Todos os posts de Ribarmar Correa

Rumores ´empurram` Braide para as urnas em 22, mas ele sabe a hora de dar passos decisivos

 

Eduardo Braide: candidato a fazer um bom governo 

Em meio à crescente movimentação de pré-candidatos a governador – como a filiação do ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. ao PSD, onde chegou já com vaga de candidato garantida, por exemplo –, voltaram a circular rumores de que o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos), estaria avaliando a possibilidade de entrar na briga pela sucessão do governador Flávio Dino (PSB). O zumzum começou depois que o prefeito da Capital dissera, numa entrevista à Rádio Mirante, na Segunda-Feira (01/08), que é candidato mesmo é a realizar uma boa gestão em São Luís. Alguns ouvintes atentos perceberam que o prefeito não teria sido enfático na negativa quanto a um eventual projeto de candidatura, e esse foi o ponto de partida para a onda de especulações, que continuou até ontem. Eduardo Braide, como sempre, usou inteligência política e permaneceu em silêncio sobre o assunto.

De todas as possibilidades apontadas até aqui para a definição de candidaturas ao Palácio Leões, a mais improvável é exatamente a que envolve o prefeito Eduardo Braide. Por uma série de razões, sendo a primeira delas o fato de que em Abril do ano que vem, quando chegar a hora da desincompatibilização, ele terá cumprido apenas 17 dos 48 meses para os quais foi eleito gestor da cidade de São Luís. E mesmo levando em conta o fato de que política não é uma ciência exata, mas um emaranhado de circunstâncias que costumam produzir desdobramentos absolutamente imprevistos, não há como prever uma guinada desse quilate de, menos ainda, assimilá-la, se ela vier a ser concretizada.

Político jovem, ambicioso, mas inteligente e pragmático, que não toma decisão por impulso, precipitada, Eduardo Braide não tem razão nenhuma para tentar se tornar uma versão ludovicense do tucano paulista João Doria, que abandonou a Prefeitura de São Paulo, conseguiu se eleger governador visando se tornar presidente em três eleições, num intervalo de apenas seis anos, mas que agora amarga o empacamento do projeto na última etapa, inclusive com o risco de não conseguir a reeleição. A eleição para a Prefeitura de São Luís foi, sim, etapa decisiva de um projeto bem arquitetado cujo objetivo maior é chegar ao Palácio dos Leões, mas foi também uma oportunidade de ouro que conquistou para se lapidar e se aprumar como gestor. Além disso, assumiu compromissos explícitos com a população da Capital, que só poderá cumprir trabalhando por pelo menos um mandato no Palácio de la Ravardière.

Ao mesmo tempo, entrar agora numa disputa fraticida em que estão se digladiando o senador Weverton Rocha (PDT), que o apoiou na eleição de prefeito, o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), que será governador na campanha eleitoral, e ainda o ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Jr. (PSD), que não o apoiou, mas também não lhe criou embaraços, e nada tem a perder é um lance de altíssimo risco político e eleitoral. Não se duvida que o prefeito Eduardo Braide entre nessa guerra com cacife para disputar, mas não há nenhuma certeza de que bateria esses três oponentes no primeiro turno e um deles numa segunda rodada. Seria um fenômeno jamais visto na história eleitoral do Maranhão.

A lógica – que nem sempre é a dona da verdade – sugere que o prefeito de São Luís cumpra seu mandato, e, se bem avaliado, pleiteie a reeleição em 2024, o que lhe dará autoridade política e consistência eleitoral para entrar na disputa pelo Governo do Estado em 2026. É verdade que naquele pleito, ele poderá enfrentar o governador Weverton Rocha, se eleito for em 2022, ou o provável senador Flávio Dino disposto a retornar aos Leões, apoiado pelo governador Carlos Brandão, que estará no final do mandato obtido no ano que vem.

Sejam quais forem os adversários e as circunstâncias da disputa em 2026, ela será bem mais ajustada a um prefeito de um mandato e meio do que a de agora, a um prefeito de 15 meses e sem ter ainda demonstrado toda a sua capacidade como gestor.

Mas, com o perfil político que tem, Eduardo Braide sabe pautar o seu futuro.

 

PONTO E CONTRAPONTO

 

Rumores apontam Camarão como vice do PT na chapa de Brandão

Felipe Camarão lembrado para representar o PT como vice na chapa de Carlos Brandão

Nas tratativas sobre a aliança para as eleições de 2022 no Maranhão, o PT tem sempre pleiteado a vaga de candidato a vice na chapa do vice-governador Carlos Brandão. O factoide de que o fato de Brandão pertencer ao PSDB, partido que foi carro-chefe no impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016 não ganhou nenhuma consistência, uma vez que o objetivo da legenda petista é voltar ao poder pelo voto. Dentro do partido de Lula da Silva esboçam-se movimentos no sentido de indicar nomes, já se tendo falado, por exemplo, no deputado federal Zé Carlos Araújo e no deputado estadual Zé Inácio, entre outros nomes. Mas, nos bastidores, um nome começa a ser falado com certa ênfase: Felipe Camarão, que se filiou recentemente ao partido com o propósito de disputar uma cadeira na Câmara Federal. O nome do bem avaliado secretário de Estado da Educação ganhou força nos bastidores depois que ele declarou, numa entrevista à TV Mirante, na Quarta-Feira, que mantém o projeto de chegar à Câmara Federal, mas está pronto para cumprir qualquer missão que lhe for dada pelo governador Flávio Dino e seu grupo, inclusive a de disputar o Governo do Estado. Mesmo não agradando a setores mais tradicionais do PT, seria uma jogada de mestre.

 

Setores do Governo querem Júlio Matos no campo político de Flávio Dino

Júlio Matos

Há setores da aliança partidária liderada pelo governador Flávio Dino advogando a abertura de espaço para o prefeito de São José de Ribamar, Júlio Matos (PL), no Palácio dos Leões. O argumento é convincente: Júlio Matos integra o grupo político liderado pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL), que permanece na base do Governo Flávio Dino e deve continuar na do governador Carlos Brandão, a partir de Abril de 22. E argumentam que Júlio Matos derrotou o prefeito Eudes Sampaio (PTB), homem de confiança de do ex-prefeito Luís Fernando Silva, que hoje integras a equipe de Governo como secretário de Projetos Especiais. Para eles, a guerra política em São José, que é hoje o quinto maior município e um dos maiores colégios eleitorais do Maranhão,  não deveria envolver o Governo, menos ainda o governador Flávio Dino.

São Luís, 06 de Agosto de 2021.

Ao entrar no PSD, Edivaldo Jr. assumiu a condição de candidato à sucessão de Flávio Dino

 

Entre Alina Sarney e Camila Holanda, Gilberto Kassab (c) entrega ficha de filiação ao PSD a Edivaldo Jr. (d), como aval de Edilázio Jr. (e), em ato na sede do partido no DF

A corrida ao Palácio dos Leões ganhou ontem mais um pretendente credenciado, com a filiação do ex-vereador, ex-deputado federal e ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. ao PSD. Pela pompa que marcou o ato político, realizado em Brasília sob o comando do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, e com o aval entusiasmado do presidente estadual, deputado federal Edilázio Jr., Edivaldo Holanda Jr. desembarcou no PSD com o status de pré-candidato da legenda ao Governo do Estado. Na bagagem, uma trajetória política eleitoral de vencedor, e uma sólida experiência executiva respeitável de oito anos como prefeito de São Luís, com elevado índice de aprovação O entusiasmo dominou o ato de filiação, tendo o chefe estadual do partido, Edilázio Jr., comparou o PSD a um time que acabou de contratar ninguém menos que o craque português Cristiano Ronaldo, dando a entender que o presidente nacional do partido colocou esse projeto de candidatura na sua lista de prioridades.

Pelo que está rascunhado e ganhando a forma de desenho definitivo, o ex-prefeito da Capital vai capitanear um arrojado e audacioso projeto de poder, cujo desafio maior será enfrentar e superar dois candidatos politicamente poderosos e eleitoralmente viáveis, o senador Weverton Rocha (PSDB), que no momento é o segundo colocado nas pesquisas, e o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), que no auge da corrida às urnas será o governador titular do Maranhão. Além deles, o plantel da corrida ao Governo estadual inclui o prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (PSL), que está em campanha aberta, e deve incluir o senador Roberto Rocha, ainda sem partido, e o suplente de deputado federal Simplício Araújo (Solidariedade), que corre em faixa própria.

