Arquivos mensais: fevereiro 2026

Madeira entra no MDB e Rocha reassume PSDB, disputará Senado e pode apoiar Bolsonaro

Sebastião Madeira foi para o MDB e entregou o fragilizado PSDB a Roberto Rocha

O dia de ontem marcou para sempre o braço maranhense do PSDB, primeiro por conta de uma renúncia surpreendente, e depois por conta de um retorno igualmente inesperado. A renúncia foi protagonizada pelo ex-deputado federal (quatro mandatos), ex-prefeito de Imperatriz (dois mandatos), Sebastião Madeira, chefe da Casa Civil e que se desfiliou do ninho dos tucanos, entregou as chaves ao presidente nacional Aécio Neves e migrou para o MDB, para tentar mandato de deputado estadual. O retorno coube ao ex-deputado estadual, ex-deputado federal, ex-vice-prefeito de São Luís e ex-senador Roberto Rocha, que fora tucano por muitos anos, presidiu o partido no Maranhão, fez incursões por várias legendas, mas, diante da decisão de Sebastião Madeira de deixar o ninho, voltou ao muro para ser candidato de novo a senador e montar palanque para Flávio Bolsonaro (PL) no Maranhão.

Poucas vezes a animada, e às vezes tumultuada, vida partidária maranhense registrou um episódio como o de ontem.

Um dos fundador do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) no plano nacional e no Maranhão, juntamente com o ex-deputado federal Jaime Santana, em 1988 – há 38 anos, portanto, Sebastião Madeira ganhou e assumiu a identidade tucana como poucos, motivado pelo projeto de implantação de uma democracia social no Brasil. Viveu todos os altos e baixos da agremiação no estado, sem deixar de se dedicar integralmente à sua preservação. Tanto que assumiu sua presidência há dois anos, se desdobrando para torna-lo forte no estado. Não deu, e sua saída encerrou a era primeira da história do PSDB no estado.

A migração para o MDB foi o resultado de um jogo de pragmatismo político. Sem força no plano majoritário – presidente, governador e senador – na base governista, nem na seara proporcional -deputado estadual e deputado federal -, o PSDB se tornou um fator de risco para o próprio Sebastião Madeira, com a possibilidade de uma boa votação, mas sem cociente eleitoral (número de votos) para garantir uma vaga na Assembleia Legislativa. Daí a migração para o MDB, onde entrará em condições de igualdade com vários candidatos fortes, com a certeza de que, se bem votado, terá muito mais chances de chegar ao parlamento estadual. Jogou certo.

Se vinha sendo um peso e um fator de risco para Sebastião Madeira, o PSDB caiu com o uma luva nas mãos do ex-senador Roberto Rocha. Ele vinha procurando um partido à direita, chegou a conversar como Novo, para fazer uma dobradinha com a candidatura de Lahesio Bonfim ao Governo, mas as exigências do partido impediram o avanço das negociações. O PSDB, que lhe foi oferecido pela cúpula nacional, foi um presente político, uma vez que, ao retornar para os seus quadros, o ex-senador se sente em casa, uma vez que conhece os líderes e as entranhas da agremiação.

Mesmo sabendo que o PSDB é um partido a caminho da extinção, neste exato momento o PSDB, cujo braço maranhense foi bem organizado por Sebastião Madeira, Roberto Rocha sabe também que é tudo o que ele precisava para viabilizar sua candidatura ao Senado. Dará ao partido o destino que bem entender, podendo lançar ou não candidato a governador, fazer aliança com outras candidaturas, ou, se preferir, entrar na briga eleitoral apenas com a sua candidatura ao Senado, independente de alianças ou qualquer tipo de amarra. É provável que lance o filho, o ex-vereador Roberto Rocha Filho, à Câmara Federal pela legenda.

Não há dúvida de que Sebastião Madeira desembarca no MDB com cacife para estar entre os candidatos, entre eles vários candidatos à reeleição, com chances reais de chegar à Assembleia Legislativa. Ninguém duvida também de que, ao resolver a sua questão partidária, livrando-se da refrega que se dá nos partidos com inclinação bolsonarista, o ex-senador Roberto Rocha entra de vez na corrida ao Senado, com poder de fogo para desequilibrar a disputa até aqui.

PONTO & CONTRAPONTO

Roberto Rocha e Detinha ampliam corrida ao Senado, que pode ter outros nomes de peso

Weverton Rocha, André Fufuca e Eliziane Gama sofrem pressão
de Roberto Rocha e, possivelmente, de Detinha, e todos são
pressionados pela “sombra” de Iracema Vale,
Roseana Sarney e Carlos Brandão

A definição partidária do ex-senador Roberto Rocha, que retomou o comando estadual do PSDB, despeja grande quantidade de combustível inflamável na corrida às duas vagas no Senado, as quais eram disputadas até aqui pelos senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PSD), que pleiteiam a reeleição, e pelo deputado federal e atual ministro do Esporte André Fufuca (PP).

Com o ex-senador confirmando participação na guerra eleitoral, o cenário ganha tinturas de incerteza, pelo menos em relação a uma vaga, já que a outras tem Weverton Rocha com maior preferência, segundo todas as pesquisas. Em levantamentos mais recentes, Roberto Rocha aparece em segundo, jogando doses fortes de insegurança nas pretensões de André Fufuca e Eliziane Gama – e até mesmo nos planos de Weverton Rocha.

Esse quadro evoluiria normalmente para uma guerra renhida entre os quatro pretendentes se não fossem as pesadas sombras causadas pelos rumores que apontam possibilidade de candidaturas poderosas, como a da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB), da deputada federal Roseana Sarney (MDB) e, numa hipótese muito remota – mas admissível em se tratando de política – do governador Carlos Brandão.

Não bastasse a sombra dos três, a cúpula nacional do bolsonarismo quer a deputada federal Detinha (PL), campeã de votos para a Câmara Federal em 2022, como candidata ao Senado, o que pode alterar ainda mais o cenário, que que, se vier mesmo a ser candidata, entrará com o peso do grupo liderado pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL).

Avaliações feitas em diferentes rodas e ambientes levam à mesma conclusão: individualmente ou em grupo, os quatro têm cacife para mudar as tendências da disputa senatorial. Os quatro candidatos assumidos sabem disso, e trabalham intensamente para que a corrida fique mesmo somente entre eles.

O problema é com Detinha no jogo e faltando ainda 37 dias para o decisivo 04 de abril, que é data-chave em qualquer eleição, tudo pode acontecer a partir de uma conversa definitiva do governador Carlos Brandão (sem partido) com o presidente Lula da Silva (PT) sobre a corrida ao Palácio dos Leões.

Lahesio sofre reveses e diminui a intensidade da sua pré-campanha

Lahesio Bonfim: menos ativo

Algo fora do eixo pode estar tirando da rota a candidatura de Lahesio Bonfim (Novo). Ele vem amargando uma série de pequenos contratempos, que o fez tirar o pé do acelerador na sua pré-campanha, que vinha acontecendo num estilo arrojado, como é do seu feitio.

Para começar, há pouco mais deu mês ele declarou à Coluna que o ex-senador Roberto Rocha assinaria ficha no Novo e que os dois fariam uma dobradinha “para ganhar as eleições”. Roberto Rocha desembarcou de volta no PSDB.

Recentemente, a movimentação do governador de Minar Gerais, Romeu Zema (Novo), me direção da presidência da República inflamou o clã Bolsonaro, que vem escanteando o líder mineiro, e por via de consequência, tirando Lahesio Bonfim da lista de prováveis aliados.

Lahesio Bonfim tentou atrair o bolsonarismo para sua candidatura dando à vereadora do PL de São Luís, Flávia Berthier, oferecendo-lhe vaga de candidata ao Senado, dando-lhe uma importância política que ela não tem, e acabou se dando conta de que a estratégia não funcionaria.

Terceiro colocado nas pesquisas que incluem o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD) como candidato, e segundo quando a disputa se dá entre ele e o pré-candidato do MDB, Orleans Brandão, Lahesio Bonfim parece encontrar-se num momento de transição ou de ajuste da sua candidatura, que até agora está garantida pelo Novo.

São Luís, 27 de Fevereiro de 2026.

Roseana volta à cena política cogitada para o Senado, nada descarta e diz que só quer contribuir

Por iniciativa da presidente Iracema Vale, um grupo de 18 deputados
estaduais foi cumprimentar a deputada federal Roseana Sarney pela
sua vitória contra um câncer. No registro, com o ex-presidente José
Sarney, os deputados Iracema Vale, Arnaldo Melo, Júnior Cascaria,
Francisco Nagib, Solange Almeida, Daniella Jadão, Glalbert Cutrim,
Davi Brandão, Claudia Coutinho, Mical Damasceno, Ana do Gás,
Catulé Júnior, Helena Dualibe, Adelmo Soares, Ricardo Arruda,
Andreia Rezende, Júnior França e Kekê Teixeira no Calhau

A ex-governadora e atual deputada federal Roseana Sarney (MDB) será candidata ao Senado? A pergunta estremece as bases de todos os pré-candidatos às duas vagas na Câmara Alta assumidos até agora: os senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PSD), ambos candidatos à reeleição, o ministro do Esporte André Fufuca (PP), que é deputado federal e seria reeleito sem maiores problemas, e o ex-senador Roberto Rocha (ainda sem partido). Ela própria, que retornou ao Maranhão após ter vencido um câncer de mama em tratamento que durou meses, disse ontem, em entrevista à TV Mirante, que ainda não sabe qual será o seu destino político, mas não descartou a possibilidade de tentar a reeleição para a Câmara Federal nem a hipótese de disputar a senatória. Só disse que vai avaliar tudo com calma, para definir o caminho a seguir.

