Arquivos mensais: abril 2026

Operação Inauditus mancha a Justiça do Maranhão e envolve nomes conhecidos do Judiciário, da política e da advocacia

Guerreiro Júnior, Luiz Belchior e Manoel Ribeiro:
figuras destacadas da Justiça e da
política suspeitos de envolvimento
em venda e compra de sentença

A Operação Inauditus, que levou a Polícia Federal a devassar mais uma vez o Palácio da Justiça do Maranhão em busca de provas para lastrear denúncias sobre venda de sentença, transformou em mais um quinhão da dignidade e da seriedade da Justiça do Maranhão. Primeiro porque envolve desembargadores, juízes, assessores, ex-assessores, servidores da seara judiciária, advogados, empresa, empresário e uma figura emblemática da política maranhense, o ex-deputado Manoel Ribeiro.

Os fatos que motivaram a Operação Inauditus foram colhidos numa delação premiada: o desembargador Guerreiro Júnior – já afastado pelo CNJ por outro caso de venda de sentença -, com a intermediação de um assessor, Lúcio Fernando Penha Ferreira, teria participado de um esquema de venda de sentença e com traços de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

A sentença supostamente comprada teria custado algo em torno de R$ 250 mil e “resolveria”, em favor do ex-deputado Manoel Ribeiro e do empresário Antônio Lucena na tumultuada negociação de um terreno com sérias pendências judiciais. O esquema envolveu também o desembargador Luiz de França Belchior, os juízes Douglas Cunha da Guia e Tonny Carvalho Araújo Luz, além de uma penca de assessores, advogados, empresário e empresa. No cumprimento de 27 mandatos, de afastamento, prisão, busca e apreensão, as PF encontrou R$ 287 em espécie, indicando que o esquema é bem maior do que está parecendo.

Independentemente do caso em si, já devidamente registrado pelos mais diversos canais de informação, chama a atenção a ordem de afastamento do desembargador Guerreiro Júnior, já afastado pelo mesmo motivo, este relacionado com um esquema de extorsão do Banco do Nordeste, que arrastou também para o purgatório dos afastados os desembargadores Nelma Sarney, Luiz Gonzaga Almeida Filho e Marcelino Everton estão afastados de suas funções desde outubro de 2024. E o desembargador Luiz de França Belquior, que nos anos 90 do século passado, ainda juiz atuando no interior, foi apontado como suspeito de desvios pela CPI do Crime Organizado, da Câmara Federal, que fez uma devassa no Maranhão. A denúncia da época não se consolidou e Luiz de França Belchior seguiu a carreira e chegou ao Tribunal de Justiça por antiguidade. Agora, tudo indica que sua situação pé bem mais complicada.

O caso ganha mais relevância ainda ao envolver o ex-deputado estadual Manoel Ribeiro, um dos políticos mais conhecidos e emblemáticos do Maranhão nas últimas décadas. Ele foi vereador de São Luís por vários mandatos, tendo presidido a Câmara Municipal, e na condição de presidente assumido a Prefeitura de São Luís por alguns dias. Eleito deputado estadual no início dos anos 80, Manoel Ribeiro foi a grande referência da Assembleia Legislativa nos anos 90, tendo se elegido presidente da Casa por quatro vezes consecutivas durante, tendo tido influência nos Governo de Edison Lobão, Roseana Sarney e em parte do de José Reinaldo Tavares.

O seu envolvimento nesse escândalo causa impacto na classe política e respinga – mesmo sem causar danos – na banda da sua família ativa na política, como o irmão, o correto prefeito de Arame Pedro Fernandes, e o sobrinho, deputado federal Pedro Lucas Fernandes, também conhecido pela sua correção.

Outra personagem conhecida que aparece na relação dos investigados é o advogado Ulisses Martins. Ele foi figura destacada num escândalo envolvendo a construtora Odebrecht no Maranhão. De acordo com delator João Pacífico, Ulisses Martins, então procurador geral do Governo do Estado, teria recebido uma grande soma para facilitar a operação, numa transação nebulosa que quase o levou à prisão. Considerado um dos advogados mais competentes da sua geração, Ulisses Martins conseguiu livrar-se da acusação, retomou a advocacia, e gora tem seu nome constando a lista de suspeitos da Operação Inauditus, que cumpriu mandatos em São Luís, São José de Ribamar, Bacabal, Balsas, Arari e em Guimarães (MA), além de Fortaleza (CE), São Paulo (SP) e Lagoa Seca (PB).