Edivaldo Holanda Jr. chega ao PSD politicamente consolidado, a começar pelo fato de que o braço maranhense do PSD é parte expressiva do que sobrou do Grupo Sarney, que pode atrair as outras fatias, como a mais importante delas, o MDB, hoje comandado pela ex-governadora Roseana Sarney, e a outra é o PSC, comandado pelo deputado federal Aloísio Mendes. Dois indícios da possibilidade de o MDB entrar nessa composição: a presença do deputado federal Hildo Rocha (MDB) no ato de filiação do ex-prefeito, e a brecada que líderes emedebistas deram no movimento que o partido vinha fazendo na direção do pré-candidato pedetista Weverton Rocha.

Quanto ao capital eleitoral, o ex-prefeito de São Luís e bem situado nas pesquisas que o incluíram, como a mais recente, feita pelo instituto Econométrica, na qual apareceu na faixa dos 10% de intenções de voto, empatado em terceiro lugar com o vice-governador Carlos Brandão e o senador Roberto Rocha, atrás do senador Weverton Rocha, em segundo, e da ex-governadora Roseana Sarney (MDB), em primeiro, mas que está fora da disputa. Um cacife respeitável, principalmente considerando-s que ele tem baixa rejeição, fator que indica potencial de crescimento durante a campanha. É também um projeto de altíssimo risco, exatamente de que os dois concorrentes a serem batidos são politicamente bem estruturados, sendo que um deles terá o maior dos trunfos nestas eleições: o apoio do governador Flávio Dino (PSB).

O ingresso de Edivaldo Holanda Jr. nas fileiras do PSD é o desfecho de uma bem-sucedida operação articulada pelo presidente do partido no Maranhão, deputado federal Edilázio Jr., que enxergou longe, abriu o caminho, vendeu bem o “peixe” à direção nacional e colocou a agremiação no epicentro da política maranhense. Político já tarimbado, Edivaldo Holanda Jr. sabe o tamanho do desafio que abraçou ao assinar a ficha de filiação.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Bolsonaro agride Dino e recebe troco contundente

 

Presidente Jair Bolsonaro: “Quanto mais pobre o estado, mais gordo é o governador”.

Flávio Dino rebate mais um ataque de Jair Bolsonaro, que repete a “estranha obsessão”

Governador Flávio Dino: “Acho que ele está se oferecendo para ser meu personal trainer. Não, obrigado. Que estranha obsessão. Vá trabalhar, presidente. No Maranhão, as rodovias federais estão destruídas”

O ataque grosseiro e o contra-ataque fulminante ocorreram ontem, marcando mais um episódio envolvendo diretamente o presidente Jair Bolsonaro e o governador Flávio Dino. E como os anteriores, a agressão do presidente foi gratuita e preconceituosa, como, aliás, têm sido as suas manifestações relacionadas com o Maranhão. A rebatida do governador com firmeza, mas dentro dos limites da decência, como têm sido as suas reações às agressões presidenciais.

Flávio Dino definiu as agressivas palavras do presidente como “estranha obsessão”, referindo-se ao fato de o presidente atacá-lo com frequência, e sempre determinado a ofendê-lo no plano pessoal. Na rebatida, o governador recomendou que o presidente saia da boa vida bancada pelos brasileiros e “vá trabalhar”, sugerindo que dê atenção às rodovias federais que cortam o Maranhão, que “estão destruídas”.

Com a rebatida, o governador Flávio Dino deixou claro, mais uma vez, que não deixará em branco nenhum ataque do presidente Jair Bolsonaro.

 

Camarão acende alerta nos QGs dos pré-candidatos ao Governo

Felipe Camarão

Uma declaração do secretário de Estado da Educação, Felipe Camarão, feita ontem em entrevista à TV Mirante, colocou ontem os QGs dos pré-candidatos ao Governo do Estado em clima de alerta amarelo ao confirmar seu projeto de disputar vaga na Câmara federal, mas com disposição para abraçar qualquer outra missão eleitoral que lhe for determinada pelo grupo liderado pelo governador Flávio Dino, incluindo uma eventual candidatura ao Governo do Estado. A declaração de Felipe Camarão é dada no momento em que seu nome começa a ser ventilado como uma espécie de “terceira via” dentro da aliança liderada pelo governador. Para muitos, esse projeto é inviável. Mas há quem acredite que ele faz sentido.

São Luís, 05 de Agosto de 2021.

Senadores maranhenses têm posições diferentes sobre o voto impresso

 

Eliziane Gama, Weverton Rocha e Roberto Rocha: posições diferentes em relação ao voto impresso

A adoção ou não do voto impresso não está em discussão no País. Não está em debate no Poder Judiciário, só entrou na pauta do Congresso Nacional – tudo indica que o projeto será fulminado na Câmara Federal – por ação de bolsonaristas de carteirinha, empurrados pelo Palácio do Planalto, e sua adoção não é pleiteada por instituições como a OAB, organizações civis – Fiesp, CNT, CNI, centrais sindicais – nem por número razoável de partidos políticos. O voto impresso está sendo cobrado quase que exclusivamente pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e sua turma, cuja maioria não sabe exatamente o que é nem para que serve. A maioria dos deputados federais e dos senadores considera o movimento inoportuno e descabido, um assunto menor, portanto. E a reação de ontem dos presidentes do STF, ministro Luiz Fux, e do TSE, ministro Luiz Roberto Cardoso, foi suficiente para deixar claro que as instituições republicanas não se dobrarão às ameaças golpistas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que em live para seguidores voltou a afirmar que sem voto impresso não haverá reeleição.

Nesse contexto, os três senadores maranhenses têm posições definidas sobre o voto impresso. Eliziane Gama (Cidadania) considera o instrumento desnecessário e tem posição dura em relação à campanha do presidente da República. Weverton Rocha segue a orientação do seu partido, o PDT, a favor do voto impresso. E o senador Roberto Rocha (sem partido) prega a adoção do voto impresso na linha do que diz o presidente Jair Bolsonaro.

Eliziane Gama, que iniciou sua trajetória eleitoral já na era do voto eletrônico, disputando várias eleições sem que em nenhuma delas tenha havido algum traço de distorção ou fraude propriamente dita. Defensora firme do atual sistema eleitoral, a senadora maranhense foi uma das vozes do Congresso Nacional que reagiram ontem, de maneira contundente, a mais um ataque do presidente Jair Bolsonaro ao sistema de votação eletrônica. Eliziane Gama lamentou o fato de o presidente da República haver se tornado alguém “sem nenhuma credibilidade”. E arrematou: “Em uma live com vídeos requentados e teorias delirantes, o presidente não provou absolutamente nada contra as urnas eletrônicas. Mais um blefe para uma plateia cada vez menor e mais radical. É o remake da cloroquina”.

O senador Weverton Rocha tem posição delicada nesse contexto. Até agora ele não fez declarações enfáticas sobre a proposta do presidente Jair Bolsonaro, mas não é segredo que, de acordo com palavras recentes do presidente Carlos Lupi, o seu partido, o PDT, é a favor do voto impresso, uma posição formulada e defendida ainda pelo fundador da agremiação, o ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro Leonel Brizola. A posição advogada pelo PDT, porém, não tem o voto impresso como imperativo, tendo por base apenas a ideia de melhorar ainda mais o sistema eleitoral brasileiro, já reconhecido no mundo inteiro como uma referência, não guardando qualquer relação com o discurso golpista e ameaçador do presidente Jair Bolsonaro. O senador Weverton Rocha parece disposto a se manter distante desse debate, podendo mudar de atitude se a zoada dos bolsonaristas ganhar volume.

O senador Roberto Rocha (sem partido), por sua vez, assumiu o discurso do presidente Jair Bolsonaro como quem está defendendo uma causa de vida ou morte. Ele participou indiretamente da live mais recente do presidente, durante a qual veiculou peças de propaganda nas quais defende o voto impresso na linha bolsonarista, ou seja, sem voto impresso não haverá eleição. Trata-se de um caso curioso, uma vez que o hoje senador já disputou várias eleições, venceu a maioria delas – com boas votações, diga-se -, sem que tenha manifestado qualquer restrição ao sistema de votação eletrônico durante os mandatos que exerceu – incluindo os seis primeiros anos do mandato senatorial.

