Econométrica mostra tendência de dois turnos entre Braide e Brandão, com Bonfim ameaçando e Camarão fora

Eduardo Braide lidera, com Orleans Brandão em segundo, Lahesio Bonfim
em terceiro e Felipe Camarão em quarto lugar

O prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), continua estabilizado na liderança das preferências do eleitorado para o Governo do Estado, com 30,6% das intenções de voto, enquanto o vice-governador Felipe Camarão (PT) aparece em quarto lugar, com 12,5%. O diferencial desse cenário encontrado pela pesquisa está na posição do secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), que desponta em segundo, com 22,4% das intenções de voto, seguido do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (Novo), com 20,7%. Um contingente de 4,9% de eleitores insatisfeitos disse que votará nulo ou em nenhum deles, e outros 8,8% responderam que não sabem ou preferiram não opinar.

O quadro do momento prevê dois turnos, foi encontrado pela Econométrica, um dos mais respeitados institutos de pesquisa da região, em levantamento realizado no período de 2 a 7 de julho, que ouviu 1.302 eleitores em todo o estado, e que tem margem de erro de 2,7%, para mais ou para menor.

A arrancada do secretário Orleans Brandão é surpreendente, a começar pelo fato de que, há cerca de seis meses, ele aparecia com apenas um dígito, variando de cinco a oito pontos percentuais em diversas pesquisas. A virada foi progressiva, mas rápida, mesmo levando em conta dois fatos: ele até agora não disse que é candidato e por que que tem o seu projeto de candidatura até aqui atrelado à decisão do governador Carlos Brandão (PSB) de permanecer no cargo – o que confirmará sua candidatura – ou deixar o Governo e disputar o Senado, o que pode alterar radicalmente os seus planos. Orleans Brandão encontra-se em ritmo forte de pré-campanha, cumprindo uma intensa agenda de eventos, inaugurações e lançamentos. Essa agenda incluiu recentemente, por exemplo, dois eventos de grande peso: a reunião que juntou, na semana passada, mais da metade da Assembleia Legislativa, coordenada pela presidente Iracema Vale (PSB), e o ato em que recebeu o apoio de 25 dos 31 vereadores de São Luís, num movimento articulado pelo presidente do parlamento ludivicense, vereador Paulo Victor (PSB).

No cenário de agora, o candidato do Novo, Lahesio Bonfim, aparece como a grande ameaça ao secretário de Assuntos Municipalista, com quem está tecnicamente empatado, à medida que se mantém nesse patamar num contexto em que são poucos os votos indecisos. Conforme a pesquisa, os quatro candidatos já levaram mais de 85% dos votos declarados, deixando apenas 8,8% de indecisos.

A pesquisa mostra o vice-governador Felipe Camarão em quarto lugar, com 12,5%, numa situação incômoda para quem é candidato assumido, está em ritmo forte de pré-campanha e tem como trunfo principal o suporte político e partidário do presidente Lula da Silva, do seu partido, o PT, e apoio declarado do grupo remanescente da liderança do ex-senador Flávio Dino, agora ministro do Supremo Tribunal Federal. Mas estranhamente passa a impressão de que está sozinho nesse desafio. O seu projeto de candidatura surgiu quando havia a possibilidade de o governador Carlos Brandão (PSB) renunciar para disputar o Senado e ele assumir o Governo e concorrer à reeleição como governador. Esse projeto, porém, está sendo desmontado à medida que o governador emite sinais fortes de que permanecerá no cargo e apoiará a candidatura de Orleans Brandão à sua sucessão.

É claro que o cenário de agora é uma tendência, desenhada a nove meses da data fatal para a renúncia ou permanência do governador, fator decisivo na corrida ao voto, e a catorze meses e meio da eleição, o que leva à avaliação de que há tempo para que muita água role nos bastidores da política estadual.

PONTO & CONTRAPONTO

Números mostram que disputa para as cadeiras do Senado vai depender de decisão do governador

Carlos Brandão e Weverton Rocha lideram, seguidos de Roberto Rocha,
André Fufuca, Eliziane Gama e Pedro Lucas Fernandes

A pesquisa Econométrica encontrou um cenário curioso, mas lógico, para a corrida às duas vagas do Senado. O governador Carlos Brandão (PSB) lidera com 18,6% das intenções de voto, seguido do senador Weverton Rocha (PDT), que avança na corrida à reeleição com 16,1%, numa sequência na qual o ex-senador Roberto Rocha (sem partido) aparece com 11,8%, o ministro do Esporte, André Fufuca (PP), com 11,2%, a senadora Eliziane Gama (PSD) com 9,9%, e o deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União) com 6,1%.

