Deputados iniciam nesta segunda o último ano do atual mandato com o duro desafio da reeleição

Foto 1: Iracema Vale está no centro das articulações; foto 2:
Antônio Pereira, Andreia Rezende, Florêncio Neto,
Davi Brandão, Adelmo Soares e Danialla Jadão deixam
o PSB, que recebe a filiação de Othelino Neto,
Leandro Bello e Fernando Braide

Sob o impacto da mudança na bancada do PSB, que expulsou o deputado Edson Araújo e desfiliou os deputados Andreia Rezende, Antônio Pereira, Daniella Jadão, Davi Brandão, Florêncio Neto e o suplente Adelmo Soares, que está no exercício temporário do mandato, e recebeu os três novos filiados – Othelino Neto, Leandro Bello e Fernando Braide, a Assembleia Legislativa do Maranhão realizará, na tarde dessa segunda-feira (02/02), sessão solene que marcará a retomada dos trabalhos da Casa, abrindo o último ano do atual mandato. Será o primeiro evento de uma agenda que promete ser movimentada e intensa, uma vez que, a partir de agora, todos atos e gestos da esmagadora maioria dos 42 deputados estaduais estarão diretamente relacionados com as eleições de outubro, nas quais tentarão renovar os seus mandatos. E como mandam a alógica e a tradição políticas, todos os movimentos ali registrados estarão diretamente relacionados com a corrida ao Palácio dos Leões.

Nesse contexto, a presidente Iracema Vale, que não foi desfiliada do PSB, estará no epicentro desse tabuleiro, exatamente porque é grande a expectativa em relação ao seu futuro partidário e o seu caminho para as urnas, e qualquer movimento seu impactará de alguma maneira a corrida para as cadeiras de deputado estadual.

Com a presença do governador Carlos Brandão (sem partido) e do presidente do Poder Judiciário, desembargador Froz Sobrinho, os deputados estaduais do Maranhão iniciarão o último ano do atual mandato mergulhados numa teia de incertezas. Isso porque o tema dominante do ano eleitoral na Assembleia Legislativa será, sem sombra de dúvida, a corrida ao Palácio dos Leões. Ali, a base governista, que reúne mais da metade do plenário, está fortemente inclinada a respaldar o projeto de candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), enquanto a oposição dinista, agora concentrada no PSB, se mantém alinhada ao projeto de candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT). Em meio a esse cabo-de-guerra, há uma terceira corrente, que não se apresenta como grupo, mas encontra-se no muro, aguardando a definição do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD) sobre ser ou não ser candidato ao Governo do Estado. Também dentro desse grupo disperso e silencioso há apoiadores da pré-candidatura do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (Novo).

Ainda no campo majoritário, os bastidores do parlamento estadual foram assanhados com a iniciativa da banda governista do PT de convidar a deputada-presidente Iracema Vale para se filiar ao partido e sair candidata ao Senado. O gesto sacudiu as entranhas das pré-candidaturas ao Senado e se refletiu também nos QGs da corrida ao Palácio dos Leões. Ela não disse se vai filiar-se ao PT nem admitiu disputar o Senado, mas o simples fato de ter sido convidada e dizer que está “à disposição” do seu grupo para o que der e vier, agitou muito os bastidores da disputa pelas duas cadeiras da Câmara Alta. Inclusive porque o governador Carlos Brandão, que tem dito que não será candidato a senador, deu a impressão de que apoiará eventual candidatura dela à Câmara Alta.

Na visão de deputados governistas, as definições sobre a corrida ao Palácio dos Leões poderão desenhar também a malha de apoio ao projeto de reeleição ao presidente Lula da Silva (PT), que vem articulando a formação de um palanque que reúna todas as correntes da aliança que saiu das urnas vitoriosa em 2022. Grande parte dos deputados, principalmente entre os alinhados ao Palácio dos Leões, já está posicionada em favor da candidatura presidencial do líder petista, mas ainda há expressivo grupo que está aguardando um desenho mais nítido do cenário da corrida ao Palácio do Planalto.

