
em Salvador (BA), a ficha de
filiação dela ao PT com o abono dele
A corrida às duas vagas no Senado ganhou mais um tempero com o movimento da senadora Eliziane Gama de o PSD e se filiar ao PT. Com a mudança do partido, ela sai de uma situação de absoluta insegurança política para uma posição de estabilidade e segurança para brigar pela reeleição. Principalmente por dois motivos: ela tem o apoio declarado do presidente Lula da Silva (PT) e está voltando à sua casa partidária de origem, o que lhe dá força política para ser definidas como o nome do PT maranhense para o Senado, independentemente de qual for a posição do partido em relação à corrida para o Governo do Estado. Além disso, sua filiação e sua declarada candidatura à reeleição diminui a margem de possibilidade de o vice-governador Felipe Camarão se lançar candidato ao Senado.
Eliziane Gama chefa a esse desfecho depois de ser apontada como uma senadora política e eleitoralmente liquidada, pois estava claro que não teria nenhuma chance de ver a sua candidatura abraçada pelo candidato do PSD ao Governo do Estado, Eduardo Braide. Isso porque, mesmo filiada ao partido, ela não fez nenhum gesto expressivo e firme no sentido de apoiar o projeto de candidatura do prefeito de São Luís, preferindo se manter distante, mesmo vendo com clareza solar que não haveria espaço para sua corrida à reeleição na aliança partidária montada pelo governador Carlos Brandão (sem partido) em torno do projeto de candidatura de Orleans Brandão, agora consolidado.
Ao se filiar ao PT com o aval do presidente Lula da Silva, Eliziane Gama dá novo impulso ao seu projeto de reeleição. Até aqui, ela tem com o concorrentes três candidatos de peso – o senador Weverton Rocha (PDT), o ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP) e o ex-senador Roberto Rocha (Novo) – e ouvindo rumores fortes sobre a possibilidade concreta de candidatura da presidente da Assembleia Legislativa Iracema Vale (MDB) à Câmara Alta, e de uma remota e improvável candidatura da deputada federal Roseana Sarney (MDB), que até agora parece mais interessada em renovar o mandato na Câmara Federal. Isso tudo sem falar do governador Carlos Brandão, que tem até as 23h59m do Domingo de Páscoa para renunciar e se candidatar ao Senado ou confirmar sua permanência no cargo.
O fato é que, migrando para a sua casa de origem, a senadora Eliziane Gama ganha novo fôlego, reunindo condições política de costurar alianças com a simpatia do Palácio do Planalto e da Esplanada dos Ministérios. Os que apostaram na sua derrocada pareciam esquecidos de que o vínculo da senadora com o presidente da República é forte. Para começar, foi a senadora Eliziane Gama que em 2022 percorreu o país para arrebanhar apoio ao candidato Lula da Silva nos segmentos evangélicos, então majoritariamente alinhados ao então presidente Jair Bolsonaro (PSL), candidato à reeleição. Eliziane Gama atuou fortemente no Senado e no Congresso Nacional na defesa do Governo Lula da Silva, tendo um papel mais decisivo do que muitos parlamentares petistas. O apoio do presidente à filiação da senadora ao PT é plenamente justificado.
O problema agora é saber para onde o PT do Maranhão vai pender em relação à corrida ao Palácio dos Leões. Desde ontem, o PT manteve vínculos formais com o governador Carlos Brandão por causa de uma série de figuras destacadas do PT ocupando cargos na máquina estadual. Há notícia de que pelo menos oito petistas deixaram o primeiro e o segundo escalões do Governo para disputarem votos. Há quem avalie que a desincompatibilização levará o PT a tomar uma posição na sucessão estadual, podendo avalizar o projeto de candidatura de Felipe Camarão ou o de Orleans Brandão.
O que não as sabe ainda é qual será a posição da senadora Eliziane gama nessa equação.
PONTO & CONTRAPONTO
Esmênia orienta secretários a manter o ritmo de trabalho e não prevê mudanças na equipe
A prefeita de São Luís, Esmênia Miranda (PSD), não se deu folga desde que recebeu o bastão do seu antecessor, Eduardo Braide. Empossada na quarta-feira, ela acompanhou a reunião na Justiça do Trabalho sobre a crise no transporte de massa da Capital. E ontem chegou cedo ao Palácio de la Ravardière para uma reunião com o secretariado, ao qual deu as suas primeiras orientações. E a principal deles foi a de que a mudança de comando em nada altera o ritmo de trabalho imposto por Eduardo Braide.
Com dois anos e nove meses de mandato, a prefeita Esmênia Miranda sabe que terá tempo suficiente para imprimir a sua própria marca. No momento, porém, vai deixar a situação fluir na mesma intensidade, fazendo ajustes pontuais, mas sem nada mudar na essência. Ela é entusiasmada com a gestão de Eduardo Braide, sobre a qual vinha se informando em preparação para assumir.
Conforme ela própria, a equipe montada pelo antecessor tem a sua confiança e vai seguir em frente sem alterações. Poderá haver uma ou outra mudança, mas pelo menos por enquanto, nada que venha a alterar expressivamente o perfil da sua gestão. Sabe que se nos primeiros meses conseguir manter a situação atual, conseguirá criar as condições para fazer mudanças mais amplas. Por enquanto, no seu entendimento, o melhor é continuar na mesma linha e na mesma velocidade.
Apreensões feitas pela PF de bens e dinheiro vivo mostram que vendedores de sentenças confiavam na impunidade
A Operação Inauditus, que desmontou uma rede de corrupção no Poder Judiciário do Maranhão, tendo como base a vendas de sentença e que tinha como cabeça o desembargador Antônio Guerreiro Júnior – já afastado pelo mesmo motivo em outro caso escandaloso, extorsão ao Banco do Nordeste -, não tinha limites no que diz respeito a dinheiro. Os “quadrilheiros judiciais” atuavam com tanta certeza na impunidade que exibiam sinais exteriores de riqueza, como carrões, relógios e artigos de grifes caros, como bolsas femininas e outras “cositas mas”, como muito dinheiro vivo, inclusive dólares.
No relatório resultante da Operação realizada quarta-feira (01/04) para o cumprimento de 27 mandatos, entre eles os de afastamento de dois desembargadores, prisão de vários suspeitos e de busca e apreensão, a PF encontrou uma expressiva fortuna em bens por meio dos quais os envolvidos tentavam as boladas que ganhavam com a venda de sentenças.
Os agentes apreenderam 26 smartphones e 38 mídias digitais, entre HDs e pen drives. A operação também resultou no sequestro de 20 veículos, avaliados em R$ 13.524.183,00. Foram confiscados também R$ 573.955,00 em espécie e US$ 8.360,00, o equivalente a pouco mais de R$ 43 mil. A apreensão alcançou um helicóptero, bolsas de luxo, joias e acessórios. Os três últimos itens estão avaliados em cerca de R$ 500 mil.
Essa turma exibiam sinais exteriores de riqueza com a segurança de quem tinha certeza da impunidade.
São Luís, 03 de Abril de 2026.

