
em pré-campanha e aguardando a definição de Felipe Camarão
Ainda que o quadro esteja incompleto com a indefinição do PT em relação ao futuro do vice-governador Felipe Camarão, e o PSTU preparando o lançamento do seu nome, a corrida ao Palácio dos Leões já em pleno movimento, com os pré-candidatos Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB), Lahesio Bonfim (Novo) e Enilton Rodrigues (PSOL). Os movimentos iniciais indicam que a disputa será dura, principalmente entre Eduardo Braide e Orleans Brandão, que terão, cada um no seu campo, de defender das investidas de Lahesio Bonfim, que já começa a dar sinais de que pretende ser a palmatória verbal desse grande teste eleitoral. A semana que passou sinalizou nessa direção, com Eduardo Braide incursionando no interior, Orleans Brandão investindo forte na Capital e Lahesio Bonfim correndo municípios e disparando vídeos na direção dos dois.
A semana foi marcada pela estreia do agora ex-prefeito Eduardo Braide no interior, atravessando mais do que o Estreito dos Mosquitos, mas cortando todo o estado para dar a largada em Imperatriz, a 626 km de São Luís, onde escolheu sua vice, Elaine Cortez (PSD), formando chapa “puro sangue”. Dali foi para Balsas, Açailândia e Campestre. Retornou a São Luís anunciando agenda em Timon e outros municípios na próxima semana. O entorno de Eduardo Braide comemorou a estreia dele na corrida, reforçando uma perspectiva de vitória nas urnas, mas com a preocupação moderada de evitar o já ganhou a seis meses das eleições. O pré-candidato do PSD continua liderando as preferências, segundo as mais de 40 pesquisas divulgadas até agora.
Depois de percorrer o estado como secretário de Assuntos Municipalistas, oportunidade que transformou em argumento de pré-campanha, Orleans Brandão fez o contraponto: investiu pesado em São Luís, buscando aproximar-se do eleitorado da Capital, que é independente e tende a apoiar massivamente o ex-prefeito. Avançou na Ilha visitando São José de Ribamar, num processo que o levará até a Raposa, segundo fonte a ele ligada. Na avaliação de aliados, o emedebista tem de melhorar o seu potencial eleitoral na região metropolitana de São Luís. Nos bastidores governistas, Orleans Brandão estaria pensando na escolha de um vice da Capital.
Lahesio Bonfim começou sua marcha do interior para a Capital. No bojo da sua pré-campanha No momento, ele centra sua pré-campanha divulgando vídeos provocadores nas redes sociais, sendo o mais recente uma provocação claramente dirigida ao prefeito Eduardo Braide, com quem tenta se medir como prefeito de São Pedro dos Crentes. Apontado pelas pesquisas como terceiro colocado, o pré-candidato do Novo tenta desgastar o pré-candidato do PSD, mesmo sabendo que para chegar a ele tem pela frente o pré-candidato do MDB, que vem se consolidando como o adversário de Eduardo Braide no que parece ser uma tendência de polarização da disputa.
Enilton Rodrigues foi escolhido candidato a governador depois que o PSOL desistiu de fazer uma federação com o PT no plano nacional, que empacou por causa da situação em São Paulo. Se a aliança tivesse sido firmada, o braço maranhense do PSOL seguiria o rumo que fosse definido, podendo apoiar Felipe Camarão ou até mesmo Orleans Brandão. O fracasso da tentativa de firmas a aliança levou o PSOL maranhense a optar pela candidatura própria.
Eduardo Braide, Orleans Brandão, Lahesio Bonfim e Enilton Rodrigues acompanham os movimentos do vice-governador Felipe Camarão, que aguarda definição do PT e do presidente Lula da Silva em relação ao seu projeto de candidatura ao Palácio dos Leões. A equação é complexa porque parte PT maranhense permanece inclinado a manter alinhamento com o governador Carlos Brandão (sem partido) em torno da candidatura de Orleans Brandão, enquanto o próprio Felipe Camarão tem falado na possibilidade de ele e o chamado grupo dinista, concentrado no PSB, alinhavarem um acordo eleitoral com Eduardo Braide. Uma definição pode sair a qualquer momento.