Em relação ao Senado, a situação de Roseana Sarney tem prós e os seus contras. Nas pesquisas em que o governador Carlos Brandão (sem partido) ainda poderia vir a ser candidato, ele apareceu em todas na liderança, com a ela aparecendo sempre em segundo lugar. Sem Carlos Brandão, que decidiu permanecer no cargo, a ex-governadora disputa a liderança com o senador Weverton Rocha, aparecendo sempre à frente do ministro André Fufuca e da senadora Eliziane Gama, havendo também quadros em que ela disputa a segunda colocação com o ex-senador Roberto Rocha. O distanciamento causado pela luta contra o câncer produziu a impressão de que ela teria arquivado o projeto senatorial.

Roseana Sarney voltou ao cenário da disputa por vagas no Senado na semana passada, pela voz do deputado federal Ildo Rocha (MDB), um dos seus porta-vozes, que numa entrevista à TV Mirante afirmou que a deputada federal é o nome do partido para a disputa. Ildo Rocha disse que essa é a posição da maioria do MDB, estadual e nacional, manifestou entusiasmo com pesquisas nas quais, segundo ele, a ex-senadora aparece muito bem situada. Conforme o parlamentar, a força eleitoral da líder emedebista aparece mais fortemente nas pesquisas espontâneas, o que, na sua leitura, é sinal de consistência eleitoral.

Só que no cenário atual, a eventual candidatura de Roseana Sarney ao Senado não seria uma equação simples, mas fruto de um grande acordo. E os problemas começam exatamente dentro do seu partido. Se ela sair candidata poderá embaralhar a relação do candidato do MDB ao Governo, Orleans Brandão, que já está em franca pré-campanha tendo o senador Weverton Rocha e o ministro André Fufuca candidatos declarados na sua base de apoio. Além disso, ganha forma o “Fator Iracema”, à medida que, recém filiada ao MDB, a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale, é apontada por muitos como possível candidata ao Senado.

Não se duvida de que com um projeto bem armado, tendo como base um grupo forte, Roseana Sarney tem, sim, condições encarar uma disputa com amplas chances de sucesso nas urnas, mesmo enfrentando candidatos fortes, correndo também o risco de amargar uma derrota e ficar sem mandato. Isso porque essa discussão se dá num momento em que a lista de candidatos ao Senado já está mais ou menos ajustada, havendo pouco espaço para um projeto que precisa de uma larga base de apoio, o que é o seu caso.

Uma das mentes políticas mais ativas e tarimbadas do Maranhão, Roseana Sarney sabe exatamente o que acontece à sua volta e tem noção clara das possibilidades, das dificuldades e dos riscos de uma eventual candidatura sua ao Senado. Daí a sua reação cautelosa ao responder à provocação sobre o assunto. Não disse nem sim nem não, e, invocando o seu lastro de experiência, colocou-se à disposição do partido e do eleitorado dizendo-se disposta a colaborar onde puder ser útil “para ajudar o Maranhão”.

É claro que um mandato de senadora lhe cairia como uma luva, pois ela saberia como poucos o que fazer na Câmara Alta, que viverá tempos sombrios. Mas emitiu sinais sutis indicando que, devido às circunstâncias, a renovação do seu mandato de deputada federal estará de bom tamanho. E como não poderia deixar de ser, entregou seu futuro a Deus.

PONTO & CONTRAPOSTO

Conversa com cúpula do PT dá em nada e Brandão quer acerto definitivo com Lula

Lula da Silva e Carlos Brandão, que têm boa
relação, deverão resolver a equação
sucessória em poucos dias

A informação de que deu em nada o encontro do governador Carlos Brandão (sem partido) com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, para discutir a posição do partido em relação à sucessão estadual não foi nenhuma novidade.

Primeiro porque as posições deram forma a um impasse. O comando nacional do PT insiste no apoio à candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT) ou uma terceira via de consenso, descartando a candidatura de Orleans Brandão (MDB), e também querendo Carlos Brandão como candidato ao Senado. Já o governador Carlos Brandão não admite apoiar Felipe Camarão, não aceita desativar a candidatura de Orleans Brandão, nem recua da sua decisão de permanecer no cargo, descartando disputar o Senado.

A conversa não passou daí. E o governador Carlos Brandão, que tem o controle da base governista no estado, não quis levar adiante a reunião infrutífera, preferindo bater martelo num encontro decisivo com o presidente Lula da Silva, que deve ocorrer nos próximos dias em Brasília.

Nos grupos, o mesmo estado de ânimo: Felipe Camarão reafirmando candidatura em qualquer circunstância e Orleans Brandão afirmando que sua candidatura é irreversível. Ou seja, impasse desenhado.

PSOL pode ter de escolher entre Camarão ou Brandão, mas pode lançar candidato próprio

Guilherme Boulos e seu grupo vão decidir o
destino do PSOL na sucessão no Maranhão

Depois de ter feito um movimento arrojado na direção do projeto de candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT), o PSOL encontra-se na iminência de viver uma reviravolta em relação à corrida para o Governo do Estado.

Ontem, o comando nacional do partido iniciou uma articulação no sentido de colocar o partido na Federação Brasil Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, que no Maranhão vive uma situação de incerteza quanto ao rumo a tomar na corrida sucessória estadual. O PCdoB e uma banda do PT querem apoiar o vice-governador Felipe Camarão, enquanto a outra banda do PT e o PV querem marchar com Orleans Brandão (MDB).

Se o PSOL entrar na Federação Brasil Esperança, terá de seguir o que vier a decidir a maioria, podendo apoiar o petista Felipe Camarão ou emedebista Orleans Brandão.

Num terceiro cenário, que dependerá das circunstâncias, e se o projeto de ingressar na Federação não for consumado, o PSOL maranhense repetirá a fórmula de sempre: lançará candidato próprio.

São Luís, 26 de Fevereiro de 2026.

Assembleia Legislativa faz 191 anos, homenageia decano e servidores e se firma como Casa independente

Fofo maior: Iracema Vale com deputados, e fotos menores, a presidente
com o decano Arnaldo Melo, Maria da Luz, Aristéia Barros e Bráulio
Martins, e o secretário Sebastião Madeira, representante do governador
Carlos Brandão, e o senador Weverton Rocha (PDT)

A Assembleia Legislativa completou ontem 191, iniciando a década que a levará aos dois séculos de existência. E como não poderia deixar de ser, a data foi comemorada com sessão solene comandada pela presidente Iracema Vale (MDB) e ao longo da qual o deputado Arnaldo Melo (PP), ex-presidente e atual decano da Casa, e os servidores Aristéia Barros (Cerimonial), Maria da Luz (Arquivo) e Bráulio Martins (diretor geral da Mesa) foram homenageados pelos relevantes serviços prestados à instituição legislativa.

O quase bicentenário Poder Legislativo do Maranhão chega a esse patamar vivendo uma situação especialíssima. Para começar, é presidido por uma mulher, deputada Iracema Vale, quebrando um tabu machista de quase dois séculos. Esse dado ganha mais importância com o fato de a composição do plenário ser atualmente formada por 13 mulheres. E também pelo fato de que, embora haja uma ampla maioria governista, atua na Casa uma oposição aguerrida, existindo também uma fatia parlamentar que joga nos dois campos, formando uma terceira via.

O parlamento maranhense entra num ano eleitoral no qual o cenário político é complexo e indefinido. E nele, a maioria dos deputados se prepara para pleitear a renovação do mandato, tendo de escolher um lado, o que torna essa uma tarefa difícil. O ambiente é, portanto, de uma tensão visível, com embates isolados entre deputados que disputam o mesmo pedaço da massa eleitoral, e com tendência de agravamento à medida que a data das eleições (4 de outubro) se aproxima.

Por conta do imperativo eleitoral, a Assembleia Legislativa do maranhão passa nesse momento por uma ampla rearrumação partidária, que coloca os gr4upos nos seus devidos campos, agregando inclusive parlamentares que se encontravam “soltos”. A presidente Iracema Vale, por exemplo, deixou o PSB e se filiou ao MDB, levando com ela nada menos que sete deputados, o que tornou a legenda presidida pelo pré-candidato a governador Orleans Brandão, que hoje tem 10 deputados, o equivalente a quase 25% do plenário.

Essa movimentação manteve intacta a base governista, que tem cerca de 26 dos 42 deputados como votos certos. Não há dúvida, portanto, de que a atual Assembleia Legislativa tem base governista, à medida que a maioria esmagadora está alinhada ao Palácio dos Leões, em completa afinação com o governador Carlos Brandão (sem partido). Mas não há dúvida também de que o Poder Legislativo alimenta um expressiva espaço de autonomia, seja por meio da banda parlamentar oposicionista, como é o caso da chamada bancada dinista PSB e PCdoB, e da bancada do PL, que atua representa o grupo liderado pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho. Essas forças estão em permanente estado de guerra, com o clima de beligerância política tendendo a se tornar mais ácido à medida que as eleições se aproximem.

No plano das relações internas, é dominante a avaliação de que a presidente Iracema Vale se revelou um quadro político de ponta, com estatura e habilidade para decidir o seu próprio destino manter sob controle as rédeas da Casa. Essa postura foi confirmada pelo discurso do ex-presidente Arnaldo Melo, segundo o qual a presidente de fato lidera o parlamento estadual, à medida que tem como foco a unidade da instituição pela forçado diálogo. Na sua fala, ela própria assinalou que não existe grupo isolado e que a sua presidência conversa com todos os deputados, independentemente do posicionamento político ou partidário de cada um. “Temos de trabalhar sempre pela nossa unidade”, declarou a presidente da Assembleia Legislativa.

Um dos momentos mais destacados da sessão solene foi o discurso do deputado Arnaldo Melo, decano da Casa. Do alto dos seus oito mandatos, ele fez uma fotografia histórica do parlamento, declarando-se apaixonado pelo fato de pertencer aos seus quadros.

