São Luís tem até aqui 12 aspirante à Prefeitura, mas a maioria enfrenta problemas partidários

 

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De cima para baixo: Edivaldo Jr., Eliziane Gama, João Castelo, Sérgio Frota, Andrea Murad, Fábio Câmara, Bira do Pindaré, Roberto Rocha,  Antonio Pedrosa, Saulo Arcangelli, João Bentivi e Zéluis Lago

Até o momento, a Prefeitura de São Luis é a que está atraindo o maior número de candidatos entre as 217 que estão em disputa na movimentada torrente política e eleitoral que desembocará nas urnas de outubro. São nada menos que 12 pretendentes até aqui em ação procurando espaço no colorido e animado cenário eleitoral da Capital, alguns com situação absolutamente definida, com partido garantido e candidatura consolidada; outros com partido definido, mas sem ter ainda garantida a vaga de candidato; e também há os que ainda não têm ninho partidário confirmado nem certeza de que terão vaga de candidato. Em tabuleiro sucessório tão movimentado, os já resolvidos na seara partidária têm naturalmente mais chances que os pretendentes com situação ainda indefinida. A experiência tem mostrado que o grande número de aspirantes a candidato vai sendo “enxugado” à medida que os partidos vão tomando posição e decidindo. Até aqui já se sabe que pelo menos metade dos hoje “pré” serão de fato candidatos. Estão na lista e na briga: Edivaldo Jr. (PDT), Eliziane Gama (Rede), João Castelo (PSDB), Sérgio Frota (PSDB), Rose Sales (PV), Fábio Câmara (PMDB), Andrea Murad (PMDB), Bira do Pindaré (PSB), João Bentivi (PRTB), Antonio Pedrosa (PSOL), Saulo Arcangelli (PSTU) e Zéluís Lago (PPL).

Em post recente, a Coluna avaliou que, de todos os aspirantes ao Palácio de la Ravardière, o até aqui mais bem resolvido política e partidariamente é o prefeito Edivaldo Jr., que  o ano passado, dentro do calendário eleitoral, deixou o PTC e ingressou no PDT já na condição de candidato à reeleição. O prefeito vai brigar para renovar o mandato sem sofrer o desgaste de ter de enfrentar uma briga com um concorrente dentro do seu partido. Assim, sai em grande vantagem em relação aos demais, principalmente os que ainda não têm situação partidária definida. Essa vantagem política pode se transformar em capital eleitoral, já que, ao invés de viver o risco de ter seu prestígio arranhado por uma desgastante refrega interna pela vaga, ele só tem de focar sua movimentação política até à convenção e, depois, prosseguir até a eleição.

A deputada federal Eliziane Gama – que ainda lidera as pesquisas, mas vem perdendo pontos – vem sofrendo desgastes políticos e até mesmo eleitorais exatamente pelo problema que Edivaldo Jr. driblou. Depois de ter deixado o PPS e ingressado na Rede Sustentabilidade, partido de Marina Silva, uma série de fatos e episódios sugeriram que ela poderia ter cometido um erro político que poderia ser eleitoralmente fatal. Visivelmente insatisfeita pelo tratamento que vinha recebendo do comando da Rede, Eliziane Gama andou flertando com outras legendas, entre elas o PSDB, indicando que poderia mudar de partido. Os movimentos da deputada na seara partidária alertou o comando nacional da Rede, que reagiu na quinta-feira com uma nota em que reafirma ser ela a candidata do partido. Na nota, os chefes da Rede afirmam que a candidatura de Eliziane é uma “prioridade nacional” nas eleições municipais, o comando nacional da Rede. A nota tranquilizou a deputada, que agora tem situação partidária definida e vaga de candidato garantida. Ela agora pode seguir em frente.

O ex-prefeito e deputado federal João Castelo e o deputado estadual Sérgio Frota, ambos do PSDB, vêm enfrentando situação e complicada dentro do seu partido. Querem disputar a Prefeitura de São Luís pela agremiação, mas o presidente estadual, vice-governador Carlos Brandão, quer levá-la para uma aliança com o prefeito Edivaldo Jr., dentro da linha de ação definida pelo governador Flávio Dino (PCdoB) em São Luís. O ex-prefeito João Castelo resolveu “pagar para ver”: sexta-feira, ao ser provocado por jornalistas ao sair de um encontro que reuniu jovens lideranças do PSDB, declarou, à la Luis XIV, rei absolutista  de França: “O PSDB sou eu, e serei candidato a prefeito”. Já o deputado Sérgio Frota, certamente por ter certeza de que não terá o PSDB, age em busca de um partido, já tendo recebido vários convites, entre eles um o PSL, com o qual está flertando fortemente e pode aproveitar a “janela partidária” para trocar de legenda.

O vereador Fábio Câmara e a deputada Andrea Murad vivem uma situação de disputa dentro do PMDB no que respeita à corrida para a Prefeitura de São Luís. Antenado, Câmara ousou, colocou-se como pré-candidato, procurou apoios e ganhou comando do partido na Capital, o que é meio caminho para garantir a candidatura. Mas a Coluna foi informada que a deputada Andrea Murad, que vem se consolidando como uma das mais importantes lideranças jovens do PMDB, decidiu – parece que agora para valer – se colocar como pré-candidata, com vários apoios na cúpula do partido. Tomou a decisão depois que Fábio Câmara foi a Brasília na semana passada e se apresentou como candidato ao presidente nacional do PMDB, vice-presidente Michel Temer, à “colega” pré-candidata em São Paulo, senadora Marta Suplicy, tendo sido bem recebido e afagado pelos chefes maiores do partido. Tudo indica que a disputa interna entre Fábio Câmara e Andrea Murad poderá ser resolvida numa festiva convenção, em julho, devendo o PMDB mostrar sua força.

