
O vice-governador Felipe Camarão (PT) colocou ontem para uma pedra enorme como obstáculo aos rumores que durante a semana sugeriram que ele poderia estar aberto a uma conversa com o governador Carlos Brandão (sem partido). Ele reuniu, na residência oficial a que tem direito, no Turu, líderes do PT, PSB, PCdoB, PSOL e Rede, reafirmando, em discurso forte, que não abre mão da sua candidatura ao Governo, qualquer que seja a circunstância. “Mais um passo na construção da nossa pré-candidatura”, afirmou, tendo ouvido dos aliados presentes incentivos para que mantenha inalterado o projeto de candidatar-se ao Palácio dos Leões. Na quinta-feira, Felipe Camarão participou ativamente da manifestação, no Centro de São Luís, que lembrou o 8 de Janeiro, tendo reafirmado sua pré-candidatura com vários interlocutores.
É a segunda vez, em duas semanas, que o vice-governador se reúne com líderes dos partidos de esquerda – a primeira foi em Santa Rita. Na leitura de um dos seus apoiadores, essas reuniões têm dois objetivos claros. O primeiro é um esforço para colocar os partidos de esquerda num mesmo campo, evitando que essas forças se dispersem com candidaturas próprias que não chegam a lugar algum. E pelo visto, as lideranças dessas legendas parecem dispostas a evitar a dispersão e se juntarem numa aliança partidária que tenha consistência política e eleitoral.
O segundo objetivo é que, ao juntar os partidos de esquerda, dando a essa união um caráter de frente partidária, Felipe Camarão mostre que não está fazendo uma caminhada solitária, que seu projeto político e sua determinação de se candidatar ao Palácio dos Leões vai muito além de um projeto pessoal. E nessa linha, ele pretende trabalhar para ampliar essa aliança, incluindo nelas partidos de centro-esquerda – como o PDT por exemplo – e até mesmo uma ou outra legenda de centro, embora nenhuma delas tenha sinalizado a possibilidade de vir a apoiá-lo. Praticamente todas os partidos de centro-direita e de direita estão alinhados com o governador Carlos Brandão (sem partido) e, por via de desdobramento, inclinados a apoiar o projeto de candidatura de Orleans Brandão.
Nas suas declarações, o vice-governador tem sido enfático no sentido de afirmar sua condição de pré-candidato pela cúpula nacional do PT com o aval do presidente Lula da Silva. Essa posição e esses movimentos visam também mostrar à banda maior do PT maranhense, que tende a apoiar a candidatura de Orleans Brandão, que o seu projeto tem consistência política e pode eleitoralmente viabilizado. Ontem, por exemplo, ele concitou o grupo partidário de esquerda a consolidar a aliança em torno do seu projeto de candidatura com convocações do tipo “Vamos junto. É Lula, é Camarão!”.
O projeto maior do vice-governador Felipe Camarão é consolidar a sua pré-candidatura a governador, assumindo ou não o Governo – o que parece mais improvável a cada dia -, é montar um palanque forte para o presidente Lula da Silva no Maranhão. O problema é que, aliado de proa do presidente da República, o governador Carlos Brandão vem montando um palanque com uma ampla aliança, que reúne partidos de direita, centro-direita, centro e centro-esquerda. Na conversa que teve em novembro passado com o líder petista sobre o cenário político do Maranhão, o mandatário maranhense lhe ofereceu o seu palanque na corrida à reeleição no estado.
Numa perspectiva mais aberta, não será surpresa se o vice-governador Felipe Camarão vier a consolidar essa frente de esquerda e se lance candidato a governador, visando também garantir um palanque ao presidente. Nesse aspecto, ele vai confrontar exatamente o candidato do governador, Orleans Brandão, que, se tiver o seu projeto confirmado como tudo está indicando, comandará uma ampla e densa aliança partidária, que foi montada pelo então governador Flávio Dino e foi mantida sem problemas pelo governador Carlos Brandão. Será um confronto desproporcional, porque as aliança brandonista já é política e eleitoralmente muito mais consistente.
O vice-governador certamente tem essa realidade desenhada no seu tabuleiro. E sabe que tudo isso poderá ganhar outros contornos se o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD) entrar na corrida.
