Sem Braide e Duarte Jr., debate da TV Difusora foi dominado por Neto Evangelista, Rubens Jr. e Bira do Pindaré

 

Ricardo Marques conduziu o debate em que Neto Evangelista, Rubens Jr. e Bira do Pindaré reduziram a atuação de Jeisael Marx, Yglésio Moises e Franklin Douglas

Último evento da campanha dos candidatos à Prefeitura de São Luís, o debate na TV Difusora, organizado pelo programa radiofônico Ponto & Vírgula e realizado 48 horas das eleições, pode ser visto por duas lentes. A primeira foi, claro, a ausência de Eduardo Braide (Podemos) e Duarte Jr. (Republicanos), os dois candidatos que lideram a corrida, segundo as pesquisas de intenção de voto. A segunda foi que os candidatos que participaram – Neto Evangelista (DEM), Rubens Jr. (PCdoB), Bira do Pindaré (PSB), Jeisael Marx (Rede), Yglésio Moises (PROS) e Franklin Douglas (PSOL) aproveitaram ao máximo o tempo que lhes foi concedido e, sem apresentar qualquer novidade em matéria de proposta para melhorar a cidade, reafirmaram suas posições e mais uma vez demonstraram, cada um a seu modo, que, juntamente com os ausentes, formam um time de candidatos de primeira linha. Ou seja, o debate cumpriu seu objetivo dando voz aos candidatos que participaram, e transcorreu com alguns chutes e caneladas, mas sem as tensões que certamente o dominariam se os candidatos do Podemos e do Republicanos tivessem participado.

Eduardo Braide justificou sua ausência recorrendo ao argumento segundo o qual o Sistema Difusora e o programa “Ponto & Vírgula” lhe são hostis. Isso, porém, não o poupou de duras críticas dos presentes, em especial Neto Evangelista e Rubens Jr., que tacharam de “fuga” o gesto do candidato do Podemos. Diagnosticado com Covid-19, Duarte Jr. apanhou menos. Toda pancadaria se deu no início do debate, mas logo em seguida, os dois foram “esquecidos”, tendo os presentes cuidado de ocupar espaço e aproveitar o vácuo deixado pelos dois na tentativa de seduzir o eleitor.

Todos os participantes saíram-se bem. Neto Evangelista repetiu o discurso de que o caminho para  São Luís é aproveitar o que está funcionando bem e melhorar o que não está, o que dá suporte ao bordão das “propostas realistas”. Já Rubens Jr. repisou, com mais ênfase, a bandeira de que só tem um lado, o lado do governador Flávio Dino, o “lado bom”. Bira do Pindaré foi mais enfático e convincente em várias argumentações, defendendo de maneira mais lógica a sua posição contrária ao Acordo de Salvaguarda Brasil/EUA para uso da Base de Alcântara, e foi mais enfático quando defendeu suas propostas de uma política de combate ao racismo. Os três se articularam para manter o debate entre eles,  evitando assim que os demais entrassem na ciranda e os atacassem com acusações e indagações incômodas.

Com o mantra de “falar a verdade”, Yglésio Moises repetiu sua performance de fazer declarações inteligentes e de contestar as propostas que, segundo seus cálculos e equações, não são viáveis, e mais uma vez acusou os líderes da corrida de mentir. Por sua vez, Jeisael Marx repetiu o argumento de que os demais copiaram seu programa de governo. Na linha de sempre, Franklin Douglas dedicou seu tempo ao esforço para criar situações embaraçosas para os concorrentes melhor situados nas pesquisas, no caso Neto Evangelista e Rubens Jr..

Por conta da ausência dos dois candidatos mais fortes, mesmo tendo os participantes se saído bem, demonstrando segurança e desenvoltura, o debate da TV Difusora deixou no ar uma sensação de incompletude. Não se pode dizer que esse ou aquele candidato foi o melhor, mas é justo apontar, por exemplo, que Bira do Pindaré foi muito melhor do que em outros confrontos, e que Rubens Jr. foi firme e convincente em todas as suas intervenções, enquanto Neto Evangelista repetiu a performance de outros debates. E os seis usaram todos os seus recursos de retórica nos três minutos que tiveram para as considerações finais. E, se nada ganharam, Eduardo Braide e Duarte Jr. também não perderam por não participarem. O eleitor indeciso certamente foi dormir mais uma vez mergulhado na dúvida.