De acordo com a Polícia Federal, os investigados são: Antônio Pacheco Guerreiro Júnior – desembargador (afastado), Luiz de França Belchior Silva – desembargador (afastado), Douglas Lima da Guia (juiz), Tonny Carvalho Araújo Luz (juiz), Lúcio Fernando Penha Ferreira (ex-assessor), Sumaya Heluy Sancho Rios (ex-assessora), Maria José Carvalho de Sousa Milhomem (assessora), Eduardo Moura Sekeff Budaruiche (assessor), Francisco Adalberto Moraes da Silva (ex-servidor do TJMA), Karine Pereira Mouchrek Castro (ex-assessora), Ulisses César Martins de Sousa (advogado), Eduardo Aires Castro (advogado), Antônio Edinaldo de Luz Lucena (empresário), Lucena Infraestrutura Ltda. (empresa investigada), Manoel Nunes Ribeiro Filho (investigado), Aline Feitosa Teixeira  (investigada), Jorge Ivan Falcão Costa  (investigado).

Vale aguardar os desdobramentos de mais essa pancada ética no Poder Judiciário do Maranhão.

PONTO & CONTRAPONTO

Em novo vídeo, Camarão reforça ataque a Brandão e sobrinhos

Felipe Camarão ataca Carlos
Brandão em novo vídeo

O vice-governador Felipe Camarão (PT) decidiu partir mesmo para o ataque contra o governador Carlos Brandão (sem partido), de quem agora é inimigo político declarado. Ele não esconde que, no seu entendimento, a ação do procurador geral de Justiça (PGJ), Danilo Castro, pedindo o seu afastamento por movimentação financeira atípica tem o dedo ao Palácio dos Leões.

Na semana passada, vice-governador gravou um vídeo longo, no qual, em tom de desabafo, atacou duramente o governador Carlos Brandão e familiares seus, a quem acusou de permitir que sua filha de 12 anos tivesse sua imagem expostas num organograma que, segundo a ação do PGJ, demonstraria a tal movimentação atípica.

Ontem, Felipe Camarão entrou forte no Caso do Tech Office, mostrando imagem que mostra Daniel Brandão, atual presidente do Tribunal de Contas do Estado, na cena em que o empresário João Bosco Pereira Sobrinho foi assassinado a tiros pelo pistoleiro Gibson Cutrim Júnior. Felipe Camarão afirma a presença do advogado teria a ver com um pagamento feito na Secretaria de Educação.

Com o novo vídeo, o vice-governador de uma demonstração cabal de que está disposto a tocar o seu projeto denuncista até onde for possível.

Chama a atenção o fato de nas suas declarações o vice-governador não confirma a sua candidatura a candidato do PT ao Governo do Estado. No primeiro vídeo, ele chegou a admitir a possibilidade de uma aliança com Eduardo Braide (PSD). No novo vídeo, ele não faz qualquer referência ao processo sucessório.

Decisão do PSD de lançar Caiado a presidente coloca Eliziane numa situação complicada no partido

Eliziane Gama terá de se decidir
entre Lula da Silva e Ronaldo Caiado

É complicada a situação da senadora Eliziane gama no PSD, comandado no Maranhão pelo ex-prefeito Eduardo Braide e que será a base da sua candidatura ao Governo do Estado. Eliziane Gama, que ingressou no PSD pela via do comando nacional, em Brasília, vem enfrentando dificuldades para viabilizar sua candidatura à reeleição pelo partido.

Para começar, a senadora construiu um relacionamento estreito com o Governo do PT, tendo sido inclusive vice-líder no Congresso Nacional. Sua ação parlamentar foi inteiramente voltada para dar sustentação ao presidente Lula da Silva.

O problema é que, além das dificuldades que já vinha enfrentando dentro do partido, como os ataques do deputado Fernando Braide (PSB), irmão do prefeito Eduardo Braide, que descartou a possibilidade de apoiar a candidatura dela à reeleição, Eliziane Gama tem de encarar uma situação mais complicada ainda: a corrida presidencial.

Em todas as suas manifestações, a senadora Eliziane Gama tem dito que apoia a candidatura do presidente Lula da Silva (PT) à reeleição. Só que o partido dela lançou o agora ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, de direita e adversário ranzinza do presidente Lula da Silva, candidato ao Palácio do Planalto.

Três perguntas estão no ar: Eliziane Gama será candidata à reeleição pelo PSD apoiando Ronaldo Caiado? Será candidata pelo PSD apoiando o presidente Lula da Silva? Ou disputará a reeleição por um novo partido?

No último caso, a senadora tem até domingo para decidir se continua no PSD ou migra para outra legenda.

São Luís, 01 de Abril de 2026.