
Neto com menos força no jogo político e partidário
Dois fatos, que aparentemente não guardam qualquer relação entre si, fortaleceram, no final da semana que passou, a avaliação de que o governador Carlos Brandão (PSB) caminha, rápida e efetivamente, para ter o pleno domínio das forças que atualmente dão as cartas no cenário político do Maranhão. O primeiro, no campo político-partidário, foi o embarque do Republicanos na locomotiva governista, e o segundo foi o cavalo de pau do Solidariedade no caso das mudanças de regras da Assembleia Legislativa para escolher conselheiro do Tribunal de Contas, que permanecia emperrado no Supremo Tribunal Federal sob a relatoria do ministro Flávio Dino. Os dois eventos mandaram para o espaço o que havia de dúvida em relação ao poder de fogo político do governador Carlos Brandão e seu grupo, ao mesmo tempo que fragilizaram ainda mais a oposição dinista, turbinando a impressão de que o chefe do Executivo estadual poderá mesmo permanecer no cargo até o final do seu mandato e lançar um candidato seu à sua sucessão.
O primeiro evento, que envolveu 24 prefeitos e um deputado estadual, passa, à primeira vista, a impressão de que se trata de um caso comum na vida partidária. Poderia ser visto assim, mas ganhou uma dimensão bem maior, quando o projeto do Republicanos na aliança governista é apoiar a provável candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão, que é filiado ao MDB, ao Governo do Estado, consolidando declaração do seu presidente, deputado federal Aluísio Mendes, nesse sentido há algumas semanas, em urbanos Santos. O outro aspecto que dá importância ao movimento do Republicanos é o aumento do peso político da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (PSB), que foi peça decisiva na adesão do Republicanos à base governista.
O outro episódio, cujos desdobramentos ainda estão em curso, e que trouxe para o tabuleiro político tropeço gigantesco do comando do Solidariedade no Maranhão, foi desautorizado pelo comando nacional do partido no controvertido caso das regras para escolha de membros do TCE. Principal voz da oposição ao Governo e ao governador Carlos Brandão, o deputado Othelino Neto foi apanhado num contrapé inesperado, que lhe tirou não apenas um foco de pressão sobre a seara governista, impedindo a nomeação de dois novos conselheiros do TCE, mas também a carta branca para falar em nome do partido no Maranhão. O gesto espantoso do Solidariedade de reconhecer a improcedência da ação alimentada em seu nome contra a Assembleia Legislativa erodiu a autoridade que o deputado Othelino Neto e desmontou o principal foco de oposição na Assembleia Legislativa. E como o primeiro evento, fortaleceu, em larga escala, o poder de fogo da presidente Iracema Vale.
Os dois eventos, como vários outros ocorridos recentemente no tabuleiro da política maranhense, fortalecem, sem dúvida, a cada vez mais poderosa banda governista, turbinando fortemente o projeto de candidatura do secretário Orleans Brandão, que já não esconde os seus movimentos de pré-candidato em ritmo de pré-campanha, agora embalado por pesquisas municipais que já o apontam como um aspirante movimentando-se em curva ascendente. E reforçando o seu cacife com a intensa articulação da deputada-presidente Iracema Vale, que vem demonstrando uma eficiência fora do comum, principalmente na seara parlamentar.
Eventos como esses estão naturalmente relacionados à corrida sucessória, que está deflagrada de maneira irreversível, com os seus participantes, em especial o vice-governador Felipe Camarão (PT) – vê reduzida a cada dia a possibilidade de assumir o Governo e concorrer à reeleição como governador – já se movimentando em ritmo de caça ao voto. Ao mesmo tempo, os eventos, em especial o “anarriê” do Solidariedade, consolidam o poder de fogo da base governista e encolhe a oposição na Assembleia Legislativa.
O mundo político aguarda a manifestação do deputado Othelino Neto em relação ao movimento de natureza autofágica do seu partido.
PONTO & CONTRAPONTO
Maranhãozinho e colegas caminham sob risco de condenação por venda de emendas
Por mais que exiba força política e partidária, mantendo até agora intacto o seu cacife de chefe supremo de uma bancada de quatro deputados federais, uma representação de seis deputados estaduais, mais de 40 prefeitos e uma volumosa penca de vereadores, com todos lhe garantindo fidelidade, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) começa a perceber o tamanho da confusão em que está metido por conta da acusação, feita pela Polícia Federal, de ser “comerciante” de emendas parlamentares. Ele está a caminho de uma possível condenação na Suprema Corte em processo relatado pelo ministro Flávio Dino.
O caso já é muito conhecido: ele e os deputados Pastor Gil (PL) e Bosco Costa (PL-SE) foram denunciados pelo então prefeito de São José de Ribamar, José Eudes (PTB), de quem “cobraram” 25% de um pacote de emendas no valor de R$ 6 milhões que destinou ao município. Indignado com a cobrança criminosa, o prefeito não apenas se negou a fazer o tal pagamento, como também denunciou o caso à Polícia Federal, que fez a investigação e afirma, no seu relatório ao Ministério Público Federal que seria tudo verdade.
Josimar de Maranhãozinho, que foi minuciosamente investigado e acusado de ser um dos operadores de um milionário “negócio” envolvendo emendas parlamentares, nega as acusações. Ele garantiu que durante o processo demonstraria ser inocente, mas o que foi mostrado foram evidências mais fortes de que a acusação está muito bem fundamentada. E isso significa que o chefe maior do PL no Maranhão encontra-se na iminência de ser condenado, perder o mandato e ser banido da vida política.
A situação do parlamentar e seus colegas entrou numa espécie de contagem regressiva.
Pré-campanha: Camarão quer ser apenas “Felipe” e Brandão somente “Orleans“

Orleans Brandão quer ser chamado de “Orleans”
O vice-governador Felipe Camarão (PT) e o secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB) encontram-se tão envolvidos no clima de pré-campanha ao Palácio dos Leões que já cuidam de detalhes relacionados com as suas imagens de pré-candidatos a caminho da candidatura. E dois desses detalhes são a condição de representantes e os nomes que usarão na corrida ao voto.
O vice-governador foi escalado pelo Palácio do Planalto para representar o presidente Lula da Silva (PT) em eventos nos quais o Governo Federal seja a parte principal. Um exemplo aconteceu na última sexta-feira (04), em Nina Rodrigues, onde fez uma visita de trabalho para representar o presidente da República na assinatura de contratos para beneficiar 40 famílias com o programa Minha Casa, Minha Vida. O vice-governador vestia uma camiseta com o nome “Felipe” estampado no peito, numa indicação clara de que será esse o nome que adotará na campanha.
Na mesma sexta-feira, o secretário Orleans Brandão foi escalado pelo Palácio dos Leões para representar o governador Carlos Brandão na inauguração da reforma e ampliação do Centro de Ensino Dr. Geraldo Melo, na Cohab, em São Luís. Ali, em meio a cumprimentos e conversa com estudantes, o representante do governador Carlos Brandão foi chamado apenas de “Orleans”, como vem acontecendo nas suas incursões pelos municípios.
Em resumo: Felipe não quer ser chamado de Camarão e Orleans que afastar por alguns meses a condição de “Brandão”.
São Luís, 08 de Julho de 2025.
