Roberto Rocha diz que o Maranhão “tem a pior classe política do Brasil” e que deplora maioria dos detentores de mandato

Roberto Rocha: carga pesada contra atuais
detentores de mandato no Maranhão

Poucas vezes um político militante, originado numa família cujo chefe foi um grande líder político, emitiu um juízo tão depreciativo e tão duro sobre a classe política do Maranhão quanto fez o ex-senador e pré-candidato a senador Roberto Rocha (sem partido), bem situado nas pesquisas mais recentes, em entrevista à Rádio Imparcial, na semana passada, e publicada na edição de O Imparcial deste domingo.

– A maior pobreza do Maranhão é de espírito público – declarou Roberto Rocha, para acrescentar em tom áspero: “Hoje nós temos a pior classe política do Brasil. Desgraçadamente, a pior classe política do Brasil é a do Maranhão. E foi mais longe: “Aquilo que aconteceu em Turilândia está para acontecer em quase todas as Prefeituras do Maranhão”. E concluiu, sem fazer nenhuma concessão: “O Maranhão se transformou na maior lavanderia do Brasil. Pode escrever”. O seu petardo verbal foi dirigido aos senadores, deputados federais e prefeitos.

Não há registro de algo parecido em tempos recentes no cenário político estadual. Tem havido declarações fortes atingindo a classe política, algumas justas outras nem tanto, como também têm acontecido embates localizados entre adversários, alguns em tom de aspereza, com acusações de lado a lado. Mas nada que se compare ao que disse o ex-senador Roberto Rocha na entrevista a O Imparcial. Ele aponta o sequestro de fatias bilionárias do Orçamento da União (neste ano serão quase R$ 70 bilhões), gastos em emendas, entre elas as do chamado Orçamento Secreto, que consumiu bilhões e bilhões de recursos do contribuinte sem que os resultados tenham aparecido. E por conta disso, ex-senador Roberto Rocha declarou, com a mesma ênfase: “Eu hoje deploro a maior parte dos políticos do Maranhão detentores de mandato. Deploro!”

Roberto Rocha teve o cuidado de não citar nenhum nome dos que integram o que definiu como “pior classe política do Brasil”. Mas a julgar pela abrangência dadas suas palavra, e pela contundência da sua fala sobre o seu sentimento pela classe política atual, é lícito, por exemplo, supor que ele não tolera a maioria dos três senadores, deplora a maior parte dos atuais deputados federais e dos deputados estaduais, não suporta a grande maioria dos 217 prefeitos, e também rejeita a fatia maior dos atuais vereadores maranhenses. Como só existe um governador, não é possível imaginar o seu juízo em relação ao atual mandatário estado.

Na entrevista, concedida no dia 12, dois dias antes de o candidato do Novo ao Governo do Estado, Lahesio Bonfim, ter afirmado à Coluna que ele, Roberto Rocha, se filiará ao partido para ser candidato a senador. “O candidato do Novo a senador é Roberto Rocha. Pode publicar”, declarou Lahesio Bonfim, no dia 14. Na entrevista, sem declarar que se filiará ao Novo, Roberto Rocha sinaliza que seu caminho será esse, ao afirmar que o seu campo será o da direita, cujo candidato declarado é Lahesio Bonfim. Na sua avaliação, pelo cenário atual da corrida ao Senado, ele tem chances reais de se eleger senador já que o campo governista só conseguirá eleger um, o senador Weverton Rocha ou o ministro André Fufuca (PP). No outro campo, só ele tem cacife paras entrar nessa disputa.

E numa avaliação da corrida ao Palácio dos Leões, o ex-senador Roberto Rocha disse o grupo identificado como dinista tem três plano: o plano A é “afastar o Brandão”; o plano B “é apoiar o Braide”, e o plano C “é o Felipe Camarão”: “Se houver segundo turno, o candidato do Governo perde”. E nesse contexto, o ex-senador fez a seguinte avaliação: “Se o (Eduardo) Braide não sair, será o (Felipe) Camarão, que é um rapaz bom, um rapaz talentoso, que está num partido forte – que é o partido do presidente da República – e que reúne todas as credenciais para ser um candidato competitivo”.