São, portanto, três posições bem claras, sendo a do senador Roberto Rocha a inteiramente alinhada à do presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores, que pregam igualmente o desmonte da democracia para a adoção de um regime de força no Brasil.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Se Roseana vai mesmo disputar a Câmara Federal, quem herdará seus votos majoritários?

Roseana Sarney: fora da disputa majoritária, libera 25% de intenções de voto

A ex-governadora Roseana Sarney (MDB) não se deixou encantar pela maioria frágil que recebido nas pesquisas de intenção de voto e teria batido definitivamente o martelo: será mesmo candidata à Câmara Federal. Por enquanto, ela não fará nenhum movimento no sentido de anunciar formalmente essa decisão, preferindo que seu nome seja incluído nas pesquisas medirão a corrida ao Palácio dos Leões.

Mas, se a ex-governadora estiver mesmo decidida a não se aventurar na disputa majoritária, preferindo liderar uma chapa do MDB para a Câmara Federal, a pergunta que todos fazem no meio político é a seguinte: para onde irão os 25% de intenções de voto que seriam dela?

Há quem veja esses votos migrando para três pré-candidatos: o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), o senador Weverton Rocha (PDT) e Edivaldo Holanda Jr. (a caminho do PSD). Faz sentido, mas com a ponderação de que a probabilidade de uma divisão igual é muito remota, o que significa dizer que um dos três levará a melhor. Outra especulação ouvida pela Coluna lembra uma situação lógica: a maioria dos votos irá para o candidato que ela indicar.

 

Rubens Jr. volta à Câmara Federal “mais experiente”

Rubens Jr.: de volta ao jogo político federal

Após quase dois anos licenciado, período em que foi secretário de Cidades e Desenvolvimento Urbano, de Comunicação e Articulação Política – e mais recentemente apenas de Articulação Política com a recriação da Secom -, tendo também sido candidato à Prefeitura de São Luís, momento em que teve de combater um câncer, o deputado federal Rubens Jr. (PCdoB) volta à Câmara Federal, a partir de hoje.

Ao anunciar o retorno à atividade parlamentar, o deputado fez um balanço positivo da experiência que vivenciou na seara executiva, avaliando que ampliou sua visão política, à medida que consolidou sua compreensão da realidade política e social do Maranhão. E agradeceu ao governador Flávio Dino (PSB) pela oportunidade: “Agradeço ao governador. Para mim foi prazer ajudar o nosso estado integrando o seu Governo, uma gestão que tem 75% de aprovação da população com excelentes resultados reconhecidos no país”.

Declarando-se agora mais preparado para a retomada do mandato parlamentar, Rubens Jr. anunciou que vai se dedicar a fortalecer as ações da bancada federal maranhense em votações importantes para o Estado:  “A missão agora é fortalecer o Maranhão Câmara Federal em um momento fundamental para os rumos do nosso país. Teremos no segundo semestre votações das reformas política, eleitoral, tributária, administrativa etc., além da defesa da democracia contra o desgoverno Bolsonaro”.

São Luís, 03 de Agosto de 202

 

 

Com regras mais flexíveis e em clima de disputa, Assembleia Legislativa retoma atividades nesta Terça

 

O Palácio Manoel Beckman será reaberto para retomada dos trabalhos legislativos

A 14 meses das eleições, os 42 deputados estaduais do Maranhão, a exemplo dos parlamentares de todo o País, vivem a expectativa em relação às mudanças nas regras eleitorais em discussão no Congresso Nacional, como a adoção, ou não, do voto distrital, ou do distrital misto, ou ainda do “distritão”, uma polêmica mistura dos dois, o que poderá facilitar ou complicar o futuro de muitos. É nesse clima que, depois de um recesso de duas semanas, a Assembleia Legislativa retoma nesta Segunda-Feira suas atividades parlamentares e administrativas, com expediente integral (das 08h às 18h), com o diferencial de que reabre parcialmente para a movimentação presencial. Será o primeiro legislativo em que o parlamento estadual funcionará com a presença de jornalistas e visitantes, mas com a ressalva de que os frequentadores terão de se submeter a um rígido controle. Desdobramentos da pandemia à parte, o Palácio Manoel Beckman voltará a ser, ao mesmo tempo, o epicentro e a caixa de ressonância da política estadual, com a obrigação de legislar, mas agora em clima de intensa disputa.

Após consultas internas e em sintonia com os demais membros da Mesa Diretora, o presidente Othelino Neto (PCdoB) definiu o regime de funcionamento do parlamento: sessões às Terças, Quartas e Quintas-Feiras em regime híbrido, ou seja, o deputado poderá participar presencialmente, ou remotamente, por vídeoconferência, se preferir, sendo considerado faltoso o parlamentar que não comparecer ao plenário nem por meio remoto, e que não justificar a ausência. A estrutura já montada na Casa permite a realização de sessões plenárias híbridas. Ao mesmo tempo, será reaberto o espaço para jornalistas, que terão, porém de se submeter a um conjunto de regras destinadas a evitar contaminação pelo novo coronavírus.

Formalidades à parte, a Assembleia Legislativa reassume a condição de epicentro da vida política estadual, à medida que são os deputados estaduais, que fazem a ponte entre o Poder Público e os municípios e a sociedade em todos os seus níveis e vieses, já se preparam para encarar as urnas em busca da reeleição. Até aqui, à exceção da deputada Cleide Coutinho (PDT), que anunciou a decisão de não mais disputar eleições, e uns poucos que poderão tentar vaga na Câmara Federal, todos estarão na corrida pela renovação do mandato. Para eles, as regras que sairão do Congresso Nacional para as próximas eleições terão peso decisivo nos ajustes que tiverem de fazer nas suas relações com as bases e nas estratégias da guerra pelo voto.

Como qualquer parlamento do País, o legislativo maranhense é hoje composto por um grupo de pelo menos 17 deputados apontados como eleitoralmente cacifados para alcançar a reeleição. Abriga o grupo mais numeroso, formado por cerca de 18 deputados com chance de reeleição. E ainda um grupo menor, formado por seis deputados cujos peso político e o cacife eleitoral são rigorosamente imprecisos. Eles enfrentarão uma legião de candidatos às suas vagas, alguns apontados como “pesos pesados”, com elevado cacife político e eleitoral. É a guerra de sempre, com o diferencial de que a disputa se dará, por exemplo, sem coligações, e provavelmente com voto distrital, distrital misto ou “distritão”, além de outras possíveis regras que poderão influenciar no conjunto da eleição proporcional.

Em meio à essa intensa e crescente tensão política, que via de regra estimula duros confrontos internamente, os deputados estaduais têm uma vasta agenda legislativa, como projetos de lei já tramitam na Casa, sendo um deles o Orçamento do Governo do Estado para o ano que vem. Vale lembrar que, mesmo com suas atividades limitada pela pandemia do novo coronavírus, o parlamento maranhense alcançou expressiva produção legislativa. Nela se destaca a aprovação de uma série de regras que deram ao governador Flávio Dino (PSB) o suporte legal necessário para o bem-sucedido combate à pandemia do novo coronavírus no Maranhão.

