Ainda está longe de ganhar desenho definitivo o cenário de como candidatos a presidente da República se movimentarão no Maranhão. O próprio presidente Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, e que já deveria ter escrito o seu roteiro de campanha no estado, não sabe ao certo em que palanque pedirá votos aos maranhenses. Na mesma situação está o seu principal oponente até aqui, Flávio Bolsonaro (PL), que ainda procura um candidato a governador identificado com o discurso da direita radical. Os aspirantes ao Palácio dos Leões, por sua vez, aguardam um quadro mais definido de candidatos a presidente, para tentar escolher o que representará na corrida às urnas.
O presidente Lula da Silva vive uma situação curiosa no Maranhão. Dono de pelo menos metade das intenções de voto no estado, o líder petista está dividido entre ser representado pelo pré-candidato do seu partido, o vice-governador Felipe Camarão (PT), que hoje faz oposição ao Governo estadual apoiado pelo chamado grupo dinista, e o candidato do MDB, Orleans Brandão, escolhido pelo governador Carlos Brandão (sem partido), para representar o grupo governista na corrida sucessória. Uma situação complicada, que só será resolvida com a desistência de um dos dois candidatos, o que, pelo menos até aqui, parece não ter solução.
É difícil admitir, até porque não faz sentido, que o presidente da República, com chances reais de reeleição, fique sem palanque no Maranhão, numa posição de neutralidade, por conta desse impasse, já que essa seria a sua terceira via. A palavra final sobre essa equação confusa na base governista no Maranhão será do próprio presidente Lula da Silva. Ele deve bater martelo sobre o assuntos depois do dia 4 de abril, quando se encerram o prazo de desincompatibilização e o período da janela partidária, e a partir de quando o quadro de candidatos a governador estará definido.
Flávio Bolsonaro encontra-se na mesma situação. O candidato do Novo, que representa a direita radical, Lahesio Bonfim, pode ter o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) como candidato, e se não o tiver, enfrenta o problema de não ser da confiança dos Bolsonaro. O próprio Lahesio Bonfim já admitiu tal situação e aguarda a definição do seu partido quanto à candidatura do governador mineiro. O candidato presidencial bolsonarista poderá se valer de um palanque a ser montado por um candidato a senador, Roberto Rocha, que vai comandar o PSDB no Maranhão e é seu aliado de primeira hora. O para dar mais viabilidade a esse movimento, terá de reunir no mesmo espaço as forças do PL que não rezam muito bem na sua cartilha, como o grupo liderado pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho.
Nesse contexto, o Eduardo Braide (PSD), se vier a ser candidato a governador, deverá montar palanque próprio e acolher o nome que sair do plantel de formado pelos governadores Ronaldo Caiado (Goiás), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ratinho Júnior (Paraná), que brigam pela vaga de candidato presidencial do seu partido. Se, contrariando as expectativas, o prefeito Eduardo Braide não se candidatar a governador, o candidato presidencial que for escolhido pelo seu partido contará com o palanque a ser montado pela senadora Eliziane gama, candidata à reeleição pelo PSD.
No que respeita à montagem de palanque presidencial no Maranhão, a situação mais confortável é a do professor maranhense Hertz Dias, escolhido pelo PSTU como candidato ao Palácio do Planalto. Com a experiência de quem já foi candidato a prefeito da Capital e a governador, ele provavelmente encontrará enormes dificuldades para conseguir palanque em outros estados, mas em território maranhense, especialmente em São Luís, estará em casa, apoiado pela minúscula mas aguerrida militância do PSTU.
Esse cenário será definido ao longo do mês de abril.
PONTO & CONTRAPONTO
Secretários-candidatos deixarão seus cargos no dia 30
Os secretários de Estado que concorrerão a mandatos nas eleições de outubro deixarão os seus cargos no próximo dia 30, cinco dias antes do prazo de desincompatibilização. O desembarque será em bloco e a data foi definida numa espécie de acordo dos secretários pré-candidatos com o governador Carlos Brandão.
Inicialmente, a ideia era a de que os secretários, a começar por Orleans Brandão (MDB), de Assuntos Municipalistas, pré-candidato ao Governo do Estado, se desincompatibilizassem em meados de março. No entanto, o Palácio dos Leões mudou de plano e decidiu que o secretário de Assuntos Municipalistas deve permanecer até o final do mês, para cumprir uma extensa agenda de compromisso no interior.
Diante disso, o governador Carlos Brandão decidiu que todos os secretários pré-candidatos às eleições de outubro têm prazo até o último dia de março para passar o bastão nas suas pastas.
Além de Orleans Brandão, devem deixar os cargos Bira do Pindaré (Agricultura Familiar), Vinícius Ferro (Planejamento) e Washington Oliveira (Representação em Brasília), que disputarão vagas na Câmara Federal, e Sebastião Madeira (Casa Civil), Paulo Casé (Desenvolvimento Social), Júnior Viana (Articulação Política), Natássia Weba (Ciência e Tecnologia), Abigail Cunha (Mulher) Tiago Fernandes (Saúde) e Yuri Arruda (Cultura) à Assembleia Legislativa. Serão também nomes de peso do segundo escalão, como Cricielle Muniz, que deixará o comanda a rede Iema.
Rumor sobre possível candidatura de Roseana ao Senado agita a base governista
Circulou com muita intensidade, de uns dias para cá, nos bastidores partidários, o rumor segundo o qual o MDB estaria considerando seriamente lançar a candidatura da deputada federal Roseana Sarney ao Senado. A pressão nesse sentido estaria sendo feita por uma ala forte dentro do partido, por grupos de amigos, e contaria com o aval de parte da família Sarney.
O disse-me-disse sobre esse assunto não apontou até aqui o que presidente do MDB e candidato a governador Orleans Brandão e o governador Carlos Brandão, que não é filiado ao partido mas tem grande força nas suas decisões, estão pensando a respeito desse míssil político.
Ainda convalescendo de uma dura, mas vitoriosa, luta contra um câncer, Roseana Sarney foi provocada sobre o assunto Senado e, com muita habilidade, não respondeu nem sim nem não. Ou seja, pode ser, dependendo das circunstâncias.
O problema e que, como é visível, o lançamento da ex-governadora para o Senado pelo MDB abriria uma enorme frente de crise na base governista, porque impactaria fortemente nas já definidas candidaturas do senador Weverton Rocha (PDT) à reeleição e do ministro do Esporte André Fufuca (PP).
O cenário do momento indica que a candidatura de Roseana Sarney ao Senado é uma hipótese remota.
São Luís, 12 de Março de 2026.





























