Homenagem ao ministro da Justiça partiu de Glalbert Cutrim, mas tem nítidas as digitais de Weverton Rocha

 

Anderson Torres exibe o diloma de cidadania entre Glaubert Cutrim, o autor da proposição, e Weverton Rocha, o inspirador da iniciativa

Se havia ainda alguma réstia de dúvida acerca da proximidade do senador Weverton Rocha (PDT) com o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o pequeno grupo que o cerca em Brasília, essa foi desfeita ontem com a concessão, pela Assembleia Legislativa, do título de Cidadão Maranhense ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres. A concessão foi proposta pelo vice-presidente do Poder Legislativo, deputado Glalbert Cutrim (PDT), mas a iniciativa tem as cinco digitais da mão direita do senador e candidato pedetista ao Governo do Estado. A visita do ministro da Justiça ao Maranhão e os mimos com que foi recebido pelo senador Weverton Rocha e seus aliados deram bem a medida do leque de apoios que o presidente regional do PDT vem articulando para impulsionar sua caminhada na direção do Palácio dos Leões. E nesse projeto, o envolvimento da corrente bolsonarista, incentivada pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, é cada vez maior e mais ostensiva. E como a política tem a máxima “uma mão lava a outra” como regra universal, ainda não está muito claro até agora o que o senador Weverton Rocha coloca na mesa como contrapartida nessa relação. Nas conversas mais fechadas corre que o presidente Jair Bolsonaro e sua turma querem a não eleição do ex-governador Flávio Dino para o Senado.

À medida que a corrida às urnas vai evoluindo fica mais claro que o senador Weverton Rocha resolveu mesmo partir para o “tudo ou nada”, à base do “vai ou racha”, inclusive deixando de lado os postulados do “socialismo moreno” concebidos por Leonel Brizola e repassados por Jackson Lago e Neiva Moreira aos seus seguidores no Maranhão. Os primeiros movimentos reveladores da sua relação com a cúpula nacional do bolsonarismo chocaram os que o conhecem como “cria política e ideológica” de Jackson Lago. Muitos mergulharam na incredulidade e só conseguiram admitir o que viam depois que a “amizade” virou “namoro” e caminha célere para o “noivado”. Ao formar uma frente com o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) e o senador Roberto Rocha (PTB) na disputa de poder com o governador Carlos Brandão (PSB), que busca a reeleição, e o ex-governador Flávio Dino (PSB), pré-candidato ao Senado, o senador Weverton Rocha deixou muito claro que não vai reconhecer obstáculos para consumar o seu projeto de poder.

Além da motivação pessoal, sua caminhada ganha impulso com o aval dos principais inimigos políticos do ex-governador Flávio Dino, como o presidente do PSC no Maranhão, deputado federal Aluísio Mendes, hoje um aliado de primeira linha do Palácio do Planalto; o presidente do PSD, deputado federal Edilázio Jr., ele também integrante da falange bolsonarista na Câmara Federal, e o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (sem partido). Fora desse circuito partidário, o pré-candidato do PDT tem enfrentado muita dificuldade para se relacionar com a sociedade civil organizada – empresários, sindicalistas, profissionais liberais das mais diversas áreas, artistas, profissionais da cultura, etc. – atraindo para a base da sua pré-candidatura grupos sem ligação. Seus aliados garantem que ele tem uma forte base municipalista, havendo, por outro lado, quem garanta que não é tão forte assim.

A concessão do título de Cidadão Maranhense ao ministro da Justiça ganhou a simbologia de um marco nessa pré-campanha eleitoral e de um momento importante na biografia política do senador Weverton Rocha, ainda que formalmente a iniciativa leve a assinatura do deputado Glalbert Cutrim – que fez de bom grado – e do irmão dele, o deputado federal Gil Cutrim (Republicanos). Ao articular a iniciativa, o senador assumiu de vez a relação com os atuais ocupantes do Palácio do Planalto, classificando sua postura como “maturidade política”, e com isso avisou aos seus adversários, em especial o governador Carlos Brandão e o ex-governador Flávio Dino, que está por inteiro na disputa, disposto a usar todo e qualquer recurso político ao seu alcance para chegar ao Palácio dos Leões. E lá morar por mais de sete anos.

Montada a estrutura política do seu projeto de poder, falta agora combinar com o eleitorado.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Othelino Neto e Paulo Velten atuaram institucionalmente na recepção ao ministro da Justiça

Paulo Velten, Othelino Neto e Weverton Rocha  observam a entrega do título a Anderson Torres por Glalbert Cutrim

Muita gente estranhou que o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB) tenha presidido a sessão especial na qual foi entregue o título de Cidadão Maranhense ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, e que dela tenha participado o governador interino Paulo Velten.

Para começar, Othelino Neto é o presidente do Poder Legislativo, que por força do cargo, não pode, ou pelo menos não deve adotar posição político-partidária numa situação como essa. Goste-se ou não, o delegado da PF Anderson Torres é o ministro da Justiça, e salvo algumas decisões polêmicas, a maioria delas incentivadas por seu chefe maior, vem atuando sem brilho, mas também sem muita poeira. O presidente Othelino Neto agiu como chefe de poder ao presidir a sessão na qual o deputado Glalbert Cutrim entregou o diploma ao ministro.

O caso do governador interino Paulo Velten está também plenamente justificado. Além de chefe temporário do Poder Executivo, ele é o chefe titular do Poder Judiciário, uma instituição que tem muita relação com o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Na condição de governador interino e apartidário, fez o correto ao prestigiar a concessão ao ministro e depois recebê-lo no Palácio dos Leões numa visita informal, mas de peso simbólico.

O presidente Othelino Neto e o governador interino Paulo Velten cumpriram suas obrigações institucionais.

 

Governistas aguardam o retorno de Brandão a qualquer momento

Carlos Brandão deve receber alta a qualquer momento

Os bastidores do Governo e da política foram agitados ontem pela especulação segundo a qual o governador Carlos Brandão pode retornar esta semana, provavelmente nesta quarta-feira (30). A principal sinalização nessa direção foi dada pelo governador interino Paulo Velten, que teria planejado para hoje uma reunião com o secretariado com o objetivo de se despedir, depois de mais de um mês no comando do Poder Executivo. Uma fonte ligada ao governador Carlos Brandão disse à Coluna que nada está confirmado, mas admitiu que ele está em forma e deve receber alta a qualquer momento. Brandonistas linha-de-frente garantem que o governador vai dar o tom da pré-campanha no momento em que colocar os pés em território maranhense.

São Luís, 28 de Junho de 2022.

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