
Baleia Rossi, mas nada esclareceu sobre PT
em relação a Orleans Brandão
Se o objetivo foi amenizar o impacto da declaração do presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi, à Globo News, afirmando que o PT não apoia o candidato emedebista no Maranhão, a entrevista do deputado federal emedebista Ildo Rocha, ontem, à TV Mirante, só contribuiu para manter aceso o fogo da instabilidade na relação do PT com o MDB no que diz respeito à candidatura do presidente estadual do partido, Orleans Brandão, ao Governo do Estado.
Numa resposta abrangente sobre a situação do MDB em diversos estados, Baleia Rossi disse apenas o seguinte: “No Maranhão o PT não apoia o MDB”. E não esclareceu se há expectativa sobre se apoiará ou não. Afinal, não houve nenhum acerto ainda, a candidatura de Orleans Brandão, como as demais, é ainda um projeto – que ganhou corpo e musculatura, está se consolidando, mas ainda é um projeto de candidatura. Logo, ao usar o verbo apoiar no presente, o presidente do MDB falou do momento, e não do futuro. Vale ressaltar que não é exatamente esse o ânimo do governador Carlos Brandão (sem partido).
O deputado Ildo Rocha interpretou a frase seca de oito palavras do presidente Baleia Rossi como uma fala feita “num contexto em que alguns dirigentes nacionais do próprio PT têm dito que forças supremas têm pedido para a direção nacional do PT coligue com o MDB aqui no Maranhão”. Ou seja, uma tremenda especulação baseada em supostas declarações de líderes petistas não identificados. Andaram espalhando que o presidente nacional do PT, Edinho Silva, teria batido martelo sobre o assunto vetando a aliança PT/MDB no Maranhão, mas a especulação foi desmentida.
O fato é que nem o presidente emedebista Baleia Rossi nem o deputado federal Ildo Rocha – que faz parte da direção nacional – acrescentou qualquer informação, dado ou declaração de terceiro confirmando o que disseram. Além da fala genérica afirmando que “dirigentes nacionais do PT” teriam afirmado a recusa do PT em apoiar a candidatura de Orleans Brandão, o deputado Ildo Rocha acrescentou na sua resposta à TV Mirante que dirigentes petistas, os quais não identificou, teriam dito que “forças supremas” teriam feito o pedido ao PT, numa clara – já manjada e nunca comprovada, diga-se – ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.
Além disso, chamou a atenção na fala do deputado Ildo Rocha o fato de ele, um político experiente, mesmo tendo jogado algum confete na relação de uma grande banda do PT com o governador Carlos Brandão, não ter apontado qualquer caminho para que essa aliança venha se estabelecer. Afinal, até os bloco tradicionais de São Luís sabem que por razões diversas, o governador Carlos Brandão e o pré-candidato Orleans Brandão vão trabalhar até quando for possível para construir e consolidar uma aliança PT/MDB.
Na mesma entrevista, o deputado Ildo Rocha reafirmou, categoricamente, o apoio integral do MDB, tanto o estadual quanto o nacional, à pré-candidatura de Orleans Brandão: “O Orleans Brandão é o candidato do MDB. Ele pontua muito bem nas pesquisas que nós temos feito, inclusive as qualitativas, como o futuro governante do nosso estado. O MDB já governou o Maranhão em três ocasiões (Epitácio Cafeteira, João Alberto e Roseana Sarney). E agora nós estamos nessa expectativa de apoiar o Orleans Brandão e tê-lo como governador”.
Nesse ponto, o deputado Ildo Rocha acertou em cheio, porque o que até pouco tempo era uma situação indefinida, ganhou força no dia em que Orleans Brandão assumiu a presidência estadual do MDB, eliminando de vez qualquer possibilidade de um tremor interno em relação ao seu projeto. E se consolidou de vez depois que o governador Carlos Brandão bateu martelo confirmando sua candidatura e anunciando sua permanência no cargo.
Na semana passada, ao responder, via zap, a uma indagação da Coluna sobre a relação com o PT, ele respondeu não tem problema com o presidente Lula da Silva e sinalizou que a aliança com o PT é um projeto em construção. Um cenário bem diferente do que o apontado pelo presidente do MDB.
PONTO & CONTRAPONTO
Deputado diz que MDB quer Roseana candidata ao Senado
Ainda que não tenha mais se manifestado sobre essa possibilidade, a deputada federal Roseana Sarney poderá ser candidata ao Senado, e para isso tem o apoio frechado do seu partido, o MDB. Foi essa a equação mostrada ontem pelo deputado federal Ildo Rocha, que além de suplente, é um dos políticos mais próximos da ex-governadora e, de longe, o nome em atividade mais importante do MDB maranhense.
Ao ser indagado sobre essa possibilidade, Ildo Rocha não pensou duas vezes: “Claro. No MDB nacional – e me refiro aqui como dirigente do MDB nacional – nós estamos querendo eleger um senador do MDB também aqui. O governador, que é o Orleans Brandão, e a senadora. Ela passou por essa doença agora -, e todas as pesquisas que nós fazemos, na espontânea, Roseana pontua sempre em primeiro ou segundo lugar. Quando se coloca o governador Carlos Brandão, ele vai para o primeiro lugar, e em segundo, a Roseana. Mas na espontânea, em muitos municípios, a Roseana aponta em primeiro lugar”.