PONTO & CONTRAPONTO

Repórter Tempo: 11 anos de Jornalismo focado na política do Maranhão

Repórter Tempo registrou os Governos de
Flávio Dino, hoje ministro do STF, e
Carlos Brandão, que decidiu ficar no cargo

Repórter Tempo completa 11 anos. Desde a sua chegada ao mundo, no dia 25 de fevereiro de 2015, a Coluna tem se mantido firme no propósito de manter a sua independência e fazer um Jornalismo que tem a interpretação dos fatos como característica principal. Nesse período, ofereceu aos seus leitores nada menos que 3.246 edições, todas as autorais e com foco na cena política do Maranhão. Foram, grosso modo, cerca de 10 mil informações comentadas, sem que nenhuma delas tenha ficado de fora do crivo da interpretação.

A Coluna, que ocupa espaço de blog, se firmou como uma referência no registro interpretativo dos fatos políticos, ganhando reconhecimento como espaço de um Jornalismo sério, feito com o senso profissional que sempre pautou o autor ao longo dos seus 47 de atividade.

O conteúdo, o formato e a hora de chegar aos leitores transformaram Repórter Tempo numa referência. Sua existência registrou a virada na política maranhense com achegada de Flávio Dino ao Governo em 2014, sua ida para o Senado e, logo em seguida, para o Supremo Tribunal Federal, e a ascensão de Carlos Brandão ao Palácio dos Leões, onde está decidido a permanecer até o final do mandato, em dezembro próximo. A Coluna documentou também rompimento de um grupo que parecia uno.

Mesmo tendo a política como principal foco, ao longo da sua existência Repórter Tempo abriu espaço também para a cultura do Maranhão. Dedica registros sobre a música e a literatura maranhenses, registrando impressões sobre discos especiais da MPM, como obras de Cesar Teixeira, Josias Sobrinho e Chico Maranhão, por exemplo, e emitindo impressões sobre livros importantes, a exemplo de “A Província”, de Nauro Machado, “Os Tambores de São Luís”, de Josué Montello, e “Éramos felizes e não sabíamos”, de Bernardo Almeida.

Repórter Tempo vai continuar se esforçando para se manter como a referência que é hoje no Jornalismo digital do Maranhão.

São Luís, 25 de Fevereiro de 2026.

Brandão prevê neutralidade de Lula no MA, mas os sinais mostram que será uma decisão dramática

Lula da Silva pode ficar neutro numa
disputa entre Orleans Brandão e
Felipe Camarão pelo Palácio dos Leões?

“Acho que a tendência do presidente Lula é ficar neutro”. É essa a expectativa do governador Carlos Brandão (sem partido) quando a posição do presidente Lula da Silva (PT) em relação à corrida ao Governo do Maranhão. O sentimento do mandatário maranhense foi externado em entrevista à Coluna Radar, de Veja, o final da semana que passou. Mesmo afirmando que vai cumprir o seu mandato até o final, o governador sinalizou a questão relacionada com as suas vagas no Senado ainda está em aberto, daí porque vai discuti-la com o chefe da Nação, “porque, na realidade, quem vai precisar do Senado é ele”.

Observada de maneira direta e cartesiana, a neutralidade do presidente Lula da Silva em relação à disputa pelo Governo do Maranhão seria uma equação simples, mas politicamente complicada. Preto no branco, ao se posicionar neutro, o líder petista terá de ignorar completamente o projeto de candidatura do vice-governador Felipe Camarão, que é do seu partido, o PT, caso não puder demovê-lo de ser candidato. Ao mesmo tempo, na posição neutra, Lula da Silva teria de ignorar também a candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB), apoiado diretamente pelo seu aliado de proa no estado, o governador Carlos Brandão.

Vista sob qualquer ângulo, e mesmo prevista pelo governador Carlos Brandão, que está no centro do tabuleiro, sabendo, portanto, o que está dizendo, a neutralidade do presidente Lula da Silva em relação à corrida ao Palácio dos Leões parece uma hipótese, remota, ainda que possível. O presidente da República tem dado mostras seguidas de que sua enorme capacidade de construir soluções, e por maior que seja a complexidade do quadro político maranhense, com o rompimento da sua base de apoio em dois grupos beligerantes, ainda há quem acredite numa solução que evite desgastes na sua campanha para a reeleição no Maranhão.

Se levar Felipe Camarão à desistência, o que até aqui parece improvável, o presidente poderá levar seus aliados – parte do PT, e o PSB, o PCdoB e o PSOL – a uma situação desastrosa, já que não terão uma candidatura majoritária para seguir. A menos que a saída seja a aliança do grupo com o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), se ele vier a ser candidato. Será, no caso, a construção de um cenário de derrota para esses segmentos, que ficarão pressionados entre Lula da Silva e o candidato presidencial que o PSD vier a apoiar – Eduardo Braide ainda não se manifestou sobre isso também, mas dificilmente levantará a bandeira de reeleição do presidente.

Não há como imaginar o presidente Lula da Silva pedindo votos no Maranhão ignorando a candidatura do emedebista Orleans Brandão, que além do suporte do governador Carlos Brandão, tem o apoio já declarado, do Grupo Sarney, seus aliados históricos no Maranhão. Poderia ficar distanciado dos candidatos do da base governista ao Senado – o senador Weverton Rocha (PDT) e o ministro do Esporte André Fufuca (PP) – ambos tocando projetos eleitorais irreversíveis. Não é possível prever os efeitos, ou as consequências, de uma eventual neutralidade do presidente Lula da Silva em relação candidatura do emedebista Orleans Brandão. Não há dúvida de que causaria certo desconforto no governador Carlos Brandão e no seu grupo. Afinal, ao abrir mão do Senado, o mandatário maranhense está jogando todo o seu futuro nesse projeto.

Por outro lado, a política, como se sabe, é a arte do possível, e tem um elevado grau de imprevisibilidade. Isso significa dizer que, por mais surpreendente que possa parecer, não se pode descartar a neutralidade do presidente Lula da Silva em relação à corrida ao Palácio dos Leões, prevista pelo governador Carlos Brandão. Ao mesmo tempo, é muito difícil imaginar, com base no seu histórico, o presidente fingindo indiferença em relação a uma guerra travada entre dois aliados pelo poder no Maranhão.

PONTO & CONTRAPONTO

Iracema retoma agenda como quadro de peso e com o desafio de definir seu futuro

Iracema Vale e o defensor público-geral Gabriel Furtado exibem
documento por meio do qual a presidente da Assembleia
Legislativa destinou emenda parlamentar para apoiar a
criação do Observatório de Femincídio do Maranhão.
Presentes a 1ª subdefensora pública-geral Cristiane
Marques, e as defensores integrantes do Núcleo
da Mulher, Isabella Mirante e Bruno Antônio

A presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB), retoma hoje a agenda da Casa na condição de líder política de peso mas cujo destino ainda não está definido. Ela já definiu a sua situação partidária, deixando o PSB para se filiar ao MDB, mas ainda não respondeu à mais importante das indagações: será candidata a quê?

Nos bastidores da Assembleia Legislativa todos têm certeza de que a presidente não será candidata à reeleição. Diante dessa certeza dominante, e sem que ela ou algum porta-voz sinalize em relação ao seu futuro nas urnas, a onda de especulações se avoluma a cada dia.

Há quem garantas que a presidente do Legislativo será candidata à deputada federal, mas avaliações mais acuradas têm concluído que esse seria um bom caminho, mas não será o seu agora. E se chega, então, às eleições majoritárias, e logo seu nome aparece com potencial para disputar o Senado, como propôs o PT ao pedir que ela retornasse aos seus quadros, o que parece momentaneamente descartado. E nesse contexto aparece a opção a opção vice-governadora, defendida por vários dos seus aliados, caso o MDB venha a lançar chapa pura.

E, finalmente, a hipótese mais remota: ser candidata a governadora. Isso só seria possível dentro de uma grande acordo, pelo qual dinistas e brandonistas depusessem as armas e costurassem uma aliança em torno de um nome de consenso.

O fato é que Iracema Vale é hoje um quadro do qual ninguém quer abrir mão, a começar pelo fato de ser ela um quadro que une. Esse ambiente, a sua condição política e o seu potencial eleitoral terão de ser muito bem administrado por ela nas próximas semanas.

Passe Livre: depois de muito tempo “esquecido”, o autor do projeto ganha voz na imprensa

Franklin Douglas

Depois de várias matérias sobre a inclusão do Passe Livre para estudantes nos transportes públicos de São Luís, a TV Mirante fez ontem uma correção jornalística e historicamente importante: deu, finalmente, voz ao autor do projeto que levou ao plebiscito nas eleições de 2024 em São Luís, o advogado, professor e militante político Franklin Douglas.

Candidato do PSOL à Prefeitura de São Luís, Franklin Douglas, apoiado por seu partido, bateu às portas da Justiça Eleitoral propondo a inclusão do plebiscito, por meio do qual o eleitor de São Luís se manifestaria a favor ou contra a adoção da gratuidade para estudantes no sistema de transporte de massa da Capital. Dentro das regras eleitorais, a Justiça Eleitoral acatou a proposição e incluiu o plebiscito como item a ser decidido pelos eleitores.

Candidato do PSOL, Franklin Douglas fez sua campanha centrada nessa proposta, produzindo duas situações curiosas. A primeira: a maioria dos candidatos tirou uma lasquinha apoiando a proposta. E a segunda: enquanto mais de 90% dos mais de 600 mil eleitores votantes aprovaram a gratuidade para estudantes nos transportes coletivos de São Luís, o autor da proposta saiu das urnas com apenas 0,76% da votação, o equivalente a 4.386 votos.

Na época, ao comentar o resultado, Franklin Douglas tirou de letra: “O importante é que a população aprovou a nossa proposta”.

Nas últimas semanas, o Passe Livre voltou à pauta da Câmara Municipal com a sua complicada inclusão no Orçamento da Prefeitura. Vereadores “abraçaram” a causa como sendo deles, e a imprensa abraçou esse formato ignorando o pai da criança. Na sua reportagem de ontem, a TV Mirante corrigiu a omissão e deu voz a Franklin Douglas.

São Luís, 24 de Fevereiro de 2026.

