Braide prevê mentiras, Orleans faz promessas e Camarão se mostra na estreia no horário no rádio e na TV

Eduardo Braide, Orleans Brandão e Felipe
Camarão com Lula da Silva no
primeiro clipe da campanha na TV

A propaganda dos candidatos a governador do Maranhão no horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, iniciada na última sexta-feira (28), começou como muitos previam: com apenas três dos oito candidatos a governador e sem emoções fortes. Primeiro porque somente Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB) e Felipe Camarão (PT), têm direito a tempo no Rádio e na TV, uma vez que os demais candidatos não terão esse direito pelo fato dos seus partidos não terem representação no Congresso Nacional. Os três, que são também os mais bem posicionados nas pesquisas, ocuparam o seu tempo dentro da lógica de uma disputa eleitoral, apresentando-se com os recursos e os argumentos possíveis. Ficaram de fora Roberto Rocha (PRTB), André Luís (Missão), Saulo Arcangeli (PSTU), Reginaldo Lima (PCB) e Dimas Cassimiro (PCO).

Líder na esmagadora maioria das pesquisas, incluindo a da Quaest, divulgada semana passada pela TV Mirante, mas limitado pelo menor tempo no Rádio e na TV, por conta da posição do seu partido no contexto nacional, Eduardo Braide usou os seus 30 segundos com pragmatismo para mandar recado ao eleitorado: “Hoje a gente começa a nossa caminhada, E vai vir muita mentira do lado de lá. Para saber a verdade e tudo sobre nossa campanha, é só pegar o seu celular e me seguir nas redes sociais”. Além disso, participou apresentando e pedindo votos para aliados candidatos a deputado estadual e a deputado federal. Deve estrear vídeo novo na próxima participação no horário eleitoral gratuito no Rádio e na TV.

Eduardo Braide aproveitou o tempo diminuto de maneira inteligente, usando a prevenção como anteparo para a pancadaria que certamente sofrerá ao longo da campanha, quase não dispondo de tempo para responder. A “convocação” do eleitor para segui-lo nas redes sociais foi ima sacada inteligente, já que não lhe restou outra alternativa. E nas redes sociais, ele vem exibindo registros de grandes concentrações, caminhadas e carreatas que vem realizando por onde passa no interior, como as mais recentes, em Coroatá e Pirapemas. Enfim, usou seu tempo exíguo de maneira inteligente, atacando.

Dono do maior tempo entre os candidatos a governador, por conta do tamanho do seu partido, o MDB, Orleans Brandão abriu sua campanha no Rádio e na TV se apresentando como um candidato que “sabe de que lado está, que não fica em cima do muro quando for preciso defender os interesses das pessoas”.  E prosseguiu insistindo na questão do “lado”, e nesse mote se colocou como aliado do presidente Lula. E garantiu que será “o governador das oportunidades e da criação de emprego e renda”.

O candidato emedebista manteve o discurso com o qual atravessou a pré-campanha e chegou à campanha: como divulgador das obras do Governo Brandão, e se colocando como um dos idealizadores de obras e programas implantados na atual gestão. “O Maranhão chamou. Eu sou candidato a governador”, diz o seu programa de abertura, procurando mostrar que sua escolha se deu por mérito e não por conveniência política, que é a acusação que seus adversários lhe fazem.

Em seguida, Felipe Camarão, que tem um bom tempo por contada força do PT, usou o horário eleitoral gratuito para se mostrar em dois campos. O primeiro afirmando categoricamente ser ele o candidato do presidente Lula da Silva, que aparece no vídeo pedindo voto e avaliando que “o nosso Felipe é a novidade da política do estado”. Outro vídeo mostrou a rica formação técnica do candidato petista: duas graduações, seis pós-graduações, dois doutorados, vários concursos, entre eles o de escrivão de polícia e o de procurador da República, além da experiência como gestor.

O candidato petista fez exatamente o que qualquer outro no seu lugar faria: apresentar-se como o escolhido pelo presidente Lula da Silva. No vídeo, o presidente diz mais ou menos isso, à medida que apresenta o vice-governador como a “novidade” da política maranhense. E completou a estreia no horário eleitoral gratuito como um candidato altamente qualificado e de sólida experiência, aproveitando para jogar algum charme na direção da Polícia Civil ao lembrar que foi escrivão de polícia.

O início foi ameno, mas ninguém duvida de que a campanha vai esquentar.