Sobre a sua candidatura ao Senado, Roberto Rocha disse que ela está decidida, manifestando nítida confiança de que uma das cadeiras será sua.

PONTO & CONTRAPONTO

Dono de retórica afiada, Roberto Rocha porém tropeça quando diz que julgamento de Bolsonaro foi “farsa”

Roberto Rocha vê Jair Bolsonaro como
vítima de uma “farsa” judicial

Na entrevista à TV Imparcial, o ex-senador Roberto Rocha confirmou a sua fama de ser habilidoso no uso das palavras, montando com a sua retórica equações políticas muito bem formuladas, muitas convincentes, outras, porém, sem lastro para convencimento. Um exemplo de inconsistência: sua argumentação para afirmar que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pela Suprema Corte por tentativa de golpe “foi uma farsa”.

O ex-senador Roberto Rocha afirma que o julgamento do ex-presidente não poderia ter sido julgado pelo STF porque no dia 8 de Janeiro ele não era mais presidente da República, dando a entender que por conta da invasão e destruição das sedes dos Três Poderes, o ex-chefe da Nação deveria ser julgado na primeira instância.

O ex-senador se esforça para que a sociedade esqueça que Jair Bolsonaro e seus auxiliares na trama golpista agiram quando estavam no pleno exercício do poder. O apoio claro aos acampamentos golpista em Brasília e em outras capitais foi mantido até o ainda presidente praticamente fugir para os EUA; a redação da minuta de decreto de golpe de estado; o plano “punhal verde-amarelo” prevendo o assassinato do presidente eleito Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes, além de outras ações, como a tentativa da Polícia Rodoviária Federal para impedir que milhares de eleitores votassem no Nordeste, e armações logo desmascaradas, como a “greve” forjada de caminhoneiros para criar uma situação de impasse político e, finalmente, a reunião do então presidente com chefes das Forças Armadas, que não aceitaram a trama golpista – dos três, só o chefe da Marinha, almirante Almir Garnier topou, e por isso está na cadeia. Essas e outras artimanhas foram tramadas e postas em prática quando Jair Bolsonaro estava no pleno exercício do poder, com claro conhecimento do Palácio do Planalto, como ficou amplamente demonstrado pela denúncia da Procuradoria Geral da República.

O único argumento do ex-senador Roberto Rocha para classificar de “farsa” o julgamento e a condenação foi que Jair Bolsonaro já não era presidente no 8 de Janeiro. O problema é que aquela brutalidade contra as instituições foi apenas o último e desesperado ato do movimento golpista já condenado ao fracasso, que começou com a tentativa sem base do então presidente e sua turma de fragilizar o sistema eleitoral brasileiro, à prova de fraude.

A cadeia de fatos, que o ex-senador não lembra, mostra que, apesar consistência da sua abordagem sobre economia e política partidária, a posição do ex-senador sobre esse tema não se sustenta.

Orleans quer MDB forte na corrida por cadeiras na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa

Orleans Brandão

O presidente regional do MDB e seu pré-candidato ao Governo, Orleans Brandão, está trabalhando para que todos os deputados estaduais ainda filiados ao PSB, migrem para o seu partido. São sete parlamentares, entre eles a presidente da Assembleia Legislativa, deputada Iracema Vale, e o 1º vice-presidente, deputado Antônio Pereira.

A ação de fortalecimento partidário é parte do projeto de chegar ao Palácio dos Leões. Ele quer que o MDB, que hoje só tem um deputado estadual enfrente as urnas com uma chapa forte, que além dos deputados, inclua candidatos viáveis, como o ex-deputado federal João Marcelo Souza e o ex-prefeito de São Mateus Ivo Rezende, que é filiado ao PSB e deve migrar para o MDB.

Nas contas de um emedebista militante, se Orleans Brandão confirmar sua candidatura a governador, como está sendo desenhado, a aposta dos seus conselheiros é no sentido de que o MDB eleja pelo menos 10 deputados estaduais e três federais, incluindo Roseana Sarney, que deve concorrer à reeleição. São Luís, 18 de Janeiro de 2026.

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