O fato é que os deputados que retornarão amanhã ao trabalho legislativo atuarão dispostos a tudo na briga pela sua própria reeleição e pelo sucesso eleitoral dos seus candidatos a governador, senador e presidente da República.

PONTO & CONTRAPONTO

Senadores e deputados federais se preparam para uma guerra eleitoral de desfecho imprevisível

Weverton Rocha e Eliziane Gama vão
para a guerra pela reeleição

Dois dos três senadores e 17 dos 18 deputados federais voltarão à Brasília nesta semana também focados no objetivo da reeleição. Todos cientes de que será uma guerra dura pelas cadeiras no Senado e na Câmara Federal, à medida que o Congresso Nacional está colocado numa situação de crise por conta de temas que não interessam à esmagadora maioria dos brasileiros e que têm potencial para causar um baita e desnecessário terremoto institucional no País. É nesse contexto que senadores e deputados federais vão para uma guerra dura e imprevisível pelo voto. 

No plano senatorial, os senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PSD) começam a reta final dos seus mandatos pressionados por um cenário ainda indefinido e com dois concorrentes desafiadores, o ministro do Esporte André Fufuca (PP), que é deputado federal mas resolve dar um passo à frente, e o ex-senador Roberto Rocha (sem partido), ambos com poder de fogo para disputar as vagas no voto a voto. Isso num ambiente em que o governador Carlos Brandão, a deputada federal Roseana Sarney (MDB) e a deputada Iracema Vale (ainda no PSB, podendo retornar ao PT) podem mudar radicalmente esse plano da corrida às urnas.

Em relação à Câmara Federal, pelo menos dois terços dos atuais deputados federais apostam alto na reeleição. Sua força está no jogo que fizeram com a escandalosa política de emendas, que está sendo desmontada pelas decisões do Supremo Tribunal Federal, diga-se ministro Flávio Dino. Com o rigor das regras constitucionais, ele está atuando para desmontar a grande mamata e colocar essa locomotiva nos trilhos. Além disso, há nomes fortes entrando nessa disputa, exibindo musculatura para encarar as urnas com poder de fogo para brigar pelo voto em condições de desbancar alguns deputados federais.

Tanto os dois senadores quanto os deputados federais candidatos à reeleição estão cientes de que politicamente o Congresso Nacional será um caldeirão bem mais quente e explosivo dependendo da composição que sair das urnas.

Movimentos sugerem que Camarão caminha para uma aliança com Braide

Fernando Braide pode ser o elo de uma possível
aliança de Eduardo Braide com Felipe Camarão

Pode ser que os fatos nada tenham a ver com outros, mas não há como não suspeitar de que a filiação do deputado Fernando Braide ao PSB e as declarações pragmáticas do vice-governador Felipe Camarão (PT) não estejam nas linhas de um grande acordo na oposição para a disputa para o Palácio dos Leões.

Primeiro porque é praticamente impossível dissociar a migração do deputado Fernando Braide do PSD, que é de centro-direita, para o PSB, de centro-esquerda, do possível projeto de candidatura do prefeito de São Luís ao Governo do Estado. Não faz sentido.

E depois, as declarações do vice-governador Felipe Camarão admitindo uma aliança da oposição dinista com o prefeito Eduardo Braide na disputa ao Palácio dos Leões reforçou uma verdade que já é corrente nos bastidores: o vice-governador e seus aliados estão, de fato, conversando com prefeito Eduardo Braide. Essa conversa pode resultar na união dessas forças, não estando claro ainda se sob a liderança do prefeito de São Luís ou do vice-governador do Maranhão.

Ontem, um petista alinhado ao grupo dinista previu que a fórmula possível seria Eduardo Braide para o Governo e Felipe Camarão para o Senado, sem precisar renunciar à vice-governança.

Vale aguardar o que cantarão as marchinhas de Momo e as águas de março.

São Luís, 01 de Fevereiro de 2026.

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