
do deputado estadual Florêncio Neto (PSB) e da deputada
federal Amanda Gentil (PP), Carlos Brandão satanizou
adversários e disse que “Deus está do lado dos bons”
O governador Carlos Brandão (que está saindo do PSB), abandonou sua habitual e conhecida postura de moderação para assumir, domingo, em Penalva, uma atitude dura de ataque ao que chamou de opositores. Em meio a um discurso feito num ato público, o governador, reagiu ao que classificou de perseguição, e disparou: “Deus está do lado dos bons. Os satanás perseguindo vão ficar no inferno”. O surpreendente tom usado pelo mandatário se deu um dia depois que o seu irmão, Marcus Brandão, que preside o braço estadual do MDB, haver divulgado um vídeo no qual disparou uma série de petardos acusatórios na direção do chamado Grupo Dinista, e mais diretamente na do vice-governador Felipe Camarão (PT).
A metralha verbal do governador Carlos Brandão contra a oposição dinista se deu num dos momentos mais tensos da relação dele com o grupo dissidente da base governista, que, numa articulação intensa, o grupo opositor conseguiu retomar o controle do PSB maranhense, que foi tirado do chefe do Executivo pela direção nacional e entregue à senadora Ana Paula Lobato, que voltou ao partido após deixar o PDT. A reação do governador foi também motivada pela decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, de mandar a Polícia Federal investigar uma denúncia sobre suposta compra de votos para escolha de conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE). A decisão retardou o processo, já resolvido, mas dependente da palavra final do ministro sobre os critérios para a escolha, pela Assembleia Legislativa, de conselheiros para a Corte de Contas do Maranhão, que causou também reação dura da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (também de saída do PSB).
Tanto o governador no seu discurso em Penalva quanto o seu irmão no vídeo em que disparou chumbo grosso contra o vice-governador Felipe Camarão e seus aliados, que para eles estariam por trás de uma conspiração para desestabilizar e afastar o governador do cargo. No seu vídeo, o presidente do MDB não deixou qualquer dúvida: “Onde eles chegam só falam em prisão do Marcus, prisão de Carlos Brandão”.
Chama a atenção o fato de a surpreendente subida de tom do governador Carlos Brandão se dar exatamente no momento em que ele exibe no resultado de uma pesquisa na qual o seu Governo aparece como detentor de 62% de aprovação, um percentual que raros governadores conseguiram alcançar. Trata-se de uma posição que mostra a sua envergadura como gestor e a sua estatura no campo minado da política. Além disso, o governador tem feito uma cruzada municipalista cujo resultado é o apoio de mais de depois terços da Assembleia Legislativa, dezenas e dezenas de prefeitos, que devem acompanhado na mudança de partido, que segundo o próprio governador, será definida em breve.
Ao elevar o tom do seu discurso político, embalado pela decisão de permanecer no cargo até o final do mandato, de apoiar a candidaturas do secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB), e de mudar de partido, o governador Carlos Brandão dá um claro aviso de que está pronto para o confronto, seja contra quem for. E tudo indica que será mesmo contra o grupo dinista, já que na última semana, em meio a esse turbilhão, a pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão ganhou fôlego, reunindo as condições para se reposicionar numa corrida na qual ele não será candidato, mas terá um lado, pelo qual se desdobrará com determinação para levar em frente o seu arrojado projeto de poder.
O governador Carlos Brandão sabe que, mesmo considerando o elevado grau de imprevisibilidade da política, as posições assumidas por ele e seus principais aliados, o irmão Marcus Brandão e a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale, os estão entrando num caminho sem volta.
PONTO & CONTRAPONTO
Pesquisa: Braide lidera com folga, Orleans, Bonfim estão empatados e Camarão está atrás
Os números encontrados pelo Instituto Paraná Pesquisas na investigação que mediu a corrida ao Governo do Maranhão, divulgados ontem, mostraram um cenário estável, com a liderança isolada do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), um empate quase absoluto entre Orleans Brandão (MDB), com 20,9%, e Lahesio Bonfim (Novo), com 20,4%, e Felipe Camarão (PT) atrás, com 12,3%. Além disso, 6,9% responderam que não votariam em nenhum deles, e um grupo de 5,9% não soube ou não quis responder.
A chave da corrida ao Palácio dos Leões continua no bolso do colete do prefeito Eduardo Braide, que até aqui tem mantido silêncio sepulcral sobre o assunto, não afirmando nem negando que seja candidato. Essa posição é mantida mesmo com o presidente nacional do seu partido, Gilberto Kassab,
A pergunta mais corrente nos bastidores políticos é a seguinte: se sair candidato, Eduardo Braide manterá o cacife eleitoral mostrado nas pesquisas até aqui? Isso porque, se esse cenário for mantido, irá para um segundo turno perigoso com Orleans Brandão ou com Lahesio Bonfim, não se descartando também uma guinada de Felipe Camarão.
Em Tempo: A pesquisa foi realizada entre os dias 2 e 6 de agosto, ouviu 1.545 eleitores em 61 municípios, tem margem de erro de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos, e nível de segurança de 95%.
Se Brandão migrar para o MDB, Roseana Sarney poderá mesmo ser candidata ao Senado
Se o governador Carlos Brandão e seu grupo confirmarem a tendência de migrar para o MDB, partido controlado pelo seu irmão, Marcus Brandão, e ao qual é filiado o seu pré-candidato a governador Orleans Brandão, é grande a possibilidade de a deputada federal emedebista Roseana Sarney sair candidata ao Senado.
Como vem dizendo e repetindo a Coluna há algum tempo, amigos e aliados da parlamentar, que já foi governadora e também senadora, estaria pensando seriamente no assunto. Ela não gostaria de entrar numa disputa com o ministro do Esporte André Fufuca (PP) nem com a senadora Eliziane Gama (PP), que busca a reeleição.
Mas uma equação estaria se impondo à ex-governadora: se as condições lhe forem favoráveis e o governador Carlos Brandão se converter ao emedebismo, Roseana Sarney dificilmente rejeitará a vaga de candidata ao Senado.
São Luís, 12 de Agosto de 2025.

