativa da indústria maranhense reafirmou sua aparentemente incurável vocação para produzir coronéis, passando a impressão de que o conceito de alternância, que é um dos pilares da democracia, mesmo numa organização corporativa, parece não existir no seu regimento. Sua história registra a permanência do empresário Alberto Abdalla à frente da entidade por mais de três décadas. Edilson Baldez, que assumiu em 2008 para cumprir um mandato tampão, e na posse deixou no ar sinais de que não se deixaria seduzir pelo exemplo abdallano, não resistiu aos encantos do poder e mandou o compromisso para o espaço. Logo mudou as regras que proibia seguidas eleições, se reelegeu e de lá para cá já foram três mandatos integrais cumpridos. E o que se inicia agora o manterá até 2024 no comando da entidade propriamente dita e dos braços maranhenses do Sesi, do Senai e do IEL, além do Sebrae, uma ativa e bem azeitada máquina assistencialista, com orçamento gordo, que é também uma respeitável e muito cobiçada fonte de poder político. Há quem diga que, a julgar pela gestão que realiza, pela habilidade com que domina os cordéis de poder da entidade e da fome de poder que demonstra, o presidente Edilson Baldez cumprirá o novo mandato pavimentando terreno para renová-lo daqui a quatro anos. Afinal, sua reeleição pela unanimidade dos líderes dos sindicatos que compõem a Fiema é indicativa de que, por enquanto, ninguém se atreve a enfrentá-lo.

São Luís, 20 de Junho de 2021.

Dino deixa o PCdoB, ganha mais espaço de atuação e deve transformar o PSB numa grande força  

 

Flávio Dino deixa o PCdoB para ingressar no PSB

O governador Flávio Dino deu ontem o passo decisivo para a sua guinada no plano partidário ao formalizar o pedido de desfiliação do PCdoB, mesmo sem anunciar a legenda pela qual irá às urnas como candidato ao Senado nas eleições do ano que vem. Com o pedido, o governador está livre para buscar um partido mais adequado ao seu perfil ideológico e ao seu projeto político, evitando assim o desgaste de ter de fazer esforços redobrados para manter de pé uma agremiação sem futuro. Seu destino será o PSB. Nos 15 anos em que militou nas fileiras do PCdoB, Flávio Dino se tornou o seu quadro mais importante, a começar pelo fato de que foi o primeiro governador do partido em toda a sua história, transformando o Maranhão na sua base mais importante, com deputados federais, deputados estaduais, prefeitos e vereadores. Fez, em vão, um esforço gigantesco para modernizar a agremiação. Estava, portanto, escrito nas estrelas, que sua saída do PCdoB era apenas questão de tempo.

Foi um casamento bem-sucedido, apesar das diferenças. Nesse período, Flávio Dino se desdobrou para alcançar dois objetivos. O primeiro foi dar ao PCdoB a condição de maior força partidária do Maranhão, o que conseguiu em 2014, com a sua eleição, posição reforçada nas eleições municipais de 2016, quando a legenda saiu das urnas com mais de 40 prefeitos. Nesse período, o governador trabalhou com afinco para modernizar o PCdoB, de modo a inseri-lo no tabuleiro partidário nacional como um uma legenda reciclada e adaptada à nova realidade política do Brasil e do planeta. Defendeu uma revisão doutrinária, sem abrir mão do viés esquerdista, ajustando o partido a uma identidade de centro-esquerda. E há quem diga que tentou, também em vão, rebatizá-lo e trocar seus símbolos – a foice e o martelo –, que nada identificam ou representam na atualidade.

Um dos políticos mais preparados e atuantes da sua geração, Flávio Dino ganhou projeção nacional, primeiro por realizar um governo diferenciado, com a execução de programas arrojados nos campos da saúde, educação, segurança e desenvolvimento social, e depois pela sua atuação política em defesa da democracia e contra os ensaios golpistas e antidemocráticos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e sua turma. Preocupado com a pulverização das forças democráticas em várias candidaturas, vem pregando a construção de uma ampla aliança multipartidária, reunindo segmentos de centro-direita, centro e centro-esquerda como a fórmula mais sensata e segura de enfrentar as forças da direita radical alinhadas ao presidente da República.

