Se for instalada, CPI contra Felipe Camarão pode desgasta-lo, mas pode ter também desfecho imprevisível

Felipe Camarão pode
se defender atirando

Uma escalada na guerra política na qual o vice-governador Felipe Camarão, candidato a candidato do PT ao Governo do Estado, está no epicentro do campo de batalhas por conta de uma acusação, feita pelo procurador geral de Justiça (PGJ), Danilo Castro, de que ele teria feito, por meio de um grupo de auxiliares e familiares, movimentações financeiras atípicas, aconteceu ontem, com a leitura, na Assembleia Legislativa, de requerimento propondo a instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso. A ação, aberta há quase dois anos, tramitava em regime de segredo de Justiça, mas o seu conteúdo foi vazado, colocando o chefe do Ministério Público, o procurador geral de Justiça, Danilo Castro, guardião institucional do sigilo, numa situação de desconforto e suspeição. O vice-governador Felipe Camarão e seus aliados, em especial o deputado Rodrigo Lago (PCdoB), vêm batendo pesado no PGJ e disparando suspeitas na direção do Palácio dos Leões. 

O entendimento de que se trata de uma guerra política é visível em alguns dados. O primeiro deles é que o requerimento que propõe a instalação de uma CPI para apurar é de autoria do deputado estadual Yglésio Moises (PRTB), a principal voz da direita radical, aliado do Governo do Estado e maior adversário do grupo identificado como dinista, do qual o vice-governador Felipe Camarão é hoje o quadro politicamente mais destacado. O vazamento da ação caiu como um prato cheio para o parlamentar, que vem trabalhando intensamente para viabilizar a CPI, de preferência como presidente ou como relator.

Outro dado que dá um caráter fortemente político à proposta de CPI está claro no placar de assinaturas. Ontem, foi divulgado equivocadamente que o requerimento assinado pelo deputado Yglésio Moises estaria sustentado por 24 assinaturas, mas foram apenas 23, incluindo a do relator, já que a deputada Edna Silva (PL), incluída na lista, que está de licença, sendo que o seu substituto interino, Sérgio Albuquerque, não assinou. Entre os deputados que não assinaram estão a chamada bancada dinista, deputados independentes e até governistas que não quiseram de envolver no imbróglio.

Na lista dos que não assinaram está, claro, a presidente Iracema Vale (MDB), que respeita a tradição, segundo a qual o chefe do Poder Legislativo não se envolve em imbróglios dessa natureza, ainda que pertença ao grupo adversário do vice-governador Felipe Camarão.

Na sua justificativa, o requerimento que propõe a CPI não faz nenhuma acusação definitiva. Político hábil e muito preparado, o deputado Yglésio Moises construiu um texto na base do “pode ser”, “há indícios”, e por aí vai. Para quem acompanha a política maranhense com atenção, o pedido de CPI serve para manter o vice-governador Felipe Camarão na defensiva num momento crítico da ciranda do quem-será-quem na corrida do Governo do Estado.

Até porque na base governista tem político experiente o suficiente para perceber que uma CPI é um processo que todos sabem como começa, mas ninguém sabe como termina. Isso porque é previsível que, alvo da investigação que virá, o vice-governador, com o suporte jurídico que tem, poderá sofrer constrangimentos, mas também poderá criar muitos embaraços para seus acusadores e supostos apoiadores desses. O discurso do deputado Rodrigo Lago na sessão de ontem dá bem uma medida do que poderá acontecer no decorrer da investigação, caso a CPI venha a ser instalada. E, claro, o que nela for dito, terá algum eco na campanha eleitoral.

Não há dúvida de que o processo tende naturalmente a impor desgastes ao vice-governador Felipe Camarão como acusado, caso haja alguma consistência na acusação, e ele terá de se defender. Mas também é certo que, com a formação de procurador federal e professor de direito, apoiado por deputados com sólida formação em direito, como Carlos Lula (PSB) e Rodrigo Lago (PCdoB), vai se defender atacando, o que tornará imprevisível o desfecha dessa CPI, caso ela seja efetivamente instalada nesse momento de largada da corrida eleitoral.

