
aliança sólida com Carlos Brandão, homenageada
pela presidente do TRT, Márcia Farias,
e recebendo a visita de José Sarney
Poucas personalidades da política viveram um ano tão intenso e movimentado como a presidente da Assembleia Legislativa, deputada Iracema Vale (PSD) em 2025. Ela comandou o Poder Legislativo com suas já conhecidas desenvoltura e habilidade política, administrou pressões causadas pela indefinição judicial em relação ao seu mandato presidencial, comemorou recentemente a confirmação da sua reeleição, atuou forte para resolver outros problemas envolvendo a Casa de Manoel Beckman, atuou como parlamentar e legisladora, enfrentou reviravolta partidária, e fecha o ano no epicentro das decisões políticas relacionadas com as eleições gerais do ano que vem, apoiando o projeto de candidatura de Orleans Brandão (MDB), sem ter definido ainda para onde as urnas a mandarão.
Aos 57 anos e no auge da sua maturidade política, lastreada que é por vários mandatos de vereadora, dois mandatos de prefeita de Urbano Santos, pela maior votação para deputada estadual em 2022, e por ser a primeira mulher a presidir o Poder Legislativo maranhense em dois séculos de existência, a deputada Iracema Vale teve um ano especial e diferenciado. Aliada de proa do governador Carlos Brandão (sem partido), atuou em várias frentes, enfrentou adversidades, viu seu poder submetido a riscos, mas reagiu com firmeza e inteligência política a cada contratempo.
No campo institucional, Iracema Vale presidiu a Assembleia Legislativa com habilidade e eficiência, garantindo, ao mesmo tempo, o seu pleno funcionamento e vencendo pauta extensa, que incluiu vários projetos de larga importância, do Executivo e da Casa. No comando da Mesa, deixou a ação parlamentar fluir, cuidando, porém, de administrar conflitos entre Situação e Oposição e conter excessos. Em alguns momentos, ela própria foi para o debate, ocupando a tribuna para defender posições e cobrar definições, principalmente do Judiciário em relação ao Poder Legislativo. Sob sua direção, a Alema fechou o ano com uma produção legislativa expressiva.
Além de comandar a Alema, Iracema Vale também produziu como legisladora, emplacando uma série de projetos de lei. Um deles, o PL nº 377/24, transformado em lei, que instituiu política de prevenção, atenção e reintegração social de dependentes de drogas no Maranhão. Também o que criou as bases para uma política de planejamento, monitoramento, controle e avaliação da situação de saúde funcional dos indivíduos. E juntamente com os deputados Rodrigo Lago (PCdoB) e Yglésio Moyses (PRTB), emplacou a PEC ajustando artigos da Constituição do Estado relacionados com decisões do governador no tocante à análise de projetos antes de sancioná-los, entre outras medidas.
A deputada Iracema Vale viveu os primeiros 10 meses do ano com sua presidência sub judice, por conta do questionamento, no STF, do critério que desempatou a seu favor a eleição para a presidência da Casa realizada no final de 2024. No início de novembro a decisão da Suprema Corte se deu por 10 a 0, uma vitória retumbante que consolidou sua reeleição e devolveu normalidade à Casa. Na mesma linha, ela tentou resolver a pendência judicial – que depende do ministro Flávio Dino – sobre as regras para a escolha de conselheiro do TCE, já tendo a Alema feito a sua parte no processo.
No campo político, Iracema Vale viveu 2025 no centro do tabuleiro, onde atuou sem descanso para manter coesa a aliança partidária governista, até quando viu o seu grupo ser excluído do PSB – ao qual continua filiada até poder migrar para outra legenda sem correr o risco de perder o mandato. Indiferente a pressões, Iracema Vale entrou de cabeça na construção da candidatura de Orleans Brandão ao Governo do Estado. Sua posição na presidência da Alema a tornou peça de importância capital no xadrez que vem sendo jogado pelo governador Carlos Brandão e o vice-governador Felipe Camarão (PT).
