Não há qualquer dúvida de que, visto por uma ótica séria, isenta e baseada nas regras em vigor, o desfecho da CPMI do INSS foi patético e, mais do que isso, o seu relatório, que acabou rejeitado pela maioria, vai entrar para a história do Congresso Nacional como uma peça ordinária, mas que causou estragos enquanto durou. Mesmo assim, o circo promovido por congressistas mais preocupados em aparecer do que investigar disparou chumbo grosso em direção ao mundo político do Maranhão, primeiro por haver o relatório rejeitado pedido o indiciamento e a prisão do deputado estadual licenciado Edson Araújo (sem partido), envolvido até o pescoço no esquema investigado; pedido o indiciamento do senador Weverton Rocha (PDT), e também o do ex-deputado federal e ex-ministro do Meio Ambiente Sarney Filho, que atua como consultor nos movimentados e perigosos bastidores de Brasília.
A pancada mais forte da CPMI foi, sem dúvida, no deputado estadual Edson Araújo. Além de indiciado, o relatório rejeitado pediu a prisão preventiva dele, pelo grau do seu envolvimento com o grande esquema. De acordo com investigações da Polícia Federal, Edson Araújo, que fez sua carreira política no setor pesqueiro, controlando dezenas de associações de pescadores nas mais diferentes regiões do estado, movimentou mais de R$ 39 milhões nos últimos três anos, dinheiro que lhe teria sido repassado pelo esquema controlado pelo tal Careca do INSS. As provas contra ele são arrasadoras, tirando-lhe qualquer possibilidade de sair ileso do escândalo. Por conta do seu envolvimento, Edson Araújo foi expulso do PSB, partido pelo qual ele obteve nas urnas cinco mandatos de deputado estadual, e terá encerrada sua carreira política ao final do atual mandato.
Se fez o deputado Edson Araújo antecipar dramaticamente o fim da sua carreira, o relatório rejeitado da CPMI do INSS colocou em risco a continuidade da carreira política do senador Weverton Rocha, a quem impõe a pecha de suspeito de envolvimento na fraude. Por conta de uma relação até agora mal explicada com o famoso Careca do INSS, o chefão do esquema. O pedido de indiciamento, que não valeu, mas aconteceu exatamente no momento em que o senador se desdobra para viabilizar a sua reeleição como candidato apoiado pela frente partidária liderada pelo governador Carlos Brandão (sem partido), com a vantagem de aparecer nas pesquisas como favorito. Momentos depois de tomar conhecimento do pedido do seu indiciamento, o senador Weverton Rocha reagiu divulgando uma nota em que considera descabido o pedido de indiciamento e reafirma que nada tem a ver com o esquema. Viu o relatório ser detonado, mas o estrago foi feito.
O pedido de indiciamento do ex-deputado federal e ex-ministro Sarney Filho teria sido motivado pelo pagamento de alguns milhões de reais que uma empresa sua recebeu de uma empresa entidade envolvida até o talo com a maracutaia. Fora da política formal, Sarney Filho comanda uma empresa que presta consultoria em diferentes áreas, muito comum em Brasília. Seu nome veio à tona em agosto do ano passado, quando, em meio à movimentação da PF desmontando ao esquema, a empresa de Maurício Camisotti, um dos principais chefes do esquema, transferiu R$ 7,5 milhões para a empresa de Sarney Filho. Ele explicou tratar-se de pagamento por consultoria, mas se recusou a explicar o tipo de serviço alegando sigilo contratual. O ex-ministro garante que essa operação nada tem a ver com o esquema do INSS. Suas explicações não foram suficientes para evitar a inclusão do seu nome entre os mais de 200 cujo indiciamento foi pedido pela CPMI do INSS, mas não valeu porque o relatório foi mandado para o arquivo morto.
São três casos ligados pelo mesmo fio, mas com situações diferentes. O deputado Edson Araújo mergulhou em problemas de saúde, não tem mais qualquer chance de voltar à Assembleia Legislativa e pode ter comprometido gravemente a carreira do filho, que de suplente de deputado federal. O senador Weverton Rocha, um político jovem que deu um salto gigantesco, e com poder de fogo para seguir em frente, pode ter sua caminhada dificultada no momento em que está em campanha para renovar o mandado. E o ex-deputado Sarney Filho, dono de uma bem sucedida carreira de oito mandatos de deputado federal e que se tornou mundialmente conhecido como ministro de Meio Ambiente do Brasil, pode ter sua “aposentadoria” tumultuada por uma operação empresarial que precisa ser explicada.