Brandão, Camarão e Bonfim consolidam candidaturas, mas evitam entrar em confrontos ácidos

Orleans Brandão, Felipe Camarão e Lahesio Bonfim:
pré-campanhas intensas, mas sem
confrontos diretos e desgastantes

Enquanto forças oposicionistas e governistas travam uma guerra intensa nos bastidores, de onde eclodem, aqui e ali, denúncias destinadas a desgastar adversários, os três candidatos definidos a governador – o secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB), o vice-governador Felipe Camarão (PT) e o ex-prefeito de São padro dos Crentes Lahesio Bonfim (Novo) – se movimentam para ficar longe do tiroteio, ainda que petardos “perdidos” alcancem um ou outro ocasionalmente, e com frequência cada vez maior. Nesse exato momento, os três permanecem ilesos, aproveitando o tempo e as brechas para intensificar as suas pré-campanhas, que em alguns aspectos na ganharam o tom de campanha efetiva.

Provavelmente orientado pelo governador Carlos Brandão (sem partido), seu chefe e principal orientador, Orleans Brandão tem se desdobrado para não entrar em polêmicas, evitando tudo que possa colocá-lo numa situação incômoda ou de confronto direto e aberto com adversários. Aproveitou muito o Carnaval, mantendo contado diário com as centenas de milhares que se concentraram no Circuito Vem Pro Mar durante o reinado de Momo. Não entrou na ciranda de disse-me-disse causada pelo relatório da CGU sobre supostas irregularidades nas obras de prolongamento da Avenida Litorânea, nem disparou contra a oposição no movimento de reforço de ações que correm na Suprema Corte propondo a “desnomeação” do advogado Daniel Brandão, seu primo, do cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Orleans Brandão se manteve no centro da movimentação política, mas longe de encrencas, que são muito comuns nessa fase prévia da corrida às urnas.

O vice-governador Felipe Camarão, por sua vez, não reduziu em nada a intensidade da sua programação de pré-campanha, cumprindo rigorosamente o roteiro dos “Diálogos pelo Maranhão” – o mais recente foi sexta-feira (13) em São Raimundo das Mangabeiras, onde repetiu sua plataforma de ação para o caso de chegar aos Leões. Felipe Camarão tem feito duras críticas ao atual Governo, mas todas pontuais, mantendo a linha. Os pontos fortes do seu discurso são os investimentos que pretende fazer nas áreas básicas, com o educação – tema que domina como poucos -, saúde, desenvolvimento social e infraestrutura. O vice-governador tem batido forte na tecla segundo a qual grande parte das obras do atual do Governo do Estado é fruto de parceria com o Governo Federal, falando sempre nas “obra do presidente Lula no Maranhão”. E não perde nenhuma oportunidade de reafirmar que disputará o Governo “em qualquer circunstância”.

Depois de um período em que quase diariamente disparava petardos verbais ácidos na direção dos outros ainda possíveis pré-candidatos, Lahesio Bonfim andou recolhido, preferindo manter-se ativo nas redes sociais, mas com postagens bem mais amenas. Dono de um discurso agressivo e provocador, Lahesio Bonfim tem também, por enquanto, se esquivado de atacar diretamente Orleans Brandão e Felipe Camarão, obedecendo a uma lógica quase cartesiana. Situado entre os dois, segundo as pesquisas, ora disparava contra o emedebista na tentativa de alcança-lo, ora na do petista, objetivando mantê-lo distante. O seu silêncio é denunciador, porque ninguém duvida de que ele está armazenando munição para disparar no tabuleiro depois de 4 de abril.

A cautela de Orleans Brandão e Felipe Camarão no sentido de evitar embates diretos tem a ver com o fato de que ainda é cedo para confrontos desgastantes. E pode estar relacionada ao fato de que a definição do PT em relação a quem apoiar para o Governo do Estado no Maranhão ainda depende de uma conversa definitiva do governador Carlos Brandão com o comando nacional do partido e com o próprio presidente Lula da Silva, que deve acontecer na primeira quinzena de março. Isso num cenário em que Orleans Brandão tem afirmado que sua candidatura é irreversível e no qual Felipe Camarão tem dito e repetido, em tom cada vez mais enfático, que não abre mão da candidatura.

PONTO & CONTRAPONTO

Maranhão está entre os estados que começaram o ano com finanças ajustadas e dinheiro em caixa

O governador Carlos Brandão (sem partido) tem razões de sobra para afirmar que as finanças do seu Governo estão ajustadas, inclusive com alguma folga de caixa. Isso está demonstrado num levantamento recente feito pelo jornal O Estado de S. Paulo para mostrar a situação financeira dos 26 estados e do Distrito Federal.

De acordo com o material publicado, 20 estados começaram o ano com dinheiro em caixa suficiente para bancar suas despesas e manter a investimentos. O estado mais folgado é o Paraná, com R$ 10 bi em caixa, seguido de São Paulo, com R$ 5,5 bilhões.

O Maranhão ocupa a 16ª posição, com situação fiscal equilibrada e nada menos R$ 655 milhões em caixa, à frente de Rondônia, Roraima, Mato Grosso do Sul e Piauí, que também apresentaram saldos positivos, mas menores, e muito à frente do time formado por Acre, Tocantins, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Alagoas, Rio Grande do Norte e Minas Gerais, que começaram o ano sem um centavo em caixa e tendo de administrar déficits monumentais.

A pior situação é a de Minas Gerais, onde o governador Romeu Zema (Novo), que se vende como grande gestor e quer ser candidato a presidente, não sabe como tapar um rombo de R$ 11 bilhões.

Sempre destacado por situações negativas, o Maranhão aparece nesse ranking como um estado financeiramente organizado e com equilíbrio fiscal. Esse painel coincide com as informações prestadas pelo governador Carlos Brandão na reabertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa, no início de fevereiro.

 

Professor e rapper maranhense será candidato a presidente da República pelo PSTU

O professor de História e rapper
Hertz Dias será o candidato do
PSTU a presidente da República

O Maranhão vai ter um candidato a presidente da República nas eleições de outubro: Hertz da Conceição Dias (PSTU). O partido, que ainda não definiu quem lançará como candidato a governador e às duas vagas no Senado, fechou questão em torno do professor e rapper Hertz Dias, que ganhou o apoio das lideranças de todos os estados onde o PSTU existe.

Aos 55 anos, Hertz Dias é licenciado em História e mestre em Educação, atuando como professor nas redes estadual e municipal de ensino. Militante do Movimento Negro, do qual é uma das principais vozes no Maranhão, ele desenvolve também uma ativa carreira como rapper, com obras fortemente politizadas, atuando ainda como um dos líderes do Movimento Hip Hop Quilombo Urbano do Maranhão.

Lançado pelo PSTU, Hertz Dias já disputou várias eleições, sendo a mais importante a de 2022, quando tentou chegar ao Palácio dos Leões. Naquele pleito, ele obteve 5.191 votos (0,15% da votação), mas se tornou conhecido pela dureza do seu discurso de esquerda radical, com o qual vem atacando, por exemplo, impiedosamente o agronegócio, que aponta como uma doença.

E será com esse discurso que Hertz Dias percorrerá o Brasil como candidato do PSTU ao Palácio do Planalto, disputando o voto dos brasileiros com o presidente Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). São Luís, 22 de Fevereiro de 2026.

Filiação de oito deputados reforça o MDB e turbina a pré-candidatura de Orleans Brandão ao Governo

Iracema Vale, Andreia Rezende, Daniella Jadão, Florêncio Neto,
Antônio Pereira, Davi Brandão, Adelmo Soares e Francisco Nagib
reforçam o MDB e turbinam projeto de Orleans Brandão

A previsão do deputado federal Ildo Rocha de que o MDB sairá das urnas como partido majoritário na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal começou a ganhar formas ontem, com a confirmação da permanência da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale, e a filiação de mais sete deputados: Andreia Rezende, Daniella Jadão, David Brandão, Francisco Nagib, Antônio Pereira, e Florêncio Neto e Adelmo Soares. Assim como a presidente da Alema, eles deixaram o PSB, que migrou para a oposição, e se mantiveram na aliança partidária liderada pelo governador Carlos Brandão (sem partido). Desde ontem, portanto, o MDB tem uma bancada de 10 deputados – os oito recém chegados e os dois já existentes, Ricardo Arruda e Kekê Teixeira, tornando-se a maior força no plenário da Assembleia Legislativa e irão para as urnas na linha de frente da candidatura de Orleans Brandão, que atuou fortemente na articulação para levar os parlamentares para o seu partido.

A migração desses deputados do PSB para o MDB começou a ser desenhada quando, há duas semanas, eles foram “desfiliados” do PSB. O primeiro movimento na direção do MDB foi feito pela deputada-presidente Iracema Vale, que fora convidada para ingressar no PT, que é a sua raiz partidária, que a queria também como candidata ao Senado. Foi um convite sedutor, que levou a chefe do Poder Legislativo a “balançar”. O distanciamento de parte do PT, que está alinhada à pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT), em relação ao governador Carlos Brandão, de quem é aliada de primeira hora, levou Iracema Vale a transformar em definitiva, sua filiação “temporária” ao MDB. Antes, ela flertou com o PDT, ingressou no MDB à pedido do pré-candidato Orleans Brandão.

Os deputados que se converteram ao emedebismo, são todos donos de potencial eleitoral, detentores, portanto, de cacife para pleitear a reeleição. A deputada Andreia Rezende tem a região de Balsas como base principal, com influência também na região polarizada por Vitorino Freire. Daniella Jadão nasceu politicamente em Presidente Dutra, atua bem na região e estendeu seu espaço político e eleitoral até Caxias, onde é parte do grupo liderado pelo ex-prefeito Fábio Gentil. Adelmo Soares, que ocupa a vaga de Edson Araújo, tem seu forte eleitoral em Caxias e região.