É nesse ambiente que os deputados retornarão ao trabalho legislativo nesta Terça-Feira.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

No comando do Legislativo, Othelino Neto se consolida um líder bem sucedido

Othelino Neto: ação política intensa

No cenário político, partidário e parlamentar que já vem sendo desenhado e que ganhará traços mais fortes e cores mais nítidas à medida que as eleições se aproximarem, um deputado ganha maior projeção, o presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto (PCdoB). No comando da Casa desde Janeiro de 2018, ele saiu de uma atuação eficiente na base de apoio do governador Flávio Dino para o centro das decisões políticas do Maranhão. Como presidente, tem comandado o Legislativo com desempenho surpreendente, atuando como líder de uma instituição onde as diferenças emergem e se chocam em embates às vezes ácidos. Othelino Neto tem sabido mediar conflitos, aparar arestas e juntar peças como poucos presidentes neste século: dá atenção igual a todos os deputados, ajudar a solução de pendências com o Executivo, ao mesmo tempo em que usa os poderes de presidente para agilizar a tramitação de projetos de interesse público, como os propostos pelo governador Flávio Dino para o combate à pandemia. No campo político, Othelino Neto tem se destacado como um articulador eficiente, e também pela independência que vem mostrando, inclusive seguindo caminho diferente do seu partido como o principal apoiador do projeto de candidatura do senador Weverton Rocha (PDT), quando o PCdoB tende a apoiar a pré-candidatura do vice-governador Carlos Brandão (PSDB). Individualmente, tem cumprido uma agenda política nas diferentes regiões do estado, realizando o trabalho de articulação e apoio a Prefeituras, numa agenda de visitas quase diárias a municípios. O fato incontestável é que sua gestão presidencial, seu trabalho parlamentar e sua intensa ação política aumentaram expressivamente o seu tamanho político. Tanto que está se preparando para buscar a reeleição, mas acumulou lastro para ser lembrado para outros projetos, como a de entrar como vice numa chapa aliada. Othelino Neto entra nessa nova etapa na liderança firme da Assembleia Legislativa e com um amplo horizonte político.

 

Daniella Tema e Socorro Waquim mostram independência partidária

Daniella Tema e Socorro Waquim: posições independentes

Duas deputadas estaduais estão mostrando personalidade política forte e contrariando as sinalizações dos seus partidos na corrida ao Palácio dois Leões. A deputada Daniella Tema não fecha com a orientação do comando do DEM, que declarou apoio familiar ao senador Weverton Rocha (PDT) e está fazendo campanha aberta e sem rodeio para o vice-governador Carlos Brandão (PSDB). Já a deputada Socorro Waquim resolveu se posicionar pela pré-candidatura de Carlos Brandão antes que seu partido, o MDB, tome uma decisão, confirmando ou não sua inclinação pelo candidato do PDT, podendo também apoiar o ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Jr., que deve confirmar sua pré-candidatura na próxima Quarta-Feira (4), no ato de sua filiação ao PSD, em Brasília.  Em resumo: nem o DEM tem força para dobrar Daniella Tema nem o MDB tem autoridade para inibir Socorro Waquim.

São Luís, 01 de Agosto de 2021.

Lula tem no Maranhão apoio para bater Bolsonaro, Ciro, Dória, Moro e Mandetta

 

Lula da Silva lidera com folga, deixando Jair Bolsonaro, Ciro Gomes, João Dória, Sérgio Moro e Henrique Mandetta muito atrás na preferência dos eleitores do Maranhão

Se a eleição para presidente da República fosse agora, o ex-presidente Lula da Silva (PT) sairia das urnas do Maranhão com nada menos que 59,5%, seguido do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que amargaria o segundo lugar com 23,4%; atrás deles estariam o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) com 6,5%, o ex-ministro Sérgio Moro (sem partido) com 1,3%, o governador de São Paulo João Dória (PSDB) com 1,2%, e o ex-ministro da Luiz Henrique Mandetta (DEM) com 0,7%, Nenhum/Branco/Nulo somam 3,6% e Não Sabe/Não Respondeu, 3,9%. Foi esse o cenário encontrado pela pesquisa Econométrica, que ouviu 1.616 eleitores no período de 22 a 25 deste mês, tem margem de erro de 2,4% e intervalo de confiança de 95%, e foi contratada pelo programa de rádio “Ponto e Vírgula”.

Tudo leva a crer que a pesquisa traduz com fidelidade as intenções do eleitorado maranhense. Isso porque não é nenhuma surpresa que o ex-presidente Lula da Silva é um líder consagrado no Maranhão. Primeiro pela atenção que deu ao estado nos seus oito anos de Governo, que pode ser medida por um dado apenas: o cadastramento de mais de 01 milhão de famílias no programa Bolsa Família, proporcionalmente o maior número entre os 26 estados e o Distrito Federal. E depois, pelas relações políticas que construiu no território maranhense, onde teve como aliados o ex-presidente José Sarney (MDB) e seu grupo Sarney, tendo depois se aproximado do governador Flávio Dino (PCdoB), cuja candidatura não apoiou em 2014. A esmagadora maioria de intenções de voto do eleitorado maranhense manifestada a seu favor é sólida e dificilmente será revertida, principalmente agora que tem Flávio Dino, agora no PSB, como principal aliado, mas também reconstruindo os laços com o ex-presidente José Sarney.

O presidente Jair Bolsonaro tem posição exatamente inversa. Não conhece o Maranhão, só pisou no seu território em passagens esporádicas, e os aliados que encontrou no estado são politicamente inexpressivos, sem condições de lhe dar um apoio política e eleitoralmente forte. Além do mais, seu Governo não criou vínculos com os maranhenses, e seu principal aliado no estado, o senador Roberto Rocha (sem partido), aparece nas pesquisas sem qualquer chance de reeleição ou de brigar pelo Governo do Estado. Para reforçar mais ainda a distância, o presidente e seus ministros se comportam de maneira hostil em relação às lideranças do estado, a começar pelo governador Flávio Dino (PSB), que tem sido uma das vozes mais contundentes na oposição no País. É improvável que o presidente Jair Bolsonaro encontre um caminho para melhorar sua posição no eleitorado maranhense.

O pré-candidato do PDT, ex-ministro Ciro Gomes, tem no Maranhão o reflexo do que tem hoje no Brasil inteiro. Integrante da elite da sua geração de políticos, preparado e desassombrado, Ciro Gomes é, por outro lado, o retrato fiel da contradição. Isso porque, ao mesmo tempo em que tem posições políticas avançadas, atua com o um candidato agressivo, desbocado, minando o seu próprio prestígio. Sua posição no estado se choca frontalmente com a do pré-candidato do seu partido ao Governo do Estado, o senador Weverton Rocha, que não o associa ao seu projeto de candidatura, certamente temendo sofrer desgastes.

Finalmente, o governador paulista João Dória, o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro e o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta são ilustres desconhecidos dos maranhenses, em que pese o fato de serem eles figuras já carimbadas na vida política do Brasil. João Dória é, por exemplo, do mesmo partido do vice-governador Carlos Brandão, o PSDB, mas ninguém o associa ao futuro governador do Estado. O ex-ministro Sérgio Moro, que já posou de herói na Operação Lava Jato, desabou no conceito dos maranhenses quando largou a magistratura para ser ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, confirmando as suspeitas de ter agido parcialmente como juiz em relação ao ex-presidente Lula. E Luiz Henrique Mandetta não existe no horizonte político dos maranhenses.

Mesmo faltando ainda mais de um ano para as eleições, um período de tempo em que tudo pode acontecer na seara política, não é exagero prever que se forem os candidatos ao Palácio do Planalto, o ex-presidente Lula da Silva será eleito com folga.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Nomes fortes se preparam para disputar mandato federal

Amanda Gentil, Felipe Camarão, Roseana Sarney e Carlos Lula estão entre os nomes que podem desequilibrar a disputa para a Câmara Federal

Reina uma forte preocupação entre mais da metade dos atuais deputados federais por conta da dimensão que eleição para a bancada maranhense na Câmara Federal está tomando com a força de alguns nomes que estão entrando na disputa pelas 18 vagas. Começa com a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), que vai liderara chapa proporcional do partido, e com deputado Duarte Jr. (PSB), visto por muitos como detentor de condições para se eleger. Como eles, os dois nomes de maior visibilidade na equipe do governador Flávio Dino, o secretário de Educação Felipe Camarão (PT) e seu colega da Saúde Carlos Lula (PSB) vão disputar cadeiras na Câmara Federal. Em São Luís, todos os sinais indicam que o prefeito Eduardo Braide (Podemos) investirá seu cacife eleitoral num candidato a deputado federal ainda a ser definido. Em Caxias e região se prepara a engenheira Amanda Gentil (Republicanos), filha do prefeito Fábio Gentil; em Timon, o ex-prefeito Chico Leitoa (PDT) está na disputa, e em Imperatriz se movimenta o ex-prefeito Sebastião Madeira (PSDB).