O governador do Maranhão foi convidado para ingressar em vários partidos, mas há tempos que sua inclinação é pelo PSB, uma legenda equilibrada, firme na sua posição ideológica sem radicalismo esquerdista e nas suas postulações programáticas. Seu iminente ingresso no partido, juntamente com seus principais aliados – como o deputado federal Márcio Jerry, que preside o PCdoB no estado – prenuncia futuro alvissareiro para o PSB, que poderá se tornar uma das maiores – se não a maior – agremiações partidárias do Maranhão nos próximos tempos. Isso porque, além dos quadros do PCdoB que o seguirão, muitos outros nomes atualmente mal acomodados em diversos partidos poderão migrar para a seara socialista.

Há algumas semanas, a Coluna previu que, se Flávio Dino migrasse do comunismo para o socialismo, o PSB seria transformado num partido forte, enquanto o PCdoB estaria até mesmo ameaçado de desaparecer do mapa partidário no Maranhão. A previsão está se materializando, o que dará ao governador Flávio Dino uma margem bem maior de ação política, condição indispensável para uma atuação mais forte e produtiva no esforço de construção da grande frente partidária para a guerra eleitoral do ano que vem.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sob o comando de Flávio Dino, PSB deve rever algumas decisões recentes

Com o ingresso no PSB, o governador Flávio Dino assumirá o comando do partido no Maranhão, devendo escalar o deputado federal Márcio Jerry, hoje presidente do PCdoB, para dirigir a nova legenda. E como a Coluna previu, sob a liderança do governador, o PSB certamente redesenhará sua posição na corrida ao Palácio dos Leões. Deve, por exemplo, desfazer a precipitada declaração de apoio do partido à candidatura do senador Weverton Rocha (PDT), feita pelo ainda presidente da agremiação, Luciano Leitoa, ex-prefeito de Timon. O mais provável é que o PSB dê suporte ao projeto de candidatura do vice-governador, como vinha fazendo, lenta e cuidadosamente, o PCdoB. É claro que essa reviravolta não se dará de maneira tratoral, como foi o anúncio feito por Luciano Leitoa, feito sem o aval do maior nome do partido até aqui, o deputado federal Bira do Pindaré.

 

Maranhão entra forte no combate à corrupção

Eduardo Nicolau comandou o lançamento do PNPC no MA

O Maranhão acaba de dar mais um passo importante na guerra contra a corrupção, para muitos o pior dos flagelos da vida brasileira. Na terça-feira (15), o estado passou a integrar o Programa Nacional de Prevenção à Corrupção (PNPC), mantido pela Rede de Controle da Gestão Pública. O objetivo é identificar o grau de suscetibilidade à fraude e o nível de proteção dos vários estratos da gestão pública brasileira (nos âmbitos municipal, estadual e federal) contra atos de corrupção, e também como a adoção de boas práticas de controle e de prevenção funciona no combate a desvios. Comandado procurador geral de Justiça e chefe do Ministério Público do Maranhão, Eduardo Nicolau, o lançamento contou com a participação do governador Flávio Dino (PCdoB) e do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Lourival Serejo, entre outras autoridades. Todos rigorosamente afinados com a linha de combate à corrupção proposta no PNPC.

Na abertura, o governador Flávio Dino ressaltou que o combate à corrupção não se dá somente no campo repressivo, mas sobretudo no preventivo, como propõe o programa. “A corrupção não é um fenômeno que se refere somente ao mundo da política. Também tem uma dimensão econômica e social. É um sinal permanente de violação a princípios e regras e, por isso, em simetria, temos que combatê-la cotidianamente. Participar deste programa é uma forma de garantir a boa aplicação dos recursos púbicos em favor das metas, dos objetivos previstos na Constituição Federal”. E o procurador-geral de Justiça, Eduardo Nicolau, visto como defensor de combate tenaz à corrupção, foi direto ao ponto:  “Não tenho dúvidas de que a prevenção é o melhor e o mais eficaz caminho de combate à corrupção no país, que passa pelo fortalecimento das instituições de controle e pela construção da boa governança nas várias esferas de poder”.