Em Tempo: Vale registrar que como vice-presidente da CPMI do INSS o deputado federal Duarte Júnior (sem partido) teve participação destacada e importante, a ponto de incomodar o presidente e o relator, que fizeram de tudo para escantea-lo. Mas ele não se dobrou e atuou com dignidade.
PONTO & CONTRAPONTO
Decisões de ministros do Supremo divulgadas por jornal paulista vêm tencionando a corrida sucessória

tensão entre Felipe Camarão e Carlos Brandão
A oito dias do prazo fatal para desincompatibilização de ocupante de cargo público que entrarão na corrida pelo voto no pleito de outubro – presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual -, a disputa pelo Governo do Estado ganhou ontem mais um ingrediente na guerra entre o chamado grupo dinista, representado pelo vice-governador Felipe Camarão (PT), que se declara pré-candidato aos Leões, e o governador Carlos Brandão (sem partido), que lançou e apoia a pré-candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB).
O jornal O Estado de S. Paulo trouxe uma ampla reportagem revelando que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, chamou para si processo sobre o Caso Tech Office, assassinato, à queima roupa, do empresário João Bosco Pereira Oliveira Sobrinho, do ramo de alimentos, por Gibson César Soares Cutrim Júnior, em frente ao prédio do mesmo nome na Ponta D´Areia, em agosto de 2022, em plena campanha eleitoral. O caso teria outro destino se na cena do crime não estivesse o advogado Daniel Brandão, um ano depois nomeado conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.
A decisão do ministro Flávio Dino é visto por aliados do governador Carlos Brandão como uma reação ao vazamento de uma ação do Ministério Público sobre suposta movimentação financeiras atípicas do vice-governador Felipe Camarão, que corria em segredo de Justiça, e que causou a instalação de uma CPI na Assembleia Legislativa. O vice-governador e seus aliados acusam o Palácio dos Leões de estar por trás do vazamento, que colocou o procurador geral de Justiça, Danilo Castro, numa situação desconfortável.
As duas situações ganharam peso depois que, na semana passada, o mesmo jornal paulista, porta-voz da direita liberal, publicou que o ministro Alexandre de Moraes deve decidir nos próximos dias sobre um pedido, feito pelo Solidariedade em 2024, de afastamento do governador Carlos Brandão, sob a alegação de que ele não teria cumprido determinações do ministro sobre casos de nepotismo, o que o chefe do Executivo nega com veemência.
O fato concreto é que até agora ninguém abriu da sua posição. O governador Carlos Brandão não dá sinais de que voltará atrás da sua decisão de permanecer no Governo, abrindo mão do Senado, e apoiar a candidatura de Orleans Brandão, a menos que o vice-governador renuncie e se candidate a deputado federal. Por sua vez, o vice-governador tem dito que não volta atrás na decisão de ser candidato a governador. As posições garantem a manutenção do clima de tensão que permeia a pré-campanha ao Governo.
Há quem diga que esse ambiente tenso vai continuar depois do dia 5 de abril.
Republicanos dá guinada radical e monta chapa forte para a Assembleia Legislativa

Catulé Júnior, Júnior Cascaria,
Adelmo Soares, Jota Pinto e
Pará Figueiredo integram a
chapa forte do Republicanos
Surpreendente, sob todos os aspectos, a guinada do Republicanos no Maranhão. Sob o controle firme do deputado federal Aluísio Mendes, o partido se transformou numa potência para disputar cadeiras na Assembleia Legislativa, exibindo a pretensão de ocupar pelo menos seis cadeiras no plenário “Nagib Haickel”.
A revoada na direção do Republicanos chamou a atenção em alguns pontos. Primeiro foi a saída de Adelmo Soares e Kekê Teixeira, que deixaram o poderoso MDB. Depois, a deputada Ana do Gás, que para lá correu depois de dois mandatos no PCdoB e emagrecendo o PCdoB. Mais ainda tirando peso do PL ao atrair o suplente, mas exercendo o mandato Pará Figueiredo. E completando, puxou o deputado Eric Rocha do PSD, abrindo mão da força da provável candidatura do prefeito Eduardo Braide. (PSD) ao Governo.
Por conta das diferenças em Caxias, onde não fecha com o grupo Gentil, que controla o PP, o deputado Catulé Júnior também migrou para o Republicanos. E para fechar, a única deputada do partido, Janaína, pode ter ganhado a possibilidade de reeleição com o fortalecimento do partido no plano estadual.
O presidente Aluísio Mendes jogou bem e pode sair das urnas reeleito, continuando em Brasília, e com o seu cacife político reforçado, com peso para ocupar um espaço amplo nas decisões da Assembleia Legislativa de interesse do próximo Governo.
São Luís, 28 de Março de 2026.
