Depósito bilionário no BRB volta a causar tensão no TJ com decisão do CNJ de investigar o caso

Froz Sobrinho terá de explicar ao CNJ
sua decisão sobre Depósitos Judiciais

Depois de quatro dias oficiais de folia, Momo partiu, mas deixou um baita clima de ressaca no Poder Judiciário do Maranhão, tirando o sono do seu ainda presidente, desembargador Froz Sobrinho. E o motivo foi exatamente o finado Banco Master, cuja liquidação está causando insônia em boa parte da elite de Brasília e de vários estados, entre eles o Maranhão. A dor de cabeça ganhou intensidade ontem, quando o corregedor-geral do Conselho Nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell, tornou pública sua decisão de mandar investigar o que está de fato por trás da decisões das cúpulas dos Judiciários de cinco estados – Maranhão, Alagoas, Bahia, Paraíba e Distrito Federal – de aplicar bilhões em Depósitos Judiciais no BRB, que ficou mal das pernas com a liquidação do Banco Master.

O presidente do TJ maranhense autorizou, numa decisão solitária, a transferência de R$ 2,8 em Depósitos Judiais que estavam depositados no Banco do Brasil, para o BRB. Ao explicar sua decisão para o colégio de desembargadores durante uma reunião tensa realizada no dia 28 de janeiro, o desembargador Froz Sobrinho, sob a alegação de que, enquanto no Banco do Brasil, que é sólido e sem riscos, essa bolada rendia algo em torno de R$ 3 milhões mensais, no BRB, que também foi um banco sólido até se associar às falcatruas do Master, rendia algo em torno de R$ 15 milhões por mês. Ficou claro que o presidente Froz Sobrinho trocou a segurança do Banco do Brasil, que paga juros de mercado, pelas incertezas de uma aplicação que rende cinco vezes mais.

– É como tirar suas economias da poupança da Caixa e entrega-las a um agiota para ele “fazer” dinheiro a juros escorchantes – disse um magistrado à Coluna.

O fato é que, admitam ou não o presidente Froz Sobrinho e seus aliados, sua gestão dos Depósitos Judiciais – que não pertencem ao Judiciário, mas é administrado por seus dirigentes -, abriu uma forte crise nos bastidores da Corte. E isso ficou claro no embate do dia 28 de janeiro entre o presidente Froz Sobrinho e o ex-presidente Paulo Velten, atual presidente da Justiça Eleitoral. Diante do forte e indiscutível abalo sofrido pelo BRB na esteira da liquidação do Banco Master, o presidente Froz Sobrinho tentou acalmar os ânimos garantidos que os Depósitos Judiciais não estão sob risco no banco candango. Ele assumiu sozinho o risco, alegando que foi uma boa medida pelo volume de rendimento, teve de encarar reações duras como a do ex-presidente Paulo Velten, que além de críticas ácidas, se recusou a participar de uma reunião para ouvir explicações de técnicos do BRB. “Estou fora!”, declarou Paulo Velten, avisando que não participará de qualquer reunião destinada a validar a decisão do presidente.

A decisão de ontem do corregedor-geral do CNJ obriga os presidentes dos Judiciários dos cinco estados a prestarem as informações sobre as aplicações que fizerem com Depósitos Judiciais no BRB, e também colocou a Polícia Federal no circuito para investigar essa movimentações, que envolvem vários bilhões de reais, a começar pelos R$ 2,8 bilhões do JT do Maranhão. Nesse contexto, por mais que o presidente do TJ repita que tomou a decisão certa em razão dos elevados ganhos, ele terá de dar explicações a um CNJ em estado de alerta máximo, pronto para punir severamente quem tiver pisado na bola nesse escândalo produzido pelo Banco Master.

E o que torna a situação mais complicada é que essa “bomba de efeito retardado” montada pelo presidente Froz Sobrinho será encontrada armada no birô do seu sucessor, desembargador Ricardo Duailibe, que assumirá em abril já tendo o desafio de desmonta-la. Isso porque o futuro presidente do TJ sabe que a normalidade sói voltará à Corte quando o petardo estiver devidamente desativados e os R$ 2,8 bilhões dos Depósitos Judiciais estiverem num banco sólido, como encontrava-se no Banco do Brasil, de onde não deveria ter saído.

PONTO & CONTRAPONTO

Aparício Bandeira rebate e minimiza relatório da CGU sobre obra da Litorânea

Aparício Bandeira esclarece
relatório da CGU sobre Litorânea

Num primeiro momento, a informação sobre um relatório da Controladoria Geral da União apontando supostas irregularidades, incluindo problemas técnicos e sobre preço, por exemplo, nas obras de prolongamento da Avenidas Litorânea, causou certo impacto, principalmente pelo tom dado à reportagem da TV Mirante. Logo em seguida, em bloco separado, a matéria foi complementada com as explicações do secretário de Infraestrutura (Sinfra), engenheiro Aparício Bandeira.

O titular da Sinfra minimizou o relatório, apontando-o como já vencido. Primeiro, lembrou que a peça da CGU encaminhada ao TCU fora emitido em agosto do ano passado, quando a obra ainda encontrava-se na fase inicial. E em seguida informou que a Sinfra já respondeu a todos os questionamentos.

Aparício Bandeira esclareceu: a obra é financiada pela Caixa, que fiscaliza todos os seus aspectos, examina com lupa os contratos e as medições e só libera as parcelas para pagamento quando não existe dúvida sobre o que dizem os relatórios dos seus técnicos.

O secretário foi enfático ao afirmar que não nada de errado com a evolução da obra, das medições e dos pagamentos. Segundo ele, não há como ter problemas, porque tudo é acompanhado pela Caixa, que só libera o pagamento após a conferência feita por seus técnicos. “É impossível ter distorções”, disse Aparício Bandeira.

Segundo uma fonte política, o governador Carlos Brandão não mostrou qualquer sinal de preocupação com a divulgação do relatório em tom de denúncia. O chefe do Executivo teria dito apenas que nada tem de errado na obras lá.

Dino não faz concessões e endurece o cerco aos penduricalhos salariais no serviço público

Flávio Dino endurece contra
penduricalhos salariais

Errou feio quem apostou que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, recuaria da sua decisão de acabar com os penduricalhos salariais que driblam a lei e rompem o teto salarial de R$ 46 mil, que é quando ganhos um membro da Corte Suprema.

Além de não ter mudado uma vírgula da decisão fixando prazo de 60 dias para que as três esferas do Poder Público informem à Corte os penduricalhos que pagam e as leis nas quais estão baseados. Ou seja, houve aperto no cerco que mega salários pagos no serviço por causa dos penduricalho.

Todos os sinais indicam que o ministro Flávio Dino não fará qualquer concessão. Ele analisará criteriosamente os relatórios que lhes serão encaminhados pelo Executivo, Legislativo e Judiciário das esferas federal, estadual e municipal. E num trabalho hercúleo, identificará o que tem, de fato, base legal, e o que é penduricalho mesmo nos “puxadinhos” salariais.

E foi mais longe: manteve suspenso o pagamento todas as regalias salariais e proibiu a aplicação ou a edição de novas leis que permitam o pagamento de salários ou de verbas indenizatórias acima do teto constitucional que ignoram o teto salarial fixado pela Lei maior.

E fechou a decisão mandou um recado direto e sem rodeios ao Poder Legislativo: ou o Congresso Nacional corrige essa distorção salarial absurda ou proporá à Corte Suprema resolverá o problema: “Caberá exclusivamente ao STF examinar a fixação de regime transitório, caso o Congresso Nacional não cumpra o seu dever de legislar e mantenha a omissão institucional”.

O ministro tem sido alvo de ataques de segmentos insatisfeitos e de segmentos da extrema direita, que tenta tirar proveito político da sua arrojada decisão em relação aos penduricalhos. No entanto, a pressão contra é abafada pelo apoio maciço que vem recebendo da opinião pública.

São Luís, 20 de Fevereiro de 2025.

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