
Cibelle Napoleão, de Santo Antônio dos Lopes, e
Orleans Brandão ganha o apoio da
vereadora de São Luís Rosana da Saúde
Bastaram duas semanas de pré-campanha para o Palácio dos Leões para que fossem registrados os primeiros movimentos de arrumação nas bases de apoio dos pré-candidatos a governador. Nos últimos dez dias, três fatos indicaram que pode haver mudanças significativas nos conjunto de forças que apoia cada aspirante à sucessão do governador Carlos Brandão (sem partido), e como não poderia deixar de ser, esses movimentos se deram em torno de Eduardo Braide (PSD), que ganhou o apoio declarado de dois prefeitos de municípios estratégicos; de Orleans Brandão (MDB), que ganhou mais um reforço em São Luís, e de Lahesio Bonfim, que perdeu um porta-voz importante em Imperatriz. Feitas as contas, não se pode dizer o que esses gestos representam em termos eleitorais, mas não há como ignorar a importância política de cada um para os candidatos alcançados.
Na semana que passou, dois prefeitos de municípios destacados nas suas regiões, Cibelle Napoleão (PL), de Santo Antônio dos Lopes, e Luís Fernando dos Santos (União Brasil), de Humberto de Campos, deixaram a base de apoio do pré-candidato emedebista Orleans Brandão e migraram para o movimento que se forma em torno de Eduardo Braide. Ela, que tem raízes profundas no município, que ganha cada vez mais importância como produtor de gás natural e começa a ser visto como um futuro polo industrial e comercial. Ele lidera um município importante de uma região já transformadas em polo turístico e cuja tendência é avançar no seu desenvolvimento econômico.
Cibele Napoleão deixou a base de Orleans Brandão por não aceitar dividir a sua ação política com a deputada Ana do Gás (Republicanos), que tenta sobreviver num xadrez eleitoral muito complicado. Luiz Fernando declarou que o motivo que o levou a apoiar a pré-candidatura de Eduardo Braide foi ter se dado conta de que “o povo de Humberto de Campos quer votar nele”. Os dois casos representam ganho real para o candidato do PSD, que vem incursionando intensamente no interior, para quebrar a acusação de que não conhece o estado.
Por sua vez, o candidato governista Orleans Brandão, que vem se movimentando para ganhar espaços na Capital e ampliar o que já tem contabilizado de apoio no interior, terminou a semana com um ganho importante, se não pelo peso eleitoral propriamente dito, mas como representação política: recebeu o apoio formal da vereadora Rosana da Saúde (Republicanos), que representa esse segmento na Câmara Municipal de São Luís. E como a Capital é um território político apontado como independente, que não se dobra a pressões, a declaração de apoio de uma vereadora como Rosana da Saúde é, de fato, um ganho real a ser contabilizado pelo pré-candidato do MDB.
O terceiro evento atingiu diretamente o pré-candidato do Novo ao Governo do Estado, Lahesio Bonfim. Nilson Takachi, um publicitário e militante político em Imperatriz, que ficou em quarto lugar na corrida à Prefeitura em 2024, rompeu com Lahesio Bonfim e desembarcou em São Luís para declarar apoio a Eduardo Braide. Se não representa um caminhão de votos, o posicionamento de Takachi amplia a base de apoio de Eduardo Braide na Princesa do Tocantins, onde, embalado pelo aval declarado do governador Carlos Brandão e do suporte do prefeito Rildo Amaral (PP), ocupa um espaço amplo na cidade. E mais do que isso, enfraquece a base de apoio de Lahesio Bonfim no segundo maior colégio eleitoral do Maranhão, onde foi o mais votado na eleição de 2022.
Independentemente das intensas agendas de pré-campanha, com Eduardo Braide prometendo transformar a Barragem do Rio Flores em polo turístico, Orleans Brandão lançando sua pré-campanha Imperatriz na noite deste sábado, e Lahesio Bonfim disparando chumbo grosso contra o governador Carlos Brandão nas redes sociais, os três fartos políticos mencionados sinalizam que o jogo que definirá o perfil político das pré-candidaturas está começando.
PONTO & CONTRAPONTO
PT mantém indefinição sobre como vai se posicionar na socorrida sucessória no Maranhão
O encontro nacional do PT só termina hoje e as conversas sobre definições nos estados podem acontecer a qualquer momento. Mas o fato é que, pelo menos até a noite de sábado, o coando nacional do partido ainda não havia bastido martelo em relação à posição que seguirá na corrida sucessória do Maranhão nem quanto ao futuro do vice-governador Felipe Camarão, que se encontra em Brasília desde o início da semana passada para participar do evento partidário e resolver sua vida em relação às urnas, como ele próprio anunciou em vídeo antes de viajar.
