Eduardo Braide (PSD) confirmou sua estratégia política e eleitoral que o levou à Prefeitura de São Luís em 2020: não perdeu tempo com articulações políticas e partidárias para a escolha do vice e preencheu a vaga ontem com Elaine Carneiro Cortez (PSD), empresária de Imperatriz, formando chapa “puro sangue” no seu primeiro movimento de pré-campanha. Ao contrário do que andaram ventilando, ninguém teve influência maior na sua escolha, que foi feita com base numa cuidadosa avaliação e numa campanha da Associação Comercial de Imperatriz (ACI) para que o vice fosse da Região Tocantina, de preferência da cidade. Ele avaliou vários nomes nas searas política e religiosa, entendeu que um quadro do meio empresarial representaria bem a Princesa do Tocantins e a região na corrida ao Palácio dos Leões.
Ainda é cedo para uma avaliação mais abrangente do que significa essa escolha no campo político e, principalmente, na seara eleitoral. Mas já é possível formular a conclusão de que o candidato do PSD chegou à conclusão de que o campo político e partidário tocantino está fortemente minado pela presença dos pré-candidatos do MDB, Orleans Brandão, e do Novo, Lahesio Bonfim – que, vale lembrar, foi o mais votado ali em 2022. Assim, preferiu buscar o suporte da classe empresarial, atendendo ao apelo da ACI. Não há como negar que Imperatriz é o maior empório econômico do M aranhão depois de São Luís, com influência direta em relação a pelo menos 20 municípios, e onde o empresariado tem peso político.
É esse mosaico que Elaine Cortez, empresária que dirige uma rede de lojas de pneus, mas também com atuação na política corporativa, vai representar na corrida que o ex-prefeito de São Luís inicia na direção do Palácio dos Leões. E pelo entusiasmo que demonstrou ao fazer o anúncio, ao lado de líderes empresariais. Eduardo Braide deu clara demonstração de que sabia exatamente o que estava fazendo. Primeiro reduzindo drasticamente a possibilidade de outro candidato buscar seu vice em Imperatriz, e depois, amenizou o fato de o prefeito de Imperatriz, Rildo Amaral (PP), manter aliança estreita com o governador Carlos Brandão (sem partido) e apoia declaradamente o pré-candidato do MDB.
Sem conseguir ser a capital do Maranhão do Sul, um estado cuja criação ainda adormece no Congresso Nacional, Imperatriz vem tendo participação forte e grande influência nas disputas pelo Governo do Estado. Em 1990, Edison Lobão foi eleito formando chapa com o ex-prefeito de Imperatriz Ribamar Fiquene; em 2006, Jackson Lago se elegeu tendo como vice o pastor Porto; na eleição de 2018, Roseana Sarney concorreu tendo como candidato o empresário Ribinha Cunha. A escolha de Elaine Cortez para vice de Eduardo Braide, segue, portanto, uma linha de pragmatismo que enxerga Imperatriz com peso às vezes decisivo.
Em meio aos ecos da movimentação de Eduardo Braide em Imperatriz, iniciando sua pré-campanha e anunciando sua vice, correu o rumor de que o pré-candidato do MDB, Orleans Brandão, poderá fazer o contrapeso e escolher um vice de São Luís, onde, segundo as pesquisas, o favoritismo do ex-prefeito é muito forte. O pré-candidato do MDB também iniciou uma maratona de visitas a grandes bairros da Capital, como fez na noite de segunda-feira no Bairro de Fátima, onde recebeu o apoio do vereador Beto Castro (Avante). Outro rumor deu conta de que o pré-candidato do Novo, Lahesio Bonfim, também estaria a caminho de São Luís, onde foi o segundo mais votado em 2022.
