Operação da PF e suspeita de envolvimento na fraude do INSS deixam Weverton em posição incômoda

Weverton Rocha: investigação da PF em endereços seus e
pedido de prisão negado no Supremo

“Sócio oculto de uma organização criminosa”. Foi essa a definição dada pela Polícia Federal ao senador Weverton Rocha (PDT) no relatório em que pediu a prisão dele por suposto envolvimento com a máfia que extorquiu bilhões de aposentados por meio de descontos ilegais em favor de entidades corporativas fajutas. As últimas 72 horas foram avassaladoras para o senador maranhense: ações de busca e apreensão em endereços a ele ligados em Brasília e em São Luís, quatro assessores e ex-assessores, todos ligados ao PDT, presos por envolvimento direto no esquema milionário de desvio, além de um pedido de prisão do senador, providencialmente negado na Suprema Corte, com base no argumento da Procuradoria Geral da República de que ainda provas contundentes de que ele tenha sido diretamente beneficiado com dinheiro do esquema fraudulento. Além disso, a PF aponta ser próxima a relação do senador pedetista com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, principal operador do esquema.

O senador Weverton Rocha reagiu a tudo isso com uma nota sucinta, na qual diz que foi “surpreendido” com a operação da PF nos seus endereços, nega envolvimento no esquema criminoso, informa que está colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação, e afirma que nada tem a ver com a bandalheira tomou ilegalmente bilhões de milhares e milhares de aposentados e pensionistas do INSS.

Politicamente, a operação e o relatório da PF são desastrosos para a imagem política do senador Weverton Rocha, que é vice-líder do Governo no Senado, e no momento atua como relator do Projeto de Lei que ajusta as regras para impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), um tema extremamente sensível num momento de quase crise institucional. Foi também designado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP), para relatar a indicação do advogado geral da União, Jorge Messias, para o vaga aberta na Suprema Corte com a aposentadoria do ministro Luiz Roberto Barroso. Além disso, a sua condição de vice-líder do Governo o obriga a atuar intensamente na interlocução do Senado e no Congresso Nacional com o Palácio do Planalto, tarefa que pode se tornar difícil ou até impossível se a sua situação for agravada por revelações demolidoras.

No plano estreitamente político, a posição de ser um dos líderes do PDT no plano nacional e presidir o partido no Maranhão, pode ser fortemente golpeada e ferida gravemente, com sério risco ao seu projeto de reeleição, que vem sendo viabilizado com consistência. Tanto que todas as pesquisas o apontam como líder em todos os cenários sem o governador Carlos Brandão (sem partido), e o nome mais forte para a segunda vaga no caso de o mandatário vir a ser candidato a senador. O seu cacife político é tão forte que seu nome chegou a ser cogitado como solução de consenso para o Governo do Estado.

Todo esse lastro foi atingido pesadamente e poderá ser colocado em xeque pelo relatório da PF apontando, com ênfase, o seu suposto envolvimento com a camarilha que lesou aposentados do INSS. Aliados e adversários se lhe voltaram a atenção, à medida que o noticiário foi dando forma à bomba que o teve como alvo nos últimos dois dias. Até aqui sua reação foi tímida, resumida a uma negativa na forma de uma nota pouco esclarecedora divulgada por sua assessoria, que, porém, nada esclareceu. Os fatos exigem mais, cobram explicações e esclarecimentos que não deixem qualquer margem para dúvidas.

E a julgar pelo que foi dito e o que foi desmentido até aqui, não valerá o velho bordão de que se trata de “perseguição política”, motivação que a Polícia Federal, agora livre de más influências, não tem na sua cartilha operacional.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão fala sobre tentativas de cassa-lo e diz que está protegido por Deus e tem o apoio do povo

Carlos Brandão faz desabafo
e se diz protegido por Deus

“Inventam processos mirabolantes. E quando chega na Justiça, a Justiça diz: ´Mas que loucura é essa aqui?`”. A declaração, em tom de desabafo, partiu do governador Carlos Brandão (sem partido), ao falar, ontem, no lançamento do programa Coopera Maranhão.

As declarações do governador causaram surpresa nos presentes, e ele foi além: “Deus está me protegendo. Meu advogado é o povo. Me tirar na marra, me tirar da cadeira, eu trabalhando e prestando muito serviço, não vão conseguir”.

O mandatário maranhense se referia ao que classificou como perseguições judiciais. Sem citar nomes, o governador Carlos Brandão referiu-se a tentativas de cassar o seu mandato, nenhuma delas bem sucedida. Ele disse que segue trabalhando e exercendo o seu mandato com tranquilidade, apesar das pressões que encara por conta desses movimentos.

Para Carlos Brandão, sua permanência no cargo e a sua tranquilidade para governar são resultado de “proteção divina” e apoio popular.

Assembleia Legislativa aprova Orçamento de R$ 38 bilhões para 2026

Iracema Vale comandou a sessão que encerrou o ano legislativo com os deputados aprovando o Orçamento do Estado para 2026

O Governo do Maranhão vai poder gastar R$ 38 bilhões no exercício financeiro de 2026. É o que prevê a Lei Orçamentária Anual (LOA), aprovada ontem pela Assembleia Legislativa, na última sessão do ano legislativo, dando início ao recesso parlamentar. Esses recursos estão estimados na previsão de receita e serão aplicados em despesas fixas – pessoal e custeio – e investimentos, de acordo com o Projeto de Lei nº 484/2025, chancelado por unanimidade pelo parlamento estadual.

A aprovação se deu depois de o PL passar pelo crivo da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania e da Comissão de Orçamento, Finanças, Fiscalização e Controle.

A Lei Orçamentária Anual (LOA), juntamente com o Plano Plurianual Anual (PPA) e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) forma o tripé legal que orienta a aplicação dos recursos públicos. Sua elaboração se dá com base nas metas e prioridades previstas na LDO e PPA. Nesse conjunto, a LOA aprovada ontem detalha o orçamento fiscal (Poderes, órgãos, fundos), o orçamento de investimentos (empresas estatais) e o orçamento da seguridade social (saúde, previdência, assistência).

De acordo com a mensagem encaminhada à Assembleia Legislativa pelo governador Carlos Brandão (sem partido), as metas e prioridades do Poder Executivo para o exercício de 2026 estão alinhavadas no Plano de Ação do Maranhão (PAM), definidas anualmente com base no Plano Estratégico do Governo (PEG), que prioriza ações vinculadas aos compromissos de Governo, resultantes de demandas de audiências do Orçamento Participativo e previstas no Plano Estratégico de Longo Prazo Maranhão 2050.

São Luís, 19 de Dezembro de 2025.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *