
entre Ronaldo Caiado, Eduardo Leite e Ratinho
Júnior pela vaga de candidato do PSD
a presidente da República
Não é uma verdade absoluta, até porque ele continua determinado a manter silêncio sobre o seu futuro político imediato, mas há sinais de que parte da estratégia do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), de se manter por enquanto fora da corrida ao Palácio dos Leões tem a ver também com a indefinição do seu partido em relação à disputa presidencial. Não que a escolha de um candidato ao Palácio do Planalto venha a ter influência direta da decisão do prefeito, mas não há como negar o fato de que a “briga” entre os governadores Ronaldo Caiado (Goiás), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ratinho Júnior (Paraná) pela vaga de candidato do partido à presidência da República está também influenciando o silêncio de Eduardo Braide.
É fato que o prefeito de São Luís tem o total apoio do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que já declarou várias vezes que a eventual candidatura de Eduardo Braide ao Palácio dos Leões terá chancela integral do partido. E até agora não recuou um centímetro dessa posição, ao contrário, a tem reafirmado sempre que provocado sobre o assunto. Nesse particular, o “problema” até aqui é a relação do prefeito com a senadora Eliziane Gama, que não está ainda devidamente azeitada, uma vez que correm informações sobre profundas diferenças entre eles, mas tudo mantido nos bastidores do partido.
No pleno mais aberto, para ser candidato a governador, além do seu prestigio político e eleitoral, que são conhecidos pelos números das mais de 30 pesquisas divulgadas nos últimos três anos sobre sucessão, o prefeito Eduardo Braide precisa ter um link com a corrida à presidência da República por meio do seu partido. Isso significa montar um palanque esse candidato, oferecendo ao eleitorado e às sociedade como um todo um projeto para o Maranhão associado a um projeto para o Brasil. Bem sucedidos nos comandos dos seus estados, os três governadores têm afinidades políticas e administrativas com o prefeito de São Luís.
Não há sinais quanto à preferência de Eduardo Braide em relação a Ronaldo Caiado, Eduardo Leite e Ratinho Júnior. Ele conhece o trabalho dos três, acompanha, via partido, as ações políticas de cada um, não tendo, assim, maiores dificuldades para se posicionar em relação a um deles, caso seja necessário. Para o prefeito de São Luís, o ideal será uma escolha de consenso, sem o desgaste de uma refrega doméstica que possa causar ranhuras nas suas imagens. Afinal, se vier a ser candidato a governador e o PSD lançar um dos três candidato a presidente, caberá a Eduardo Braide montar o palanque do partido no Maranhão e defender as bandeiras comuns durante a campanha.
Como é sabido, o governador goiano Ronaldo Caiado representa um ramo duro da direita forjado no campo, ligado ao agro, com rasgos bolsonarista, mas que acredita na democracia liberal, com a alternância de poder pelo voto direto e secreto. Eduardo Leite é um político de centro, forjado na escola do PSDB, democrata convicto e civilizado. Ratinho Júnior cresceu nas asas do bolsonarismo, mas vem dando seguidas demonstrações de que se mantém no campo de uma direita civilizada, longe da direita golpista.
Político de formação densa, o prefeito Eduardo Braide é um militante da direita católica, civilizada, que acredita na democracia alimentada com a alternância de poder pelo voto direto. Ele têm pontos convergentes e divergentes com os três aspirantes a candidato do PSD à presidência da República, não encontrando dificuldades para comandar a sua campanha no Maranhão. Dificilmente entrará nessa briga tomando partido de um deles, preferindo aguardar o desfecho da disputa, que poderá, de alguma maneira, influenciar na sua decisão sobre ser ou não ser candidato a governador.
PONTO & CONTRAPONTO
Ligações de Nogueira e Rueda com Vorcaro podem ter repercussões na cena política maranhense

com o tombo de Ciro Nogueira
e Pedro Lucas pode sofrer por
conta da elação de Antonio
Rueda com Daniel Vorcaro
A situação do senador piauiense Ciro Nogueira (PP) e do presidente nacional do União Brasil, António Rueda, tem seus reflexos, discretos, mas reais, no Maranhão. Eles dizem respeito ministro do Esporte, André Fufuca, que é deputado federal pelo PP, e ao deputado federal Pedro Lucas Fernandes, líder do União na Câmara Federal.
A revelação sobre a sua relação íntima, e possivelmente criminosa, com o mafioso Daniel Vorcaro, capo do ex-Banco Master, pode atolar ainda mais o senador no charco em que já está metido. A derrocada de Ciro Nogueira, que ainda conserva o posto de presidente nacional do PP, beneficia o ministro do Esporte, que foi por ele tirado do comando do partido no Maranhão porque se recusou a deixar o Ministério do Esporte na onda de pressão-chantagem que chefes do partido fizeram para fragilizar o Governo do presidente Lula da Silva (PT). Ao que tudo indica, sua participação na máfia de Daniel Vorcaro pode ser a pá de cal nas suas pretensões de renovar o mandato de senador pelo vizinho e honrado Estado do Piauí.
No que diz respeito a António Rueda, que também mantinha relações íntimas e perigosas com o capo Daniel Vorcaro, a situação parece também complicada, pois os relatórios da PF falam de uso do partido para reforçar armações a favor do então banqueiro na Câmara Federal. O deputado federal Pedro Lucas Fernandes, que é muito próximo a António Rueda, pode ser atingido por algum respingo da ducha que pode alcançar o chefe do seu partido ao longo das investigações.
Duarte Júnior quer que Alexandre de Moraes dê explicações à CMPI do INSS
Vice-presidente da CPMI do INSS, o deputado federal Duarte Júnior (PSB), que entrou de cabeça nas investigações da Comissão, decidiu aprofundar sua participação. Ele disse ao jornal O Globo que a Comissão está estudando a possibilidade de convidar o ministro Alexandre de Moraes para depor na CPMI, depois que vieram à tona conversas dele com o capo Daniel Vorcaro, dono do ex-Banco Master.
– Os dados são bem reveladores. Não se trata de um encontro institucional entre um ministro do Supremo e um magistrado dentro do tribunal, mas de um encontro particular, com relações pessoais e mensagens perguntando sobre supostos bloqueios de processo. São questões graves que precisam ser aprofundadas – declarou Duarte Júnior.
Para o parlamentar maranhense, não há como ignorar esses dado do Caso Master, daí porque a Comissão avalia o convite ao ministro, para avançar na investigação.
– A gente está estudando a melhor forma de fazer isso, seja com requerimento de novas informações, quebra de algum outro sigilo ou um convite para esclarecimentos – assinalou.
Ou seja, com expressivo desassombro, o deputado Duarte Júnior dá uma indicação de que a CPMI chegará ao ministro Alexandre de Moraes.
São Luís, 07 de Março de 2026.
