Uma carta defendendo a pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão ao Governo do Estado expôs ontem o racha que abala o braço maranhense do PT em relação à sucessão estadual. O documento, assinado por “Filiadas e Filiadas”, sem que nenhuma liderança das diversas correntes do partido se identifique, chega ao cenário da corrida sucessória no momento em que é nítida a inclinação do recém reeleito comando petista no sentido de apoiar a pré-candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), que tem o aval declarado governador Carlos Brandão (PSB). O clima de racha ganhou forma depois que o presidente reeleito do partido, Francimar Melo, que havia chancelado a pré-candidatura de Felipe Camarão, voltou atrás, após ida a Brasília, de onde retornou dizendo que o partido ainda não discutiu candidaturas.
A carta afirma que “Felipe Camarão representa a continuidade com inovação de um projeto democrático-popular para o Maranhão, enraizado nas lutas sociais e nos valores históricos do PT. Sua trajetória como educador, gestor público e vice-governador revela o compromisso verdadeiro com as políticas públicas de inclusção, redução das desigualdes e respeito aos direitos do povo” . Segue lembrando a trajetória dele na Secretaria de Educação, destaca o programa Escola Digna e ressalta a preocupação do então secretário de melhorar a situação dos professores.
Os signatários da carta defendem que “a unidade do campo político liderado pelo presdidente Lula é essencial para consolidar conquistas sociais e ampliar políticas públicas no Maranhão”. E destacam que a pré-candidatura de Felipe Camarão expressa essa unidade e está plenamente alinhada ao projeto nacional de reconstrução do Brasil”. Assinala que ex-governador Flávio Dino “é uma liderança central na construção desse caminho. Sob sua condução, o Maranhão iniciou um ciclo de transformação com foco na inclusão social, valorização do serviço público e respeito às instituições”. E lembra que “Felipe Camarão é um dos principais nomes formados dentro desse projeto, e sua pré-candidatura garante que esse legado de coinquistas de Dino constinue avançando com ousadia e compromisso”.
E termina convidando “toda a militância petista, os movimentos sociais, as juventudes, as mulheres, os trabalhadores e trabalhadoras, as lideranças comunitárias das cidades e do campo a se engajaram nesse projeto”.
A carta não faz qualquer referência à inclinação de uma banda do partido pelo projeto de candidatura de Orleans Brandão, não fazendo também nenhuma menção à decisão do governador Carlos Brandão de lançar o seu candidato e permanecer no Governo. E passa a impressão de que é um esforço de setores do partido que defendem a pré-candidatura de Felipe Camarão, têm a alinha de ação dinista como referência, mas não querem entrar em conflito direto com o Governo Brandão, de quem o PT, que integra a Federação Brasil Esperança, juntamente com PV e PCdoB, é formalmente aliado. Para tomar uma posição, precisará do apoio dos dois, ou de um dos dois partidos, para formar maioria. E até onde se sabe, já conta com o aval do PV para o caso de vir a apoiar Orleans Brandão, e certamente terá o apoio do PCdoB se optar por Felipe Camarão.
Essa manifestação de “Filiadas e Filiados” é um indicador preciso de que o PT, mesmo com a sua cúpula recém confirmada mostrando uma forte tendência para um alinhamento com o Palácio dos Leões, está longe de bater martelo em relação à sucessão estadual. Há quem diga que a sua definição para valer deve começar quando a crise que se instalou no PSB for resolvida, com a permanência ou a saída do governador Carlos Brandão e seu grupo, incluindo a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale, que há muito vem flertando com o MDB.
O fato é que a carta defendendo a pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão chega como um forte contraponto ao movimento que quer o PT alinhado ao projeto de candidatura de Orleans Brandão.
PONTO & CONTRAPONTO
Eliziane atua para fortalecer projeto de reeleição e sabe que o PT o terá como prioridade
Ainda não posicionada em relação à corrida ao Palácio dos Leões, uma vez que o provável candidato do seu partido, o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, ainda não decidiu se entrará ou não na disputa, a senadora Eliziane Gama (PSD) vai construindo sozinha a base da sua candidatura à reeleição.
A senadora tem comandado uma série de ações por meio das quais vem ganhando visibilidade no estado. Na programação que efetivou até agora, ela já reuniu empresários, profissionais liberais, segmentos evangélicos, especialmente da Assembleia de Deus, à qual pertence, entre outros. E liderou também ações concretas nas áreas de saúde e educação.
Ao longo da semana, a senadora reforçou o seu bom estado de ânimo ao ser informada pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, em Brasília, de que a orientação do presidente Lula da Silva é no sentido de que o partido encampe o projeto de reeleição de Eliziane Gama como uma prioridade.
Operação 18 Minutos: Informações do processo mostram desembargadores muito complicados
A semana foi difícil para os desdembargadores afastados Guerreiro Júnior e Nelma Sarney, envolvidos por inteiro na trama fraudalenta que arrancou milhões do Banco do Nordeste, conforme apurou a Polícia Federal na “Operação 18 Minutos”.
Para agravar ainda mais a situação de Guerreiro Júnior, foram divulgados diálogos por ele mantidos com outros envolvidos na trama e que não deixam dúvida de que o magistrado, que é filho de desembargador e já presidiu o Tribunal de Justiça, foi um dos cabeças e um dos operadores da fraude contra o banco estatal.
A situação da desembargadora Nelma Sarney se tornou mais grave por informações, também retiradas do processo, dando conta de que ela acertava as sentenças com o advogado Edilázio Júnior, seu genro, que foi deputado estadual e deputado federal.
Vale lembrar que o escândalo de corrupção no Tribunal de Justiça em relação ao Banco do Nordeste envolveu mais dois desembargadores, dois juízes, mais de uma dezena de advogados – entre eles Fred Campos (PSB), atual prefeito de Paço do Lumiar – e dois servidores do Poder Judiciário.
São Luís, 02 de Agosto de 2025.


