Brandão confirma entrada no jogo político e diz que conversará com grupo “para tomar decisões no colegiado”

Carlos Brandão: foco na política
a partir de agora

“Vamos conversar com nosso grupo para tomar decisões no colegiado”. A declaração foi dada pelo governador Carlos Brandão (sem partido), ao confirmar, ontem, a pedido da Coluna, que janeiro abre a sua agenda política visando as eleições de outubro. O governador foi diversas vezes provocado para se posicionar em relação à corrida à sua sucessão, ao longo do ano passado, principalmente durante o segundo semestre, mas sempre se esquivou, argumentando que cumpria o compromisso de só se manifestar mais efetivamente sobre política a partir de janeiro de 2026. Ontem, ao ser indagado se já poderia se manifestar, ele respondeu que sim, e diante da pergunta sobre qual seria o seu primeiro passo, ele fez a declaração acima.

Ao informar que vai conversar com o grupo que lidera, “para tomar decisões no colegiado”, o governador Carlos Brandão sinaliza que tem decisões já tomadas, as quais pretende ouvir um grupo próximo, já que é muito difícil elencar um “conselho” ao qual o mandatário maranhense submeteria decisões que só ele tem cacife para tomar. É o caso, por exemplo, da pré-candidatura do secretário Orleans Brandão (MDB) ao Governo do Estado, que é muito forte com a sua presença no comando do Governo, mas que perde consistência e poder de fogo se ele decidir deixar o Governo e disputar o Senado, como lhe pediu ao presidente Lula da Silva (PT). Isso não invalida o seu gesto de ouvir conselheiros, auxiliares e lideranças mais próximas, formando a ideia de colegiado.

O governador Carlos Brandão é um político muito experiente nesse jogo, valendo lembrar que ele, como então chefe da Casa Civil, teve papel importante na decisão que levou o então governador José Reinaldo Tavares a permanecer no cargo para garantir a eleição de Jackson Lago (PDT) derrotando Roseana Sarney (MDB) 2006, e deu no que deu. O cenário é parecido, com a vantajosa diferença de que o candidato que ele apoia é da sua mais absoluta confiança pessoal e política. Mesmo assim, Carlos Brandão tem noção muito clara do peso político e dos desdobramentos possíveis que tomadas de decisão desse quilate pode produzir.

Em princípio, o que ele submeterá ao que chama de colegiado é a pré-candidatura de Orleans Brandão – que vem fazendo a sua parte para atrair mais suporte político e eleitoral ao projeto -, e a proposta que lhe fez o presidente Lula da Silva na conversa que os dois mantiveram no final de novembro. O que ele denominou de “contraproposta” a ser levada ao presidente da República, provavelmente ainda neste mês, será exatamente o resultado das consultas ao grupo que define como colegiado.

A rigor: o governador Carlos Brandão tem dois caminhos a seguir. O primeiro é permanecer no Governo até o final do mandato e manter a candidatura de Orleans Brandão à sua sucessão. E o segundo é deixar o Governo e se candidatar ao Senado, compondo com o seu sucessor ou fazendo-lhe oposição negociando aliança com um adversário. Ele sabe com, com muita clareza, que qualquer que seja a decisão que ele vier a tomar, terá um custo político muito elevado. A grande diferença é que permanecendo no cargo, poderá eleger o sucessor, mas sabendo que a partir de 1º de janeiro de 2027 será um político sem mandato e de futuro incerto. Por outro lado, como senador da República não terá o poder que detém como governador, mas será um par da República, com grande influência e com autoridade para pleitear a volta ao Governo em 2030.

Essa equação comporta diferentes combinações, que serão colocadas na mesa para discursão, e com um dado importante: o decisivo 03 de abril está a apenas 87 dias, com um Carnaval bem no meio. Ou seja, não há tempo a perder.

PONTO & CONTRAPONTO

Eliziane Gama entra 2026 com o desafio de definir como vai se aliar para buscar a reeleição

Eliziane Gama: falta pouco para decidir seu rumo

A senadora Eliziane Gama (PSD) caminha para tomar decisão definitiva em relação ao seu futuro como candidata à reeleição. Ela tem sido discreta em relação ao assunto, mas nove entre dez pessoas que a conhecem dizem que ela está aguardando a manifestação do prefeito Eduardo Braide (PSD) para se declarar candidata à reeleição na chapa por ele a ser liderada.

Bem sintonizada com a direção nacional do PSD, a quem já sinalizou que entrará na briga pela reeleição apoiando a candidatura do prefeito de São Luís ao Governo do Estado, ela ainda não tratou do assunto diretamente com o chefe do Executivo da Capital. Há quem diga que ela já está sintonizada com o prefeito, mas há quem garanta que essa sintonia fina ainda não aconteceu.

Esse entendimento pleno só se dará quando Eduardo Braide decidir se será ou não candidato a governador. Se optar por ser candidato, terá certamente a senadora Eliziane Gama como parte da sua chapa como um dos candidatos ao Senado. Se o prefeito decidir que não disputará o Governo, a senadora terá que buscar outro caminho, sabendo que dificilmente terá vez na aliança governista, que já tem o senador Weverton Rocha (PDT) e o ministro André Fufuca (PP) disputando a preferência pelas duas cadeiras.

Eliziane Gama terá de mergulhar na paciência e na experiência no jogo para definir seu futuro.

Saqueada em R$ 38 mil por dia durante quatro anos, Turilândia deve sofrer intervenção na próxima semana

Paulo Curió está preso acusado de
desviar R$ 56 milhões em Turilândia

O futuro imediato de Turilândia – um município de 31,2 mil habitantes e situado no norte do estado -, desde dezembro sufocado por um escândalo de corrupção que ganhou projeção nacional por conta do volume roubado: R$ 56 milhões em quatro anos, o que dá R$ 14 milhões roubados a cada ano, o equivalente a R$ 1,16 milhão por mês, ou seja, R$ 38 mil por dia.

Pelo que foi levantado pelo Gaeco, que foi fundo na investigação, o prefeito Paulo Curió (União), reeleito, e sua vice, Tanya Mendes (PRD), comandaram uma quadrilha que envolvia servidores menores e cinco vereadores, a começar pelo presidente da Câmara Municipal, que também está preso.

Com base no relatório da investigação, o chefe do Ministério Público, procurador geral Danilo Castro encaminhou ao Tribunal de Justiça um pedido de intervenção no município. O pedido chegou ao TJ no final do ano, mas o desembargador plantonista entendeu não se tratar de matéria de urgência e deixou o pepino para a Corte resolver, quando retornar do recesso judiciário no dia 7, na primeira sessão plenária do ano.

No meio político ninguém duvida que o TJ atenderá ao MP e decretará intervenção.  

São Luís, 03 de Janeiro de 2026.

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