Operação da PF tira Fábio Gentil e seu grupo da zona de conforto e os coloca em estado de alerta

Fábio Gentil lidera grupo formado por Daniella,
Amanda Gentil e Gentil Neto em Caxias

O mundo político de Caxias, que vive em constante efervescência por conta das profundas diferenças que separam os grupos ali atuantes, vive dias de intensa movimentação desde que a Polícia Federal fez diligências na residência do ex-prefeito e atual secretário estadual de Agricultura e Pecuária Fábio Gentil (PP), vasculhou arquivos da Prefeitura, hoje comandada por Gentil Neto (PP), e diligenciou também no gabinete da deputada Daniella (PSB), parceira de vida e de política do ex-prefeito. Por ordem judicial, a PF investiga o desvio de R$ 50 milhões do Fundeb no Maranhão, entre 2021 e 2025, por meio de fraudes nas Prefeituras de Caxias, São Luís, São José de Ribamar, Buriti Bravo, presidente Dutra e Joselândia. Os investigados – são quase duas dezenas nesses municípios – são suspeitos de formar quadrilha, corrução ativa, peculato, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.

O ex-prefeito Fábio Gentil e a deputada Daniella divulgaram notas afirmando que nada têm a ver com os desvios investigados, garantindo que estão tranquilos e se colocando à disposição da Justiça, para esclarecimentos. “Com tranquilidade, o líder político reforça sua postura ética e seu compromisso com a legalidade, a transparência e a defesa do interesse público”, diz a nota. Nem eles nem ninguém sabe onde vai dar esse imbróglio. Sabem, porém, que os desdobramentos dessa operação chegarão cedo ou tarde. Até lá, é respeitar as regras judiciais, explicar o que tiver de explicar, se for o caso, e aguardar o desfecho.

O problema é que o Fábio Gentil não é um político qualquer. Ele ganhou estatura nos últimos oito anos elegendo-se e reelegendo-se prefeito da quarta maior e mais importante cidade do Maranhão, primeiro atraindo o apoio de Paulo Marinho, derrotando em 2016 o então todo-poderoso Humberto Coutinho, na pessoa do prefeito Leo Coutinho, que tentava a reeleição, mas foi destronado. Em 2024, conservou o cacife político ao eleger o sobrinho, Gentil Neto, derrotando Paulo Marinho Jr. com o apoio do Grupo Coutinho, numa façanha antes impensável. O seu cacife vai muito além, ampliado e reforçado com a eleição da filha, a engenheira Amanda Gentil para a Câmara Federal em 2022, e dar suporte decisivo para a reeleição da deputada Daniella.

Em resumo, hoje titular de um dos postos mais cobiçados do Governo do Estado, a abrangente e influente Secretaria de Estado de Agricultura e Pecuária, ele tem influência decisiva na gestão da Prefeitura de Caxias, e é o guru político da deputada federal Amanda Gentil e da deputada Daniella. Além disso, Fábio Gentil está posicionado como um dos mais importantes aliados do governador Carlos Brandão (ainda no PSB), com quem mantém uma aliança política desde 2016, quando se elegeu prefeito de Caxias pela primeira vez.

Esse imbróglio envolvendo desvio milionário do Fundeb bate à sua porta no momento em que Fábio Gentil está se movimentando para montar a participação do seu grupo nas eleições do ano que vem. Há quem diga que ele disputará uma cadeira na Câmara Federal, mas há também quem o veja como um nome forte para uma das vagas de suplente de senador. E como não poderia deixar de ser, a operação da PF assanhou seus adversários dentro e fora da cidade. Em Caxias, o suplente de deputado federal Paulo Marinho Jr. (PL), que não perdeu tempo e tentou escandalizar o caso, e na Assembleia Legislativa, o deputado Catulé Jr. (PP) aproveitou para alfinetar a nova gestão municipal, da qual é adversário, apesar de pertencer ao mesmo partido dos Gentil.

Não é um bom momento para o ex-prefeito Fábio Gentil e seu grupo, que saem da zona de conforto exatamente no momento em que iniciam efetivamente os preparativos para as eleições do ano que vem.