Em Tempo: O debate foi bem concebido, com bom formato, e conduzido com eficiência pelo experiente e preparado jornalista caxiense Ricardo Marques.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Jornalistas atuantes pleiteiam vagas na Câmara Municipal de São Luís

Marcial Lima, Ademar Danilo, Batista Matos, Mário Carvalho, Sarmartony Martins e Emílio Azevedo representam  Jornalismo na disputa para a Câmara Municipal 

Entre os mais de 900 candidatos a vereador de São Luís, um número pequeno deles, mas expressivo pela qualidade política, representará o Jornalismo. Todos são profissionais altamente qualificados, com trabalho conhecido e reconhecido, e que têm consciência a respeito do passo que estão dando. São eles Marcial Lima (Podemos – 19555), Ademar Danilo (PCdoB – 65444), Batista Matos (Patriota – 51888), Mário Carvalho (Avante – 70206), Samartony Martins (PTB – 14400) e Emílio Azevedo (PSB – 40021).

Marcial Lima tenta a reeleição. Repórter da TV Mirante e da Rádio Mirante AM, o jornalista soube com inteligência usar a sua experiência nas ruas de São Luís, principalmente nos bairros, onde esteve sempre em contato com os problemas estruturais e as dificuldades sociais e econômicas. Além de jornalista e político, Marcial Lima tem também atuação forte como promotor de eventos culturais, entre eles o festival anual de música nordestina.

Ademar Danilo já foi vereador nos anos 90 apoiado pelo que se convencionou chamar de “massa regueira”. Isso porque falar dele é falar do reggae, que o tem como um dos seus patronos. Foi o primeiro jornalista especializado no ritmo jamaicano a produzir uma coluna temática em O Estado, sendo também um dos primeiros a comandar um programa de rádio sobre a música e a cultura do reggae. Idealizou, realizou e comanda o Museu do Reggae. Militou fortemente no movimento estudantil e no PDT e teve papel decisivo na consolidação do PT no Maranhão. Hoje no PCdoB, tem lastro e estatura política para pedir votos.

Batista Matos é jornalista militante que decidiu mergulhar de cabeça na política. Começou no Jornalismo como repórter esportivo, trabalhou em vários jornais e emissoras de rádio. Ao mesmo tempo, fez política comunitária militando no PDT. Sua atuação o levou ao comando da Secretaria de Comunicação Social no primeiro mandato do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT). Já disputou eleições para a Câmara Municipal, ficou como suplente e chegou a assumir. Está credenciado para pleitear o mandato.

Mário Carvalho é jornalista militante, com forte atuação na Editoria de Política de O Estado como setorista na Câmara Municipal de São Luís. Consolidado como repórter de jornal, avançou profissionalmente e abraçou também o radialismo, chegando a comandar durante anos um programa na Rádio Mirante AM. Mário Carvalho vem há tempos atuando na Assessoria de Comunicação da Câmara Municipal, onde cuidou de um programa de rádio destinado a divulgar informações sobre a atuação dos vereadores. Conhece política e tem autoridade para pleitear o mandato.

Samartony Martins é um dos profissionais mais atuantes no Jornalismo de São Luís, sempre no jornal O Imparcial, opera em praticamente todas as editorias, especialmente produzindo reportagens nas áreas de Política e Cultura. Samartony Martins é também fortemente envolvido com produção cultural, sendo reconhecido como um dos jornalistas mais atuantes nessa área. Tem um trabalho profissional denso e está credenciado a pedir votos para ser vereador.

Emílio Azevedo é um jornalista independente, que associa a atuação profissional com a militância política. Militante de esquerda, que se movimenta com convicção, o jornalista participou de vários projetos editoriais independentes, como a Agência Tambor e o Jornal Vias de Fato, tendo também publicado livro sobre a política maranhense. Emílio Azevedo, como os demais, tem autoridade política para pleitear mandato na Câmara Municipal de São Luís.

A Coluna torce para que sejam bem-sucedidos.

 

Justiça Eleitoral deve decidir hoje se Júlio Matos será ou não candidato em São José de Ribamar

Júlio Matos 

O TRE deve decidir hoje a situação do ex-prefeito Júlio Matos (PL) em relação à corrida à Prefeitura de São José de Ribamar. O julgamento para definir se ele é ou não ficha suja começou na Quarta-Feira (11), tendo o Ministério Público Eleitoral opinado pela negação do registro da sua candidatura sob o argumento de que a decisão do Tribunal de Contas do Estado de “limpar” sua ficha é ilegal, o que o torna inelegível. Dois juízes já votaram de acordo com o MPE. Um juiz pediu vistas e prometeu se manifestar até hoje. Se esse juiz eleitoral, que é um desembargador, seguir os dois primeiros concordando com o MPE, Júlio Matos estará inelegível, independentemente dos dois votos seguintes. Se discordar, a parada será decidida pelos dois juízes que votarão em seguida. O fato é que tudo indica que até o início da tarde o eleitor de São José de Ribamar saberá se Júlio Matos será ou não candidato. Se for candidato, pode vencer a eleição. Se não for, o prefeito Eudes Sampaio deve renovar o mandato.

São Luís, 13 de Novembro de 2020.

 

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