E no campo das especulações aparecem três prefeitos politicamente importantes: Éric Silva (PDT), de Balsas, Luciano Genésio (PP), de Pinheiro, e Assis Ramos (DEM), de Imperatriz. Todos reeleitos, eles estariam avaliando o projeto de renunciar no ano que vem para disputar mandatos de deputado federal.

Se esses projetos de candidatura se confirmaram, serão páreos duros na disputa.

 

Brandão reúne prefeitos em grande ato político em Presidente Dutra

Carlos Brandão (C) lidera o ato que reuniu lideranças estaduais em Presidente Dutra

Em situação intermediária nas pesquisas de intenção de voto para o Palácio dos Leões, o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) dá demonstração de vitalidade política. Ontem, por exemplo, ele realizou mais um ato político forte, esse em Presidente Dutra, com a participação de dezenas de prefeitos e deputados da região central e do leste do estado. A reunião, marcada por manifestações entusiasmadas de apoio ao seu projeto de candidatura e que será governador a partir de Abril, mostra que está construindo uma base política forte em todo o estado. Três semanas atrás Carlos Brandão foi alvo de manifestação parecida, desta vez em Miranda do Norte.

São Luís, 31 de Julho de 2021.

Econométrica mostra Roseana na frente, Weverton em segundo, e Edivaldo Jr., Rocha e Brandão empatados

 

Roseana Sarney estacionada na frente, seguida de Weverton Rocha em segundo, e Edivaldo Jr., Carlos Brandão e Roberto Rocha rigorosamente empatados

O aquecimento da corrida ao Palácio dos Leões continua sem novidade, ou melhor, com poucas novidades, que não alteraram o quadro geral da disputa desenhado até aqui. Foi o que mostrou a pesquisa Econométrica sobre as intenções de votos para os pretendentes ao cargo de governador. De acordo com o que foi apurado, se a eleição para governador fosse agora, a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) teria 24,6% das intenções de voto, seguida do senador Weverton Roca (PDT) com 19,9%, do ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Jr. (PSD) com 10,8%, do senador Roberto Rocha (sem partido) com 10,1%, do vice-governador Carlos Brandão (PSDB) com 10%, do prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (PSL) com 8,3%, do deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) com 4,5% e do suplente de deputado federal Simplício Araújo (Solidariedade). Os que responderam nenhum, branco ou nulo somaram 4,1% e os que não souberam e não responderam totalizaram 6,7%.

Não surpreendeu a permanência da ex-governadora Roseana Sarney na liderança, com 24,6%, chamando atenção o fato de que seu percentual, que já foi superior a 30% em outras pesquisas recentes, está encolhendo a cada levantamento. A líder emedebista sabe que tem um teto, que pode chegar a três dígitos, e dificilmente conseguirá ultrapassá-lo, conforme tem sido mostrado por elevados percentuais de rejeição encontrados em outras pesquisas. É claro que para ela, que pretende se candidatar a uma cadeira na Câmara Federal, aparecer como líder em pesquisas feitas a 14 meses das eleições é um poderoso instrumento de marketing.

Curiosa a estabilidade do senador Weverton Rocha na segunda posição, estancado em patamar que tem variado de 14% a 19,9%, como mostraram as diversas pesquisas feitas até aqui. Chama a atenção o fato de o senador estar em campanha aberta, comandando uma megaestrutura de apoio e divulgação e o poder de capilaridade da Famem, controlada hoje por seu principal coordenador de campanha. É expressiva a sua liderança, que poderá crescer ou cair, quando Roseana Sarney confirmar sua candidatura a deputada federal e for retirada na relação de pré-candidatos ao Palácio dos Leões. O pré-candidato do PDT é ativo e arrojado, e seu projeto de candidatura é indiscutivelmente viável. Certamente tem avaliado que não pode permanecer estacionado.

Muito interessante e até surpreendente o rigoroso empate entre Edivaldo Holanda Jr. (10,8%), Roberto Rocha (10,1%) e Carlos Brandão (10%). Levando-se em conta o fato de que a margem de erro da pesquisa é de 2,4 pontos percentuais, para, mais ou para menos, é difícil afirmar categoricamente quem, de fato, está liderando esse bloco, que segundo a Econométrica pode incluir também o prefeito Lahesio Bonfim, que aparece com 8,3%. Sem Roseana Sarney, desse miolo poderá o adversário de Weverton Rocha. E quase ninguém duvida de que, devido ao fato de que será governador durante a corrida propriamente dita, Carlos Brandão é o candidato com maior potencial político e eleitoral dessa disputa para o Palácio dos Leões. É claro que essa avaliação se baseia na lógica que move a política, o que equivale dizer que Edivaldo Holanda Jr, tem chances reais de avançar, o que não se pode dizer do senador Roberto Rocha.

Outro dado que chama a atenção é que o prefeito de São Padro dos Crentes, Lahesio Bonfim, que está em campanha aberta e franca apoiado por um grupo que se diz representante da “nova direita” no Maranhão, tem o dobro das intenções de voto do deputado Josimar de Maranhãozinho, que também tem dito e repetido que é candidato e que não abre mão de disputar a sucessão do governador Flávio Dino (PSB). Conhecido por ter sido campeão de votos para a Assembleia Legislativa em 2014 e para a Câmara Federal em 2018, Josimar de Maranhãozinho dificilmente se manterá nessa disputa, devendo tentar a reeleição ou disputar vaga na Assembleia Legislativa e mandando sua mulher, a deputada estadual Detinha (PL) para Brasília, ou lançar-se ao Senado ou compor uma chapa majoritária como candidato a vice-governador. Será o mesmo destino do ativo presidente do Solidariedade, Simplício Araújo, que é primeiro suplente de deputado federal, com cacife, portanto, para tentar a condição de titular no pleito vindouro.

Em Tempo: A pesquisa Econométrica ouviu 1.616 eleitores no período de 22 a 25 de julho, tem margem de erro de 2,4 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiabilidade de 95%. Foi contratada pelo programa de rádio “Ponto e Vírgula”.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino tem aprovação de 74% pelos resultados do seu Governo sem aliado federal

Flávio Dino tem aprovação elevada devido à gestão de Governo

O governador Flávio Dino caminha para entrar para a História política do Maranhão como um dos chefes de Governo mais bem avaliados, com nada menos que 74,4% de aprovação, enquanto 24,3% não aprovam, e apenas 1,3% disseram que não sabem ou não responderam. Segundo a pesquisa Econométrica, Flávio Dino é aprovado por ¾ da população, contra ¼ que pensam diferente.

O que chama a atenção nessa avaliação largamente positiva do governador Flávio Dino é que, diferentemente dos seus antecessores, também bem avaliados, ele enfrentou governos federais hostis, enquanto os demais governaram totalmente alinhados com o Palácio do Planalto. Epitácio Cafeteira (1987-1990), que governou com o poderoso apoio do então presidente José Sarney, não tendo lhe faltado recursos e suporte político, seguido de Edison Lobão (1991-1994), que também teve forte apoio federal, principalmente do Governo Itamar Franco, e Roseana Sarney (1995-2002 e 2009-2014), que governou 14 anos alinhada aos Governos Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Flávio Dino, ao contrário, começou a trabalhar no Governo Dilma Rousseff, que apoiara a candidatura de Lobão Filho, e de quem se aproximou, mas por pouco tempo, uma vez que ela sofreu impeachment. Manteve relação institucional normal com o presidente Michel Temer, mas também pouco conseguiu, acabando por realizar seu segundo mandato numa relação hostil com o Governo de Jair Bolsonaro. Ou seja, a aprovação do seu Governo   vem dos resultados que alcançou sem aliado federal.

 

Erlânio Xavier e Fábio Gentil “duelam” no apoio a Weverton e a Brandão

Erlânio Xavier é o operador de Weverton Rocha e atua no comando da Famem, e Fábio Gentil articula em favor de Carlos Brandão conversando com prefeitos

A disputa pelo comando da Famem, em Janeiro, que opôs fortemente o senador Weverton Rocha, que apoiou presidente Erlânio Xavier (PDT), que se reelegeu, e o vice-governador Carlos Brandão, que se alinhou à candidatura do prefeito de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos), que ficou em segundo lugar. Agora, enquanto Erlânio Xavier se movimenta intensamente no esforço para capilarizar o projeto de candidatura do senador pedetista, Fábio Gentil trabalha no mesmo ritmo para levar a pré-candidatura de Carlos Brandão a todas as regiões do Maranhão. Erlânio Xavier administra Igarapé Grande, um município pequeno, sem muita força eleitoral, mas comanda a Famem, que congrega os municípios maranhenses. Já Fábio Gentil não tem o poder de fogo da Famem, mas comanda Caxias, um dos cinco municípios com maior força eleitoral do Maranhão.