PONTO & CONTRAPONTO
Definições e incertezas na montagem de chapas para as vagas no Senado

Eliziane Gama aguarda Eduardo Braide,
e Roberto Rocha e Hilton Gonçalo em faixa própria
Se o cenário da disputa para o Governo do Estado continuar com a feição atual, e mesmo que o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, entre na briga, o quadro da disputa para as duas vagas de senador terá mesmo o senador Weverton Rocha (PDT), candidato à reeleição, e o ministro do Esporte André Fufuca (PP), deputado federal que tentará voo mais alto, como os candidatos a serem apoiados pela chapa encabeçada por Orleans Brandão (MDB). Os movimentos mais recentes têm mostrado que não há espaço para um terceiro nome na base de apoio do emedebista.
A senadora Eliziane Gama (PSD), candidata à reeleição, emite sinais cada vez mais evidentes de que já aposta todas as suas fichas na candidatura do prefeito Eduardo Braide, que é do seu partido. Ela teria sido convencida pelo presidente nacional da agremiação, Gilberto Kassab, de que o seu caminho é se afastar da base governista e abraçar o projeto de poder independente liderado pelo prefeito de São Luís.
A julgar pelos seus movimentos recentes, Eliziane Gama deixa a impressão de ter certeza de que Eduardo Braide vai deixar a Prefeitura de São Luís para ser candidato ao Governo do Estado. Ela tem demonstrado serenidade diante dessa expectativa geral, não emitindo qualquer sinal de preocupação sobre seu partido ter ou não ter um candidato. Para alguns observadores, isso evidencia que ela tem convicção de que o prefeito será candidato.
E pelo que corre nos bastidores, se Eduardo Braide for candidato, o PSD terá apenas um candidato ao Senado, a senadora Eliziane Gama, que brigará pela reeleição. A possibilidade de o partido acatar o projeto de candidatura da deputada estadual Mical Damasceno ao Senado “é zero”, na avaliação de um apoiador do prefeito, que também descartou a filiação do ex-senador e pré-candidato ao Senado Roberto Rocha ao partido. Nesse contexto, o ex-prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (Mobiliza) corre em faixa própria.
Pelo menos até o momento, o vice-governador Felipe Camarão não falou em candidato a senador na sua chapa. E a explicação foi dada por aliado do petista: “Nós queremos é o governador Brandão como candidato a senador na chapa do Felipe”.
Correção: quem será candidato a deputado federal é Vinícius Ferro (Seplan) e não “Márcio” Ferro
Na edição de 8 de janeiro, Repórter Tempo publicou um grupo de secretários de Estado que estão arrumando as gavetas e colocando a casa em ordem para deixar o cargo na primeira quinzena de março para se candidatarem à Assembleia Legislativa (sete) e à Câmara Federal (dois). E cometeu um erro primário: trocou o nome do secretário de Planejamento Vinícius Ferro por “Márcio Ferro”, fruto, portanto, de um descuido imperdoável, mas que, infelizmente, ocorre no Jornalismo.
Pois bem, o especialista em Ciências Contábeis Vinícius Ferro, que tem sido um braço importante do governador Carlos Brandão no planejamento orçamentário das ações do Governo, decidiu que é hora de dar um tempo do trabalho técnico para tentar uma incursão na vida parlamentar, planejando-se para ser candidato a deputado federal. Conversou com o governador Carlos Brandão, que concordou com o arrojado projeto político de marinheiro de primeira viagem no agitado, movediço, mas sedutor, oceano eleitoral.
No meio político, principalmente na seara da aliança governista, Vinícius Ferro é visto como um nome forte. Ele trabalha em sintonia fina com secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB). Decidiu entrar na corrida à Câmara Federal depois que Orleans Brandão, que antes planejava candidatar-se a deputado federal. Com a guinada do emedebista para ser candidato a governador, o secretário Vinícius Ferro se movimentou e numa boa articulação conseguiu assumir alguns espaços importantes abertos com a saída de Orleans Brandão da corrida proporcional.
A exemplo de Bira do Pindaré (PSB), outro secretário que vai deixar o cargo para ser candidato a deputado federal, Vinícius Ferro é apontado como nome potencialmente forte na disputa.
São Luís, 10 de Janeiro de 2026.