São Luís, 18 de Junho de 2021.

André Fufuca anuncia o apoio do PP a Weverton Rocha, mas ressalvando que pode mudar de rumo

 

André Fufuca: apoio à candidatura de Weverton Rocha, que pode ser repensado mais na frente

O presidente do PP no Maranhão, deputado federal André Fufuca disse ontem, em entrevista à TV Mirante, que o seu partido apoiará a candidatura do senador Weverton Rocha (PDT) ao Governo do Estado na corrida eleitoral do ano que vem. Mas, surpreendentemente, colocou uma densa sombra de dúvida sobre o apoio, ao alertar, de antemão, que o partido poderá rever essa posição e tomar outro rumo, à medida que as articulações para a corrida sucessória estadual forem ganhando consistência. Com franqueza desconcertante – que não é muito comum num jogo de articulação política -, o deputado André Fufuca deixou claro para o pré-candidato pedetista que a consolidação desse apoio dependerá do que vier a acontecer durante as montagens políticas que definirão, de fato, quem será quem na disputa pela cadeira principal do Palácio dos Leões.

Político já tarimbado nessa seara, apesar da pouca idade, o deputado federal André Fufuca jogou na mesa um lembrete crucial nesse jogo: partido é um organismo coletivo, no qual prevalece a vontade da maioria. E aplicando essa regra no jogo em curso pela sucessão do governador Flávio Dino (PCdoB), encontra-se a tradução integral do recado dado pelo parlamentar: quando o líder partidário contraria a posição da maioria, se defronta com duas opções. A primeira: tenta se ajustar à posição da maioria. A segunda: não conseguindo, admite a derrota e passa o boné para quem consegue lidar com ela. Ou seja, em política partidária, ficar contra a maioria dentro de uma agremiação costuma ser fatal para o intolerante.

O senador Weverton Rocha tem avançado bem na montagem da base partidária do seu projeto de candidatura, tendo recebido até agora declaração de apoio do DEM, PSB, Republicanos, PSL e agora do PP, o que lhe dá, indiscutivelmente, uma boa vantagem nesse item. Há, porém, um detalhe crucial nessas posições: todas elas, sem exceção, são manifestações prévias, sujeitas a revisão. Isso porque nenhuma dessas declarações foi feita com base numa consulta interna dos partidos, como prefeitos e vereadores. O que houve até aqui foi a inclinação dos chefes, que poderão ser ou não confirmadas, de um lado pelas bases dos partidos, e de outro pelas cúpulas nacionais dos mesmos. E foi exatamente o aviso incluído no “porém” contido na declaração do deputado André Fufuca.

A Coluna já comentou esse aspecto das manifestações de apoio, mas não custa nada relembrar. Um exemplo: a declaração de apoio do Republicanos ao senador Weverton Rocha, feita pelo seu presidente, o experiente deputado federal Cléber Verde, não traduz a vontade da maioria do partido, pois é sabido que pelo menos metade dos seus prefeitos e vereadores estão alinhados ao vice-governador Carlos Brandão. Outro exemplo: a declaração de apoio do presidente estadual do PSB, Luciano Leitoa, ex-prefeito de Timon, não fez muito sentido sem o aval do deputado federal Bira do Pindaré, hoje o nome de maior peso no braço maranhense da legenda socialista. É o caso também do PSL, agora comandado pelo deputado federal Pedro Lucas Fernandes, que muito provavelmente não sabe o que os nomes de peso do partido pensam sobre essa disputa.

Isso não significa dizer que o senador Weverton Rocha não terá o apoio dessas agremiações. O propósito é lembrar que, num jogo em que o que está em jogo é nada menos que o Governo do Maranhão, ter como certas manifestações de apoio partidário feitas com tanta antecedência e com elevado grau de inconsistência é, no mínimo, precipitado. Daí a cautela inteligente e sensata do deputado federal André Fufuca ao se posicionar em favor do projeto de candidatura do senador Weverton Rocha com a ressalva de que o braço maranhense do PP poderá mudar de posição no futuro. E pelos motivos mais diversos que o jogo político costuma produzir, o mesmo pode acontecer, ou não, com o Republicanos, o PSB e o PSL.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino continua sendo apontado como bom vice, mas vai mesmo é concorrer ao Senado