PONTO & CONTRAPONTO

Parecer do MPE sobre supostas ilegalidades eleitorais coloca em risco mandado do prefeito de Caxias

Gentil Neto pode perder o cargo e seu
antecessor Fábio Gentil, pode ficar inelegível

Um dos líderes de um dos grupos políticos familiares mais fortes do Maranhão, o prefeito de Caxias, Gentil Neto (PP), encontra-se diante de um enorme petardo contra ele disparado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), na forma de uma denúncia. A acusação do MPE tem amplo lastro do que seriam provas, dando conta de que o então prefeito Fábio Gentil (PP) teria usado a máquina municipal num suposto esquema de compra de votos para eleger o atual prefeito.

No entendimento do MPE, exposto em parecer, a decisão da Justiça Eleitoral que cassou o mandato do prefeito Gentil Neto e do vice-prefeito Eugênio Coutinho (PDT). E os argumentos são de que teria havido uso abusivo da máquina municipal, por meio de contratações temporárias, com o recolhimento de celulares desses contratados e exigência de apoio eleitoral, o que configura crime eleitoral grave. Além disso, há relatos de supostas transferências bancárias para compra de votos, entre outras estripulias destinadas a envolver eleitores.

No parecer, o MPE pede nada menos que a cassação dos mandatos do prefeito Gentil Neto e do vice Eugênio Coutinho, sendo que o prefeito, se cassado, também se tornarás inelegível por poito anos, enquanto quer o vice prefeito perderá o mandato, mas continuará elegível, já que, segundo o parecer, não há provas de que ele teria participado do suposto esquema de compra de votos. O MPE pede também a inelegibilidade do ex-prefeito e atual secretário estadual de Agricultura Fábio Gentil, que supostamente comandou o suposto esquema.

Se essa posição do MPE for acatada pela Justiça Eleitoral, resultando na cassação do prefeito e do vice de Caxias e tornando inelegível o ex-prefeito, o chamado Grupo Gentil entrará numa crise capaz de esfacela-lo. Isso porque complicará qualquer projeto eleitoral de Fábio Gentil – especula-se que ele pode ser candidato a 1º suplente na chapa liderada pelo ministro André Fufuca (PP), por exemplo -, e mais do que isso, comprometer seriamente os projetos de e eleição da deputada federal Amanda Gentil e da deputada estadual Daniella Jadão (MDB), que formam o Grupo Gentil.

Se tudo vier a ser confirmado e os mandatos sejam perdidos, o comando da Prefeitura de Caxias será disputado numa eleição complementar para um mandato tampão. E vale lembrar que Gentil Neto levou a melhor sobre Paulo Marinho Jr. (PL) por uma diferença de 575 votos.

Braide aguarda candidato presidencial do PSD para decidir se será ou não candidato ao Governo

Eduardo Braide pode passar o comando
municipal para Esmênia Miranda

O prefeito Eduardo Braide (PSD) está com as suas ações voltadas para Brasília, onde o presidente do partido, Gilberto Kassab, poderá anunciar a qualquer momento quem será o candidato do partido à Presidência da República. A disputa está entre os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado, e o do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, já que o terceiro pretende, o governador paranaense Ratinho Jr., desistiu permanecer no cargo com o objetivo de melar a eleição do senador Sérgio Moro.

A definição do candidato presidencial do PSD pode ser a senha para Eduardo Braide bater martelo sobre ser ou não ser candidato a governador do Maranhão. Ele até agora não emitiu nenhum sinal concreto sobre ser ou não ser candidato, a não ser o fato de que passou a incluir a vice-prefeita Esmênia Miranda (PSD) em atos de inauguração ou de lançamento de obras.

Líder das preferências na corrida ao Governo do Estado, segundo todas as pesquisas feitas, o prefeito de São Luís tem até o dia 4 de abril para decidir se entra ou não na disputa, que tem como principal adversário o secretário estadual de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB), apoiado pelo governador Carlos Brandão (sem partido).

São Luís, 26 de Março de 2026.

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