Chama a atenção o fato de os nomes postos para o Senado tenham baixa manifestação de intenção de voto. A posição do governador Carlos Brandão pode ser facilmente explicada com o fato de ele ainda não haver batido o martelo em relação ao seu futuro político. Mesmo assim, ele lidera as preferências, levando à projeção de que, caso se declare candidato a senador, o seu percentual de intenção de voto aumentará significativamente.

Assim como em relação à corrida ao Palácio dos Leões, a disputa pelas cadeiras no Senado está atrelada à decisão do governador Carlos Brandão de sair candidato ou permanecer no cargo. Na primeira hipótese, a tendência mostrada em todas as pesquisas até aqui é a de que o mandatário será o candidato com maior poder de fogo para se eleger, isolando uma das vagas, ficando a outra para uma dura peleja entre os demais candidatos.

Nesse contexto, observadores experientes preveem que o grande duelo se dará entre Weverton Rocha e André Fufuca, que tem um grande potencial a ser explorado, mas sem menosprezar o potencial do ex-senador Roberto Rocha, que tenta atrair as correntes de direita e extrema-direita. A senadora Eliziane Gama terá chance de reação se o prefeito Eduardo Braide for candidato a governador e coloca-la como prioridade na sua chapa.

No que diz respeito ao deputado federal Pedro Lucas Fernandes, a inclusçao do seu nome parece ter sido aleatória, porque não há qualquer sinal de que ele tenha interesse de trocar uma reeleição fácil por uma aventura de altíssimo risco.

A pesquisa Econométrica mostra que há muito o que ser definido na corrida às duas cadeiras do Senado, e que as chaves para a solução estão com o governador Carlos Brandão e com o prefeito Eduardo Braide.

Curiosidade: pesquisa quis saber se o eleitor acha que Flávio Dino faz política partidária no Maranhão

Flávio Dino: mais da metade dos ouvidos em pesquisa acha que ele faz politica partidária no Maranhão

O levantamento da Econométrica fez uma investigação curiosa. Perguntou aos entrevistados se eles acham que o ministro Flávio Dino, da Suprema Corte, está fazendo política partidária no Maranhão. E a resposta foi mais do que previsível: 54,5% responderam que “sim”, entendendo que o ministro faz política partidária no estado, e 35,1% responderam “não”, avaliando que o ministro não faz política partidária no estado. E 10,4% não souberam ou não quiseram responder.

A investigação seria mais completa se, além da indagação-chave, “faz” ou “não faz”, tivesse sido sugerido aos entrevistados exemplos da ação política partidária.

Sem essa segunda provocação, as respostas produzem uma série de indagações. Ao se tornar ministro da Suprema Corte, Flávio Dino renunciou formalmente à sua vida política e partidária. Ele deixou o PSB, partido comandado pelo governador Carlos Brandão. E, salvo uma fala sugerindo uma advogada para vice de Felipe Camarão, no curso de uma palestra, não há registro de qualquer declaração do ministro a respeito do cenário político do Maranhão.

A explicação para o “sim” encontrado pela pesquisa pode estar na peleja judicial entre o Solidariedade, comandado pelo deputado Othelino Neto, integrante do chamado grupo dinista, tentando emparedar a Assembleia Legislativa com ações questionando a eleição de presidente da Casa, e mudando as regras para a escolha de conselheiro do TEC. O grupo dinista foi derrotado nas duas no tapetão da Suprema Corte, o que, por essa ótica, caracterizaria também derrota do ministro nos dois casos. Também há o aval não declarado à candidatura de Felipe Camarão ao Governo do Estado, em qualquer circunstância.

Não há, além disso, qualquer movimento, gesto ou palavra que demonstre o envolvimento de Flávio Dino na política partidária do Maranhão, que tem hoje o governador Carlos Brandão como principal protagonista. Esse é o cenário visível e alcançável. O que acontece nos bastidores mais fechados é quase impossível desvendar.

Num outro plano, muita gente acha que Flávio Dino voltará à política partidária, provavelmente nas eleições do ano que vem.

São Luís, 15 de Julho de 2025.

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