Entre Brandão e Lahesio, Weverton turbina pré-campanha e marca convenção para 29 de julho

 

Weverton Rocha registrando ato organizado por Josimar de Maranhãozinho; na foto a deputada Detinha e a prefeita de Zé Doca, Josinha Cunha, irmão do deputado

O senador Weverton Rocha saiu na frente e marcou para o dia 29 de julho a convenção por meio da qual o PDT, partido que preside, oficializará sua candidatura ao Governo do Estado. Sem adversário dentro da agremiação, embora lá existam vozes contrárias à sua liderança e à sua candidatura, o senador pedetista fez do anúncio um fato político, cuja mensagem intrínseca é evidente: sua candidatura é fato consumado e, pelo menos até aqui, nada o fará recuar. Tanto que ele pretende realizar sua convenção no estádio Nhozinho Santos, com o objetivo de reunir uma multidão capaz de abalar a confiança dos demais pré-candidatos. O gigantismo do projeto da convenção do PDT inclui a participação do PL, comandado pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho e que confirmará como vice o deputado estadual Hélio Soares, e de outros partidos menores, que deverão realizar suas convenções no mesmo espaço.

Nos bastidores da corrida eleitoral circula a informação não confirmada de que o resultado da pesquisa Escutec levou o senador a tomar a decisão de radicalizar. Primeiro pelo fato de os números do levantamento apontarem o governador Carlos Brandão (PSB) na liderança, com quatro pontos percentuais à sua frente, mesmo hospitalizado em São Paulo, ausente, portanto, do corpo-a-corpo da pré-campanha. E não bastasse a posição de Carlos Brandão, a pesquisa Escutec mostrou a perigosa aproximação do candidato do PSC, Lahesio Bonfim, avançando na terceira posição.

Político jovem, ambicioso e arrojado, o senador Weverton Rocha está determinado a atropelar todas as circunstâncias adversas e ignorar vieses ideológicos para se tornar governador do Maranhão em outubro, independentemente do custo político que isso possa gerar. Seus passos até aqui confirmam plenamente a observação. Ele ignorou todos os apelos para que apoiasse o governador Carlos Brandão e se candidatasse ao Governo em 2026, mantendo a unidade da aliança construída pelo então governador Flávio Dino (PSB), base que foi decisiva para sua eleição para o Senado em 2018. Inconformado por não ter sido o escolhido, rompeu com Flávio Dino e Carlos Brandão, manteve sua pré-candidatura e se aliou à direita bolsonarista, representada pelo senador Roberto Rocha, candidato à reeleição pelo PTB, partido hoje situado na ala mais agressiva da extrema direita, e ao deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que comanda o PL, empório maranhense do Centrão.

Com essas alianças, o senador, que nasceu no principal viveiro da centro-esquerda, cultivada pelo seu primeiro guru, o ex-governador Jackson Lago (PDT), mergulhou fundo na direção da direita bolsonarista, gerando uma identificação que ultrapassou as fronteiras do Maranhão e foi parar em Brasília, mais precisamente no Palácio do Planalto. Ali, o presidente Jair Bolsonaro, que está usando meios pouco republicanos na busca da reeleição e sabendo que suas chances no Maranhão são quase nulas, resolveu transformar Weverton Rocha em aliado, decisão que revelou ao pedir à prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge (PL), que apoiasse a candidatura dele, o que foi feito prontamente. Numa espécie de curiosa coincidência, o senador Weverton Rocha até agora não deu uma única declaração a favor do ex-governador Ciro Gomes, pré-candidato do seu partido, o PDT, a presidente das República. Ou seja: na sua campanha, o senador dificilmente elogiará o presidente Jair Bolsonaro, mas também dificilmente o criticará, o que, aliás, fez muito pouco nesses três anos e meio.

Ao mesmo tempo em que dá mostras de que tentará se manter próximo do governador Carlos Brandão e assim garantir presença num eventual segundo turno, o senador Weverton Rocha está, de fato, incomodado com a desenvoltura de Lahesio Bonfim, que depois de deixar o ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. (PSD), para trás, agora se movimenta na sua direção, e pelo visto com fôlego para continuar crescendo. Weverton Rocha sabe que poderá ter chegado no seu teto e que corre o risco de ter de travar uma guerra de vida ou morte com o pré-candidato do PSC, que, ao contrário dele, só cresce a cada pesquisa.

Lahesio Bonfim não estava na lista de dificuldades de Weverton Rocha há até pouco tempo, mas hoje ele é a principal dificuldade a ameaçá-lo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Eric Silva (PDT) recebe Flávio Dino (PSB) com festa em Balsas

Acomoanhado de Othelino Neto, Flávio Dino é recebido em Balsas por Eric Silva (d)

Enquanto o senador Weverton Rocha anunciava a convenção do PDT que o ungirá candidato oficial do partido ao Governo do Estado, o prefeito Eric Silva, em Balsas, pedetista de raiz, recebia em grande estilo a visita política do ex-governador Flávio Dino (PSB), pré-candidato ao Senado na chapa liderada pelo governador Carlos Brandão (PSB), acompanhado do coordenador político da sua pré-campanha, deputado Othelino Neto (PCdoB). Eric Silva, um dos políticos mais respeitados do Maranhão na atualidade pela seriedade com que atua, é apoiador linha de frente da pré-candidatura de Weverton Rocha ao Palácio dos Leões, mas decidiu não embarcar na aliança do pedetista com a extrema direita expressada na pré-candidatura do senador Roberto Rocha (PTB) ao Senado, optando por apoiar, com visível entusiasmo, o projeto senatorial do ex-governador Flávio Dino. A aliança eleitoral do prefeito Eric Silva com o ex-governador Flávio Dino decorre do fato de que Balsas, pela importância que tem no cenário econômico do Maranhão, foi alvo da atenção do Governo do Estado nos últimos sete anos e meio, o que fortaleceu a relação política dos dois líderes. Ao mesmo tempo, Eric Silva foi o responsável pelo desmonte do domínio político de Balsas pelo que restara do grupo criado nos anos 80 do século passado pelo então governador Luiz Rocha, o que o tornou adversário histórico do senador Roberto Rocha.

Raposa vê risco de Edivaldo Jr, perder mais terreno

Edivaldo Jr. atrás de Lahesio Bonfim, corre o risco de de ser ameaçado por Simplício Araújo

De uma raposa tarimbada ao avaliar o cenário do momento da corrida ao Palácio dos Leões: “Se não tomar cuidado, o filho do Edivaldo vai acabar tendo de enfrentar o Simplício”.

Tradução: a raposa alerta que o ex-prefeito de São Luís e candidato ao Governo do Estado pelo PSD, Edivaldo Holanda Jr., filho do experiente deputado estadual Edivaldo Holanda (PSD), parece ter mesmo perdido a corrida para o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (PSC), podendo acabar disputando a quarta posição com o suplente de deputado federal Simplício Araújo (Solidariedade), que na última pesquisa Escutec apareceu com 3% das intenções de voto.

Ao ser informado da avaliação, um aliado roxo de Edivaldo Jr. garantiu que ele vai virar esse jogo.

São Luís, 22 de Junho de 2022.

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