PONTO & CONTRAONTO
Brandão mantém rotina intensa com expedientes nos Leões, inaugurações e conversas políticas

e entre políticos da Baixada, Carlos Brandão comanda
a carreata de 80 km que reinaugurou a MA-106
Em meio aos primeiros movimentos da pré-campanha à sua sucessão, à repercussão da sua decisão de permanecer no cargo abrindo mão de disputar o Senado, e ainda aos rumores já batidos sobre o seu possível afastamento, o governador Carlos Brandão (sem partido) tem mantido inalterada a sua intensa rotina de trabalho. Ao longo das semanas, ele tem dividido o seu tempo entre despachos com secretários e audiências no Palácio dos Leões e viagens ao interior para inaugurar e ainda lançar obras. No plano político, o governador tem atuado para consolidar a aliança governista em torno da pré-candidatura de Orleans Brandão (MDB).
No sábado, acompanhado de líderes políticos da região, o governador liderou uma animada festa de entrega na Baixada Ocidental, que consistiu numa carreata de 80 quilômetros para reinaugurar a MA-106, que liga o Terminal Hidroviário do Cujupe, no município de Alcântara, ao município de Pinheiro. Construída no Governo de Epitácio Cafeteira, nos anos 80 do século passado, foi reconstruída, com nova camada de asfalto, meio-fio e sinalização. Sua requalificação consolida a sua condição de braço rodoviários essencial para a integração da Baixada Ocidental ao resto do mundo, a começar por São Luís.
No momento, o governador Carlos Brandão está promovendo os ajustes na sua equipe, por causa da saída de quase duas dezenas de auxiliares que deixaram seus cargos para participar das eleições, entre eles Orleans Brandão, que ocupava o cargo de secretário de Assuntos Municipalistas, tendo sido uma espécie de braço direito do chefe do Poder Executivo.
No campo político, o mandatário maranhense tem se dedica muito do seu tempo a articulações para consolidar a aliança partidária. No momento, por exemplo, ele se movimenta para atrair o PT para a base governista em torno da pré-candidatura de Orleans Brandão, bem como acertar os ponteiros em relação à disputa para o Senado.
Vice-governador aguarda decisão política e medida judicial que podem definir o seu futuro
Os próximos dias serão complicados e decisivos para o vice-governador Felipe Camarão nos campos político e judicial. No primeiro ele deve intensificar as articulações para ser o candidato do PT ao Governo do Estado, e no segundo, inicia guerra na Justiça contra a CPI da Assembleia Legislativa criada para investigar denúncia do Ministério Público sobre supostas movimentações financeiras atípicas.
Em relação à posição do PT sobre o seu futuro político, Felipe Camarão mantém o seu projeto de candidatura ao Palácio dos Leões, invocando a sua condição de “candidato natural”. O problema é que o PT do Maranhão continua dividido, com parte expressiva inclinada por uma aliança com Orleans Brandão (MDB) e outra alinhada ao vice-governador.
Felipe Camarão tem até aqui o aval do comando nacional do PT, que vem dando sinais de que não quer a aliança com o MDB, e o próprio presidente Lula da Silva, que não quer que o racha Dino/Brandão o alcance, mas está inclinado a apoiar a decisão do partido em relação a Felipe Camarão, que pode vir a ser candidato a governador ou a senador, ou ainda a deputado federal. Ou poderá cumprir seu mandato até o final e voltar ao seu posto de procurador federal no Maranhão.
No que diz respeito à CPI, cujos membros já foram nomeados pela Mesa Diretoras da Assembleia Legislativa com base nas indicação dos blocos parlamentares, com ampla maioria de deputados adversários e que será instalada na próxima terça-feira (14), o foco do vice-governador agora é suspende-la na Justiça, e para tanto já bateu às portas do Tribunal de Justiça com um mandado de segurança. Há menos de duas semanas, ele obteve do Tribunal Superior de Justiça medida liminar para suspender a tramitação no Tribunal de Justiça da ação na qual o procurador geral de Justiça, Danilo Castro pede o seu afastamento do posto de vice-governador. Felipe Camarão nega a acusação e aponta o PGJ como parte de uma trama para ataca-lo.
Ou seja, serão dias intensos, com desdobramentos imprevisíveis.
São Luís, 12 de Abril de 2026.
