Brandão vai ao Supremo, reclama de Dino e torna rompimento irreversível

O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, ouve o governador Carlos Brandão,
que foi acompanhado do senador Weverton Rocha (PDT), na audiência no STF

O Maranhão político mergulhou nesta quarta-feira numa das crises mais agudas dos últimos tempos, com o rompimento definitivo do governador Carlos Brandão (deixando o PSB) e seus aliados mais próximos com as forças identificadas como dinistas. A eclosão da crise se deu em Brasília, na sede do Supremo Tribunal Federal, corte da qual faz parte o ministro Flávio Dino. Ali, o governador maranhense fez dois duros ataques ao ministro e ex-aliado: reuniu-se em audiência com o presidente da Corte Suprema, ministro Luís Roberto Barroso, a quem fez uma reclamação verbal de suposta imparcialidade do ministro Flávio Dino na ADI movida pelo Solidariedade, então comandado no estado pelo deputado Othelino Neto, adversário do Governo, na qual questiona os critérios para a escolha de conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE), processo no qual enxerga “perseguição” por parte do ministro Flávio Dino. Horas depois, o reclame foi formalizado num “agravo interno” de 25 laudas protocolado na Corte Suprema, formalizando a reclamação feita pessoalmente na audiência.

No agravo, o governador elenca uma série de pontos e decisões do processo, que no seu entendimento visam protelar a decisão e, mais do que isso, prejudicar a ele, seu Governo, a Assembleia Legislativa, além da corte de contas, que tem duas vagas abertas cujo preenchimento depende da decisão final da Suprema Corte. O ponto que causou a eclosão da crise é a advogada mineira Clara Alcântara. Ela tentou entrar na ação sobre o TCE como amicus curiae, alegando no seu pedido haver suspeita de compra de votos na escolha de conselheiros do TCE. O ministro Flávio Dino rejeitou a entrada dela no processo, mas mandou a Polícia Federal investigar a suspeita de compra de votos, causando reação indignada do governador Carlos Brandão e da presidente Iracema Vale, que viram na decisão um ato de perseguição, apontando a advogada como um instrumento usados por dinistas para dificultar o processo.

A audiência e o “agravo interno” feitos pelo governador Carlos Brandão, que estava acompanhado da presidente da Assembleia Legislativa, deputada Iracema Vale (deixando o PSB), atingiram diretamente o ministro Flávio Dino, que está sendo acusado de imparcialidade. E como não poderia deixar ser, caíram como uma bomba nos meios político. Isso porque ninguém duvida de que o pano de fundo desse conflito institucional é a corrida para o Palácio dos Leões na eleição de 2026, na qual o governador Carlos Brandão tomou rumo próprio decidindo abrir mão de disputar o Senado, permanecer no Governo e lançar o secretário de Assuntos Municipalistas, seu sobrinho e principal auxiliar, Orleans Brandão, como candidato à sua sucessão. Com a equação, Carlos Brandão tirou a possibilidade der o vice-governador Felipe Camarão (PT), de assumir o Governo e concorrer à reeleição.

O rompimento do governador Carlos Brandão com o grupo dinista vinha avançando num processo lento, mas ganhou força e foi acelerado no último mês, a partir de quando o mandatário anunciou sua decisão de permanecer no Governo e lançar Orleans Brandão à sua sucessão. Esse movimento levou o comando nacional do PSB, numa decisão forte, a tomar do partido do governador e entrega-lo à senadora Ana Paula Lobato e ao grupo dinista. Esse ato do PSB associado à decisão do ministro de mandar investigar a suspeita de “compra de votos no TCE”, desencadearam uma reação da seara governista em várias frentes.

Na semana passada, o irmão do governador, Marcus Brandão, presidente estadual do MDB, divulgou um vídeo em que faz uma série de acusações ao grupo dinista e ao ministro Flávio Dino, afirmando que o governador Carlos Brandão está sendo perseguido. Na mesma linha, a presidente da Assembleia Legislativa, deputada Iracema Vale, criticou duramente o ministro Flávio Dino e o grupo que o segue, usando o mesmo argumento da perseguição. No final da semana, num discurso em Penalva, o governador Carlos Brandão elevou o tom contra o que também chamou de perseguição. “Deus está com os bons. Os satanás vão ficar no inferno”, disparou o chefe do Executivo.