Os deputados Florêncio Neto e David Brandão dividem o eleitorado de Bacabal, agora ampliado com a eleição do deputado Roberto Costa para a Prefeitura daquele município; ambos são adversários, mas chegaram à Assembleia Legislativa pelo PSB. O deputado Francisco Nagib, que tem berço político e eleitoral em Codó, permaneceu até pouto tempo no PSB, mas numa articulação feita por seu pai, o prefeito Chiquinho Oliveira (PT), retornou à base governista, agora pelo MDB. Um dos quadros mais experientes da Alema, o seu atual vice-presidente, o deputado Antônio Pereira vai tentar o sexto mandato, agora como representante do MDB.

Por orientação do presidente Orleans Brandão, o MDB divulgou nota saudando o ingresso da quase totalidade do PSB nos seus quadros. “Quando diferentes vozes se unem em torno de um propósito comum, quem ganha é o Maranhão e o Brasil. Sejam bem-vindos ao partido que constrói pontes, une forças e trabalha todos os dias por um futuro com mais equilíbrio, crescimento e oportunidades para todos”, diz a nota da agremiação, que além de Orleans Brandão e da presidente Iracema Vale, tem como principais referências o ex-presidente José Sarney e a ex-governadora e atual deputada federal Roseana Sarney.

Na semana que passou, o deputado federal Ildo Rocha, que tem posição destacada no comando do MDB, pertencendo inclusive ao Diretório Nacional, previu, em entrevista à TV Mirante, que o MDB projeta eleger nada menos que duas dezenas de deputados estaduais, ou seja, quase metade da Assembleia Legislativa. Sua previsão dificilmente se confirmará, mas não há dúvida de que o MDB sairá das urnas muita força política.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão terá novo partido ou cumprirá resto do mandato sem vinculação partidária?

Carlos Brandão: por enquanto
sem filiação partidária

Em meio a essa movimentação partidária, uma pergunta não quer calar: o governador Carlos Brandão terá filiação partidária nos dez meses que lhe restam de mandato? A pergunta é pertinente, já que ele bateu martelo e decidiu abrir mão de ser senador para cumprir o mandato até o último dia.

Semanas depois de deixar o PSB, após a direção nacional haver lhe tirado o comando do partido, a Coluna indagou a Carlos Brandão a que partido ele se filiaria. Sua resposta, via zap, foi a seguinte: “Estou vendo, mas não tenho pressa”. Ele foi convidado para ingressar pelo menos em seis partidos, mas preferiu não assumir compromisso com nenhum.

No meio político, a expectativa dominante era a de que ele se filiaria ao MDB, o seu caminho natural, até para estimular o grupo que encontrava-se no PSB o acompanhasse. Mas à medida que sua decisão de permanecer no cargo foi ganhando forma, aumentou a impressão de que ele assinaria ficha no MDB.

Decidido a permanecer no cargo, o governador Carlos brandão não precisa se filiar a um partido para cumprir o resto do mandato. Isso pelo fato de que não concorrerá a nenhum cargo. Para um político próximo a ele, permanecendo sem partido, o governador ficará mais à vontade como articulador, evitando a cobrança de estar mais próximo do partido a que estiver vinculado.

Mesmo mantendo a decisão de permanecer no cargo, o governador Carlos Brandão poderá se filiar a um partido a qualquer momento. Só que, se a filiação ocorrer antes de 4 de abril, haverá forte especulação sobre sua permanência ou não no cargo. Mas se ele ocorrer depois dessa data, não haverá mais retorno, uma vez que ele não poderá se candidatara nenhum cargo.     

Nova ação do PCdoB contra presidente do TCE acirra guerra política em curso no Maranhão

Daniel Brandão: alvo de
mais uma ação do PCdoB

A nova ação do PCdoB pedindo o afastamento do advogado Daniel Brandão do cargo vitalício de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que preside no momento, funciona como combustível para a guerra política que vem sendo travada há dois anos no Maranhão. E mais do que isso: mantém aquela corte de contas sob forte pressão, alimentando ali um ambiente de instabilidade.

Na avaliação de advogados tarimbados, do ponto de vista formal, a escolha de Daniel Brandão para o cargo de conselheiro, via Assembleia Legislativa, e a sua nomeação pela governadora interina Iracema Vale, presidente da Assembleia Legislativa – que substituía o governador Carlos Brandão na ausência dele e do vice-governador Felipe Camarão, que se encontravam em missões diferentes fora do país – foram atos juridicamente perfeitos.

O dado causador do embate político e judicial é de natureza ética, pelo fato de Daniel Brandão ser sobrinho do governador Carlos Brandão, o que produziria nepotismo. A denúncia não leva em conta o fato de que, independentemente do parentesco, Daniel Brandão tem formação técnica, advogado que é, para exercer o cargo. E até onde é sabido, ele vem cumprindo com as suas obrigações.

Os desdobramentos desse caso afetaram fortemente a Corte de Contas, que está desfalcada de dois membros por conta de decisões judiciais que o obrigaram a Assembleia Legislativa a rever as regras de escolha de conselheiro. Tudo o que foi proposto para atualizar o processo de escolha foi feito pelo parlamento estadual, mas não foi suficiente para devolver normalidade ao processo de composição do TCE.

Não há dúvida, e a nova ação confirma isso, que essa é uma questão que vem alimentando a crise política que rompeu aliança e tirou os deputados do grupo montado pelo então governador Flávio Dino da base de apoio do governador Carlos Brandão, sendo um dos motivos da sua decisão de permanecer no cargo até o final do seu mandato.

São Luís, 21 de Fevereiro de 2026.

Depósito bilionário no BRB volta a causar tensão no TJ com decisão do CNJ de investigar o caso

Froz Sobrinho terá de explicar ao CNJ
sua decisão sobre Depósitos Judiciais

Depois de quatro dias oficiais de folia, Momo partiu, mas deixou um baita clima de ressaca no Poder Judiciário do Maranhão, tirando o sono do seu ainda presidente, desembargador Froz Sobrinho. E o motivo foi exatamente o finado Banco Master, cuja liquidação está causando insônia em boa parte da elite de Brasília e de vários estados, entre eles o Maranhão. A dor de cabeça ganhou intensidade ontem, quando o corregedor-geral do Conselho Nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell, tornou pública sua decisão de mandar investigar o que está de fato por trás da decisões das cúpulas dos Judiciários de cinco estados – Maranhão, Alagoas, Bahia, Paraíba e Distrito Federal – de aplicar bilhões em Depósitos Judiciais no BRB, que ficou mal das pernas com a liquidação do Banco Master.

O presidente do TJ maranhense autorizou, numa decisão solitária, a transferência de R$ 2,8 em Depósitos Judiais que estavam depositados no Banco do Brasil, para o BRB. Ao explicar sua decisão para o colégio de desembargadores durante uma reunião tensa realizada no dia 28 de janeiro, o desembargador Froz Sobrinho, sob a alegação de que, enquanto no Banco do Brasil, que é sólido e sem riscos, essa bolada rendia algo em torno de R$ 3 milhões mensais, no BRB, que também foi um banco sólido até se associar às falcatruas do Master, rendia algo em torno de R$ 15 milhões por mês. Ficou claro que o presidente Froz Sobrinho trocou a segurança do Banco do Brasil, que paga juros de mercado, pelas incertezas de uma aplicação que rende cinco vezes mais.

– É como tirar suas economias da poupança da Caixa e entrega-las a um agiota para ele “fazer” dinheiro a juros escorchantes – disse um magistrado à Coluna.

O fato é que, admitam ou não o presidente Froz Sobrinho e seus aliados, sua gestão dos Depósitos Judiciais – que não pertencem ao Judiciário, mas é administrado por seus dirigentes -, abriu uma forte crise nos bastidores da Corte. E isso ficou claro no embate do dia 28 de janeiro entre o presidente Froz Sobrinho e o ex-presidente Paulo Velten, atual presidente da Justiça Eleitoral. Diante do forte e indiscutível abalo sofrido pelo BRB na esteira da liquidação do Banco Master, o presidente Froz Sobrinho tentou acalmar os ânimos garantidos que os Depósitos Judiciais não estão sob risco no banco candango. Ele assumiu sozinho o risco, alegando que foi uma boa medida pelo volume de rendimento, teve de encarar reações duras como a do ex-presidente Paulo Velten, que além de críticas ácidas, se recusou a participar de uma reunião para ouvir explicações de técnicos do BRB. “Estou fora!”, declarou Paulo Velten, avisando que não participará de qualquer reunião destinada a validar a decisão do presidente.

A decisão de ontem do corregedor-geral do CNJ obriga os presidentes dos Judiciários dos cinco estados a prestarem as informações sobre as aplicações que fizerem com Depósitos Judiciais no BRB, e também colocou a Polícia Federal no circuito para investigar essa movimentações, que envolvem vários bilhões de reais, a começar pelos R$ 2,8 bilhões do JT do Maranhão. Nesse contexto, por mais que o presidente do TJ repita que tomou a decisão certa em razão dos elevados ganhos, ele terá de dar explicações a um CNJ em estado de alerta máximo, pronto para punir severamente quem tiver pisado na bola nesse escândalo produzido pelo Banco Master.

E o que torna a situação mais complicada é que essa “bomba de efeito retardado” montada pelo presidente Froz Sobrinho será encontrada armada no birô do seu sucessor, desembargador Ricardo Duailibe, que assumirá em abril já tendo o desafio de desmonta-la. Isso porque o futuro presidente do TJ sabe que a normalidade sói voltará à Corte quando o petardo estiver devidamente desativados e os R$ 2,8 bilhões dos Depósitos Judiciais estiverem num banco sólido, como encontrava-se no Banco do Brasil, de onde não deveria ter saído.

PONTO & CONTRAPONTO

Aparício Bandeira rebate e minimiza relatório da CGU sobre obra da Litorânea

Aparício Bandeira esclarece
relatório da CGU sobre Litorânea

Num primeiro momento, a informação sobre um relatório da Controladoria Geral da União apontando supostas irregularidades, incluindo problemas técnicos e sobre preço, por exemplo, nas obras de prolongamento da Avenidas Litorânea, causou certo impacto, principalmente pelo tom dado à reportagem da TV Mirante. Logo em seguida, em bloco separado, a matéria foi complementada com as explicações do secretário de Infraestrutura (Sinfra), engenheiro Aparício Bandeira.

