Enquanto Braide abre pré-campanha em Imperatriz e Balsas, Orleans se move para ampliar espaço na Ilha

Enquanto Eduardo Braide escolhia sua vice, Elaine Cortez,
em Imperatriz, Orleans Brandão incursionava em
bairros de São Luís, como o Bairro de Fátima

A fase prévia da corrida ao Palácio dos Leões pelo menos até aqui, está sendo um embate entre o ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide, pré-candidato do PSD, e o ex-secretário estadual de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão, pré-candidato do MDB. Não se trata de um confronto verbal, de um “bateu, levou” ácido, mas de um jogo de estratégia de caráter geopolítico com propósito eleitoral. Enquanto Eduardo Braide decidiu dar a largada da sua pré-campanha em Imperatriz, por muitos vista como uma base política governista, Orleans Brandão vem fazendo uma espécie de contrapeso deflagrando uma agenda intensa exatamente na região metropolitana de São Luís, que é a principal base de Eduardo Braide, começando com uma visita ao populoso e politizado Bairro de Fátima.

Eduardo Braide avaliou com precisão que Imperatriz e a Região Tocantina receberam atenção forte do Governo Carlos Brandão e que, como secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão semeou ali sementes eleitorais, além de contar com o apoio declarado do prefeito Rildo Amaral (PP). E essa foi uma das razões que o levaram a escolher a empresária tocantina Elaine Cortez (PSD) como vice, firmando de cara uma aliança com uma banda expressiva do empresariado, que tem muito pelo na região, onde tem também o apoio de Maria Carvalho, uma liderança emergente na seara da direita.

O fato de seguir dali para Balsas confirmou essa estratégia. Ali, onde o prefeito Alan da Marisol (PRD) declarou apoio ao pré-candidato do MDB, o ex-prefeito de São Luís foi recepcionado e ciceroneado pelo ex-prefeito Eric Silva, uma liderança forte de centro-esquerda, que deixou o PDT e migrou para o PSD, junto com a esposa, a deputada Viviane Silva, que também migrou para o PSD. As imagens divulgadas da reunião de Eduardo Braide e seus apoiadores na Câmara Municipal de Balsas indicam uma aliança que pode produzir expressivos resultados eleitorais.

Em São Luís, Orleans Brandão iniciou uma grande movimentação com o objetivo de se aproximar da massa eleitoral concentrada nos grandes bairros, onde é sabido que Eduardo Braide tem bases sólidas, como indicaram todas as suas eleições e pesquisas que investigaram as tendências do eleitorado da Capital. Ele começou no Bairro de Fátima, levado pelo vereador Beto Castro (Avante), seu aliado de primeira hora. Entre outros compromissos, Orleans Brandão esteve em São José de Ribamar, onde também é forte a presença política do ex-prefeito de São Luís. Por onde passou até ontem, o pré-candidato do MDB exibiu sorriso de satisfação.

Durante a semana, Orleans Brandão concedeu duas entrevistas, uma à TV Difusora, onde reafirmou do seu projeto de candidatura, se mostrou otimista com o resultado das urnas, e outra ao podcast NuBlog, do blogueiro Marcelo Vieira, na qual também se mostrou confiante.

O fato é que, a julgar pelas informações colhidas de diferentes fontes, Eduardo Braide se mostrou entusiasmado com sua incursão de pré-campanha nos epicentros das regiões Tocantina e Sul, onde pretende disputar com o emedebista. Por sua vez, com o material que divulgou, Orleans Brandão causou a impressão de que está confiante de que pode disputar a eleição em São Luís. A semana dos dois pré-candidatos reforçou a tendência de polarização. Eduardo Braide vem dando todas as indicações de que vai para a briga no voto a voto em todos os rincões embalado pelo favoritismo mostrado até aqui pelas pesquisas, enquanto Orleans Brandão e seu grupo parecem determinados a mudar esse cenário.

Nesse contexto, vale a informação de que Lahesio Bonfim, pré-candidato do Novo, está se organizando para tentar salvar o seu capital eleitoral em Imperatriz, onde foi o mais votado em 2022, pretendendo também investir em São Luís. Valem também rumores de que o vice-governador Felipe Camarão pode ser lançado candidato pelo PT. São Luís pode esquentar ainda mais.

PONTO & CONTRAPONTO

Assembleia nomeia membros de CPI que investigará denúncia do PGJ contra o vice-governador

Felipe Camarão:
alvo de CPI na AL

A Assembleia Legislativa definiu ontem a composição da CPI que terá com o alvo o vice-governador Felipe Camarão por conta de uma ação na qual o Procurador Geral de Justiça, Danilo Castro, pede o seu afastamento por suposta movimentação financeira atípica e suspeita. A CPI foi proposta pelo deputado Yglésio Moises (PRD), que obteve o número necessários de assinaturas para abrir a investigação.

A nomeação dos integrantes foi anunciada em sessão comandada pela presidente Iracema Vale (MDB). Os integrantes são os deputados Yglésio Moises, Ricardo Arruda, Ana do Gás, Mical Damasceno e Adelmo Soares pelo Bloco Unidos Pelo Maranhão, o deputado Aluísio Santos pelo Bloco Liberal Democrático (PL/PRD) e o deputado Rodrigo Lago pelo Bloco Parlamento Forte. A maioria é formada por adversários políticos do vice-governador, que são maioria na Casa.

Aliado de Felipe Camarão, o deputado Rodrigo Lago, que é advogado experiente, apresentou requerimento à Mesa Diretora pedindo a suspensão do processo de instalação, mas sua reivindicação não foi acatada.

A CPI foi instalada uma semana depois que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a suspensão do julgamento da ação pelo Tribunal de Justiça, sob a alegação, feita pela defesa do vice-governador, que a ação estaria contaminada por vícios, o que a tornaria ilegal.

O vice-governador Felipe Camarão nega peremptoriamente as acusações do PGJ Danilo Castro, que foi acusado pelo acusado e seus aliados de estar participando de “uma armação” destinada a inviabilizar a candidatura dele ao Governo do Estado. O PGJ Danilo Castro já se defendeu em nota reafirmando o conteúdo da ação.

André Fufuca tem dito que seu projeto de disputar o Senado está consolidado

André Fufuca confirma projeto senatorial
com aval de Lula da Silva

 O ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP) tem dito a interlocutores que não vai forçar a barra para ser o outro candidato da aliança governista ao Senado. Por uma razão simples: além da federação União Progressista, fruto da relação do seu partido, o PP, com o União Brasil, tem espaço na montagem da chapa que será liderada por Orleans Brandão (MDB), e depois, ele é o nome mais forte e mais estruturado entre os nomes da aliança.

André Fufuca tem trabalhado diuturnamente para consolidar o seu projeto senatorial, ampliando a cada dia o leque de aliança com deputados, prefeitos e vereadores. Essa base lhe dá um cacife eleitoral nada desprezível, e é o resultado de mais de dois anos de investimentos políticos. Além disso, tem um lastro de realizações como ministro do Esporte para mostrar nas mais diversas regiões do estado, trabalho que continua como seu sucessor no Ministério do Esporte, o maranhense Paulo Henrique Cordeiro.

Além do suporte político e partidário, André Fufuca tem a seu favor uma série de fatores que pesam nessa definição. Começa com o aval do presidente Lula da Silva (PT), que tem dito e repetido que “o André Fufuca será um bom senador”. Em todas as conversas que teve com o presidente, o ex-ministro ouviu palavras de incentivo.

Em resumo: quem aposta contra o projeto do ex-ministro do Esporte pode estar jogando dinheiro fora. São Luís, 10 de Abril de 2026.

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