Não se trata de um duelo declarado, mas não há dúvidas de que os dois prefeitos são os principais apoiadores dos pré-candidatos nessa seara. A atuação dos dois tende a ficar mais acentuada à medida que os dois aspirantes vão avançando.

São Luís, 30 de Julho de 2021.

André Fufuca assume comando nacional do PP, se fortalece e mantém braço estadual sob seu controle

 

André Fufuca se firma como um dos cardeais do PP e com horizonte  político largo no tabuleiro estadual

O deputado federal André Fufuca é um político muito mais hábil e eficiente do que se pode imaginar. Quando muitos esperavam que, na hipótese que ganha forma de o presidente Jair Bolsonaro se filiar ao seu partido, o PP, abrindo caminho para que o senador Roberto Rocha tentasse assumir o controle da agremiação no estado, o jovem parlamentar, que poderia perder força na provável queda de braço, dava um salto muito mais alto em Brasília. Ali, em meio aos preparativos para o desembarque do presidente do PP, senador Ciro Nogueira, na Casa Civil da presidência da República, André Fufuca se tornava nada menos que presidente nacional do partido, devendo permanecer no cargo pelo tempo que o aliado se mantiver no comando da articulação política do Palácio do Planalto. Com a guinada, viabilizada numa articulação que envolveu Ciro Nogueira e o presidente da Câmara Federal, Arthur Lira (PP-AL), o parlamentar maranhense multiplica algumas vezes o seu poder de fogo no partido, o que lhe permitirá continuar dando as cartas no braço maranhense do PP sem qualquer réstia de preocupação com o senador Roberto Rocha, se filie ele ou não na agremiação.

Aos 31 anos e no terceiro mandato parlamentar – foi deputado estadual e está no segundo mandato federal -, André Fufuca tem se revelado um político centrado, com aguçada e ampla visão de contexto e surpreendente senso de oportunidade. Chegou à Câmara Federal em 2014 eleito com 50 mil votos pelo modesto PEN, assumindo mais tarde o comando do braço maranhense do PP com a derrocada do então deputado federal e presidente estadual do partido Waldir Maranhão. Ainda no primeiro mandato comandou a CPI da Prótese, ganhando projeção nacional por sua atuação, facilitado por sua formação em Medicina. Em seguida, elegeu-se 1º vice-presidente da Câmara, tendo comandado a Casa em momentos grave da crise política de então. Tornou-se próximo do então líder do MDB e depois presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, que o colocou definitivamente no jogo político de Brasília. Em 2018 dobrou a votação, alcançando 105 mil votos.

Formado na escola política do pai, Fufuca Dantas, ex-deputado estadual e atual prefeito (pela quarta vez) de Alto Alegre do Pindaré, André Fufuca é pouco afeito a tribuna, atua fortemente nos bastidores, já sendo reconhecido como um dos “cardeais” do Alto Clero da Câmara Federal, com trânsito fácil nas diversas correntes da Casa e participando efetivamente das grandes articulações. Sua chegada à presidência do PP revelou seu cacife, e mostrou que ele é o terceiro na hierarquia do partido, e como tal, um dos mandas-chuvas do Centrão.

Com seu desempenho político, o deputado federal André Fufuca se consolida como membro destacado de uma geração que caminha célere para comandar o Maranhão, dando sequência ao ciclo iniciado pelo governador Flávio Dino (PSB) e cuja primeira etapa se completará com o seu sucessor. Além de André Fufuca, fazem parte desse grupo de elite da política maranhense os senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (Cidadania), o prefeito de São Luís Eduardo Braide (Podemos), os deputados federais Rubens Jr. (PCdoB), Juscelino Filho (DEM) e Pedro Lucas Fernandes (PSL), os deputados estaduais Othelino Neto (PCdoB) e Duarte Jr. (PSB), o ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Jr. (a caminho do PSD), e revelações como o secretário de Educação Felipe Camarão, recém filiado ao PT.

André Fufuca tem mostrado habilidade ao manter o seu partido e o seu grupo político na aliança partidária liderada pelo governador Flávio Dino, inclusive com responsabilidades no Governo estadual, sem deixar que suas posições no plano nacional interfiram na relação política local. Ciente de que decisões políticas muito antecipadas guardam riscos, ele declarou apoio ao projeto de candidatura do senador Weverton Rocha, mas com a ressalva de que essa posição poderá ser revista no futuro. Uma prova cabal de que já conhece o caminho das pedras e sabe exatamente onde quer e pode chegar.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

João Marcelo e Hildo Rocha querem enterrar a PEC do voto impresso

João Marcelo e Hildo Rocha: contra o voto impresso e repúdio a ameaças 

Ao retomar suas atividades na semana que vem, a Câmara Federal retomará a discussão sobre a PEC 135-21, que prevê a implantação do voto impresso, um jabuti inventado pelo presidente Jair Bolsonaro com o único objetivo de criar caso, já que ele caminha para levar uma tremenda surra nas urnas.  A PEC, que já corria riscos, ganhou morte anunciada depois do recado do ministro da Defesa, Braga Netto, de que sem voto impresso não haverá eleição.

Se depender dos deputados maranhenses João Marcelo e Hildo Rocha, ambos do MDB, membros da Comissão Especial que avalia a PEC 135-21, a PEC será fulminada na primeira reunião da Comissão, sem seus restos mandados para o arquivo morto.

Em declarações ao Correio Braziliense, os dois parlamentares reagiram indignados à ameaça fajuta do ministro da Defesa.

O deputado João Marcelo concitou o Congresso Nacional a não se deixe intimidar: “Temos de peitar o Executivo, no sentido de que cabe a nós resolver o que é de ordem do Legislativo. Não podemos nos deixar levar pela forma açodada como estão querendo nos tratar”. E completou: “Qualquer opinião do Executivo sobre se vai ter ou não eleição, com ou sem voto impresso, é inválida no regime democrático. Vai depender de o Congresso Nacional decidir”.

Por sua vez, o deputado Hildo Rocha, por sua vez, foi direto: “Acho que ela (PEC) vai ser enterrada. Vai ser arquivada. Ele (Braga Netto) jogou uma pá de terra na PEC. Já estava difícil ser aprovada. Com essa mensagem do Braga Netto ficou impossível”.

É isso aí.

 

Juscelino Filho reafirma apoio a Weverton, mas DEM está dividido

Juscelino Filho: risco de comandar um DEM dividido

A declaração do deputado federal Juscelino Filho de que ele, sua irmã, Luana Rezende, prefeita de Vitorino Freire, e seu pai, o ex-deputado estadual Juscelino Rezende estão fechados com a pré-candidatura do senador Weverton Rocha (PDT), pode ser uma sinalização de que o DEM, que ele preside, pode marchar dividido para a eleição de governador. A começar pelo fato de que o tio dele, ex-deputado estadual Stênio Rezende, que foi o principal articulador para que ele assumisse o comando do DEM no Maranhão, declarou apoio ao vice-governador Carlos Brandão (PSDB), o que significa que a deputada estadual Andrei a Rezende, sua mulher, também seguirá o vice Governador. O racha, portanto, começa na própria família Rezende. Mas vai muito além. A deputada Daniella Tema, que integra o partido, é linha de frente na base de apoio do vice-governador, que tem no ex-prefeito de Tuntum, Cleomar Tema (PSB), um dos principais articuladores. Há rumores de que os deputados estaduais Antônio Pereira e Paulo Neto, que integram a bancada do DEM na Assembleia Legislativa, estariam inclinados para a candidatura do vice-governador.

Ou seja, no momento o grupo representado pelo presidente Juscelino Filho, sua irmã e seu pai está em minoria dentro do partido.

São Luís, 29 de Julho de 2021.