O titular da Sinfra minimizou o relatório, apontando-o como já vencido. Primeiro, lembrou que a peça da CGU encaminhada ao TCU fora emitido em agosto do ano passado, quando a obra ainda encontrava-se na fase inicial. E em seguida informou que a Sinfra já respondeu a todos os questionamentos.

Aparício Bandeira esclareceu: a obra é financiada pela Caixa, que fiscaliza todos os seus aspectos, examina com lupa os contratos e as medições e só libera as parcelas para pagamento quando não existe dúvida sobre o que dizem os relatórios dos seus técnicos.

O secretário foi enfático ao afirmar que não nada de errado com a evolução da obra, das medições e dos pagamentos. Segundo ele, não há como ter problemas, porque tudo é acompanhado pela Caixa, que só libera o pagamento após a conferência feita por seus técnicos. “É impossível ter distorções”, disse Aparício Bandeira.

Segundo uma fonte política, o governador Carlos Brandão não mostrou qualquer sinal de preocupação com a divulgação do relatório em tom de denúncia. O chefe do Executivo teria dito apenas que nada tem de errado na obras lá.

Dino não faz concessões e endurece o cerco aos penduricalhos salariais no serviço público

Flávio Dino endurece contra
penduricalhos salariais

Errou feio quem apostou que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, recuaria da sua decisão de acabar com os penduricalhos salariais que driblam a lei e rompem o teto salarial de R$ 46 mil, que é quando ganhos um membro da Corte Suprema.

Além de não ter mudado uma vírgula da decisão fixando prazo de 60 dias para que as três esferas do Poder Público informem à Corte os penduricalhos que pagam e as leis nas quais estão baseados. Ou seja, houve aperto no cerco que mega salários pagos no serviço por causa dos penduricalho.

Todos os sinais indicam que o ministro Flávio Dino não fará qualquer concessão. Ele analisará criteriosamente os relatórios que lhes serão encaminhados pelo Executivo, Legislativo e Judiciário das esferas federal, estadual e municipal. E num trabalho hercúleo, identificará o que tem, de fato, base legal, e o que é penduricalho mesmo nos “puxadinhos” salariais.

E foi mais longe: manteve suspenso o pagamento todas as regalias salariais e proibiu a aplicação ou a edição de novas leis que permitam o pagamento de salários ou de verbas indenizatórias acima do teto constitucional que ignoram o teto salarial fixado pela Lei maior.

E fechou a decisão mandou um recado direto e sem rodeios ao Poder Legislativo: ou o Congresso Nacional corrige essa distorção salarial absurda ou proporá à Corte Suprema resolverá o problema: “Caberá exclusivamente ao STF examinar a fixação de regime transitório, caso o Congresso Nacional não cumpra o seu dever de legislar e mantenha a omissão institucional”.

O ministro tem sido alvo de ataques de segmentos insatisfeitos e de segmentos da extrema direita, que tenta tirar proveito político da sua arrojada decisão em relação aos penduricalhos. No entanto, a pressão contra é abafada pelo apoio maciço que vem recebendo da opinião pública.

São Luís, 20 de Fevereiro de 2025.

Time forte de secretários deixará o Governo para disputar cadeiras na Alema e na Câmara Federal

Orleans Brandão, Sebastião Madeira, Paulo
Casé, Tiago Fernandes, Abigail Cunha,
Natássia Weba, Arruda, Júnior Viana, Bira
do Pindaré, Vinícius Ferro, Washington
Oliveira, André Campos e Cricielle Muniz
deixarão seus cargos para disputar votos

Com a partida de Momo, encerrou seu reinado anual fez as malas e foi embora, abrindo caminho para a chegada das esperadas águas de março. E será com elas que governador Carlos Brandão (MDB) abrirá um espaço diário na sua intensa agenda para conversar com os secretários que estão arrumando as gavetas para deixar seus cargos e encarar o caminho das urnas. São eles Orleans Brandão (Assuntos Municipalistas), Sebastião Madeira (Casa Civil), Paulo Casé (Desenvolvimento Social), Tiago Fernandes (Saúde), Júnior Viana (Articulação Política), Abigail Cunha (Secretaria da Mulher), Natássia Weba (Ciência e Tecnologia), Yuri Arruda (Cultura), Bira do Pindaré (Vinícius Ferro (Planejamento) e Washington Oliveira (Representação em Brasília). Além deles, dois membros destacados do segundo escalão deixarão seus cargos em busca de mandato estadual, a diretora geral da rede IEMA, Cricielle Muniz, e André Campos, vereador licenciado de São Luís, atual presidente da Agência Executiva Metropolitana (AGEM). É um time forte, todos com pleno aval do Palácio dos Leões. Alguns já têm partido, e boa parte dos que não têm se filiarão ao MDB.

A saída mais aguardada é a do secretário Orleans Brandão, pré-candidato ao Governo do Estado, presidente estadual do MDB e titular da pasta mais influente e politicamente poderosa do Governo Carlos Brandão. Sua desincompatibilização será o impulso inicial formal da sua corrida ao Palácio dos Leões, já que a turbinação política foi consolidada ao longo dos seus mais de três anos no cargo, como braço direito do governador Carlos Brandão nesse campo. Antes pré-candidato a deputado federal, Orleans Brandão ganhou musculatura política e potencial o eleitoral, chagando a esse momento decisivo como segundo colocado não preferência do eleitorado, segundo as pesquisas divulgadas até agora. Deve deixar o cargo até o dia 20 de março.

Os que vão disputar cadeiras na Assembleia Legislativa formam um grupo de peso, que abre com o chefe da Casa Civil, Sebastião Madeira, de longe o mais experiente, que comanda o PSDB estadual e tem um lastro de quatro mandatos de deputado federal e dois de prefeito de Imperatriz. Junto com ele sairão o bem articulado e influente Tiago Fernandes, que deixará a poderosa Secretaria de Saúde; o ativo Paulo Casé, secretário de Desenvolvimento Social, responsável direto pela expansão do programa Restaurantes Populares, que já ultrapassou o patamar das 200 unidades e tem o lastro do deputado federal Pedro Lucas Fernandes.

Arrumando as gavetas de olho no parlamento estadual estão a deputada estadual licenciada Abigail Cunha, que deixará a Secretaria da Mulher para buscar a renovação do seu mandato, que tem Barra do Corda como base maior; Natássia Weba, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação, que entra na corrida como herdeira política do ex-deputado Hemetério Weba; Yuri Arruda, secretário de Cultura, que deixa a pasta com o cacife de uma arrojada política cultural, incluindo Carnaval e São João; Júnior Viana, atual secretário de Articulação Política, que fez um forte trabalho político sem alarde, e tem o aval do governador Carlos Brandão; e o secretário de Assuntos Legislativos. Raimundo Cutrim, que tenta voltar à Assembleia Legislativa.

Decididos a conquistar mandato de deputado federal, deixarão seus cargos ao longo de março os secretários Bira do Pindaré, político de esquerda bem articulado, atual titular da pasta da Agricultura Familiar, que tem castro de três mandatos de deputado estadual e um de federal; Vinícius Ferro, da pasta do Planejamento e Orçamento, provavelmente o secretário mais influente do Governo depois de Orleans Brandão, dono da mais absoluta confiança do governador Carlos Brandão; e Washington Oliveira, ex-vice-governador, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado e atual chefe da representação do Governo em Brasília, e que já foi deputado federal.

Outros membros do Governo, estes do segundo escalão, deixarão seus cargos para disputar cadeira na Assembleia Legislativa, Um deles é o vereador licenciado de São Luís, André Campos, atual presidente da Agência Executiva metropolitana (AGEM), que se elegeu pelo PP, mas é quadro de proa do MDB de São Luís, e que tem como líder o atual prefeito de Bacabal e presidente da Famem Roberto Costa (MDB); e Cricielle Muniz, líder petista que a rede de escolas IEMA e que forma o time mais próximo do governador Carlos Brandão.

Parte desse time está na otimista previsão do deputado federal Ildo Rocha (MDB), que previu que o seu partido, que é o partido de Orleans Brandão, elegerá pelo menos 20 deputados estaduais.

PONTO & CONTRAPONTO

Passado o Carnaval, Prefeitura de São Luís vive agora expectativa quanto ao futuro de Braide

Eduardo Braide: mistério

Desde ontem, o clima é de expectativa na equipe do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD). Todos querendo saber se o chefe do Poder Executivo municipal deixará o cargo para se candidatar ao Governo do Estado. Mesmo os secretários mais próximos não sabem o que está pensando o prefeito de São Luís, que nunca antecipa os seus projetos políticos, sempre calculando o tempo e decidindo o momento certo para se manifestar.

Três vereadores experientes disseram à Coluna que o prefeito renunciará para com correr aos Leões, e dois disseram não acreditar que ele tomará essa decisão. O fato é que os que acreditam o fazem por intuição, baseados no poder de fogo que o prefeito acumulou. Os que não acreditam argumentam que ele não deixará um cargo tão importante para correr risco.

É fato também que já começa uma movimentação, discreta, mas efetiva, em torno da vice-prefeita Esmênia Miranda (PSD), que nos últimos dias esteve sempre ao lado do prefeito, como na reação de Eduardo Braide em relação ao protesto dos feirantes contrários à saída do Mercado Central. Ela estava ao seu lado, firme e muito séria. Esteve ao seu lado também na Cidade do Carnaval.

Não se discute que ainda faltam um mês e meio para o fim do prazo de desincompatibilização. Mass nas contas de políticos tarimbados, se for entrar na corrida para valer, o prefeito Eduardo Braide deverá anunciar sua decisão até meados de março.

