Brandão arma sua maior cartada política ao ficar no Governo e apoiar Orleans para sucessor

Carlos Brandão decide cumprir
os quatro anos do mandato

O governador Carlos Brandão (PSB) fez a maior aposta da sua até agora bem-sucedida carreira política, em que foi o poderoso secretário chefe-chefe da Casa Civil no Governo de José Reinado Tavares, deputado federal por dois mandatos, vice-governador por sete anos e menos e três meses, e governador reeleito em turno único em 2022, cumprindo atualmente o terceiro ano do seu mandato. Rompido com seu antecessor e parceiro Flávio Dino, hoje ministro da Suprema Corte, o governador decidiu abrir mão de um mandato quase certo de senador, vai permanecer no cargo até o final do mandato (31/12/2026), com o objetivo de conduzir as forças aliadas em torno da candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), seu sobrinho e principal auxiliar, à sua sucessão nas eleições de 2026. Com a decisão de não renunciar para ser candidato ao Senado, Carlos Brandão tira o lastro do projeto de candidatura ao vice-governador Felipe Camarão (PT), que nesse jogo representa o que se convencionou chamar de dinismo.

Tema principal de especulações, a decisão de permanecer não foi ainda declarada pelo próprio governador. Mas ficou evidenciada sexta-feira (18), em São Luís, no ato em que o presidente nacional da Federação União Progressista, Antônio Rueda, anunciou o apoio da organização partidária ao projeto de candidatura do secretário Orleans Brandão, que no ato se declarou pré-candidato. Essa manifestação confirma também a decisão do mandatário maranhense de não disputar o Senado, pois do contrário, Orleans Brandao não seria pré-candidato assumido e declarado nem a Federação União Progressista teria feito esse movimento de apoio, inclusive lançando dois candidatos ao Senado, o ministro do Esporte André Fufuca (PP) e o líder da bancada do União na Câmara Federal, Pedro Lucas Fernandes (União).

A aposta do governador Carlos Brandão é alta e desafiadora. À frente de um Governo de viés municipalista, o que tornou o secretário Orleans Brandão o seu braço direito, Carlos Brandão faz uma gestão bem avaliada, que mantém, ampliou os programas sociais do Governo Flávio Dino – Restaurantes Populares e Centro de Hemodiálise, por exemplo –, e se voltou fortemente para uma relação produtiva com os municípios, o que vem lhe dando uma forte base de apoio de prefeitos e vereadores. Tem sido um processo intenso e abrangente, coordenado pelo secretário Orleans Brandão, que faz a ponte entre os prefeitos e o gabinete principal do Palácio dos Leões. E também criticado por adversários.

O afastamento visível e o rompimento ainda não declarado com o ministro Flávio Dino e o grupo que o segue parecem irreversíveis. E começa exatamente com o fato de que a decisão de permanecer desmonta de vez o projeto do vice-governador Felipe Camarão (PT) de se tornar governador e com correr à reeleição no cargo, que pode criar tensões com comando do PT. E com o Palácio do Planalto, Vozes dinistas acusam o governador de romper um acordo em torno de Felipe Camarão. A interlocutores próximos, o governador garante que esse acordo nunca foi firmado, portanto, nunca existiu, e que por isso ele não está obrigado a cumpri-lo. Além disso, Carlos Brando acusa o grupo dinista de agredir a ele e a seu Governo com “factoides” judiciais – como o imbróglio sobre a escolha de conselheiros do TCE pela Assembleia Legislativa, emperrado há mais de um ano no birô do ministro-relator Flávio Dino na Suprema Corte. Corre no maio político que o grupo dinista vai jogar pesado contra o governador se a situação permanecer.

O fato é que, embalado por um Governo avaliado positivamente, com um caixa fornido, e no controle de um cacife político e administrativo poderoso, o governador Carlos Brandão resolveu jogar alto, mesmo avaliando que toda empreitada dessa natureza e dessa envergadura contém riscos. Isso porque adversários desse projeto, a começar pelo vice-governador Felipe Camarão, com o aval silencioso do ministro Flávio Dino e com as bênçãos do novo comando nacional do PT e do Palácio do Planalto, mantém seu projeto de candidatura, afirmando que será candidato de qualquer maneira. Além disso, o animado e declarado projeto de candidatura do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (Novo) ganha o status de risco. E mais o futuro não desenhado do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), que não disse se será candidato, mas lidera com folga a preferência do eleitorado segundo mostraram as 19 pesquisas feitas até para medir a corrida sucessória.

Como é visível e indiscutível, a decisão silenciosa do governador Carlos Brandão definiu o roteiro para a corrida aos Leões.

PONTO & CONTRAPONTO

Por motivos e objetivos diferentes, permanência de Brandão será diferente das de Luiz Rocha e José Reinaldo

Carlos Brandão vai entrar no time de
governadores eleitos que cumpriram
quatro anos de mandato

O governador Carlos Brandão (PSB) será o terceiro mandatário maranhense a permanecer no Governo e abrindo m]ao de disputar uma cadeira no Senado. Ele se juntará a um time formado por Luiz Rocha, que governou o estado entre 1983 e 1986, e José Reinaldo Tavares, que comandou a máquina maranhense de 2012 a 2006. A diferença é que, ao contrário dos outros dois, ele decidiu ficar por viabilizar um projeto que, se bem-sucedido, o manterá próximo ao poder por mais quatro anos.