O movimento protagonizado ontem por Eduardo Braide, de iniciar sua pré-campanha pela Região Tocantina, escolhendo logo uma vice de lá, terá continuidade hoje em Balsas, se reunirá com líderes políticos e empresariais. Ali ele conta com o apoio da deputada estadual Viviane Silva, que juntamente com o marido, o ex-prefeito Eric Silva, trocou o PDT pelo PSD, uma vez que o prefeito Alan da Marisol (PRD) é alinhado ao governador Carlos Brandão e apoia a pré-candidatura de Orleans Brandão.
PONTO & CONTRAPONTO
Ao confirmar Weverton e indicar que Fufuca deve ser o outro nome, Orleans define nomes para o Senado
O pré-candidato do MDB a governador, Orleans Brandão, bateu martelo afirmando que o senador Weverton Rocha (PDT), será um dos candidatos ao Senado pela aliança governista, por ele comandada. Na mesma entrevista, concedida à TV Difusora na noite de segunda-feira, ele sinalizou que a tendência do grupo deve ser apoiar o ex-ministro do Esporte, deputado federal André Fufuca (PP), para a outro vaga. No segundo caso, Orleans Brandão revelou que ainda estão acontecendo conversas com os partidos, mas que, pelo andar da carruagem, o outro candidato tende mesmo a ser o ex-ministro.
Com as informações dadas à TV Difusora, Orleans Brandão pareceu sinalizar, com a autoridade de presidente do MDB, que o partido não terá candidato ao Senado, o que leva à conclusão de que a deputada federal Roseana Sarney e a deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa Iracema Vale, nomes cotados para disputar a vaga, não serão candidatas ao Senado.
Se esse quadro for confirmado, só restará três caminho à presidente Iracema Vale: ser candidata à reeleição, o que parece descartado, disputar uma cadeira na Câmara Federal, e, finalmente, ser candidata à vice na chapa de Orleans Brandão, o que, segundo rumores, não seria um projeto da sua simpatia. Mass Iracema tem dito com toda firmeza, que é uma política de grupo, devendo encontrar um caminho negociado com o governador Carlos Brandão e com o próprio pré-candidato Orleans Brandão.
Por sua vez, a deputada federal Roseana Sarney ainda está examinando o contexto, mas tende a optar pela renovação do mandato.
Com essa quase definição em relação à segunda vaga no Senado, Orleans Brandão deu a entender que deixou uma espécie de “janela” aberta para negociações, de modo a que todas as decisões sejam consensuais.
PT avalia lançar Camarão, se aliar a Orleans ou apoiar Braide
Não é ameno o clima dentro do PT em relação à corrida ao Governo do Estado, depois que a cúpula nacional indicou que o caminho pode ser mesmo a candidatura do vice-governador Felipe Camarão ao Palácio dos Leões. As primeiras discussões sobre o tema têm acabado em divergências, uma vez que há vozes que defendem o projeto de Felipe Camarão, outras propondo uma aliança informal com o candidato emedebista Orleans Brandão e ainda as que sugerem apoio a Eduardo Braide (PSD).
Em relação a uma aliança com Eduardo Braide é que o partido dele tem um candidato a presidente da República, o ex-governador goiano Ronaldo Caiado (PSD), e como o principal objetivo do PT é montar um palanque para o presidente Lula da Silva no Maranhão, o projeto parece inviável.
Já no que diz respeito a costurar uma aliança com o governador Carlos Brandão em torno de Orleans Brandão, o problema maior tem dois vieses: o primeiro é o grau de desgaste a que chegou a relação do vice-governador Felipe Camarão com o governador Carlos Brandão, que deixaram de se tratar como adversário e elevaram o tom para inimizade. Além disso, ao mesmo tempo em que há vozes no PT advogando uma aliança em torno de Orleans Brandão, há outras que rejeitam ostensivamente esse caminho.
Finalmente, a candidatura do vice-governador ao Governo começa a ganhar força, já tendo a cúpula nacional tendo batido martelo a favor.
As conversas programadas para os próximos dias dentro do PT indicam que a pauta será afunilada para esse item, valendo lembrar que Felipe Camarão retornou de Brasília empolgado com essa possibilidade. São Luís, 08 de Abril de 2026.


