Em sabatina no Supremo, Roberto Rocha expõe sua inclinação pelo PSDB, o seu desconforto no PSB e seu afastamento de Flávio Dino

 

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Roberto Rocha: elogios aos governos de Geraldo Alkmin e Aécio Neves por ações na segurança pública e nenhuma menção aos esforços de Flávio Dino na área

 

Se alguém ainda tinha dúvidas de que o senador Roberto Rocha (PSB) se afastou definitivamente do governador Flávio Dino (PCdoB) e que está de fato caminhando para deixar o PSB e ingressar no PSDB, a participação dele na sabatina do ministro da Justiça licenciado Alexandre Moraes, ondem, na CCJ do Senado, funcionou como indicativo claro das duas guinadas em busca de caminho próprio. Com um discurso bem articulado, Roberto Rocha dividiu sua intervenção em duas partes. Na primeira criticou enfaticamente a interferência eventual do Supremo Tribunal Federal nos demais Poderes da República, citando a polêmica prisão do senador matogrossense  Delcídio do Amaral PT, que na sua opinião foi um caso de abuso do Judiciário e em relação ao qual o Senado se dobrou; na segunda, abordou o tema segurança pública tecendo rasgados elogios à política para essa área posta em prática em São Paulo e em Minas Gerais, sem fazer uma menção sequer sobre os esforços que estão sendo feitos nesse campo pelo Governo do Maranhão.

Quando se manifestou sobre o tema segurança pública, Roberto Rocha fez  elogios enfáticos às gestões do PSDB em São Paulo, destacando a do governador Mário Covas e colocando nas alturas a do atual governador Geraldo Alkmin, e em Minas Gerais, fazendo o mesmo com relação à gestão do atual senador tucano Aécio Neves, que na sua avaliação realizou “um grande trabalho” na área de segurança. Dados por ele apresentados mostram que os tucanos paulistas e mineiros investiram também no sistema carcerário, melhorando substancialmente os indicadores da violência nos dois estados. Como contrapeso, com situações negativas,  Roberto Rocha curiosamente citou Pernambuco,  berço de elogiados governos do seu partido, o PSB, sob a liderança do então governador Eduardo Campos, morto em 2014 num acidente aéreo durante pré-campanha à presidência da República; e o Maranhão, que usou como exemplo para citar dois índices negativos nessa área.

Qualquer reflexão, por mais simples que seja, sobre as manifestações do senador Roberto Rocha levará automaticamente à conclusão de que o seu discurso tinha intenções e alvos certos, matando assim três coelhos com uma só cajadada. Com a habilidade das raposas políticas com muita tarimba acumulada, Roberto Rocha sinalizou sua irrefreável inclinação pelo PSDB quando elogiou o desempenho do governador paulista Geraldo Alkmin, que é pré-candidato assumido à presidência da República, e com um trabalho político intenso para ganhar corações e mentes em todo o país, incluindo o Maranhão. (Esse movimento preparatório de Geraldo Alkmin foi confirmado pelos deputados Rogo teles (PV) e Wellington do Curso (PP), que regressaram de reunião da Unale em São Paulo impressionados com os afagos que receberam do governador paulista). Roberto Rocha sinalizou claramente que aspira retornar ao PSDB.

Quando citou o Maranhão no contexto da sua fala, o senador Roberto Rocha disse apenas que o estado tem uma população carcerária de seis mil detentos que enfrenta graves problemas na área de segurança pública. O senador ignorou completamente os investimentos feitos pelo governador Flávio Dino, como a contratação de mais de mil novos policiais militares aprovados em concurso nem na aquisição de novas viaturas e armamento; não disse também uma só palavra sobre as mudanças feitas no sistema penitenciário estadual, que já começam a dar resultados e são apontadas como referência para outros estados em situação dramática, como Acre, Amazonas e Rio Grande do Norte, onde explodiram rebeliões sangrentas nos presídios, resultando em dezenas de mortes.

Com a sua manifestação de ontem na CCJ, o senador Roberto Rocha deixou claro o projeto de seguir o seu próprio caminho, de preferência de reconvertendo ao liberalismo dos tucanos e se afastando do neocomunismo praticado pelo governador Flávio Dino.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Lobão comandou sabatina de Moraes na CCJ
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Edison Lobão na presidência da CCJ durante sabatina de Alexandre de Moraes

Muitos elogiaram, muitos criticaram duramente e muitos aceitaram como normal o fato de o senador Edison Lobão (PMDB) na presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na sabatina do jurista Alexandre de Moraes como indicado do presidente Michel Temer para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal aberta com a morte do ministro Teori Zavaski. Montado em décadas de experiência parlamentar e mesmo com alguma dificuldade com a voz, o senador maranhense cumpriu a sua obrigação institucional com a mais absoluta segurança, assegurando plena normalidade no processo de avaliação do candidato a ministro pelos senadores. Os que elogiaram a presença de Edison Lobão no comando do ato legislativo o fizeram porque sabem que tem desafiado seus acusadores a apresentarem uma prova sequer que o incrimine no processo de investigação. Os que criticaram sua presidência o fazem por entender que um investigado – não réu -, não poderia presidir a sabatina a um candidato a ministro do Supremo. E os que consideraram natural acham que se ele é o presidente da CCJ, seja ou não investigado, nada impede que ele cumpra sua prerrogativa institucional. Perguntaram à ministro aposentada do STJ, Eliana Calmon, conhecida por sua posições radicais contra desvios e distorções nas instituições brasileiras, sobre o que ela achou de Edison Lobão presidir a sessão da sabatina, ela respondeu que se o senador fora eleito presidente, o foi porque contra ele só pesam denúncias que estão sob investigação. Se ele não é réu, tem legitimidade para presidir a sessão. Ou seja, o senador fez o que tinha direito e obrigação de fazer.

 

Eleição na Câmara vira jogo em Bacabal
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Contra a vontade de Zé Vieira, Edvan Brandão foi eleito ontem presidente da Câmara de Bacabal

A eleição, ontem, do vereador Edvan Brandão (PSC) presidente da Câmara Municipal de Bacabal foi mais um passo dos vários que ainda faltam ser dados para devolver a normalidade institucional ao município, mandada para o espaço quando o candidato Zé Vieira (PR) registrou sua candidatura a prefeito e foi o mais votado. O Ministério Público Eleitoral impugnou o registro depois de constatar que, condenado pelo Tribunal de Contas da União, ele se tornou ficha suja e, de acordo com o entendimento do MPE, não poderia ser sequer ser candidato. Mas a roleta dos recursos judiciais começou a rodar e acabou produzindo uma série de liminares que lhes asseguraram até a posse. Agora, o processo é inverso, com as liminares fajutas começando a cair. A eleição, finalmente, do presidente da Câmara de Bacabal ganha, assim, status de fato politicamente correto e de larga importância, pois abre caminho para que a normalidade se reinstale no município, com ou sem uma nova eleição.

 

São Luís,  de Fevereiro de 2017.

 

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