
o que não é o caso de Felipe Camarão e Eduardo Braide
Os quatro aspirantes ao Governo do Estado – três assumidos e um coberto por uma tênue capa de expectativa -, terão de fazer grandes ou pequenos ajustes nas suas vidas partidárias. Nesse contexto, os partidos são fundamentais, não apenas para legitimar candidaturas majoritárias, mas também para lastrear as candidaturas proporcionais, que são as linhas de frentes da guerra pelo voto. E mais do que isso, os partidos estão investindo forte na eleição de deputados federal e senador nessas eleições. O vice-governador Felipe Camarão terá de ajustar uma série de pontos com o PT, o secretário Orleans Brandão tem pequenos ajustes a fazer no MDB, do qual é presidente, e o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim deve ajustar melhor sua postura às exigências do Novo, enquanto o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, se vier a ser candidato, tem algumas pendências complicadas a resolver no PSD.
Orleans Brandão tem situação partidária bem definida, a começar pelo fato de que é o presidente regional do MDB. Aparentemente não existem problemas ou racha dentro do partido, pois até a dissidência de São Luís em 2024 foi superada com a volta do deputado federal Cléber Verde, que caminhava para abraçar a candidatura do prefeito Eduardo Braide ao Governo, caso ele venha a ser candidato, voltou ao leito da base governista já declarando apoio a Orleans Brandão. O secretário de Assuntos Municipalistas, conta, portanto, com um partido sólido e azeitado e, ao que tudo indica, com as suas correntes – sendo o sarneysismo a principal delas – se preparando para a corrida às urnas. E com a possibilidade de receber muitos reforços na janela partidária de março.
Lahesio Bonfim faz sua pré-campanha sem se preocupar com o seu partido, o Novo. Não porque não queira dar pitacos na condução da legenda, mas porque o Novo é dirigido nacionalmente com uma empresa, com regras rígidas, movimentos pré-determinados e sobre os quais a palavra final é dos dirigentes e não do candidato. Político outsider, que pouco afeito a trabalhar em grupo, preferindo projetos solitários, Lahesio Bonfim vem se dando bem com o Novo, em que pesem tremores eventuais na relação, mas sem consequências maiores.
O vice-governador Felipe Camarão vive há algum tempo uma situação mal resolvida com o seu partido, o PT, que está claramente dividido em relação à sua candidatura. Ao mesmo tempo em que o comando nacional do partido e o próprio presidente Lula da Silva têm reiterado apoio à sua pré-candidatura, a maioria das lideranças petistas maranhenses está posicionada ao lado do governador Carlos Brandão (sem partido) e claramente inclinada a apoiar a pré-candidatura de Orleans Brandão, caso o governador permaneça no cargo. A situação é tão complicada que já correm rumores de uma possível migração de Felipe Camarão o PSB. As conversas do governador Carlos Brandão com o presidente lula da Silva poderá desatar esse nó.
Nesse cenário, a situação partidária mais complicada é a do prefeito de São Luís, Eduardo Braide, que não decidiu ainda se será ou não candidato a governador. Se optar pela candidatura, terá de resolver complicadas situações no seu partido, o PSD. Atualmente, o PSD é um partido com uma senadora (Eliziane Gama), um deputado federal (Josivaldo JP) e dois deputados estaduais (Mical Damasceno e Eric Costa), que trilham caminhos completamente diferentes. Se vier a ser candidato, o primeiro passo de Eduardo Braide será colocar ordem na casa e definir quem vai para onde nesse tabuleiro, para saber com quem de fato contará. A janela partidária de março poderá indicar o caminho. Vale registrar que o deputado Fernando Braide, irmão e porta-voz do prefeito Eduardo Braide na Assembleia Legislativa está hoje filiado ao Solidariedade.
Essas questões e pendências são fortes pontos de desgaste na estrutura dos partidos e com repercussão negativa nas pré-candidaturas. Ao solucioná-las, os pré-candidatos ganharão a certeza de que irão para as suas convenções sem maiores problemas e sem risco de serem incomodados por constrangimentos.
PONTO & CONTRAPONTO
Duarte Jr. terá de decidir entre permanecer no PSB ou migrar para outro partido
Um dos mais destacados representantes do Maranhão no Congresso Nacional, o deputado Duarte Jr. está se preparando para tomar uma decisão quer pode afetar, para mais ou para menos, o seu projeto de reeleição: permanecer no PSB ou migrar para outro partido.
Não será uma decisão o fácil. Ele se elegeu pelo PSB que em 2022 era comandado pelo governador Flávio Dino, que passou o comando para o governador Carlos Brandão. Só que, por conta do rompimento na base governista, o comando nacional do PSB tirou o partido com controle do governador Carlos Brandão e o entregou à senadora Ana Paula Lobato, do chamado grupo dinista.
Com laços fortes nos dois grupos, Duarte Jr. fez de tudo para se manter longe dessa crise, conservando a sua boa relação com o governador Carlos Brandão, ao qual está ligado pelo comando da rede Viva Procon, sem se afastar totalmente do grupo agora na oposição.
O problema é que a situação chegou num ponto em que o deputado federal Duarte Jr. terá de decidir se permanecerá no PSB, e no caso terá de seguir a linha do partido, ou migrar para outra legenda.
A janela partidária de março será o momento da decisão.
Grupo Gentil vai forte para as urnas; a dúvida é quanto ao futuro do seu líder
Muito tem se comentado nos bastidores sobre o peso do grupo Gentil no cenário político estatual e, principalmente, o futuro político do seu líder, o ex-prefeito de Caxias e atual secretário estadual de Agricultura Fábio Gentil.
Com relação ao grupo, a opinião dominante é a de que ele está cacifado para reeleger a deputada federal Amanda Gentil (PP), que hoje comanda o partido no Maranhão, e a deputada estadual Daniella Jadão, que deve migrar do PSB para o PP.
A incógnita é exatamente o futuro político do secretário Fábio Gentil. Já se falou em emplaca-lo como candidato a vice-governador, já foi especulado que ele pode ser candidato a deputado federal substituindo a filha Amanda Gentil, e falou-se também na possibilidade de ele vir a ser candidato a deputado estadual, no caso sacrificando o projeto de reeleição da deputada Daniella. E finalmente o caminho visto por muitos como o mais provável: ser candidato a suplente de senador na chapa do ministro André Fufuca (PP).
Há também vozes sussurrando que Fábio Gentil não será candidato e continua secretário de Agricultura como um dos articuladores da candidatura governista aos Leões.
São Luís, 04 de Janeiro de 2025.

