MDB escolherá presidente por consenso e vai para as eleições municipais com Victor Mendes candidato em São Luís

 

Roberto Costa, Hildo Rocha e Assis Filho: um deles ser[a o futuro presidente do MDB, por consenso ou por disputa
O braço maranhense do MDB está vivo. E a crise que ameaçava rachá-lo de vez foi adiada. Foi esse o resultado da reunião que colocou em mesa redonda as principais lideranças do partido, com exceção da ex-governadora Roseana Sarney, que não compareceu, mas mandou recados pacificadores, entre eles o de que não quer mais a presidência da legenda. Os 19 graúdos do MDB maranhense – entre eles os senadores João Alberto (atual presidente) e Edison Lobão, os deputados federais João Marcelo, Hildo Rocha e Victor Mendes, os deputados estaduais Roberto Costa e Arnaldo Melo, e os prefeitos Assis Ramos (Imperatriz) e Irlahir Moraes (Rosário) -, após uma ampla discussão, decidiram que o partido fará Oposição total ao Governo Flávio Dino (PCdoB), e que disputará as eleições municipais no maior número possível de municípios, a começar por São Luís, apontando o deputado federal Victor Mendes como provável candidato. Resolveram, finalmente, que o futuro presidente do partido será escolhido por consenso, em convenção a ser realizada no dia 14 de Dezembro. Com as decisões – todas interligadas -, o comando emedebista sufocou a ameaça de “racha” que rondava a agremiação.

A quebra da tensão aconteceu quando o grupo foi informado de que a ex-governadora Roseana Sarney, que pretendia suceder a João Alberto, refez sua posição e concordou que o comando do partido deve ser entregue a uma liderança da nova geração, como vem sendo defendido pelo deputado Roberto Costa. A partir daí, os líderes formaram uma comissão para organizar convenção que será realizada no dia 14 de Dezembro, quando o novo presidente deve ser escolhido por consenso. Estão no páreo o deputado estadual Roberto Costa, o deputado federal Hildo Rocha e o atual secretário nacional de Juventude, Assis Filho. Se não houver consenso, a escolha do presidente será transferida para uma nova convenção, a ser realizada no dia 17 de Fevereiro do ano que vem. E se caso o consenso não seja alcançado, haverá disputa na mesma convenção. A comissão será formada pelos prefeitos Assis Ramos e Irlahir Moraes, o deputado federal João Marcelo, o deputado estadual eleito Arnaldo Melo e o ex-deputado federal Sétimo Waquim.

Uma das decisões mais rápidas da reunião foi a de manter o MDB fazendo Oposição cerrada ao Governo Flávio Dino. Os maiorais do partido não engolem a derrota nas urnas, e acham que para sobreviver o MDB deve se manter como o principal contraponto do Governo do PCdoB, que lhe tomou a posição de maior agremiação do estado. Hoje sem o Governo do Estado, e na iminência de ficar sem dois senadores e sem vínculos com a máquina federal, com apenas dois deputados federais, dois estaduais e 22 prefeitos, o MDB tem dois caminhos, aliar-se formal ou informalmente ao Governo do PCdoB ou se consolidar como seu principal adversário. O caminho escolhido pelos líderes durante a reunião é o segundo. Assim, o partido continuará em clima de guerra declarada ao Governo Flávio Dino, segundo posição informada pelo ainda presidente do partido, senador João Alberto. A expectativa é a de que o partido possa pelo menos retomar parte do seu poder de fogo na seara municipal nas eleições de 2020.

A reunião mostrou que os próximos líderes do MDB têm um enorme desafio pela frente. Para começar, o adversário a ser batido está no comando do Estado, tem uma liderança forte e em plena ascensão e com muita força e disposição para levar à frente um projeto de poder bem concebido e que tem tudo para continuar dando certo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Victor Mendes será lançado pré-candidato hoje na convenção municipal do MDB

Victor Mendes será lançado pré-candidato a prefeito de São Luís em convenção do MDB

Na convenção que realizará hoje e que elegerá o advogado André Campos para assumir o seu comando em São Luís, o MDB deve anunciar o deputado federal Victor Mendes como pré-candidato à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT) em 2020. Essa posição foi definida ontem, na reunião da cúpula partidária, que resolveu, entre outras coisas, preparar o partido para participar fortemente das eleições municipais, a começar pela Capital. E partiu do parlamentar a iniciativa de se colocar à disposição do partido para ser candidato a prefeito de São Luís. A manifestação de Victor Mendes foi bem recebida pela cúpula do partido, que viu no gesto a solução de um problema que começava a inquietá-la, Jovem, com boa formação, com uma passagem bem avaliada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, e com um lastro político de dois mandatos parlamentares, Victor Mendes reúne as condições básicas para entrar na corrida ao Palácio de la Ravardière com bagagem para contribuir para a elevação do debate sobre São Luís numa disputa que poderá ter nomes como os deputados federais eleitos Eduardo Braide (PMN) e Bira do Pindaré (PSB), e os deputados estaduais reeleito e eleito Neto Evangelista (DEM) e Duarte Júnior (PCdoB), entre outros nomes de expressão.

 

Roseana Sarney abre mão de disputar a presidência do MDB e apoiará nome de consenso

Roseana Sarney desiste da presidência do MDB e evita crise no partido, que elegerá por consenso

Ao recolher seu projeto de presidir o MDB maranhense num momento em que o partido precisa de novo comando para dar uma guinada no seu curso, a ex-governadora Roseana Sarney deu uma demonstração de que amadureceu politicamente. Sua presença no comando do partido poderia até passar a ideia de mudança, mas dificilmente lhe daria um novo caminho. O desdobramento mais provável seria a transformação do MDB num pote de insatisfações. Depois de tantos anos dando as cartas no partido, sem ser contrariada pelos seus aliados, a ex-governadora percebeu que seu comando agora não seria aceito nem pelos mais próximos. Nada a ver com a sua posição de liderança, mas pelo fato de que ela não mais representa o novo nem ousaria suficiente para sacudir o partido na intensidade que os líderes da nova geração cobram. Compreendeu que mais vale continuar como uma referência, uma conselheira, podendo até fazer valer uma ou outra orientação sua, e – quem sabe? – se desaposentar outra vez para encarar as urnas. Ela sabe que, se viesse a assumir a direção partidária, com dedicação integral, a tarefa se tornaria enfadonha em pouco tempo. Vale também para experimentar pela primeira vez o que é construir um consenso que não seja em torno dela própria. Um aprendizado tardio, mas ainda muito útil.

São Luís, 23 de Novembro de 2018.

 

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