Corrida ao Senado tem candidatos fortes, mas cenário pode mudar se Brandão entrar na briga

Carlos brandão pode entrar na corrida e alterar o cenário hoje dominado por Weverton Rocha, Eliziane Gama e André Fufuca

Não existe, no cenário pré-eleitoral do Maranhão, um item mais indefinido do que a corrida às duas vagas no Senado, confirmando previsão feita há um ano por este espaço. No tabuleiro estão postas as pré-candidaturas dos senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PSD), ambos candidatos à reeleição, a do deputado federal e ministro do Esporte André Fufuca (PP) e a do ex-prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (Mobiliza). Sem confirmação circulam as pré-candidaturas do ex-senador Roberto Rocha (sem partido), do deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União) e do ex-deputado estadual César Pires (PR). Sombreando todas elas, domina o tabuleiro a possível candidatura do governador Carlos Brandão (sem partido) e, numa hipótese mais remota, mas não descartável, a da deputada federal Roseana Sarney (MDB). Nas especulações para o Senado, aqui e ali surge o nome do vice-governador Felipe Camarão (PT), que nem de longe admite a hipótese. É esse o cenário.

Nesse contexto, entre os candidatos assumidos, as duas vagas estão sendo disputadas voto a voto pelos senadores Weverton Rocha, que aparece como o mais bem posicionado na ampla maioria das pesquisas, ficando a outra vaga em disputa pelo   ministro André Fufuca e pela senadora Eliziane Gama. Nesse contexto de candidaturas declaradas, o ex-prefeito Hilton Gonçalo, que corre em faixa própria, vem realizando um trabalho de garimpagem que pode lhe render uma posição digna nessa corrida. Nas avaliações feitas até aqui, se o atual quadro de pretendentes for mantido sem alterações, os dois senadores devem sair desse time

No plano dos pré-candidatos ainda não cravados o destaque é para o ex-senador Roberto Rocha, que mesmo sem fazer pré-campanha ostensiva, aparece na quarta colocação nas mais diferentes pesquisas. O deputado federal Pedro Lucas Fernandes deixou que seu nome fosse incluído na lista dos possíveis candidatos a senador, mas os seus movimentos indicam que o seu projeto é reeleger-se bem para a Câmara Federal, onde atua como cardeal no alto clero. O ex-deputado César Pires não dá sinais de que incorporou para valer esse projeto de candidatura, deixando no ar a impressão de que o seu objetivo é voltar à Assembleia Legislativa.

Mas todo esse cenário se encontra condicionado ao futuro do governador Carlos Brandão, que pode mudar o seu projeto de permanecer no Governo até o final do mandato para entrar na briga pelo Senado. Essa hipótese não está nem de longe descartada. Ela é item decisivo de uma grande negociação que está em curso, iniciada com a conversa do governador com o presidente Lula da Silva (PT), na semana passada. Titular de um Governo bem avaliado e gozando de muito prestígio na classe política e no eleitorado, segundo todas as pesquisas, Carlos Brandão aparece como líder inconteste na corrida ao Senado. Isso significa dizer que, conforme o conjunto de informações políticas e estatísticas, ele aparece com largo favoritismo para uma das vagas.

A mudança no atual cenário pode ser ainda maior se, numa hipótese ainda remota, a atual deputada federal Roseana Sarney vier a entrar na briga por um mandato senatorial. No momento afastada da cena política e travando uma guerra cerrada contra um câncer, a ex-governadora aparece como favorita a uma das cadeiras em todas as pesquisas em que seu nome é incluído. Ela própria nada disse de concreto sobre o assunto, mas certamente avalia o que pode ser um projeto de risco.

O fato é que, envolvendo quatro pré-candidatos assumidos – três bem posicionados e um em ascensão – dois não assumidos, a corrida ao Senado pode ganhar outra dimensão se o governador Carlos Brandão, com o peso político e eleitoral que vem exibindo com o viés municipalista do seu Governo resolver entrar na disputa.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão mantém segredo absoluto sobre o teor da conversa com Lula

Lula da Silva e Carlos Brandão:
pacto de silêncio sobre acertos

O governador Carlos Brandão vem cumprindo rigorosamente a promessa de manter sigilo absoluto sobre a pauta da sua conversa com o presidente Lula da Silva, ocorrida na semana passada, para tratar do complicado cenário sucessório do Maranhão. Ele nada revelou a interlocutores nem a auxiliares.

O mandatário deve, naturalmente, ter reunido um petit comité para tratar do assunto, que envolve o seu futuro político e destino dos projetos de candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB) e do vice-governador Felipe Camarão (PT). E mais do que isso, o futuro imediato da sua relação com o projeto de reeleição do presidente da República.

Numa resposta lacônica dada à Coluna na última sexta-feira, minutos após deixar o Palácio do Planalto, o governador disse apenas o seguinte: “Muito boa a conversa”. E diante de nova indagação, ele avisou: “Reunião fechada. Sem anúncio das conversas”.

Na manhã de sábado, a Coluna tentou mais uma vez obter dele pelo menos uma pista sobre o que foi conversado, e a resposta foi direta e definitiva: “Não tem como revelar estratégia política. Precisamos primeiro construir internamente as soluções”.

Sem se dar por vencida, mas respeitando as regras, a Coluna tentou obter alguma réstia de posição do governador Carlos Brandão sobre a possibilidade de ele vir a ser candidato a senador, observando o fato de ele detentor de elevado prestígio, segundo pesquisas mais recentes. Mas de novo ele desviou a indagação postando uma figurinha com uma frase que produziu uma incógnita: “Vamos em frente”.

E nada, nada mesmo além disso, o que gerou a expectativa de que o que vem por aí vai sacudir de vez o tabuleiro da política maranhense.

Embate no plenário da Câmara de São Luís reflete tensão da corrida à presidência

Paulo Victor e Flávia Berthier: embates

 Ganha doses diárias de tensão o clima na Câmara Municipal de São Luís, onde ontem, mais uma vez, foi registrado um embate entre o presidente da Casa, vereador Paulo Victor (PSB), e a vereadora Flávia Berthier (PL).

A vereadora reclamou que não fora atendida pela presidência numa solicitação para contratar um coffee break para um evento por ela organizado no Palácio Pedro Neiva de Santana. O presidente Paulo Victor reagiu reconhecendo a falha, mas ponderou que já atendera a vereadora, como o suporte jurídico que a Câmara lhe deu contra denúncia de suposta irregularidade em emendas da parlamentar.

A declaração do presidente Paulo Victor deixou a vereadora Flávia Berthier muito irritada, a ponto de declarar que renuncia o mandato se algo de errado for encontrado no uso dos recursos das suas emendas. O líder do PL, vereador Aldir Jr., saiu em defesa da colega dele de partido, aumentando o clima de tensão.

Esses momentos de tensão no plenário da Câmara Municipal de São Luís é reflexo da briga pelo comando da Casa, que tem de um lado a candidatura do vereador Beto Castro (Avante), apoiado pelo presidente Paulo Victor e por cerca de 20 dos 31 vereadores, e de outro o vereador Marquinhos (União), que começou sozinho e vem atraindo apoios como o dos dois vereadores do PL e de outros partidos, como o da vereadora Clara Gomes (PSD).

Não há dúvida de que Beto Castro é favorito e deve vencer a eleição, que será realizada em abril. Mas o projeto de conseguir unanimidade por ele alinhavado já saiu da pauta.

São Luís, 06 de Novembro de 2025.

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