Flávio Dino: ideia-força é disputar o Senado e não ser candidato a vice

O governador Flávio Dino está cada vez mais distante da ideia de vir a ser candidato a vice-presidente da República na chapa a ser liderada pelo ex-presidente Lula da Silva (PT). Nas suas entrevistas mais recentes, quando provocado sobre o assunto, ele tem sido enfático de que no momento o seu foco político é a pré-candidatura ao Senado, que ele define como “ideia-força”. No plano nacional, porém, muita gente com peso político e nos espaços da imprensa o governador continua sendo apontado como uma espécie de “reserva especial” da esquerda moderada para compor uma chapa na condição de candidato a vice do líder petista. Em algumas respostas em entrevistas concedidas a órgãos de imprensa nacionais, como a dada à BAND, ontem, ele admite conversar sobre o assunto em 2022. A verdade, porém, é que o governador do Maranhão já tem claro e bem definido o rumo que tomará nas eleições do ano que vem: será candidato ao Senado, dando a contribuição possível à candidatura presidencial que vier a apoiar, provavelmente a do ex-presidente Lula da Silva, e com o objetivo maior: derrotar o presidente Jair Bolsonaro.

 

Assembleia aprova projeto de Mical Damasceno que projete idosos de golpes financeiros

Mical Damasceno, ontem, na sessão remota que aprovou sem projeto de defesa dos idosos

Conhecida por suas fervorosas manifestações religiosas, por seu bolsonarismo extremado, e mais recentemente pela ascensão ao comando do PTB no Maranhão, por decisão do chefe maior do partido, o ex-deputado federal Roberto Jefferson, a deputada Mical Damasceno também dedica seu mandato a boas causas. Uma delas: a Assembleia Legislativa aprovou ontem, em sessão remota, o Projeto de Lei 31/2021, de sua autoria, que cria a Campanha de Combate aos Golpes Financeiros Praticados contra Idosos no Maranhão.

A campanha objetiva combater a violência patrimonial no âmbito familiar ou comunitário e, também, a violência financeira institucional, entendida como a contratação de empréstimos oferecidos por agentes financeiros, sem consentimento ou pleno conhecimento dos idosos. Esses abusos serão combatidos com ações educativas de conscientização e prevenção, envolvendo o poder público, em parceria com a iniciativa privada e entidades civis.

– Muitas pessoas se aproveitam da vulnerabilidade dos idosos para obter vantagens financeiras. Eles são as maiores vítimas de estelionato. Queremos protegê-los e encorajar a sociedade a participar do enfrentamento desses crimes praticados contra  idosos – enfatizou a deputada Mical Damasceno.

De acordo com o projeto, que agora irá à sansão do governador Flávio Dino (PCdoB), a campanha deverá ser realizada, anualmente, na primeira semana de Outubro, coincidindo com o Dia do Idoso (1º de Outubro), devendo integrar o Calendário Oficial do Estado do Maranhão.

São Luís, 16 de Junho de 2021.

Márcio Jerry equilibra posições de Brandão e Weverton para não precipitar escolha de candidato

 

Márcio Jerry diz que Carlos Brandão e Weverton Rocha estão preparados para disputar a sucessão de Flávio Dino

“O vice-governador Carlos Brandão e o senador Weverton (Rocha) têm condições para serem candidatos a governador. Ambos sabem o caminho e têm responsabilidade com o Maranhão”. A declaração é do deputado federal licenciado e atual secretário das Cidades, Márcio Jerry (PCdoB), dada ontem em entrevista à TV Mirante, para dizer que a escolha do nome que liderará a aliança situacionista na corrida à sucessão do governador Flávio Dino está em aberto, o que significa também informar que o processo está em andamento, mas ainda sem previsão de desfecho. Presidente estadual do PCdoB e, sem favor, o mais atuante e influente integrante do núcleo central de colaboradores do governador Flávio Dino (PCdoB), o secretário das Cidades deixou no ar a avaliação de que o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) e o senador Weverton Rocha (PDT) estão devidamente preparados para suceder ao atual governante. E o fez com o cuidado de não pressionar a balança para nenhum lado.