Nesse jogo, Iracema Vale fecha 2025 com cacife para ser candidata à reeleição, à Câmara Federal, à vice-governança do Estado e, numa guinada radical no cenário, até ao Palácio dos Leões.
PONTO & CONTRAPONTO
O ano foi de embates duros entre Oposição e Situação na Assembleia Legislativa

bateram forte, mas Neto Evangelista, Florêncio Neto,
Antônio Pereira e Yglésio Moyses rebateram no mesmo tom
O ano político foi marcado por várias situações interligadas, sendo que uma delas foi o embate constante entre Oposição e Situação na Assembleia Legislativa. De um lado, a ativa “bancada dinista”, comandada pelo deputado Carlos Lula (PSB), com atuação forte dos deputados Othelino Neto (PSB) e Rodrigo Lago (PCdoB) e o apoio do deputado Fernando Braide (Solidariedade), e de outro a poderosa bancada governista, liderada pelo deputado Neto Evangelista (União), e com forte atuação do deputado Florêncio Neto (PSB), Antônio Pereira (PSB) e apoiada pelo deputado Yglésio Moyses (PRTB).
Os embates foram se intensificando e se tornando mais ácidos à medida que o grupo dinista foi se afastando da base governista e elevando o tom do discurso oposicionista, obrigando o líder governista a reagir com o apoio dos aliados, sendo que o deputado Yglésio Moyses torpedeou a Oposição o ano inteiro em faixa própria, mas muito afinado com o Palácio dos Leões.
Carlos Lula, Othelino Neto e Rodrigo Lago bateram forte no Governo, atacando diretamente o governador Carlos Brandão com denúncias. No contraponto, o líder Neto Evangelista rebateu todos as investidas, auxiliado por Florêncio Neto e por Antônio Pereira, que é o 1º vice-presidente da Casa. Ora aliado aos dinista e ora com discurso independente, Fernando Braide fez duros ataques ao Governo, que foram todos rebatido pelo líder Neto Evangelista.
Um detalhe, porém, chamou a atenção durante o ano: ao mesmo tempo em que atacou duramente o Governo e o governador com denúncias, a bancada oposicionista conseguiu separar o joio do trigo e votou a favor de quase todos os projetos propostos pelo governador Carlos Brandão.
Assembleia Legislativa viveu momentos incômodos durante 2025
A Assembleia Legislativa viveu vários momentos incômodos. Dois deles, porém, chamaram a atenção pelos motivos que levaram deputados a protagonizarem situações constrangedoras.
O primeiro deles foi a cassação do deputado Hemetério Weba (PP). Político experiente, com uma longa trajetória de expressivos resultados eleitorais, Hemetério Weba perdeu o mandato sob acusação de improbidade administrativa por haver feito publicidade irregular com dinheiro público quando o prefeito de Nova Olinda. A sentença saiu em abril, com a decretação da sua inelegibilidade, e em junho, por determinação judicial, a Mesa da Alema oficializou a perda do mandato, empossando a suplente Helena Duailibe (PP).
O outro momento incômodo aconteceu mais recentemente, no dia 12 de novembro: um pugilato verbal de baixo nível entre o deputado Júnior Cascaria (Podemos) e o suplente no exercício temporário do mandato Fred Maia (PDT). O motivo: Júnior Cascaria acusou Fred Maia de divulgar vídeos com denúncias contra ele, Júnior Cascaria. O “disse, não disse” entre os dois evoluiu para uma violenta e constrangedora troca de agressões verbais.
De Júnior Cascaria sobre Fred Maia: “mentiroso”, “chifreiro de políticos”, “caso espúrio da política”, “descarado”, “foi condenado a quatro anos de prisão” e “não sou de chutar cachorro morto, mas hoje eu chuto”
De Fred Maia sobre Júnior Cascaria: “cara de pau”, “sujeito sem escrúpulo”, “embolsou o dinheiro da quadra”, “vendedor de emendas da cultura”, “foi na minha casa com cara de moleque”, “é um cabra velho sem vergonha”, “não tem bagagem, não tem moral”.
São Luís, 28 de Dezembro de 2025.