De volta à cena política, Edivaldo Jr. planeja recomeço tentando cadeira na Alema

Edivaldo Jr.: recomeço

Ao mesmo tempo em que o mundo político tenta desvendar o mistério que envolve o futuro do prefeito Eduardo Braide, alguns observadores da cena política perguntam por onde anda o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr., que saiu de cena desde que anunciou que disputará uma cadeira na Assembleia Legislativa.

Para lembrar: Edivaldo Holanda Jr. fez uma carreira meteórica e bem sucedida. Foi vereador de São Luís muito bem votado, elegeu-se deputado federal também com expressiva votação e desembarcou na prefeitura de São Luís pelo PST, desbancando o então prefeito João Castelo (PSDB), que tentava a reeleição.

Fez um primeiro mandato de ajustes e colocou a máquina municipal nos eixos, se reelegeu, desta vez pelo PDT, sem problemas e fez um segundo mandato com muitas obras importantes, dando a impressão de que seguiria para patamares mais elevados, como o Palácio dos Leões, por exemplo.

Cometeu, porém, todos os erros políticos, sendo o principal deles o de ter ignorado que seu partido, o PDT, tinha o candidato a governador, preferindo ficar de fora. Fechou o mandato totalmente isolado, para cometer outro erro fatal: lançou-se candidato a governador num projeto sem pé nem cabeça e acabou 2022 politicamente triturado.

Agora, provavelmente com os pés mais firmes no chão, tentará uma cadeira na Assembleia Legislativa, onde seu par, Edivaldo Holanda, exerceu vários mandatos. Um bom recomeço, levando-se em conta o fato de que, afora as derrapagens políticas, Edivaldo Jr. é um político sem mácula, pautado pela correção pessoal.

São Luís, 19 de Fevereiro de 2026.  

Rocha mostrou que visão de Rossi sobre relação do MDB com PT no Maranhão não bate com a de Brandão

Ildo Rocha tentou explicar declaração de
Baleia Rossi, mas nada esclareceu sobre PT
em relação a Orleans Brandão

Se o objetivo foi amenizar o impacto da declaração do presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi, à Globo News, afirmando que o PT não apoia o candidato emedebista no Maranhão, a entrevista do deputado federal emedebista Ildo Rocha, ontem, à TV Mirante, só contribuiu para manter aceso o fogo da instabilidade na relação do PT com o MDB no que diz respeito à candidatura do presidente estadual do partido, Orleans Brandão, ao Governo do Estado.

Numa resposta abrangente sobre a situação do MDB em diversos estados, Baleia Rossi disse apenas o seguinte: “No Maranhão o PT não apoia o MDB”. E não esclareceu se há expectativa sobre se apoiará ou não. Afinal, não houve nenhum acerto ainda, a candidatura de Orleans Brandão, como as demais, é ainda um projeto – que ganhou corpo e musculatura, está se consolidando, mas ainda é um projeto de candidatura. Logo, ao usar o verbo apoiar no presente, o presidente do MDB falou do momento, e não do futuro. Vale ressaltar que não é exatamente esse o ânimo do governador Carlos Brandão (sem partido).

O deputado Ildo Rocha interpretou a frase seca de oito palavras do presidente Baleia Rossi como uma fala feita “num contexto em que alguns dirigentes nacionais do próprio PT têm dito que forças supremas têm pedido para a direção nacional do PT coligue com o MDB aqui no Maranhão”. Ou seja, uma tremenda especulação baseada em supostas declarações de líderes petistas não identificados. Andaram espalhando que o presidente nacional do PT, Edinho Silva, teria batido martelo sobre o assunto vetando a aliança PT/MDB no Maranhão, mas a especulação foi desmentida.

O fato é que nem o presidente emedebista Baleia Rossi nem o deputado federal Ildo Rocha – que faz parte da direção nacional – acrescentou qualquer informação, dado ou declaração de terceiro confirmando o que disseram. Além da fala genérica afirmando que “dirigentes nacionais do PT” teriam afirmado a recusa do PT em apoiar a candidatura de Orleans Brandão, o deputado Ildo Rocha acrescentou na sua resposta à TV Mirante que dirigentes petistas, os quais não identificou, teriam dito que “forças supremas” teriam feito o pedido ao PT, numa clara – já manjada e nunca comprovada, diga-se – ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.

Além disso, chamou a atenção na fala do deputado Ildo Rocha o fato de ele, um político experiente, mesmo tendo jogado algum confete na relação de uma grande banda do PT com o governador Carlos Brandão, não ter apontado qualquer caminho para que essa aliança venha se estabelecer. Afinal, até os bloco tradicionais de São Luís sabem que por razões diversas, o governador Carlos Brandão e o pré-candidato Orleans Brandão vão trabalhar até quando for possível para construir e consolidar uma aliança PT/MDB.

Na mesma entrevista, o deputado Ildo Rocha reafirmou, categoricamente, o apoio integral do MDB, tanto o estadual quanto o nacional, à pré-candidatura de Orleans Brandão: “O Orleans Brandão é o candidato do MDB. Ele pontua muito bem nas pesquisas que nós temos feito, inclusive as qualitativas, como o futuro governante do nosso estado. O MDB já governou o Maranhão em três ocasiões (Epitácio Cafeteira, João Alberto e Roseana Sarney). E agora nós estamos nessa expectativa de apoiar o Orleans Brandão e tê-lo como governador”.

Nesse ponto, o deputado Ildo Rocha acertou em cheio, porque o que até pouco tempo era uma situação indefinida, ganhou força no dia em que Orleans Brandão assumiu a presidência estadual do MDB, eliminando de vez qualquer possibilidade de um tremor interno em relação ao seu projeto. E se consolidou de vez depois que o governador Carlos Brandão bateu martelo confirmando sua candidatura e anunciando sua permanência no cargo.

Na semana passada, ao responder, via zap, a uma indagação da Coluna sobre a relação com o PT, ele respondeu não tem problema com o presidente Lula da Silva e sinalizou que a aliança com o PT é um projeto em construção. Um cenário bem diferente do que o apontado pelo presidente do MDB.

PONTO & CONTRAPONTO

Deputado diz que MDB quer Roseana candidata ao Senado

Em fase final de dura
luta contra um câncer,
Roseana Sarney é o nome
do MDB para o Senado

Ainda que não tenha mais se manifestado sobre essa possibilidade, a deputada federal Roseana Sarney poderá ser candidata ao Senado, e para isso tem o apoio frechado do seu partido, o MDB. Foi essa a equação mostrada ontem pelo deputado federal Ildo Rocha, que além de suplente, é um dos políticos mais próximos da ex-governadora e, de longe, o nome em atividade mais importante do MDB maranhense.

Ao ser indagado sobre essa possibilidade, Ildo Rocha não pensou duas vezes: “Claro. No MDB nacional – e me refiro aqui como dirigente do MDB nacional – nós estamos querendo eleger um senador do MDB também aqui. O governador, que é o Orleans Brandão, e a senadora. Ela passou por essa doença agora -, e todas as pesquisas que nós fazemos, na espontânea, Roseana pontua sempre em primeiro ou segundo lugar. Quando se coloca o governador Carlos Brandão, ele vai para o primeiro lugar, e em segundo, a Roseana. Mas na espontânea, em muitos municípios, a Roseana aponta em primeiro lugar”.

Na sua fala, o deputado Ildo Rocha revelou que o projeto eleitoral do MDB no Maranhão é muito ambicioso: eleger Orleans Brandão governador, Roseana Sarney senadora, cinco deputados federais – incluindo ele próprio, claro – e 20 deputados estaduais.

Mesmo com o indiscutível poder de fogo que vem concentrando, é um projeto que vai além do realismo político.

Na Madre Deus, uma situação desnecessária e inexplicável

“Fuzileiros da Fuzarca” dá meia volta na Avenida
Ribamar Pinheiro, impedido de chegar à Praça
da Saudade por um monstrengo de alumínio

O que a Coluna vai relatar agora nada teve a ver com o projeto de Carnaval do Governo do Estado que, até onde é sabido, foi muito bem sucedido, em todos os aspectos. O governador Carlos Brandão e sua equipe fizeram acontecer o Carnaval que planejaram, atraindo milhares e milhares de foliões maranhenses e visitantes. Ponto. O registro a seguir aconteceu na Madre Deus, sem qualquer incidente, e foi presenciado pelo autor, que frequenta a folia do bairro desde os anos 70.

Na tarde de sábado, comemorando os seus 90 anos, o bloco “Fuzileiros da Fuzarca” deixou a sua sede, no Largo do Caroçudo, para fazer o primeiro dos quatro desfiles do período momesco, com estatura grandiosa, dignidade elevada e importância de joia mais preciosa e reverenciada do Carnaval ludovicense. Mobilizou seus mais de 300 integrantes, divididos em duas alas, a das pastoras, quase todas com mais de 70 anos, algumas usando bengalas e moletas, e a dos batuqueiros, a maioria também de idade avançada, ambas apoiadas por jovens decididos a preservar essa singularidade do Carnaval maranhense. 

O bloco faria o trajeto de sempre: saiu Largo do Caroçudo, subiria uns 200 metros da Avenida Ribamar Pinheiro, contornaria o muro do Cemitério do Gavião para a esquerda, a Praça da Saudade, ganhando a Rua da Alegria, e retornaria pela Rua do Passeio, para finalmente alcançar garbosamente a passarela e chegar à Praça da Saudade, retornando depois para casa, no Largo do Caroçudo.

Só que, ao chegar à Avenida Ribamar Pinheiro, os componentes do “Fuzileiros da Fuzarca” deram de cara com uma gigantesca e monstruosa estrutura de palco em alumínio, ali depositada sem aviso prévio, ocupando as duas pistas da avenida, deixando menos de dois metros de calçada íngreme de cada lado. Os integrantes do bloco até tentaram avançar, mas temeram o que poderia acontecer com as pastoras e os batuqueiros em idade avançada.