A preocupação do presidente do PCdoB em não soltar pistas de preferência entre os dois pré-candidatos é facilmente explicável. É que não interessa ao governador Flávio Dino antecipar uma definição e acelerar a corrida às urnas antes da hora. Afinal, por mais que o processo sucessório já estejas deflagrado, que nomes interessados já estejam postos, há muito o que se resolver para que o martelo seja batido sem risco de rupturas. O momento é para refletir, avaliar horizontes, monitorar os movimentos direcionados ao Palácio do Planalto, para em seguida conversar, ponderar e, finalmente, escolher com segurança, de preferência na linha sempre saudável do consenso.

Isso não impede que o vice-governador Carlos Brandão e o senador Weverton Rocha se movimentem em busca de suporte para os seus projetos de candidatura. Como disse o secretário Márcio Jerry, ambos são políticos de perfis diferenciados, mas traquejados o suficiente para saber o que estão pleiteando e dos desafios que estão se propondo a enfrentar. Mais do que isso, estão cientes de que interesses menores e ambições descabidas não devem comprometer a unidade da grande aliança partidária construída pelo governador Flávio Dino. Até porque, se não houver consenso e os dois forem para o confronto, o eleito dificilmente recomporá a grande base partidária e certamente enfrentará enormes dificuldades políticas para governar.

Nesse contexto, o vice-governador Carlos Brandão tem a seu favor o fato de que disputará na condição de governador em busca da reeleição, um trunfo poderoso se usado com habilidade política. Esse poder poderá ser multiplicado dependendo das forças que ele conseguir atrair para a base da sua candidatura. Até aqui, o vice-governador vem mostrando que sabe jogar nesse tabuleiro complicado e movediço. Nos bastidores dos partidos, são muitas as vozes que avaliam que a musculatura política de Carlos Brandão será conhecida efetivamente no momento em que ele trocar o gabinete do Palácio Henrique de la Rocque pelo do Palácio dos Leões. Politicamente, a condição de governador em busca da reeleição será também o seu calcanhar de Aquiles: se ganhar, leva tudo, se perder, vai para casa sem nada.

Por seu turno, o senador Weverton Rocha monta seu projeto de candidatura sem a preocupação de ficar sem mandato, um trunfo também poderoso. A força do mandato senatorial e a despreocupação com os próximos quatro anos dão ao senador o gás necessário para que ele se movimente como um furacão, assumindo até o comando da construção de hospital, algo atípico para um congressista. Atualmente, ninguém duvida do poder de fogo do senador entre os prefeitos, turbinado pelo controle que exerce sobre a Famem, o mais importante canal de articulação municipal. Weverton Rocha avalia que esse é o seu momento, pois sabe que deixá-lo passar, o sonho de morar no Palácio dos Leões ficará bem distante.

Daí a explicação para o cuidado do secretário Márcio Jerry em usar sua habilidade para não precipitar um desfecho inadequado. Sua manifestação segue rigorosamente a linha de ação do governador Flávio Dino, a quem cabe a desafiadora tarefa de bater o martelo na hora certa.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sem aval de Santo Antônio, Dino espera São João para resolver futuro partidário

Flávio Dino: agora com São João

No final de Abril, o governador Flávio Dino previu, informalmente, que poderia resolver seu futuro partidário até 13 de Junho, Dia de Santo Antônio, o casamenteiro. Calculou que o santo o ajudaria a resolver se permanecerá no PCdoB ou deixará o comunismo para se converter ao socialismo ingressando no PSB. No sábado, lembrado da previsão inspirada em Santo Antônio, o governador respondeu com uma sentença óbvia, mas ao mesmo tempo enigmática: “Casar é fácil, o difícil é divorciar”. E jogou a bola para outro santo, o respeitado e festivo São João, que será festejado no próximo dia 24 de Junho, data em que espera ter resolvido o namoro, o divórcio e o casamento partidário.  Fora da esfera santista, o governador articula para encontrar o melhor caminho, podendo permanecer onde está ou migrar para o PSB.