PONTO & CONTRAPONTO

Senado: candidatos largam no Rádio e na TV com falas que vão de “alegria da volta” a ataques ao Supremo

Roseana Sarney, Eliziane Gama, André
Fufuca, Weverton Rocha e Cidônio
Gonçalves: só eles tiveram direito
ao horário gratuito no Rádio e na TV

O primeiro dia dos candidatos às duas vagas no Senado no horário eleitoral gratuito seguiu um roteiro básico, como se fossem apresentações, sem discursos duros nem troca de farpas. Como aconteceu com os candidatos a governador, por conta do peso dos seus partidos na Câmara Federal, como reza a legislação eleitoral, só cinco dos 11 candidatos candidatos usaram o horário gratuito no Rádio e na TV: Roseana Sarney (MDB), Eliziane Gama (PT), André Fufuca (PP) e Weverton Rocha (PDT) e Cidônio Gonçalves (PL). Por conta da insignificância dos seus partidos, os outros seis não terão espaço no horário eleitoral gratuito.

Roseana Sarney abriu sua campanha nos meios eletrônicos com m discurso clássico, dizendo-se alegre por voltar ao tabuleiro das disputas políticas. E como não poderias deixar de ser, reviveu o drama da luta contra o câncer. Avaliando que enfrentou “a maior batalha da minha vida”, agradecendo “a Deu e “a todos os que oraram por mim”, ´por tê-la vencido. “Essa experiência só fortaleceu em mim a minha missão, que é cuidar das pessoas”. E fechou dizendo que está “pronta para fazer mais”. É de se esperar que nos próximos programas ela fale de programas e propostas para levar ao Senado.

Na condição de senadora, uma das mais respeitadas da Câmara Alta, Eliziane Gama foi mais direta foi apresentada pelo próprio presidente Lula da Silva, que disse precisar da parlamentar maranhense reconvertida ao PT. Ao seu lado, o presidente Lula da Silva fez um pedido ao eleitor maranhense: “Eu quero lhe pedir o voto para uma companheira que tem uma história parecida com a minha”. Eliziane Gama completou o seu primeiro programa defendendo o trabalho que vem realizando como parlamentar em defesa do Maranhão e em defesa do Brasil. Não participaram Lahesio Bonfim (Novo), Hilton Gonçalo (Mobiliza), Simplício Araújo (DC), Wilson Leite (PSTU), Raimundo Moreira (PCB) e Enilton Rodrigues (PSOL).

Apresentado como “o melhor ministro do Esporte da história”, André Fufuca iniciou sua campanha no Rádio e na TV como um jovem da região do Pindaré que se formou em Medicina, e ainda muito jovem já exerceu um mandato de deputado estadual e está no terceiro de deputado federal, tendo sido ministro. Disse que está alinhado a Eduardo Braide e que vai ajudá-lo a governar o Maranhão. E usou a descontração anunciando que “é hora de fufucar”, um verbo que, segundo ele, significa escolher o que é melhor para o Maranhão.

O senador Weverton Rocha centrou o seu primeiro programa no horário gratuito usando a relação que tem com o presidente Lula da Silva e exibindo o vídeo em que o líder petista o apresenta como uma das suas escolhas para o Senado. O vídeo, que não é recentíssimo, mostra o presidente Lula da Silva pedindo votos para Weverton Rocha, afirmando ser ele um grande companheiro”. Weverton fecha o programa dizendo que está ao lado do presidente Lula da Silva.

Cidônio Gonçalves surpreendeu ao estrear no horário gratuito tendo ao lado Flávio Bolsonaro, candidato do seu partido a presidente, que o apresentou como o seu candidato. Chamou a atenção o discurso ideológico da direita bolsonarista no qual ele se coloca como um candidato que, se senador, vai “enfrentar” o que definiu como “ativismo do Supremo Tribunal Federal”. Ou seja, está em campanha para propagar o discurso que interessa ao ex-presidente Jair Bolsonaro e à turma golpista condenada e presa.

CEO da Quaest prevê que eleição para o Governo do Maranhão pode ser resolvida em um só turno

Felipe Nunes: CEO da Quaest

A pesquisa Quaest sobre a corrida ao Governo do Maranhão, contratada pela TV Mirante e divulgada na última segunda-feira (24), mostrando Eduardo Braide (PSD) com 44% das intenções de voto contra 25 de Orleans Brandão (MDB), e que foi motivo de muita comemoração por aliados de ex-prefeito e de vários questionamentos por simpatizante do ex-secretário de Assuntos Municipalistas, continua dando o que falar.

No Jornal da Globo levado ao ar na madrugada deste sábado (29), a apresenta Renata Lo Prete entrevistou o cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest e principal responsável sobre o cenário encontrado pelos levantamentos feitos em vários estados, entre eles o Maranhão.

Na sua análise sobre a disputa dos estados, Felipe Nunes mostrou que, de acordo com os levantamentos da Quaest, cinco estados estão indicando que a eleição para governador pode ser resolvida no 1º turno. Entra esses estados está o Maranhão.

São Luís, 29 de Agosto de 2026.

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