A ofensiva do governador Carlos Brandão contra o que chama de perseguidores ganhou amplitude na segunda-feira, em Brasília, onde atacou em duas frentes, uma política e outra institucional. Na política, se reuniu com o presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi, ouvindo dele a garantia de apoio à candidatura de Orleans Brandão como uma das prioridades do partido em 2026. E na audiência na Suprema Corte, onde verbalizou e formalizou sua queixa de ele e seu Governo estão sendo perseguidos pelo ministro e o grupo a linha por ele imprimida quando foi governador e senador.

Os movimentos do governador Carlos Brandão tornaram irreversível o rompimento e colocaram as forças políticas do Maranhão em estado de alerta máximo. Isso porque é opinião geral que haverá reação.

PONTO & CONTRAPONTO

Hildo Rocha ataca Dino dizendo que ministro pode estar cometendo abuso

Hildo Rocha: discurso duro contra
Flávio Dino na Câmara Federal

Os movimentos do governador Carlos Brandão ecoaram na Câmara Federal, onde o deputado federal Hildo Rocha (MDB), seu aliado, discursou tecendo críticas ao ministro Flávio Dino, que segundo ele estaria usando o cargo para perseguir o chefe do Executivo. No seu entendimento, o ministro Flávio Dino deveria ter se dado por impedido nas duas ações sobre escolha de conselheiros do PCE.

O parlamentar lembrou a controversa participação da advogada mineira Clara Alcântara, que levantou a suspeita de que vagas no TCE estariam sendo compradas.   

– O ministro Flávio Dino, ao invés de encaminhar para o STJ, essas denúncias, onde é o foro apropriado para o que ele, determina que a Polícia Federal abra um inquérito policial para investigar o governador, que não cometeu nenhum crime federal, não tirou dinheiro federal – disparou

Na linha de defesa do governador Carlos Brandão, o parlamentar emedebista disse o que “o ministro Flávio Dino determinou que o PSB tirasse a direção do partido do governador Carlos Brandão e entregasse para a sua suplente de senadora, que agora é senadora. Ora, aí eu pergunto: há interesse ou não há interesse dele nesse caso? Porque que ele não se dá por impedido? E a grande pergunta é se o ministro Flávio Dino está cometendo desvio de poder ou abuso de poder”.

Hildo Rocha foi mais longe ao avaliar que a crise seria fruto “de inveja do ex-governador Flávio Dino em relação ao governador Carlos Brandão.

E amarrou sua conclusão: “O governador Carlos Brandão já anunciou que vai ficar até o fim do seu mandato. Não quer disputar o Senado. E o ministro Flávio Dino, ex-governador, gostaria que sentasse na cadeira de governador o atual vice-governador Felipe Camarão. Esse é o motivo de todos esses processos, fazendo com que o Flávio Dino comete abuso de poder ou desvio de poder”.

E finalizou: O ministro Flávio Dino, por querer perseguir o governador, que faz um excelente trabalho, até por inveja, porque o governador Carlos Brandão está fazendo muito mais do que ele fez”. E relacionou obras do Governo Brandão.

Márcio Jerry sai em defesa de Flávio Dino e diz que Hildo Rocha está desinformado

Márcio Jerry rebateu o ataque
de Hildo Rocha a Flávio Dino

Ontem, o deputado Márcio Jerry (PCdoB), Márcio Jerry (PCdoB), um dos políticos mais ligados ao ministro Flávio Dino, saiu em defesa do titular do STF, acusando o deputado Hildo Rocha de desinformação. Na tribuna da Casa, e usando um tom ameno, sem agressão. O parlamentar comunista declarou que o deputado Hildo Rocha    “desperdiçou alguns minutos, para tentar fazer aqui umas críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, ex-governador do nosso estado do Maranhão”

Segundo Márcio Jerry, “as críticas que expressam grade desinformação, pelo menos. E críticas que eu não tenho procuração para fazer a defesa, mas faço por uma questão de Justiça, mas que nem seria necessário, porque no caso do ministro Flávio Dino, a sua biografia é suficiente para defende-lo sempre. Sua atuação como ministro do Supremo atualmente, o respeito que ele tem no Brasil inteiro, dentro Corte e fora dela, é também algo que o defende naturalmente”.

Márcio Jerry prosseguiu: “E eu invoco apenas o respeito que ele tem dentro da Corte e fora dela é também algo que o defende. E eu invoco também o respeito que ele tem dentro do seu próprio partido (MDB), porque eu conheço a deferência que tem o presidente Baleia Rossi pelo ministro Flávio Dino.

Márcio Jerry concluiu: “E eu digo até mais: o ex-presidente Sarney, adversário de Flávio Dino nas lutas políticas do Maranhão, que também não cansa de manifestar respeito por esse grande jurista e grande maranhense”.

São Luís, 14 de Agosto de 2025.

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