 

Bolsonaro vai mesmo para o Patriotas e Roberto Rocha deve ir junto

Roberto Rocha irá para o Patriotas tão logo Jair Bolsonaro assinar a ficha de filiação

Uma informação confirmada por fontes do Palácio do Planalto animou o senador Roberto Rocha: o presidente Jair Bolsonaro deve anunciar, provavelmente ainda nesta semana, o seu ingresso no Patriotas, confirmando a tendência que ganhou forma com afiliação do filho dele, o senador Flávio Bolsonaro, ao partido, semanas atrás. Pelo que está programado, Roberto Rocha se filiará ao Patriotas juntamente com mais dois senadores e um grupo de pelo menos 20 deputados federais. Esse grupo será a linha de frente da tropa-de-choque do presidente no Congresso Nacional.

O que não se sabe é como ficará o Patriotas no Maranhão com a entrada do senador Roberto Rocha. Atualmente, o partido é presidido pelo deputado federal Júnior Marreca Filho e controlado com mão de ferro pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que controla também o PL e o Avante. Especula-se que Roberto Rocha vai querer a garantia de que será o candidato do partido ao Governo do Estado, o que contraria frontalmente o projeto de Josimar de Maranhãozinho, que tem dito e repetido que não abre mão da sua candidatura à sucessão do governador Flávio Dino.

Entre bolsonaristas corre a certeza de que, uma vez no partido, Jair Bolsonaro resolverá tais pendências, poupando o senador Roberto Rocha de uma desgastante medição de força.

São Luís, 15 de Junho de 2021.

Sem líderes nem projeto de poder, Oposição se perde em várias frentes no Maranhão

 

Roberto Rocha, Lahesio Bonfim, Maura Jorge e Mical Damasceno: bolsonaristas quase sem chance de união

Enquanto as forças da aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB) se movimentam num tabuleiro onde a palavra de ordem é buscar o consenso em torno de um candidato, que pode ser o senador Weverton Rocha (PDT) ou o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), na banda oposicionista as forças alinhadas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) encontram-se inteiramente desarticuladas e, pelo menos por enquanto, sem perspectivas de serem mobilizadas para o embate eleitoral por lideranças fortes. Essas forças estão dispersadas em várias frentes, uma que tem à frente o senador Roberto Rocha (sem partido), o prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (PSL), a prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge (ainda no PSDB), e a deputada estadual Mical Damasceno (PTB), e ainda por tabela os deputados federais Edilázio Jr. (PSD) e Aluísio Mendes (PSC). No cenário atual, são fortes as evidências de que esses grupos dificilmente se juntarão em torno de um candidato de consenso que sirva de plataforma e garanta palanque ao presidente, a corrida pela reeleição.

Apontado e assumido como o mais dedicado aliado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Maranhão, o senador Roberto Rocha, que tentando construir uma agenda mais voltada para o estado, sinalizando, aqui e ali, ser pré-candidato à sucessão do governador Flávio Dino, sem ter feito até agora um pronunciamento claro e definitivo sobre o assunto. Ao mesmo tempo, o senador vem dando seguidas demonstrações de que está politicamente fragilizado, à medida que não exibe pelo menos uma ideia de grupo, contrariando a tradição segundo a qual candidatura majoritária, no caso senador e governador, via de regra dependem da força de grupo para ser viabilizada. Evidente que Roberto Rocha não é uma ave solitária e deve ter aliados e eleitores. Ao mesmo tempo, não há como negar que no campo partidário ele é atualmente um político sem um suporte partidário para disputar o Palácio dos Leões. Aposta todas as suas fichas numa dobradinha com Jair Bolsonaro, que, vale lembrar, amarga elevada rejeição no Maranhão.

Nesse campo, o prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim, construiu e vem “vendendo” um projeto de candidatura a governador com uma campanha estadual e cara, com centenas de outdoors coloridos, que seriam bancados por um movimento de direita que resolveu pagar para ver em relação ao seu projeto.   Provavelmente pelo conhecimento que tem da situação do presidente no consenso do eleitorado maranhense, adotou um discurso de independência, dizendo-se ligado à corrente que hoje critica o Governo Bolsonaro e afirmando não ter qualquer relação com o presidente da República.  E mais ainda: não quer o seu grupo identificado com o bolsonarismo radical, cultivado presidente Jair Bolsonaro. Não se sabe até onde vai o fôlego do prefeito de São Padro dos Crentes, que afirma, sem nenhum pudor, ser o melhor gestor municipal do Maranhão.