PSL: Pedro Lucas tem o desafio de comandar um partido rachado e com candidato a governador em campanha

Pedro Lucas Fernandes tem o desafio de comandar o PSL com Lahesio Bonfim candidato a governador em campanha e com partidários de Jair Bolsonaro

Uma indagação vem se repetindo no meio político maranhense: para onde vai o braço maranhense do PSL? Partido de direita, que abrigou a candidatura do capitão e deputado federal de extrema direita Jair Bolsonaro à presidência da República, viveu, de 2018 para cá, entre os prazeres do paraíso e as amarguras do purgatório políticos. Catapultado pelas urnas como um dos maiores partidos do País, mergulhou numa devastadora crise intestina, dela saindo como agremiação de oposição, mas que continua ocupado por expressivos bolsões bolsonaristas, entre eles o controlado diretamente pelo filho do presidente, deputado federal Eduardo Bolsonaro (SP) e alguns dos parlamentares mais reacionários do Congresso Nacional. No Maranhão, o PSL tem hoje o mesmo espectro, abrigando contrários e aliados do presidente. Agora comandado pelo deputado federal Pedro Lucas Fernandes, que rompeu com o PTB, o partido tem um candidato a governador, o prefeito Lahesio Bonfim, de São Pedro dos Crentes, um enorme  abacaxi para o presidente descascar nos próximos meses, já que, pessoalmente, o chefe partidário declarou apoio ao projeto de candidatura do senador Weverton Rocha (PDT).

Controlado com mão de ferro, durante mais de uma década, pelo experiente vereador ludovicense Chico Carvalho, que faz parte do grupo mais ligado ao fundador e presidente nacional do partido, deputado federal Luciano Bivar (PE), o PSL maranhense é hoje uma agremiação formada por várias frentes, que vêm dando sinais de que dificilmente se harmonizarão. Conta apenas com dois prefeitos – um deles candidato a governador -, e um deputado estadual, o silencioso e insondável Pará Figueiredo. Nos seus quadros encontram-se bolsonaristas roxos, como o coronel aposentado José Ribamar Pinheiro, e outros que já não são tão fiéis, como o médico Jair Garcez, por exemplo, que seguraram a bandeira bolsonarista nos primeiros tempos. Outros bolsonaristas, como o ex-prefeito de São Luís Tadeu Palácio, preferiram pular fora do barco, depois que constatam a deterioração do presidente Jair Bolsonaro e seu Governo.

O primeiro grupo é formado pelo novo presidente, deputado federal Pedro Lucas Fernandes, um político jovem e com horizonte largo pela frente, que trabalha para atrair pelo menos parte dos 13 prefeitos que ajudou a eleger ainda no comando do PTB, tentando dar ao partido uma feição mais amena. Politicamente, o presidente estadual parece se movimentar na contramão do partido, à medida que ele e seus aliados, que vêm alimentando a pré-campanha do senador Weverton Rocha (PDT), se veem agora frente a frente com o autoproclamado candidato do partido a governador, Lahesio Bonfim, o zoadento prefeito da pequena São Pedro dos Crentes, que faz campanha aberta apoiado declaradamente por um grupo que se define como a “nova direita” do Maranhão. O grupo lhe dá apoio político e material, à medida que vem bancando os outdoors nos quais se vende, sem nenhuma modéstia, como “o melhor prefeito do Maranhão”.

O presidente e o pré-candidato a governador do PSL vêm travando um embate que traz a marca da imprevisibilidade, uma vez que Pedro Lucas Fernandes não deu até agora aval à candidatura de Lahesio Bonfim, e este não emite qualquer sinal de que pode vir a desistir do projeto de chegar aos Leões. O quadro sugere um impasse de difícil solução, que será decidido no dia 2 de Abril do ano que vem, data limite para a desincompatibilização para as eleições de Outubro. Isso porque Lahesio Bonfim tem dado seguidas demonstrações de que não pretende mesmo abrir mão da sua candidatura ao Governo do Estado, enquanto Pedro Lucas Fernandes até agora não fez um gesto sequer indicando que o apoia ou que poderá vir a apoiá-lo. Ao contrário, todas as manifestações do presidente do PSL têm sido na direção do senador Weverton Rocha.

As demais frentes encontram-se mergulhadas no silêncio, provavelmente aguardando a hora certa para entrar em ação, ou mudar de foco decepcionadas com a “causa” que abraçaram. Não é possível mensurar o seu poder de fogo, mas pode-se dizer que são em número modesto, e podem ser reduzidas ainda mais e até serem depuradas pelas urnas nas eleições de 2022.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Márcio Jerry desmonta factoide e avisa que tentará a reeleição

Márcio Jerry em ação na Câmara forjado para a ação política

O deputado federal licenciado e atual secretário das Cidades e Desenvolvimento Urbano, Márcio Jerry, que preside o braço maranhense do PCdoB, desmontou um factoide e anunciou seu projeto político. O factoide: não será candidato a vice-governador, nem na chapa do futuro governador Carlos Brandão (PSDB) nem na do senador Weverton Rocha (PDT). O seu projeto: buscar a reeleição para a Câmara Federal.

Sobre o factoide, vale observar que Márcio Jerry tem preparo para assumir qualquer cargo executivo, com amplas possibilidades de realizar gestões de excelência. Seu perfil, porém, é o da ação política e partidária, da articulação, da mobilização. Foi construído ao longo de quatro décadas, tendo iniciado no movimento estudantil, nos anos 80, aprimorado na intensa vivência partidária, na operacionalização de projetos de candidaturas que mudaram o eixo político do Maranhão, como a do então deputado federal Edivaldo Holanda Jr. à Prefeitura de São Luís em 2012, e na concretização do grande projeto político que levou o ex-juiz federal e ex-deputado federal Flávio Dino ao poder estadual em 2014, para citar apenas dois exemplos incontestáveis.

Difícil imaginar o militante, articulador e provocador, que tem no currículo muitos acertos e alguns equívocos, acomodado na condição de vice, com a paciência, a disciplina e as cautelas de Carlos Brandão, por exemplo. Márcio Jerry, portanto, é sinônimo de movimento, de ação política, muito mais ajustado ao jogo parlamentar. Seu lugar, por decisão popular, deve ser o parlamento.

 

Partidos sarneysistas devem se juntar em torno de Edivaldo Jr.

Edivaldo Holanda Jr. pode juntar partidos sarneysistas

Todos os indícios surgidos até aqui sugerem que os partidos remanescentes do Grupo Sarney – MDB e PSC, por exemplo -, formarão uma frente em torno da candidatura do ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr.. Esse movimento começará a ser percebido com mais clareza depois que ele assinar ficha de filiação no PSD, no próximo dia 4 de Agosto, em ato solene em Brasília, comandado pelo presidente da agremiação, Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo.

A explicação é simples: há nesses partidos vozes que defendem essa frente pela necessidade de uma candidatura majoritária de peso para liderar as chapas para a disputa proporcional, como é a tradição política. O argumento é que, espalhadas em diferentes campos, esses partidos podem ser severamente prejudicados nos seus projetos de eleger deputados estaduais e federais.

Para essas vozes, a prioridade não será exatamente a eleição do candidato a governador, mas a importância que ele terá como a principal referência da campanha a ser levada a todos os recantos do Maranhão. Lembram que, por ter ação política concentrada na Capital, Edivaldo Holanda Jr. será obrigado a percorrer o estado inteiro, para produzir a capilaridade que a sua candidatura precisa para ganhar consistência. E nesse embalo, candidatos a deputado federal e estadual desses partidos estarão juntos.

São Luís, 28 de Julho de 2021.

Movimentos do PDT e decisão do PSD mostram a força de Dino no cenário político maranhense

 

Líder inconteste, Flávio Dino continua tentando o consenso entre Carlos Brandão e Weverton Rocha na corrida ao Governo do Estado em 2022, coimo aconteceu no fim de semana durante eventos em Coroatá e Lagoa do Mato, onde foi feito o registro

Os fatos que movimentaram o meio político na semana passada contribuíram muito para o desenho do cenário sucessório no Maranhão, que já começa a ganhar traços e cores com alguma nitidez. Dois deles se diferenciaram dos demais, por rascunharem caminhos em dois campos da disputa sucessória. O primeiro foi o esforço em vão do PDT para convencer o mundo de que o PT pode apoiar a candidatura do senador Weverton Rocha ao Governo do Estado. O outro foi a informação – não confirmada nem desmentida – de que a chapa majoritária do PSD, a ser encabeçada pelo ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr., não terá candidato a senador, com a possibilidade de o candidato a governador declarar apoio à candidatura do governador Flávio Dino (PSB) à Câmara Alta. As duas situações, distantes em matéria de seara partidária e envolvendo pré-candidaturas diferentes, tem um ponto comum: o poder de fogo do governador Flávio Dino.