Então se deu a cena inacreditável, porque não tem uma explicação lógica para tal: podado no sagrado direito de ir e vir no seu pedaço, o “Fuzileiros da Fuzarca” engoliu a humilhação e o desrespeito, deu meia volta e procurou outro rumo para alcançar, horas mais tarde, a passarela da Rua do Passeio. E o fez de maneira digna e altiva, sem provocar incidentes, e sem perder a cadência nem a decência.

Diante daquela cena, inadmissível em todos os sentidos, o autor procurou saber por que aquela monstruosidade alumínica encontrava-se ali, num “sábado gordo”, vedando uma espécie de aorta viária do circuito carnavalesco da Madre Deus. E o que ouviu de um homem de meia idade, vestido de preto com a inscrição “controlador de acesso” na camisa, foi revoltante: aquele palco de alumínio estava sendo instalado e ali permaneceria até a depois do Carnaval, impedindo o acesso de blocos e dificultando o de pessoas à Praça da Saudade pela Avenida Ribamar Pinheiro durante todo o Carnaval.

Em seguida, outro choque: naquele palco, que fez o “Fuzileiro da Fuzarca” dar meia volta, se apresentará depois do Carnaval um cantor sertanejo. Diante do impacto da revelação, a Coluna procurou informar-se sobre essa personalidade musical tão influente. Se não houve engano na informação do “controlador de acesso”, a celebridade musical é um cantor sertanejo, autor de letras sofríveis que falam de motéis, celular e traição, e cuja obra inteira, que pode lhe render milhões de reais e alimentar milhões de fãs, provavelmente não vale um samba do “Fuzileiros da Fuzarca”.

Quem autorizou o desembarque daquele monstro metálico na Avenida Ribamar Pinheiro não deve ter noção do que é a Madre Deus nem do significado cultural daquele circuito. E se tivesse pelo menos bom senso, perceberia incoerência daquele palco naquele local. Por isso está devendo desculpas às pastoras e aos batuqueiros do “Fuzileiro da Fuzarca” e, por extensão, uma reverência à história cultural da Madre Deus.

São Luís, 17 de Fevereiro de 2026.

Movimentos para desestabilizar Braide no campo político não estão dando certo; ele só se fortalece

Eduardo Braide entre a vice-prefeita Esmênia Miranda, uma artista
visitante e a primeira-dama Glaziella Braide na Cidade do Carnaval

Nas três últimas semanas, que coincidem com a contagem regressiva para que ele finalmente diga se será ou não candidato a governador, o prefeito Eduardo Braide (PSD) vem enfrentando artilharia pesada com o claro objetivo de minar o seu prestígio político e, por via de desdobramento, abalar o seu cacife eleitoral. Primeiro ele enfrentou uma greve nos transportes coletivos, resistindo às investidas alinhavadas pelos sindicatos das empresas e dos rodoviários; em seguida, foi surpreendido por um “protesto” de alguns feirantes que não quer sair do velho Mercado Central para um espaço provisório para que a reforma posse ser realizada; e para completar, teve de denunciar o jogo da Câmara Municipal de São Luís para protelar a aprovação do Orçamento de 2026, impedindo a Prefeitura de tocar a administração, incluindo a realização do Carnaval.

Com o parlamento municipal dominado por maioria hostil à sua gestão, o prefeito de São Luís busca amparo na Justiça, onde tem obtido garantias legais para manter sua gestão, que tem a aprovação de 80% da população de São Luís.

A greve nos transportes públicos, que durante duas semanas infernizou o cotidiano de mais de 600 mil usuários de ônibus, foi em parte o cumprimento do roteiro anual, uma vez que nesse período há cobrança, por parte dos rodoviários, de reajuste salarial e de alguns direitos. Os empresários, por sua vez, sacam sua “planilhas” e exigem aumento no valor das passagens. Desde que assumiu, em 2020, Eduardo Braide se negou a conceder aumento nas passagens, preferindo usar uma fatia dos recursos municiais para subsidiá-las, e assim, manter o valor antigo. O movimento deste ano, com claro viés político, foi bem mais longe. O bloco formado por empresários e rodoviários jogou pesado. Mas por meio de negociações, ações judiciais e amplo apoio na opinião pública, o prefeito conseguiu reduzir as tensões e recolocar o sistema em funcionamento.

Na semana que passou, a Câmara Municipal retomou seus trabalhos mantendo na gaveta o projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, que ali chegara em agosto do ano passado. Numa clara jogada de natureza política, o presidente da Casa, vereador Paulo Victor (PSB), apoiado por vereadores de oposição, “cozinharam” a LOA ao longo de todo o semestre, fechando o ano legislativo sem aprova-la. O prefeito Eduardo Braide, protestou, mas ouviu críticas de “tentar interferir no Poder Legislativo”. A expectativa era que ao reabrir em fevereiro, a Câmara Municipal aprovasse o Orçamento, garantindo à Prefeitura a movimentação normal dos seus recursos. O presidente e sua turma preferiram jogar a LOA para a frente.

O prefeito foi às suas redes sociais denunciar a trama para deixar a Prefeitura sem recursos, impedindo de cumprir compromissos. E bateu às portas da Justiça denunciando o engavetamento da LOA e pedindo autorização para fazer despesas. A desembargadora Maria da Graça Amorim suspendeu em parte a demanda do prefeito, enquanto o vereador-presidente Paulo Victor reclamou de “tentativas de interferência” na Câmara, porém, sentindo a chapa esquentar, colocou a LOA na pauta na quinta-feira (12), tendo o projeto sido aprovado em primeiro turno. Ele recusou um pedido de urgência para que a votação do seguindo turno se desse naquela mesma sessão, pautando-a para depois do reinado de Momo. Sem recursos para bancar o Carnaval, o prefeito Eduardo Braide não se deu por vencido e, mais uma vez, bateu às portas da Justiça, o desembargador Jorge Rachid, o autorizou a gastar R$ 22 milhões para bancar as festas momescas. Assim, também a estratégia de deixar o prefeito de mãos atadas no Carnaval fracassou.

O protesto dos feirantes foi igualmente um fiasco. Para construir o novo Mercado Central, que está destruído e irrespirável, a Prefeitura construiu um espaço para acomodar provisoriamente os mais de 300 feirantes durante a reforma do mercado velho. Mais de 80% concordou, mas uma turma, sem qualquer explicação lógica, decidiu não sair. Não foi difícil identificar dedo político no “protesto”. O prefeito Eduardo Braide foi às redes sociais e denunciou a trama e está indo à Justiça para garantir a liberação do prédio velho para a reforma.

O fato indiscutível é que os movimentos feitos até aqui para desestabilizar o prefeito Eduardo Braide, de modo a fragiliza-lo como nome forte à sucessão no Governo do Estado, não funcionaram. Todas as informações indicam que ele continua política e eleitoralmente forte, como anunciaram as quase quarenta pesquisas feitas nos últimos 16 meses. Isso sem dar um pio sobre ser ou não ser candidato a governador.

PONTO & CONTRAPONTO

PT do Maranhão está em contagem regressiva para se posicionar na sucessão estadual

Felipe Camarão e Orleans Brandão:
um deles ganhará o apoio do PT

O braço maranhense do PT está numa espécie de contagem regressiva para decidir, finalmente, com quem irá na corrida ao Palácio dos Leões.

Como é sabido, uma banca do partido, especialmente o grupo que exerce funções no primeiro e segundo escalões do Governo e que está de olho nas urnas, atua inclinada na direção de3 Orleans Brandão, pré-candidato do MDB ao Palácio dos Leões.

A outra banda, mais próxima da militância, está alinhada ao projeto de candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT), que tem tido e repetido que não abra mão da candidatura, aconteça o que vier a acontecer.

Só que aos poucos vai aumentando o grupo da turma do “deixa-disso-vamos-conversar”, afinando o discurso da união partidária e defendendo que os grupos ouçam os ecos do comando do partido em Brasília.

Na cúpula nacional do partido há uma inclinação evidente pela candidatura do vice-governador Felipe Camarão, mas também com a preocupação de não criar uma situação politicamente embaraçosa com o governador Carlos Brandão (sem partido). A preocupação aí é formar um palanque unido para o presidente no Maranhão.

Gestões mais intensas por unidade dentro do PT serão feitas depois do reinado momesco.

Roberto Costa prioriza educação e atua para que o nível da escola pública de Bacabal seja elevado

Roberto Costa abre a 2ª Jornada Pedagógica em Bacabal

Antes de se dedicar à organização das festas carnavalescas em Bacabal, o prefeito Roberto Costa (MDB) fez um dever de casa diferenciado: reuniu nada menos que 2.300 profissionais – professores, mediadores, coordenadores e gestores – da rede municipal de ensino de Bacabal, durante quatro dias, na 2ª Jornada Pedagógica, cujo tema central foi “Formação Integral, Educação Digital e Equidade Educacional”.

O objetivo maior da reunião: melhorar o padrão de qualidade da escola pública de Bacabal, oferecendo ao corpo funcional, a começar pelos professores, uma visão atualizada por meio de oficinas, seminários e atividades formativas, contribuindo para o planejamento pedagógico. Todas atividades focadas na melhoria da gestão escolar com base no novo Plano nacional de Educação (PNE).

Melhorar a qualidade da educação em Bacabal é prioridade absoluta. Foi a recomendação básica do prefeito Roberto Costa, que tem mostrado uma crença inabalável de que no final da sua gestão, daqui a dois anos e 10 meses, o nível do adolescente que sairá da escola pública de Bacabal será outro.

– 2026 é o ano da educação de Bacabal. Os 18 mil alunos da nossa rede receberão fardamento, tênis, mochila com material didático, e os alunos do 5º ao 9º ano, cerca de 7 mil estudantes, também receberão tablets – informou. Esse esforço se estende aos professores efetivos e contratados, que estão recebendo salários reajustados.

Quem participou do evento educacional ficou impressionado com o arrojo da atual gestão de Bacabal no campo da educação.

São Luís, 15 de Janeiro de 2025.