Bolsonarista assumida desde a campanha presidencial, a prefeita Maura Jorge, que ainda está filiada ao PSDB, tem uma situação complicada para resolver. Se quiser permanecer tucana, terá de se alinhar ao projeto de candidatura do vice-governador Carlos Brandão, hoje o manda-chuva do ninho dos tucanos no Maranhão. Se optar por se manter na fluida base bolsonarista, terá de deixar o PSDB. Independentemente de qual será o seu futuro partidário, o que parece certo é que Maura Jorge não parece disposta a cometer o desatino de deixar o comando da Prefeitura de Lago da Pedra para se candidatar ao Governo sob a bandeira bolsonarista. Por sua vez, a deputada Mical Damasceno, que ganhou o controle do PTB sem fazer qualquer esforço para tanto, curte o fato de haver-se transformado numa comandante partidária, com a perspectiva de se tornar o braço do bolsonarismo no estado, o que poderá tira-la da aliança dinista.

No contexto oposicionista, dois partidos têm posições bem claras. O PSD, comandado pelo deputado federal Edilázio Jr., pretende lançar candidato próprio ao Governo, mas deve defender a bandeira bolsonarista na corrida presidencial. O mesmo deve acontecer com o PSC, controlado pelo deputado federal Aluísio Mendes.

Chama atenção o fato de esses partidos e suas lideranças, mesmo tendo o presidente Jair Bolsonaro como sua referência na corrida presidencial, encontram-se totalmente distanciados no que diz respeito à sucessão no Governo do Estado. E não será surpresa se parte deles vier a abandonar o barco bolsonarista e embarcar no galeão dinista.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Entrada de Jefferson Portela complica mais ainda a disputa para a Câmara Federal

Jefferson Portela no PDT

A filiação do secretário de Segurança Pública, Jefferson Portela, ao PDT, com o especulado objetivo de concorrer a uma cadeira na Câmara Federal, reforça mais ainda a tese da Coluna segundo a qual a eleição dos 18 deputados federais maranhense será bem mais complexa do que a eleição do governador e do senador. O peso dos nomes que se preparam para essa guerra dentro do confronto maior sugere que a briga por esse voto será bem mais intensa do que as demais. Vale o registro dos candidatos a deputado federal na seara governista: Marcio Jerry (PCdoB) e Rubens Júnior (PCdoB) – candidatos à reeleição -, Simplício Araújo (Solidariedade), que é primeiro suplente de deputado federal¸ Carlos Lula (PSB), Felipe Camarão (PT) e agora Jefferson Portela (PDT). Além deles, o deputado Duarte Jr. (Republicano), que, tudo indica, caminha para um mandato federal. Esse grupo, para garantir a eleição, vaio precisar de mais de meio milhão devotos

 

Pesquisa XP/Ipespe: Lula venceria Bolsonaro se a eleição fosse agora

Lula da Silva vantagem sobre Jair Bolsonaro, segundo pesquisa

Nova pesquisa XP/Ipespe para medir os cacifes dos que estão buscando se viabilizar para a presidência da República, trouxe mais uma indicação de que o presidente Jair Bolsonaro (ainda sem partido) deverá fazer as malas para sair do Palácio da Alvorada entregando as chaves para o ex-presidente Lula da Silva (PT). O levantamento diz que o ex-presidente Lula da Silva tem nada menos que 45% contra 36% do presidente Jair Bolsonaro. No 1º turno, Lula da Silva teria 32% dos votos e Jair Bolsonaro sairia das urnas com 28%. Além deles, o ex-ministro Sérgio Moro, teria 7%, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) aparece com 6% das intenções de voto, seguido de Luciano Huck com 4%. O Ipespe fez 1.000 entrevistas por telefone, de abrangência nacional, nos dias 7, 8, 9 e 10 de junho. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais.

São Luís, 13 de Junho de 2021.