Na sua fala, o deputado Ildo Rocha revelou que o projeto eleitoral do MDB no Maranhão é muito ambicioso: eleger Orleans Brandão governador, Roseana Sarney senadora, cinco deputados federais – incluindo ele próprio, claro – e 20 deputados estaduais.
Mesmo com o indiscutível poder de fogo que vem concentrando, é um projeto que vai além do realismo político.
Na Madre Deus, uma situação desnecessária e inexplicável

Ribamar Pinheiro, impedido de chegar à Praça
da Saudade por um monstrengo de alumínio
O que a Coluna vai relatar agora nada teve a ver com o projeto de Carnaval do Governo do Estado que, até onde é sabido, foi muito bem sucedido, em todos os aspectos. O governador Carlos Brandão e sua equipe fizeram acontecer o Carnaval que planejaram, atraindo milhares e milhares de foliões maranhenses e visitantes. Ponto. O registro a seguir aconteceu na Madre Deus, sem qualquer incidente, e foi presenciado pelo autor, que frequenta a folia do bairro desde os anos 70.
Na tarde de sábado, comemorando os seus 90 anos, o bloco “Fuzileiros da Fuzarca” deixou a sua sede, no Largo do Caroçudo, para fazer o primeiro dos quatro desfiles do período momesco, com estatura grandiosa, dignidade elevada e importância de joia mais preciosa e reverenciada do Carnaval ludovicense. Mobilizou seus mais de 300 integrantes, divididos em duas alas, a das pastoras, quase todas com mais de 70 anos, algumas usando bengalas e moletas, e a dos batuqueiros, a maioria também de idade avançada, ambas apoiadas por jovens decididos a preservar essa singularidade do Carnaval maranhense.
O bloco faria o trajeto de sempre: saiu Largo do Caroçudo, subiria uns 200 metros da Avenida Ribamar Pinheiro, contornaria o muro do Cemitério do Gavião para a esquerda, a Praça da Saudade, ganhando a Rua da Alegria, e retornaria pela Rua do Passeio, para finalmente alcançar garbosamente a passarela e chegar à Praça da Saudade, retornando depois para casa, no Largo do Caroçudo.
Só que, ao chegar à Avenida Ribamar Pinheiro, os componentes do “Fuzileiros da Fuzarca” deram de cara com uma gigantesca e monstruosa estrutura de palco em alumínio, ali depositada sem aviso prévio, ocupando as duas pistas da avenida, deixando menos de dois metros de calçada íngreme de cada lado. Os integrantes do bloco até tentaram avançar, mas temeram o que poderia acontecer com as pastoras e os batuqueiros em idade avançada.
Então se deu a cena inacreditável, porque não tem uma explicação lógica para tal: podado no sagrado direito de ir e vir no seu pedaço, o “Fuzileiros da Fuzarca” engoliu a humilhação e o desrespeito, deu meia volta e procurou outro rumo para alcançar, horas mais tarde, a passarela da Rua do Passeio. E o fez de maneira digna e altiva, sem provocar incidentes, e sem perder a cadência nem a decência.
Diante daquela cena, inadmissível em todos os sentidos, o autor procurou saber por que aquela monstruosidade alumínica encontrava-se ali, num “sábado gordo”, vedando uma espécie de aorta viária do circuito carnavalesco da Madre Deus. E o que ouviu de um homem de meia idade, vestido de preto com a inscrição “controlador de acesso” na camisa, foi revoltante: aquele palco de alumínio estava sendo instalado e ali permaneceria até a depois do Carnaval, impedindo o acesso de blocos e dificultando o de pessoas à Praça da Saudade pela Avenida Ribamar Pinheiro durante todo o Carnaval.
Em seguida, outro choque: naquele palco, que fez o “Fuzileiro da Fuzarca” dar meia volta, se apresentará depois do Carnaval um cantor sertanejo. Diante do impacto da revelação, a Coluna procurou informar-se sobre essa personalidade musical tão influente. Se não houve engano na informação do “controlador de acesso”, a celebridade musical é um cantor sertanejo, autor de letras sofríveis que falam de motéis, celular e traição, e cuja obra inteira, que pode lhe render milhões de reais e alimentar milhões de fãs, provavelmente não vale um samba do “Fuzileiros da Fuzarca”.
Quem autorizou o desembarque daquele monstro metálico na Avenida Ribamar Pinheiro não deve ter noção do que é a Madre Deus nem do significado cultural daquele circuito. E se tivesse pelo menos bom senso, perceberia incoerência daquele palco naquele local. Por isso está devendo desculpas às pastoras e aos batuqueiros do “Fuzileiro da Fuzarca” e, por extensão, uma reverência à história cultural da Madre Deus.
São Luís, 17 de Fevereiro de 2026.