A expectativas era a de que o “caso maranhense”, que se transformou num nó cego a ser desfeito pelos dirigentes nacionais e pelo próprio presidente Lula da Silva, seria avaliado e resolvido na última quinta-feira, numa reunião da Executiva. Mas a reunião foi cancelada e, no mesmo dia, o governador Carlos Brandão conversou sobre o assunto com o presidente nacional do PT, Edinho Silva. À Coluna o mandatário maranhense resumiu a resumiu numa frase emblemática: “Ainda sem definição”.
O fato é que, a julgar pelos movimentos do comando nacional do PT em relação ao Maranhão, o partido ainda não resolveu se lançará candidato próprio a governador – no caso oi vice-governador Felipe Camarão – ou se apoiará a candidatura de Orleans Brandão com direito a indicar um candidato ao Senado – no caso Felipe Camarão.
Como a reunião nacional, que termina hoje, não tratará desse tema, é possível que entre hoje e amanhã o assunto seja avaliado em petit comité. Caso isso não aconteça, o vice-governador retornará a São Luís sem um a definição. Mas pelo menos com a informação de quando e como o seu futuro será definido.
Registro
Novo comando do Tribunal de Justiça assume com o desafio de unir a instituição

Iracema Vale, Gervásio Santos Filho e Ângela Salazar:
posse prestigiada e desafios a vencer
Em meio a um conjunto de situações constrangedoras, como o afastamento de magistrados (juízes e desembargadores) por suspeita de corrupção, e situações delicadas, como e a manutenção de R$ 2,6 bilhões de depósitos judiciais no Banco Regional de Brasília (BRB), que foi dura e perigosamente afetado pela associação criminosa com o liquidado Banco Master, o novo comando Poder Judiciário do Maranhão, presidido pelo desembargador Ricardo Duailibe, assumiu na sexta-feira (24), com a pompa formal de sempre, mas ambiente para festa.
O presidente Ricardo Duailibe, que foi eleito com pouco mais da metade dos votos num colegiado que sempre teve por tradição o rodizio consensual, vai comandar um Poder dividido, distante da unidade por pretendida. Ele deixou isso claro no seu discurso de posse, quando enfatizou a necessidade de unidade no Poder. O novo presidente recebeu um desafio a vencer, pois a julgar pelo ambiente que domina a Corte, a gestão do desembargador Froes Sobrinho contribuiu para ampliar as diferenças no colégio de desembargadores.
Com clara boa vontade em relação ao sucessor, que foi o seu padrinho, o presidente Ricardo Duailibe, que tem perfil de conciliador, exaltou resultados alcançados pela gestão anterior. “O Tribunal alcançou resultados expressivos graças a um trabalho conjunto. Nossa responsabilidade agora é garantir que esse nível de excelência seja mantido e aprimorado, com foco em transparência, produtividade e inovação”, assinalou Ricardo Duailibe. Ele foi claro que sua meta “é unir” o Tribunal de Justiça.
Todos os sinais emitidos no ato de posse do novo comando ad Poder Judiciário do Maranhão apontaram para um bom relacionamento respeitoso e produtivo com os Poderes Executivo e Legislativo. A presença do governador Carlos Brandão (sem partido) e da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB) evidenciou que o novo comando do TJ não terá dificuldades para manter um relacionamento institucional saudável com o Palácio dos Leões e com o Palácio Manoel Beckman. Ambos destacaram a boa relação com o Poder Judiciário e se declararam confiante na nova gestão
No essencial, o presidente Ricardo Duailibe foi claro no direcionamento que sua gestão dará à Justiça do Maranhão: “A Justiça precisa chegar a quem mais precisa. Uma Justiça que não alcança os mais vulneráveis não cumpre plenamente seu papel. Vamos ampliar iniciativas, como os pontos de inclusão digital, para atender às localidades mais distantes”.
Vale recordar que esse discurso, basicamente com as mesmas palavras, foi feito por todos os seus antecessores.
Em Tempo: no novo comando do Tribunal de Justiça do Maranhão é o seguinte: Ricardo Duailibe (presidente), Gervásio dos Santos Júnior (vice-presidente), José Gonçalo de Sousa Filho (corregedor-geral da Justiça) e Ângela Salazar (corregedora-geral do Foro Extrajudicial).
São Luís, 26 de Abril de 2026.