PONTO & CONTRAPONTO

De volta à Assembleia Legislativa, uso de aviões há muito causa atritos entre situação e oposição no Maranhão

Rodrigo Lago, Yglésio Moises e o helicóptero da Emap

Ter ou não ter aviões e helicópteros e como fazer uso deles é o debate que está dominando a Assembleia Legislativa nos últimos dias. Começou com o questionamento da bancada dinista sobre o custo das passagens de uma viagem que o governador Carlos Brandão (ainda no PSB) fez à Europa, em maio, e avançou sobre a compra e o uso de helicópteros, com os ataques rebatidos no mesmo tom pela bancada governista. O ponto nevrálgico do debate é um helicóptero comprado pela rica Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap) por R$ 45 milhões, segundo foi dito nos ataques e nos contra-ataques. A máquina voadora “de luxo”, na avaliação do deputado oposicionista Rodrigo Lago (PCdoB), estaria sendo usado pelo governador, o que não constitui um deslize, segundo o deputado governista Yglésio Moises (PRTB).

Essa guerra verbal sobre aviões não é nova. Vem dos anos 80, quando, ao assumir o Governo em 1987, Epitácio Cafeteira (PMDB) vendeu os três aviões bimotores que o Estado mantinha em hangar próprio no Aeroporto do Tirirical. A venda se deu sob a alegação de que os aviões custavam muito caro ao estado e que foram usados em excesso no Governo anterior – o objetivo era atingir o ex-governador Luiz Rocha (PDS), que durante o Governo foi muito criticado por oposicionistas por causa do uso dos aviões. Outros bimotores mais modernos foram comprados no Governo Edison Lobão e acabaram vendidos no primeiro Governo Roseana Sarney, que adotou pela primeira vez o uso de aviões em regime de leasing, iniciado também o uso de jatinho por locação, desmontando o hangar do Estado. Foi o Governos de Roseana Sarney que adquiriu o primeiro helicóptero, este destinado ao Grupo Tácito Aéreo (GTA), criado no final dos anos 90 pela Polícia Militar do Maranhão.

O primeiro helicóptero moderno, fabricado na Alemanha e que custou à época U$ 2 milhões, foi comprado pelo governador Jackson Lago (PDT), que perdeu o cargo antes de usufruir da maravilha aérea, que caiu nas mãos de Roseana Sarney. No Governo Flávio Dino, o Governo manteve o aluguel de aviões para viagens para fora do estado, e aumentou a frota de helicópteros para deslocamentos internos, como acontece até hoje.

E ao que tudo indica, aviões e helicópteros vai continuarão sendo temas de bate-rebate sem consequência entre situação e oposição. Até porque na atualidade é impossível administrar um estado com 300 mil quilômetros sem o uso de transporte aéreo.

Em silêncio sobre Senado, Pedro Lucas está focado na bancada e no petróleo da Margem Equatorial

Pedro Lucas: dúvidas sobre
Senado e foco na Câmara e no
petróleo da Margem Equatorial

São fortes os rumores dando conta de que o deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União) não está muito engajado no projeto de ser candidato a senador, conforme anunciou o presidente da Federação União Progressista, Antônio Rueda, quando esteve em São Luís, há pouco mais de um mês, para declarar apoio à pré-candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB) ao Governo do Estado.

Naquele ato, o presidente da Federação União Progressista, após declarar apoio a Orleans Brandão, lançou as candidaturas dos deputados federais André Fufuca (PP), que é ministro do Esporte, e Pedro Lucas Fernandes, líder da bancada do União na Câmara Federal, às duas vagas no Senado.

Pelo que se soube, Antônio Rueda teria acertado lançar apenas a candidatura do ministro do Esporte, mas surpreendeu lançando também o líder do União Brasil. De lá para cá, ninguém falou na candidatura de Pedro Lucas Fernandes, a começar por ele próprio, que de lá para cá não falou abertamente do assunto, indicando ter dúvida shakspeariana de ser ou não ser candidato a senador.

O motivo da dúvida, segundo um deputado federal que conhece a situação, Pedro Lucas Fernandes não descartou o projeto senatorial, mas sua inclinação mesmo é para se reeleger deputado federal e continuar como voz de peso na bancada federal e do próprio União Brasil.

No momento, o deputado Pedro Lucas Fernandes está mais preocupado é com a condução da bancada do União na Câmara Baixa e com o deslocamento de uma sonda da Petrobras para fazer a primeira prospecção de petróleo na Margem Equatorial, que tem sido uma das suas bandeiras como o congressista atuante que é.

São Luís, 21 de Agosto de 2025.

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