Situação delicada vive o deputado estadual e atual secretário de Estado de Ciência e Tecnologia Bira do Pindaré, que pretende disputar a Prefeitura, mas não está encontrando apoio no seu partido, o PSB, controlado em São Luís pelo senador Roberto Rocha. Bira tem o apoio do Palácio dos Leões, que não anda vendo o senador Roberto Rocha com bons olhos. Rocha, por sua vez, mostra independência, dando sinais de que não tem interesse de liberar a vaga de candidato do PSB para o deputado, chegando até a insinuar que pode ser ele o candidato, no que ninguém acredita. Decido a ser candidato, Bira do Pindaré estuda a possibilidade de aproveitar a “janela” e trocar de partido. Mas a mudança só acontecerá após esgotadas todas as possibilidade de ser candidato pelo PSB.

A rigor, Antonio Pedrosa (PSOL) e Saulo Arcangelli (PSTU) não têm problema com a vaga de candidato em seus partidos. Na verdade, eles estudam a possibilidade de formar uma frente unindo PSOL, PSTU e PCB, devendo haver uma intensa negociação para a escolha do candidato. No cenário atual, Pedrosa tem mais chance de comandar a aliança. Por fim, o médico Zéluis Lago, que tem um partido e candidatura garantidos, só lhe faltando votos.

É esse o cenário do momento na Capital do Maranhão. Mas ele pode mudar nas próximas semanas, à medida que a “janela” para a troca de partido for se fechando até o dia 2 de abril.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

João Alberto acionará Conselho de Ética para ouvir Delcídio do Amaral
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Delcídio do Amaral será ouvido no Conselho de Ética do Senado presidido por João Alberto

O senador João Alberto (PMDB) desembarcará nesta segunda-feira em Brasília com um abacaxi gigantesco para descascar na condição de presidente do Conselho de Ética do Senado da Republica. Com a liberdade condicional dada pelo Supremo Tribunal Federal ao senador Delcídio do Amaral (ex-PT), João Alberto terá de convocar o Conselho para decidir a convocação do colega e, de acordo com o que está previsto, abrir um processo que pode encerrar com a recomendação da sua cassação. Em liberdade condicional e vigiada, Delcídio do Amaral poderá trabalhar normalmente como senador, já que nada o impede de fazê-lo, porque até agora ele é somente alvo de um inquérito no qual é suspeito de agir para atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato no que diz respeito ao ex-diretor da Petrobras e corrupto assumido Nestor Cerveró. Além disso, o senador Delcídio do Amaral se antecipou e já protocolou sua defesa no Conselho de Ética, o que impõe ao presidente João Alberto agilizar o agendamento para que ele seja ouvido. Antes de deixar Brasília no final da semana passada, o senador João Alberto declarou à imprensa que não há problema algum e que como presidente do Conselho vai cuidar para que o ex-senador petista seja ouvido logo e cuidará para que ele tenha assegurado o mais amplo direito de defesa. “Sob minha residência, o Conselho só age dentro da lei”, disse o senador maranhense.

 

Lobão contesta projeto de Serra e defende exclusividade da Petrobras na exploração do Pré-Sal
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Lobão: defende domínio da Petrobras no Pré-Sal

O senador Edison Lobão (PMDB) comprou na semana passada uma boa briga com o senador paulista José Serra (PSDB), por causa de um projeto por meio do qual o tucano está propondo que o Congresso Nacional quebre a exclusividade da Petrobras na exploração do petróleo do Pré-Sal e permita que empresas nacionais e estrangeiras possam também participar da exploração. Um dos responsáveis, como ministro de Minas e Energia nos governos de Lula e Dilma Rousseff, pela consolidação dos projetos para explorar as gigantescas reservas da camada pré-sal, o que exigiu anos de pesquisa para criar a tecnologia que hoje só a Petrobras domina, o senador Edison Lobão é hoje o congressista que melhor conhece o assunto e, baseado no seu conhecimento, considera o projeto de José Serra ruim para a Petrobras e para o Brasil. Na semana passada, Lobão fez um discurso forte no Senado defendendo essa reserva estratégica, por entender que o Brasil não pode abrir mão do domínio total sobre a exploração do petróleo do Pré-Sal, considerado hoje a maior riqueza natural acessível do país. Ninguém discute que entre os políticos brasileiros o senador Edison Lobão seja atualmente a maior autoridade em matéria petróleo, especialmente do Pré-Sal, e com uma visão planetária do assunto, tanto do ponto de vista técnico quanto no viés econômico. Sua manifestação em relação ao projeto do senador José Serra acendeu a luz amarela no plenário do Senado, indicando que a partir do seu posicionamento o nível da discussão será bem mais elevado, o que leva sérios riscos ao projeto do senador paulista.

 

São Luís, 20 de Fevereiro de 2016.

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