Os esforços de porta-vozes do PDT para mostrar alguma possibilidade de o PT vir a apoiar a candidatura do senador Weverton Rocha ao Governo do Estado ocuparam parte do noticiário, mas se revelaram improdutivo. O melhor exemplo foi a tentativa de usar o ex-ministro José Dirceu com esse objetivo. José Dirceu veio ao maranhão de férias, hospedou-se na residência de veraneio do senador Weverton Rocha, deslocou-se depois para São Luís, onde participou de ato do PT não relacionado com sucessão, e fez uma inexplicável visita à Famem – o rico histórico político do petista não registro vínculo seu com municipalismo. Em meio a essa movimentação, a presidente nacional do PT, Gleise Hoffmann, provocada pelo blog Atual 7, mandou um recado direto: José Dirceu veio ao Maranhão em viagem particular, não pertence à direção nacional e não falaria pelo partido. Numa batida mais forte, o presidente do PT no Maranhão, Augusto Lobato, fulminou as investidas do PDT declarando, em vários momentos, que o partido do ex-presidente Lula da Silva caminha para apoiar a candidatura do vice-governador Carlos Brandão (PSDB).

A má semana para o projeto pedetista começou com a improdutiva incursão do presidente nacional do partido, Carlos Lupi, em São Luís, onde tentou em vão convencer o governador Flávio Dino a declarar apoio ao senador Weverton Rocha. Foi embora dizendo que “temos de ganhar o coração do governador”. Ganhou, claro, o direito de continuar tentando. O que significa dizer que o governador Flávio Dino tem poder decisório nesse jogo.

A decisão – não confirmada nem desmentida, vale repetir – dos comandos nacional e regional do PSD de atender a pedido do seu virtual candidato a governador, ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr., para não lançar candidato a senador, dando-lhe abertura para declarar apoio à candidatura do governador Flávio Dino ao Senado configura um fato inédito. É certo que o governador não declarará apoio à candidatura do ex-prefeito, mas Edivaldo Holanda Jr. dá uma demonstração de honestidade política colocando na mesa o apoio decisivo que recebeu de Flávio Dino nas duas vezes em que disputou a Prefeitura de São Luís, e de ter-lhe virado as costas não atendendo ao chamamento para apoiar a candidatura de Duarte Jr.. É uma dívida gigantesca, que o ex-prefeito pretende pagar em parte reduzindo o plantel de adversários do governador na corrida senatorial.

Essas duas situações, a primeira indireta, e a segunda explícita, dão uma dimensão precisa do que é o poder de fogo político do governador Flávio Dino. E a explicação está num conjunto de fatores, sendo o primeiro deles o fato de o governador praticar uma política com visível e sólida base ética, com fidelidade a princípios e respeito às alianças partidárias, apostando sempre em candidaturas de consenso. O outro fator é que Flávio Dino abre espaço para aliados, realizando um Governo de coalizão, mas não usa a máquina como moeda de troca. O que mostrou até aqui foi uma prática política diferenciada, que lhe dão estatura para ser decisivo em situações como essas.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PP vai para a Casa Civil e continuar apoiando Governo, mas sem abrir portas para Bolsonaro

Jair Bolsonaro:  não se filiará ao PP sem crise 

A ida do presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, para a Casa Civil, e mesmo levando em conta o fato de que o seu segundo maior líder, o presidente da Câmara Federal, deputado Arthur Lira, não escancara as portas do partido para abrigar o presidente Jair Bolsonaro e sua turma, mesmo tendo ele declarado amor pelo Centrão. Há vozes dentro da agremiação que defendem o apoio ao Palácio do Planalto e que concordam que a pedra seja mantida sobre os pedidos de impeachment. Mas não querem nem saber da hipótese de serem colegas de partido do presidente. Os argumentos são fortes, e começam com a lembrança do que Jair Bolsonaro fez com o PSL, o qual tentou tomar de assalto, mas teve o ataque duramente repelido. Também lembram o que o Partido da Mulher Brasileira, que preconceituosamente foi convencido a mudar de nome e de comando para recebê-lo com sua tropa, mas a tentativa de domínio gerou uma grave crise interna, que acabou por inviabilizar a “invasão” bolsonarista. E finalmente, o Patriotas, que rachou com a aproximação do presidente e seus seguidores, tornando fracassada a terceira tentativa de encontrar um partido num intervalo de três meses. Em relação ao PP, seus principais líderes ainda não se manifestaram sobre aceno do presidente da República, mas na turma do miolo pepista há vozes dizendo em alto e bom tom que a aliança com Jair Bolsonaro termina com o apoio no Congresso Nacional. No Maranhão, o deputado André Fufuca, que preside o braço local e tem voz de peso no comando nacional, não parece nem um pouco interessado em entregar sua fonte de poder ao senador Roberto Rocha, como especulam algumas fontes.

 

Rayssa Leal, mais do que um fenômeno, um exemplo

Rayssa Leal, fenômeno que nasceu e se fez só e sem apoio, e que pode ser exemplo

A Coluna rende sinceras homenagens à skatista imperatrizense Rayssa Leal, a Fadinha, 13 anos, que ontem, enquanto o Brasil ainda dormia, eliminou concorrentes dos cinco continentes e conquistou a Medalha de Prata na Olimpíada de Tóquio, só perdendo exatamente para uma japonesinha da sua idade, mas também com o prazer de estar à frente de outra japonesinha da sua idade. Ela venceu no Skate Street, sagrando-se a primeira mulher e mais jovem brasileira a conquistar uma medalha olímpica nessa modalidade. Com seu feito, turbinou a autoestima do brasileiro, que anda maltratada.

Rayssa merece todos os louros, todas as honras e todas as homenagens agora e pelo o resto da sua vida, pois entrou para a História por um caminho especial, bem diferente do que trilham apoiados desde os primeiros passos, como ocorre nos países onde a formação esportiva é levada sério.

O caminho especial que a levou a Tóquio foi traçado por ela própria. Isso porque aprendeu e aprimorou o uso do skate por ela mesma, contando apenas com o apoio dos pais, que respeitaram a escolha da filha, feita ainda criança, e lhe deram o embalo com seus parcos recursos. A medalhista olímpica não saiu de uma escola de skate, não aprendeu com mestres experientes, e só ganhou apoio técnico depois que andou assombrando o Brasil e o mundo com seu talento excepcional. E foi isso que a levou a conquistar campeonatos e prestígio em diferentes cantos do planeta.

Mesmo amparada como integrante da delegação brasileira, condição por ela conquistada vencendo as eliminatórias para alcançar o passaporte para o Japão, Rayssa Leal ganhou a prata olímpica com seu próprio esforço. Ela não saiu de uma academia, não foi instruída por especialistas nem foi bancada com patrocínios milionários. Só passou a receber o amparo do Comitê Olímpico nacional quando já estava feita, por seus próprios méritos, aos 12 anos. Como muitos outros atletas brasileiros, alguns medalhados, a heroína do Tocantins não saiu de uma escola de um centro de treinamento bancada pelo Governo brasileiro nem recebeu os estímulos necessários para a formação de um atleta. Aprendeu sozinha, tombando nas praças e calçadas de Imperatriz, às vezes vestida de fada, encantando os que a viam dominando com maestria incomum a, às vezes, indomável prancha com rodas. Certamente sem nem metade do suporte recebido pela japonesinha que a superou e pela outra japonesinha que deixou para trás

Rayssa Leal é um fenômeno sem tirar nem por. E seu feito deve contribuir para que o Brasil deixe de produzir “bolhas” de atletas e passe a ver a educação física, os esportes em geral como parte da formação dos brasileiros.

São Luís, 27 de Julho de 2021.