
com o decano Arnaldo Melo, Maria da Luz, Aristéia Barros e Bráulio
Martins, e o secretário Sebastião Madeira, representante do governador
Carlos Brandão, e o senador Weverton Rocha (PDT)
A Assembleia Legislativa completou ontem 191, iniciando a década que a levará aos dois séculos de existência. E como não poderia deixar de ser, a data foi comemorada com sessão solene comandada pela presidente Iracema Vale (MDB) e ao longo da qual o deputado Arnaldo Melo (PP), ex-presidente e atual decano da Casa, e os servidores Aristéia Barros (Cerimonial), Maria da Luz (Arquivo) e Bráulio Martins (diretor geral da Mesa) foram homenageados pelos relevantes serviços prestados à instituição legislativa.
O quase bicentenário Poder Legislativo do Maranhão chega a esse patamar vivendo uma situação especialíssima. Para começar, é presidido por uma mulher, deputada Iracema Vale, quebrando um tabu machista de quase dois séculos. Esse dado ganha mais importância com o fato de a composição do plenário ser atualmente formada por 13 mulheres. E também pelo fato de que, embora haja uma ampla maioria governista, atua na Casa uma oposição aguerrida, existindo também uma fatia parlamentar que joga nos dois campos, formando uma terceira via.
O parlamento maranhense entra num ano eleitoral no qual o cenário político é complexo e indefinido. E nele, a maioria dos deputados se prepara para pleitear a renovação do mandato, tendo de escolher um lado, o que torna essa uma tarefa difícil. O ambiente é, portanto, de uma tensão visível, com embates isolados entre deputados que disputam o mesmo pedaço da massa eleitoral, e com tendência de agravamento à medida que a data das eleições (4 de outubro) se aproxima.
Por conta do imperativo eleitoral, a Assembleia Legislativa do maranhão passa nesse momento por uma ampla rearrumação partidária, que coloca os gr4upos nos seus devidos campos, agregando inclusive parlamentares que se encontravam “soltos”. A presidente Iracema Vale, por exemplo, deixou o PSB e se filiou ao MDB, levando com ela nada menos que sete deputados, o que tornou a legenda presidida pelo pré-candidato a governador Orleans Brandão, que hoje tem 10 deputados, o equivalente a quase 25% do plenário.
Essa movimentação manteve intacta a base governista, que tem cerca de 26 dos 42 deputados como votos certos. Não há dúvida, portanto, de que a atual Assembleia Legislativa tem base governista, à medida que a maioria esmagadora está alinhada ao Palácio dos Leões, em completa afinação com o governador Carlos Brandão (sem partido). Mas não há dúvida também de que o Poder Legislativo alimenta um expressiva espaço de autonomia, seja por meio da banda parlamentar oposicionista, como é o caso da chamada bancada dinista PSB e PCdoB, e da bancada do PL, que atua representa o grupo liderado pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho. Essas forças estão em permanente estado de guerra, com o clima de beligerância política tendendo a se tornar mais ácido à medida que as eleições se aproximem.
No plano das relações internas, é dominante a avaliação de que a presidente Iracema Vale se revelou um quadro político de ponta, com estatura e habilidade para decidir o seu próprio destino manter sob controle as rédeas da Casa. Essa postura foi confirmada pelo discurso do ex-presidente Arnaldo Melo, segundo o qual a presidente de fato lidera o parlamento estadual, à medida que tem como foco a unidade da instituição pela forçado diálogo. Na sua fala, ela própria assinalou que não existe grupo isolado e que a sua presidência conversa com todos os deputados, independentemente do posicionamento político ou partidário de cada um. “Temos de trabalhar sempre pela nossa unidade”, declarou a presidente da Assembleia Legislativa.
Um dos momentos mais destacados da sessão solene foi o discurso do deputado Arnaldo Melo, decano da Casa. Do alto dos seus oito mandatos, ele fez uma fotografia histórica do parlamento, declarando-se apaixonado pelo fato de pertencer aos seus quadros.
PONTO & CONTRAPONTO
Repórter Tempo: 11 anos de Jornalismo focado na política do Maranhão

Flávio Dino, hoje ministro do STF, e
Carlos Brandão, que decidiu ficar no cargo
Repórter Tempo completa 11 anos. Desde a sua chegada ao mundo, no dia 25 de fevereiro de 2015, a Coluna tem se mantido firme no propósito de manter a sua independência e fazer um Jornalismo que tem a interpretação dos fatos como característica principal. Nesse período, ofereceu aos seus leitores nada menos que 3.246 edições, todas as autorais e com foco na cena política do Maranhão. Foram, grosso modo, cerca de 10 mil informações comentadas, sem que nenhuma delas tenha ficado de fora do crivo da interpretação.
A Coluna, que ocupa espaço de blog, se firmou como uma referência no registro interpretativo dos fatos políticos, ganhando reconhecimento como espaço de um Jornalismo sério, feito com o senso profissional que sempre pautou o autor ao longo dos seus 47 de atividade.
O conteúdo, o formato e a hora de chegar aos leitores transformaram Repórter Tempo numa referência. Sua existência registrou a virada na política maranhense com achegada de Flávio Dino ao Governo em 2014, sua ida para o Senado e, logo em seguida, para o Supremo Tribunal Federal, e a ascensão de Carlos Brandão ao Palácio dos Leões, onde está decidido a permanecer até o final do mandato, em dezembro próximo. A Coluna documentou também rompimento de um grupo que parecia uno.
Mesmo tendo a política como principal foco, ao longo da sua existência Repórter Tempo abriu espaço também para a cultura do Maranhão. Dedica registros sobre a música e a literatura maranhenses, registrando impressões sobre discos especiais da MPM, como obras de Cesar Teixeira, Josias Sobrinho e Chico Maranhão, por exemplo, e emitindo impressões sobre livros importantes, a exemplo de “A Província”, de Nauro Machado, “Os Tambores de São Luís”, de Josué Montello, e “Éramos felizes e não sabíamos”, de Bernardo Almeida.
Repórter Tempo vai continuar se esforçando para se manter como a referência que é hoje no Jornalismo digital do Maranhão.
São Luís, 25 de Fevereiro de 2026.