Item especial da sua rica trajetória política – vereador, deputado estadual, deputado federal e governador eleito em 1982, Luiz Rocha montou o seu roteiro para deixar o Governo em abril de 1986 e disputar o Senado, no que seria uma eleição quase sem risco, dada a sua força no interior. Ocorre em 1984, para chegar à vice-presidência da República, José Sarney, que viria a ser presidente, fizera um acordo com o PMDB assegurando que o sucessor de Luiz Rocha no Governo seria então deputado federal Epitácio Cafeteira. Luiz Rocha e mais de uma centena de prefeitos foram chamados ao Palácio do Planalto e comunicados pelo próprio presidente que o seu candidato seria Epitácio Cafeteira e que ele, Luiz Rocha, permaneceria no Governo até o final, para garantir a vitória da chapa governista. Luiz Rocha e seus aliados reagiram, mas o presidente José Sarney “sufocou” a revolta e o obrigou a cumprir seu mandato até o fim. Quando deixou o poder e ficou sem mandato, Luiz Rocha virou alvo do novo Governo.

O dado central: se tivesse renunciado para ser senador, Luiz Rocha teria de passar o Governo para o vice-governador João Rodolfo, homem de confiança do senador João Castelo, uma situação inaceitável para o presidente José Sarney.

Já o governador José Reinaldo Tavares decidiu permanecer no Governo para ajudar o candidato oposicionista Jackson Lago derrotasse a senadora Roseana Sarney nas urnas. Político umbilicalmente ligado ao Grupo Sarney, José Reinaldo entrou em rota de colisão com ex-presidente quando a governadora Roseana Sarney, de quem era vice, sinalizou que não o queria como sucessor. Ela já caminhava para escolher um candidato, quando, em março de 2002, estourou a bomba do Caso Lunus, que desmontou toda a sua base política. Semanas depois, Roseana Sarney, fragilizada, renunciou ao Governo para concorrer ao Senado e José Reinaldo assumiu e se reelegeu. Ao longo do seu Governo, as relações com seus aliados se deterioraram, o que o levou a abrir mão de disputar o Senado e jogar todo o seu poder político e governamental no apoio à candidatura de Jackson Lago (PDT), que derrotou Roseana Sarney. E como estava escrito nas estrelas, Jackson Lago se afastou do seu apoiador, que acabou isolado e se elegendo deputado federal em 2014, tendo sido esse o seu último mandato eletivo até aqui.

Dado essencial: com a renúncia de José Reinaldo para se candidatar ao Senado em 2006, o Governo cairia nas mãos do vice-governador Jura Filho, muito ligado ao Grupo Sarney por intermédio do ex-senador João Alberto. Situação inaceitável para José Reinaldo.

O caso do governador Carlos Brandão não difere muito dos de Luiz Rocha e José Reinaldo Tavares. Ele vai permanecer no Governo com os seus principais adversários pressionando para ele sair. Na hipótese da renúncia, o Governo será assumido por Felipe Camarão, que brigará pela reeleição. A diferença é que Carlos Brandão quer permanecer no Governo por avaliar que, aconteça o que acontecer depois, ele vai brigar pela eleição de um sucessor no qual deposita toda a sua confiança, certo também de que ficará sem mandato. Se der tudo certo, será a vitória suprema; se dão der, seu futuro será incerto. E pelo visto, até aqui ele acredita que pode dar certo.

Iracema reafirma apoio a Orleans ao Governo e Weverton ao Senado e deixa segundo nome em aberto

Iracema Vale reafirma apoio a
Orleans Brandão e Weverton Rocha

“Política se faz com diálogo, lealdade e respeito às construções coletivas. Tenho deixado claro que, para 2026, minhas preferências são: Orleans Brandão para o Governo do Estado e Weverton Rocha para o Senado”.

A declaração é da presidente da Assembleia legislativa, Iracema Vale (PSB), feita pera reforçar a sua posição em relação às escolhas majoritárias para 2026. Ela desmonta assim especulações que vieram à tona após a declaração de apoio da Federação União Progressista, à pré-candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas, lançando também os deputados federais André Fufuca (PP) e Pedro Lucas Fernandes (União) ao Senado.

A posição de Iracema Vale está definida faz tempo. Ela sempre deixou claro que seu primeiro voto seria para o governador Carlos Brandão, caso ele se lançasse candidato. De uns tempos para cá, provavelmente já informada de que Carlos Brandão não deixará o Governo, ela se posicionou pela pré-candidatura de Orleans aos Leões e ao projeto de reeleição do senador Weverton Rocha (PDT).

Agora, que o seu grupo está definido para o Governo e tem o senador Weverton Rocha como primeiro candidato a senador, ela ainda está trabalhando para definir o segundo candidato. Além do ministro André Fufuca e do líder Pedro Lucas Fernandes, ela poderá ter como opção a deputada federal Roseana Sarney (MDB), que estaria avaliando a hipótese de entrar nessa briga diante da decisão do governador Carlos Brandão não concorrer.

A presidente da Assembleia Legislativa só definirá o seu outro candidato ao Senado depois que o quadro estiver definido, incluindo a senadora Eliziane Gama (PSD), que busca a reeleição e deve se alinhar à provável candidatura do prefeito Eduardo Braide (PSD).

São Luís, 20 de Julho de 2025.

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