
Antônio Pereira, Davi Brandão, Adelmo Soares e Francisco Nagib
reforçam o MDB e turbinam projeto de Orleans Brandão
A previsão do deputado federal Ildo Rocha de que o MDB sairá das urnas como partido majoritário na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal começou a ganhar formas ontem, com a confirmação da permanência da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale, e a filiação de mais sete deputados: Andreia Rezende, Daniella Jadão, David Brandão, Francisco Nagib, Antônio Pereira, e Florêncio Neto e Adelmo Soares. Assim como a presidente da Alema, eles deixaram o PSB, que migrou para a oposição, e se mantiveram na aliança partidária liderada pelo governador Carlos Brandão (sem partido). Desde ontem, portanto, o MDB tem uma bancada de 10 deputados – os oito recém chegados e os dois já existentes, Ricardo Arruda e Kekê Teixeira, tornando-se a maior força no plenário da Assembleia Legislativa e irão para as urnas na linha de frente da candidatura de Orleans Brandão, que atuou fortemente na articulação para levar os parlamentares para o seu partido.
A migração desses deputados do PSB para o MDB começou a ser desenhada quando, há duas semanas, eles foram “desfiliados” do PSB. O primeiro movimento na direção do MDB foi feito pela deputada-presidente Iracema Vale, que fora convidada para ingressar no PT, que é a sua raiz partidária, que a queria também como candidata ao Senado. Foi um convite sedutor, que levou a chefe do Poder Legislativo a “balançar”. O distanciamento de parte do PT, que está alinhada à pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT), em relação ao governador Carlos Brandão, de quem é aliada de primeira hora, levou Iracema Vale a transformar em definitiva, sua filiação “temporária” ao MDB. Antes, ela flertou com o PDT, ingressou no MDB à pedido do pré-candidato Orleans Brandão.
Os deputados que se converteram ao emedebismo, são todos donos de potencial eleitoral, detentores, portanto, de cacife para pleitear a reeleição. A deputada Andreia Rezende tem a região de Balsas como base principal, com influência também na região polarizada por Vitorino Freire. Daniella Jadão nasceu politicamente em Presidente Dutra, atua bem na região e estendeu seu espaço político e eleitoral até Caxias, onde é parte do grupo liderado pelo ex-prefeito Fábio Gentil. Adelmo Soares, que ocupa a vaga de Edson Araújo, tem seu forte eleitoral em Caxias e região.
Os deputados Florêncio Neto e David Brandão dividem o eleitorado de Bacabal, agora ampliado com a eleição do deputado Roberto Costa para a Prefeitura daquele município; ambos são adversários, mas chegaram à Assembleia Legislativa pelo PSB. O deputado Francisco Nagib, que tem berço político e eleitoral em Codó, permaneceu até pouto tempo no PSB, mas numa articulação feita por seu pai, o prefeito Chiquinho Oliveira (PT), retornou à base governista, agora pelo MDB. Um dos quadros mais experientes da Alema, o seu atual vice-presidente, o deputado Antônio Pereira vai tentar o sexto mandato, agora como representante do MDB.
Por orientação do presidente Orleans Brandão, o MDB divulgou nota saudando o ingresso da quase totalidade do PSB nos seus quadros. “Quando diferentes vozes se unem em torno de um propósito comum, quem ganha é o Maranhão e o Brasil. Sejam bem-vindos ao partido que constrói pontes, une forças e trabalha todos os dias por um futuro com mais equilíbrio, crescimento e oportunidades para todos”, diz a nota da agremiação, que além de Orleans Brandão e da presidente Iracema Vale, tem como principais referências o ex-presidente José Sarney e a ex-governadora e atual deputada federal Roseana Sarney.
Na semana que passou, o deputado federal Ildo Rocha, que tem posição destacada no comando do MDB, pertencendo inclusive ao Diretório Nacional, previu, em entrevista à TV Mirante, que o MDB projeta eleger nada menos que duas dezenas de deputados estaduais, ou seja, quase metade da Assembleia Legislativa. Sua previsão dificilmente se confirmará, mas não há dúvida de que o MDB sairá das urnas muita força política.
PONTO & CONTRAPONTO
Brandão terá novo partido ou cumprirá resto do mandato sem vinculação partidária?
Em meio a essa movimentação partidária, uma pergunta não quer calar: o governador Carlos Brandão terá filiação partidária nos dez meses que lhe restam de mandato? A pergunta é pertinente, já que ele bateu martelo e decidiu abrir mão de ser senador para cumprir o mandato até o último dia.
Semanas depois de deixar o PSB, após a direção nacional haver lhe tirado o comando do partido, a Coluna indagou a Carlos Brandão a que partido ele se filiaria. Sua resposta, via zap, foi a seguinte: “Estou vendo, mas não tenho pressa”. Ele foi convidado para ingressar pelo menos em seis partidos, mas preferiu não assumir compromisso com nenhum.
No meio político, a expectativa dominante era a de que ele se filiaria ao MDB, o seu caminho natural, até para estimular o grupo que encontrava-se no PSB o acompanhasse. Mas à medida que sua decisão de permanecer no cargo foi ganhando forma, aumentou a impressão de que ele assinaria ficha no MDB.
Decidido a permanecer no cargo, o governador Carlos brandão não precisa se filiar a um partido para cumprir o resto do mandato. Isso pelo fato de que não concorrerá a nenhum cargo. Para um político próximo a ele, permanecendo sem partido, o governador ficará mais à vontade como articulador, evitando a cobrança de estar mais próximo do partido a que estiver vinculado.
Mesmo mantendo a decisão de permanecer no cargo, o governador Carlos Brandão poderá se filiar a um partido a qualquer momento. Só que, se a filiação ocorrer antes de 4 de abril, haverá forte especulação sobre sua permanência ou não no cargo. Mas se ele ocorrer depois dessa data, não haverá mais retorno, uma vez que ele não poderá se candidatara nenhum cargo.
Nova ação do PCdoB contra presidente do TCE acirra guerra política em curso no Maranhão
A nova ação do PCdoB pedindo o afastamento do advogado Daniel Brandão do cargo vitalício de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que preside no momento, funciona como combustível para a guerra política que vem sendo travada há dois anos no Maranhão. E mais do que isso: mantém aquela corte de contas sob forte pressão, alimentando ali um ambiente de instabilidade.
Na avaliação de advogados tarimbados, do ponto de vista formal, a escolha de Daniel Brandão para o cargo de conselheiro, via Assembleia Legislativa, e a sua nomeação pela governadora interina Iracema Vale, presidente da Assembleia Legislativa – que substituía o governador Carlos Brandão na ausência dele e do vice-governador Felipe Camarão, que se encontravam em missões diferentes fora do país – foram atos juridicamente perfeitos.
O dado causador do embate político e judicial é de natureza ética, pelo fato de Daniel Brandão ser sobrinho do governador Carlos Brandão, o que produziria nepotismo. A denúncia não leva em conta o fato de que, independentemente do parentesco, Daniel Brandão tem formação técnica, advogado que é, para exercer o cargo. E até onde é sabido, ele vem cumprindo com as suas obrigações.
Os desdobramentos desse caso afetaram fortemente a Corte de Contas, que está desfalcada de dois membros por conta de decisões judiciais que o obrigaram a Assembleia Legislativa a rever as regras de escolha de conselheiro. Tudo o que foi proposto para atualizar o processo de escolha foi feito pelo parlamento estadual, mas não foi suficiente para devolver normalidade ao processo de composição do TCE.
Não há dúvida, e a nova ação confirma isso, que essa é uma questão que vem alimentando a crise política que rompeu aliança e tirou os deputados do grupo montado pelo então governador Flávio Dino da base de apoio do governador Carlos Brandão, sendo um dos motivos da sua decisão de permanecer no cargo até o final do seu mandato.
São Luís, 21 de Fevereiro de 2026.

